Pertússis

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Pertússis
Classificação e recursos externos
CID-10 A37
CID-9 033
DiseasesDB 1523
MedlinePlus 001561
eMedicine emerg/394 ped/1778
MeSH D014917
Star of life caution.svg Aviso médico

Pertússis, coqueluche ou tosse convulsa é uma doença altamente contagiosa e perigosa para crianças causada pelas bactérias Gram-negativas Bordetella pertussis e Bordetella parapertussis (geralmente com sintomas mais ligeiros), que causa tosse violenta contínua e dolorosa. A patologia é prevenível por vacinação.

Causas[editar | editar código-fonte]

A Bordetella pertussis é transmitida pela inalação de gotas expulsas pela tosse de um doente. As bactérias aderem fortemente ao epitélio ciliado dos brônquios sem invadir as células, permanecendo sempre no lúmen. Cerca de 1/3 dos adultos infectados não apresentam sintomas, mas podem transmitir a doença para seus contatos. É mais perigosa quanto infecta crianças menores de 6 anos.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Após período de incubação de 4 a 20 dias, surge a fase de expulsão de catarro, com rinorreia (nariz escorrendo muco), espirros e tosse moderada, que dura duas a três semanas. A inflamação dos brônquios, com áreas de necrose, aumenta nesta fase.[1]

Após esta fase estabelece-se um tipo de tosse diferente, convulsiva, continua e dolorosa durante em média três semanas e pode ser seguida de vómitos. A tosse segue-se a uma inspiração com som característico, tipo silvo (mais conhecido como "guincho").

Se o doente sobreviver, a fase de convalescença dura também várias semanas. A pertússis mata 1-2% das crianças com menos de um ano atingidas. Pode haver encefalopatia, presumivelmente devido à toxina, em 0,4% dos casos.

Complicações[editar | editar código-fonte]

As complicações possíveis são devidas a organismos (como pneumococos ou Haemophylus influenzae) que aproveitam as lesões da mucosa para invadir o parênquima pulmonar, causando pneumonia.

As complicações mais comuns afetam as vias respiratórias. Os lactentes apresentam um risco especial de lesão devido à falta de oxigênio após períodos de apneia (paradas respiratórias transitórias) ou episódios de tosse. As crianças podem apresentar pneumonia, a qual pode ser fatal. Durante os episódios de tosse, o ar pode ser impulsionado dos pulmões para o interior dos tecidos que os circundam ou os pulmões podem romper e colapsar (pneumotórax). Os episódios de tosse intensa podem causar hemorragia ocular, nas membranas mucosas e, ocasionalmente, na pele ou no cérebro. Pode ocorrer a formação de uma úlcera sob a língua quando esta é comprimida contra os dentes inferiores durante os episódios de tosse. Ocasionalmente, a tosse pode causar prolapso retal ou uma hérnia umbilical, a qual pode ser observada como uma protuberância.

Os lactentes podem apresentar convulsões, mas elas são raras em crianças maiores. A hemorragia, o edema ou a inflamação cerebral podem causar lesão cerebral e retardo mental, paralisia ou outros distúrbios neurológicos. A otite média também ocorre frequentemente em consequência da coqueluche.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Em média, os sintomas começam 7 a 21 dias após a exposição à bactéria causadora da coqueluche. As bactérias invadem o revestimento da garganta, da traqueia e das vias aéreas, aumentando a secreção de muco. A princípio, o muco é fluido, mas, a seguir, ele torna-se mais espesso e viscoso. A infecção dura aproximadamente 6 semanas, evoluindo em três estágios: estágio catarral (sintomas leves semelhantes ao de um resfriado), estágio paroxísmico (episódios de tosse intensa) e estágio de convalescença (recuperação gradual).

O médico que examina uma criança no primeiro estágio (catarral) tem de saber diferenciar a coqueluche da ui, da gripe e de outras infecções virais e inclusive da tuberculose, uma vez que todas essas doenças produzem sintomas parecidos. O médico coleta amostras de muco do nariz e da garganta com uma zaragatoa. A seguir, é realizada a cultura da amostra em laboratório. Quando a criança se encontra no estágio inicial da doença, a cultura do material consegue identificar as bactérias responsáveis pela coqueluche em 80 a 90% dos casos. Infelizmente, a cultura dessas bactérias nas fases mais avançadas da doença é difícil, embora a tosse esteja em sua pior fase. Os resultados podem ser obtidos mais rapidamente através do exame de amostras para detectar bactérias da coqueluche utilizando corantes de anticorpos especiais, mas esta técnica é menos confiável.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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O tratamento com antibióticos como macrolídeos (eritromicina) é mais eficaz se administrado durante a fase com catarro. Na fase apenas com tosse, já não faz mais muita diferença. É auto-limitada, ou seja, dura algumas semanas sem tratamento ou alguns dias com tratamento.

A prevenção com vacina, obrigatória segundo os esquemas de vacinação (é incluída na antiga tríplice agora, pentavalente) é a única medida eficaz. A vacinação erradicou a doença dos países onde é praticada eficientemente.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

É muito mais comum em países subdesenvolvidos.

A B. pertussis existe em todo o mundo e só infecta seres humanos. Estima-se que ocorram cerca de 30 a 50 milhões de casos por ano que resultam em 300 000 mortes. Em termos gerais, os pacientes são crianças com menos de um ano de idade, 90% dos casos ocorrendo em locais que não possuem boa campanha de vacinação.

A doença foi uma das principais causas de mortalidade antes da última década de 40 nos Estados Unidos, período que antecedeu o advento da vacina. Desde a última década de 80, são registrados aumentos cíclicos a cada 3 e 4 anos.[2]

Segundo dados da OMS, a incidência da doença triplicou na América Latina e América do Norte entre 2006 e 2008[3] . Em 2012, os 1.759 pessoas no Brasil provocaram 39 mortes, a maioria de bebês. Inglaterra e Espanha também tiveram surtos, com mais de 6 mil de casos em 2012. Sociedade Brasileira de Imunizações e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam a vacinação de reforço para adolescentes e adultos não vacinados para que não infectem bebês, as principais vítimas letais.[4]

Prevenção[editar | editar código-fonte]

As crianças são vacinadas sistematicamente contra a coqueluche. Em geral, a vacina contra coqueluche é combinada com as vacinas contra a difteria e o tétano, a vacina DTP (difteria-tétano-pertússis). O antibiótico eritromicina é administrado como medida profilática às pessoas expostas à coqueluche.

História[editar | editar código-fonte]

Foi descrita pela primeira vez em 1578, mas a B. pertussis só foi isolada em 1907 pelos franceses Jules Bordet e Octave Gengou. A vacina foi desenvolvida em 1926. O genoma da bactéria foi sequenciado em 2002.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]