Difteria

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Difteria
A difteria provoca uma inflamação característica do pescoço.
Classificação e recursos externos
CID-10 A36
CID-9 032
DiseasesDB 3122
MedlinePlus 001608
eMedicine emerg/138 med/459 oph/674 ped/596
MeSH D004165
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A difteria ou crupe é uma doença infectocontagiosa causada pela toxina do bacilo Corynebacteriphte diphteri, que provoca inflamação e lesão em partes das vias respiratórias (amígdalas, faringe, laringe, traqueia, brônquios, nariz) e, às vezes, da pele.[1] A mortalidade total é de 5-10%, subindo para 20% em crianças pequenas e adultos com mais de 40.[2]

Causa[editar | editar código-fonte]

Corynebacterium diphteriae

A Corynebacteriphte diphteri é uma bactéria com formas pleomórficas bacilares Gram-positivas, agrupando-se em configurações semelhantes a "caracteres chineses".

A Corynebacteriphte diphteri não é invasiva e limita-se à multiplicação local na faringe. Contudo, a doença tem efeitos sistémicos potencialmente mortais, devido à produção e disseminação pelo sangue da sua poderosa toxina da difteria. Só as bactérias que estiverem elas próprias infectadas por um fago, que contém o gene da toxina, podem produzi-la e, portanto, causar a doença. A toxina é do tipo AB. A região B é específica para um receptor membranar existente nas células alvo, provocando após acoplagem a internalização da toxina por endocitose. A região A tem a atividade tóxica propriamente dita: ela bloqueia irreversivelmente o sistema da síntese de novas proteínas (tem atividade de ADP ribosil transferase, ribosila o factor de enlongação eEF2, impedindo a tradução no ribossoma), o que inevitavelmente provoca a morte celular.

A bactéria localiza-se nas vias aéreas superiores, formando-se na orofaringe a placa diftérica (pseudomembrana) que se apresenta com colaboração branco-acinzentado / branco-amarelada, recobrindo inclusive as amígdalas. A infecção pode estender-se às fossas nasais, laringe, traqueia e brônquios.

Transmissão[editar | editar código-fonte]

Por gotinhas de saliva na tosse, espirro ou ao falar com a pessoa doente ou do portador com pessoa suscetível ou por contato com a pele contaminada. Muitos dos portadores não têm sintomas e passam a bactéria adiante sem saber. A transmissão aumenta em épocas frias e de chuvas, quando as pessoas se aglomeram mais.[3]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Membranas branco-acinzentadas e firmes na garganta são o principal sinal de difteria.

Alguns dos sintomas comuns[4] :

Os gânglios linfáticos regionais (no pescoço) ficam muito inchados, causando chiado na respiração e os sintomas agravam a noite. Caso não seja tratada em poucos dias as toxinas da bactéria podem causar asfixia, problemas cardíacos, neurológicos e renais.[4]

Progressão[editar | editar código-fonte]

O período de incubação é de três a cinco dias. A Corynebacterium diphteriae coloniza inicialmente as amígdalas (tônsilas) e a faringe, onde se multiplica desenvolvendo-se uma pseudomembrana de pus vísivel no fundo da boca dos individuos afectados. Também pode infectar o nariz, e a conjunctiva, assim como raramente, feridas noutras localizações. É uma possibilidade preocupante que a pseudomembrana, devido suas exotoxinas e endotoxianas, provoca uma inflamação localizada desenvolvendo um edema maciço da mucosa e provocando obstrução, fato denominado pescoço de touro,o que impede o lúmen do tubo respiratório, levando à asfixia, o que não é raro em crianças pequenas.

A produção da toxina e sua liberação sanguínea levam à morte celular, principalmente nos órgãos de alta perfusão, como fígado, rins, glândulas adrenais, coração, e nervos. Os órgãos afectados podem ficar insuficientes (com risco de morte) e os órgãos inervados por nervos paralisados. Sintomas da intoxicação sistémica podem incluir cardiomiopatia, hipotensão, paralisia de músculos e de nervos sensitivos.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Na imensa maioria das vezes é feito apenas clinicamente ou por amostra de catarro ou de sangue.

A cultura e observação microscópica e através de testes bioquímicos do patogénio recolhidos de amostras do catarro podem ser usadas na confirmação. Não é recomendado romper a membrana, pois isso espalha as toxinas e agrava os sintomas.

Faz-se também por identificação da toxina, através do teste de Elek. Este teste consiste numa reação de imunodifusão (identificação da toxina no soro do doente através de anticorpos exógenos específicos para a toxina), além do teste de suscetibilidade imunológica à toxina pelo teste intradérmico de Schick.

História[editar | editar código-fonte]

Graças a campanhas de vacinação, em 2003, 95% da população da grande São Paulo já estava imunizada.[5]

Difteria vem do grego diphthera, literalmente "par de fitas em couro (cabedal)", uma alusão à pseudomembrana aderente vista no fundo da boca dos doentes, um nome escolhido pelo médico alemão Friedrich Loeffler em 1855.

A difteria foi, antes da era das vacinas, uma das doenças mais temidas e prevalentes, com epidemias mortíferas. Nos anos 1920, houve uma epidemia mundial que causou 13 000 a 15 000 mortes por ano só nos Estados Unidos.[6] Sem tratamento, cerca de 40 a 50% das vítimas morriam por insuficiência respiratória, cardíaca ou renal.

O antídoto foi pela primeira vez desenvolvido pelo médico alemão Emil von Behring, cerca de 1890, pelo que ganhou o Prêmio Nobel da Medicina e Fisiologia. A vacina foi desenvolvida em 1894, pelo médico francês Émile Roux.

Os casos de difteria são de notificação obrigatória em quase todo o mundo. Em 1990 foram registrados 640 casos. Já em 2007 ocorreram apenas 27 casos e 6 mortes, todos no Maranhão. É importante vacinar todo o país pois a difteria costuma ser trazida de outros locais todos os anos e é muito facilmente transmitida.[7]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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A vacina pode causar febre baixa e cansaço inofensivos, mas protege a criança por dez anos de quatro doenças perigosas.[8]

Em casos mais severos de difteria os nódulos linfáticos no pescoço podem inchar, e fica difícil respirar e engolir. Pessoas nesse estágio devem procurar ajuda médica imediatamente, uma vez que a obstrução da garganta pode requerer traqueotomia. Ainda, uma elevação na frequência de batimentos do coração pode causar parada cardíaca. Difteria também pode causar paralisia no olhos, pescoço, garganta ou músculos do aparelho respiratório.

Se há obstrução do canal respiratório pelo exudado, deve-se fazer traqueostomia (incisão de canal da traqueia para o exterior) de emergência.

Em doentes, administra-se antídoto, que é constituído por anticorpos recombinantes (produzidos em leveduras) humanos, que inativam a toxina no sangue. São também usados antibióticos, especialmente penicilina e eritromicina, para destruir as bactérias produtoras da toxina.

Prevenção[editar | editar código-fonte]

A prevenção, através de vacina, evita o surgimento da doença, que se tornou rara nos países com sistemas de vacinação eficientes. A vacina consiste na administração de toxoide, um análogo da toxina sem funções tóxicas. O sistema imunológico reage produzindo plasmócitos produtores de anticorpos contra o toxoide, e são geradas células de memória, que caso a doença surja no futuro se diferenciam rapidamente em inúmeros plasmócitos que destroem a toxina e o invasor antes que os sintomas e danos surjam.

O esquema básico de vacinação na infância brasileiro é feito com três doses da vacina tetravalente DTP+Hib (Difteria, tétano, coqueluche e meningite) aplicada nas nádegas ou na coxa. A primeira dose é oferecida à criança com dois meses de vida, a segunda com quatro meses e a terceira quando a criança completar seis meses. É essencial que o primeiro reforço seja feito com a DTP aos 15 meses e o outro entre quatro e seis anos de idade para ser eficiente. Depois dessas doses o reforço deve ser tomado de 10 em 10 anos.[3]

Referências

  1. http://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/difteria/
  2. Atkinson W, Hamborsky J, McIntyre L, Wolfe S, eds. (2007). Diphtheria. in: Epidemiology and Prevention of Vaccine-Preventable Diseases (The Pink Book) (10 ed.). Washington DC: Public Health Foundation. pp. 59–70.
  3. a b http://www.bio.fiocruz.br/index.php/difteria-sintomas-transmissao-e-prevencao
  4. a b http://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/difteria/
  5. Santos, Edgar De Bortholi. Estimativa da prevalência de anticorpos antidiftéricos na população do Município de São Paulo, em amostragem populacional estratificada, randomizada por sorteio aleatório e coleta domiciliar. São Paulo; s.n; 2003. [87] p. tab, graf.
  6. Atkinson W, Hamborsky J, McIntyre L, Wolfe S, eds. (2007). Diphtheria. in: Epidemiology and Prevention of Vaccine-Preventable Diseases (The Pink Book) (10 ed.). Washington DC: Public Health Foundation. pp. 59–70.
  7. http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,ministerio-da-saude-emite-alerta-apos-registro-de-casos-de-difteria-no-pais,618654,0.htm
  8. http://guiadobebe.uol.com.br/vacina-tetravalente-dtp-hib/