Asma

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Asma
A inflamação dos bronquíolos pode ser exacerbada por poeira, pelos, fumaça, polem, resíduos de insetos e esporos. Mas existe grande variação na resposta a esses alérgenos.[1]
Classificação e recursos externos
CID-10 j45
CID-9 493
OMIM 600807
DiseasesDB 1006
MedlinePlus 000141
eMedicine med/177 emerg/43
MeSH C08.127.108
Star of life caution.svg Aviso médico

A asma é uma doença inflamatória crônica das vias respiratórias que causa redução ou obstrução reversível e recorrente no fluxo de ar.[2] . Sua causa está relacionada a interação entre fatores genéticos e ambientais [2] . que se manifestam como crises de falta de ar devido ao edema da mucosa dos bronquíolos, a produção excessiva de muco nas vias aéreas e a contração da musculatura lisa das vias aéreas (broncoespasmo). [2]

As crises são caracterizadas por vários sintomas como: dispneia(dificuldade para respirar), tosse e sibilos(som similar a um assovio ao respirar). Os sintomas costumam ser piores à noite. O estreitamento das vias aéreas é geralmente reversível, porém o agravamento da inflamação pode causar obstrução irreversível ao fluxo aéreo. As características dessa doença incluem a presença de células inflamatórias nas vias aéreas, exsudato de plasma, edema, hipertrofia muscular, bolhas de muco e descamação do epitélio. O diagnóstico é principalmente clínico e o tratamento consta de medidas educativas, medicamentos que melhorem o fluxo aéreo na crise asmática e diminuam a inflamação (anti-inflamatórios), principalmente a base de corticoides.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Prevalência de asma no mundo em 2004, segundo a OMS.
  no data
  <1%
  1-2%
  2-3%
  3-4%
  4-5%
  5-6%
  6-7%
  7-8%
  8-10%
  10-12.5%
  12.5–15%
  >15%

A asma é uma das doenças crônicas mais comuns do mundo, sendo comum tanto em crianças quanto em adultos, com cerca de 300 milhões de indivíduos afetados no mundo. Os índices variam entre 1 e 18%, afetando cerca de 10% da população no Brasil e 5% em Portugal. Embora as taxas de hospitalização por asma em adultos com idade superior a 20 anos tenham diminuído cerca de 30% nos últimos anos, anualmente ainda ocorrem, em média, 300.000 a 350.000 internações por asma, sendo a 4ª maior causa de hospitalização pelo Sistema Único de Saúde, o que equivale a 2,41% das internações totais, só ficando atrás das pneumonias e insuficiência cardíaca congestiva e doenças renais. A taxa média de mortalidade no país entre 1998 a 2007 foi de cerca de 1,5 para cada 100.000 habitantes, se mantendo mais ou menos estável desde 2000.[3]

Costuma começar mais cedo nos meninos, mas ser mais grave em mulheres. É mais comum entre jovens do que em idosos. Em adultos a prevalência é similar entre homens e mulheres.[4]

É muito mais frequente em países como Canadá, EUA, Nova Zelândia e Austrália (cerca de 15% da população) do que em países da África e Ásia.[4]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Caracteristicamente à doença, os sintomas aparecem de forma cíclica com períodos de piora. Dentre os principais sinais e sintomas estão: a tosse, que pode ou não estar acompanhada de alguma expectoração (catarro), dificuldade respiratória, com dor ou ardência no peito, além de um chiado(sibilância). Na maioria das vezes não há expectoração ou se tem é tipo "clara de ovo".

Os sintomas podem aparecer a qualquer momento do dia, mas tendem a predominar pela manhã ou à noite.

A asma é a principal causa de tosse crônica em crianças e está entre as principais causas de tosse crônica em adultos.[5]

Classificação[editar | editar código-fonte]

Ataque de asma

De acordo com os padrões das crises e testes, a asma pode ser classificada [2] em:

Asma intermitente; Asma persistente leve; Asma persistente moderada; Asma persistente grave.

Asma Intermitente:

  • sintomas menos de uma vez por semana;
  • crises de curta duração (leves);
  • sintomas noturnos esporádicos (não mais do que duas vezes ao mês);
  • provas de função pulmonar normal no período entre as crises.

Asma Persistente Leve:

  • presença de sintomas pelo menos uma vez por semana, porém, menos de uma vez ao dia;
  • presença de sintomas noturnos mais de duas vezes ao mês,porém, menos de uma vez por semana;
  • provas de função pulmonar normal no período entre as crises.

Asma Persistente Moderada:

  • Sintomas diários;
  • Crises afetam as atividades diárias e o sono;
  • Presença de sintomas durante o sono pelo menos uma vez por semana;
  • Provas de função pulmonar: pico do fluxo expiratório (PFE) ou volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF¹) >60% e < 80% do esperado.

Asma Persistente Grave:

  • Sintomas diários;
  • crises frequentes;
  • sintomas noturnos frequentes;
  • provas de função pulmonar: pico do fluxo expiratório (PFE) ou volume expiratório forçado no primeiro segundo (VEF¹) > 60% do esperado

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Um medidor do ápice do fluxo expiratório serve para diagnosticar a asma e verificar se está diminuindo ou aumentando.

O diagnóstico é feito baseado nos sinais e sintomas que surgem de maneira repetida e que são referidos pelo paciente.

No exame físico, o médico poderá constatar a sibilância nos pulmões, principalmente nas exacerbações da doença. Contudo, nem toda sibilância é devido à asma, podendo também ser causada por outras doenças. Todavia, nos indivíduos que estão fora de crise, o exame físico poderá ser completamente normal.

Existem exames complementares que podem auxiliar o médico, dentre eles estão: a radiografia do tórax, exames de sangue e de pele (para constatar se o paciente é alérgico) e a espirometria que identifica e quantifica a obstrução ao fluxo de ar. Teste de bronco provocação com substâncias pró-inflamatórias; ex: histamina, metacolina. O asmático também poderá ter em casa um aparelho que mede o pico de fluxo de ar, importante para monitorar o curso da doença. Nas exacerbações da asma, o pico de fluxo se reduz.

O exame "gold standard" para o diagnóstico da asma é a análise dos valores de Óxido Nítrico exalados. O Óxido Nítrico é um marcador direto da inflamação e através da sua concentração em ppb (partes por bilião) podemos inferir diretamente a gravidade do episódio.

A análise do FENO (Fracção do oxido nítrico exalado) permite para além do diagnóstico da asma, avaliar a resposta ao tratamento e o seu cumprimento. Avaliar a resistência a esteroides. Optimizar a dose terapêutica. Efectuar uma retirada segura da terapêutica inalável. Aumentar a eficiência econômica no tratamento e diagnóstico da asma.

A execução deste exame não é tão dependente da colaboração do paciente como a espirometria. É um exame fácil, fiável, seguro, sensível e pode ser usado mais de uma vez.

É importante que seja feita a distinção entre a asma e a DPOC, mesmo em pacientes mais velhos, pois o controle de cada doença contempla diferentes estratégias. A DPOC é confirmada por meio de um teste de diagnóstico simples chamado "espirometria", que mede a quantidade de ar (volume) que uma pessoa pode inspirar e expirar e a rapidez com a qual o ar circular para dentro e fora do pulmão.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Para se tratar a asma, a pessoa deve ter certos cuidados com o ambiente, principalmente na sua casa e no trabalho, além de usar medicações e manter consultas médicas regulares. Técnicas fisioterapêuticas se mostram bastante eficientes. Os medicamentos podem ser divididos em duas classes: de alívio e de manutenção [2] .

Broncodilatadores[editar | editar código-fonte]

Os broncodilatadores são utilizados principalmente como medicações de alívio para cortar uma crise de asma.

É um medicamento, como o próprio nome diz, que dilata os brônquios (vias aéreas) quando o asmático está com falta de ar, chiado no peito ou crise de tosse. Existem broncodilatadores chamados beta-2 agonistas - uns apresentam efeito curto e outros efeito prolongado (que dura até 12h). Os de efeito curto costumam ser utilizados conforme a necessidade. Se a pessoa está bem, sem sintomas, não precisará utilizá-los. Já aqueles de efeito prolongado costumam ser utilizados continuamente, a cada 12 horas, e são indicados para casos específicos de asma. Além dos beta2-agonistas, outros broncodilatadores, como teofilinas e anticolinérgicos, podem ser usados.

Sobretudo no século XIX, a cannabis proporcionou alívio para os asmáticos, pois produzia dilatação dos brônquios. Há três mil anos já se conhece este efeito terapêutico da cannabis sativa [6] . O uso de THC em microaerossol tem eficiência de até 60% como broncodilatador, sem efeitos parassimpáticos e com efeitos mentais mínimos [7] . Outra pesquisa demonstrou que o THC evita o enfisema [8] e inibe a tosse [9] , além de apresentar sucesso no tratamento da coqueluche [10] . Porém, sua fumaça (especialmente quando combinada com nicotina) causa danos maiores que cigarros tradicionais com filtro e seu uso frequente diminui a passagem de ar podendo causar asma em pessoas saudáveis e agravar em quem já a possui. [11]

Anti-inflamatórios[editar | editar código-fonte]

Utilizados principalmente para evitar e prevenir crises (manutenção).

Os corticóides inalatórios são, atualmente, a melhor conduta para combater a inflamação, sendo utilizados em quase todos os asmáticos. Só não são usados pelos pacientes com asma leve intermitente (que têm sintomas esporádicos). Tais medicamentos são utilizados com o intuito de prevenir as exacerbações da doença ou, pelo menos, minimizá-las e aumentar o tempo livre da doença entre uma crise e outra. Os anti-inflamatórios devem ser utilizados de maneira contínua (todos os dias), já que combatem a inflamação crônica da mucosa brônquica, que é o substrato para os acontecimentos subsequentes.

Existem outras possibilidades de tratamento, como o cromoglicato de sódio (bastante utilizado em crianças pequenas), o nedocromil, o cetotifeno e os antileucotrienos. Este último é relativamente novo e pode ser usado em casos específicos de asma ou associado aos corticóides.

Tanto os broncodilatadores quanto os anti-inflamatórios podem ser usados de várias formas:

  • Nebulização;
  • Nebulímetro ("spray" ou "bombinha");
  • Inaladores de pó seco (através de turbuhaler, rotahaler, diskhaler ou cápsulas para inalação);
  • Comprimido;
  • Xarope.

Os médicos dão preferência ao uso das medicações por nebulização, nebulímetro ou inaladores de pó seco por serem mais eficazes e causarem menos efeitos indesejáveis.

Psicológico[editar | editar código-fonte]

Períodos de grande estresse ou melancolia aumentam as chances de crises agudas.[12]

Como emoções mudam a frequência respiratória, endócrina e cardíaca, diferentes tipos de respostas emocionais negativas, especialmente tristeza e ansiedade intensa associadas a experiências de vida estressantes, podem desencadear respostas colinérgicas que contribuem para a broncoconstrição e consequentemente com a exacerbações da asma.[12]

Fisioterapia[editar | editar código-fonte]

Os procedimentos executados contribuem para melhorar a ventilação, auxiliar no relaxamento da musculatura respiratória, higienizar a via aérea hipersecretiva, além de prevenir a busca por serviços de emergência e hospitalizações, melhorar a condição física e aprimorar a qualidade de vida dos indivíduos acometidos.

Em crianças[editar | editar código-fonte]

Nas crianças, o tratamento são trabalhos de exercícios respiratórios reexpansivos passivos, através de manobras de desobstrução brônquica, drenagem postural e inalações, com estímulo de tosse se necessário. Crianças com boa capacidade colaborativa e coordenação desenvolvida podem se beneficiar de técnicas de treino de padrão ventilatório.

Em adultos[editar | editar código-fonte]

Em adultos, o tratamento enfatiza os alongamentos globais, exercícios aeróbicos, exercícios respiratórios reexpansivos, acompanhamento da evolução do fluxo respiratório e acompanhamento dos exercícios com uso de oxímetro, se necessário. Em alguns casos é necessário um trabalho de higiene brônquica, associada à aspiração de secreção brônquica (catarro), comum em pacientes infectados. Quando a hiperinsuflação pulmonar está presente, são utilizadas técnicas de desinsuflação pulmonar visando aumentar o volume de ar corrente.

Em estágios mais avançados do tratamento, é necessário o uso de incentivadores respiratórios, respiradores mecânicos não-invasivos, onde o paciente apresenta certa estabilidade do quadro, visando o condicionamento físico aliado à resistência pulmonar vitais para a diminuição das crises asmáticas. Exercícios posturais para relaxamento, mobilidade, alongamento e fortalecimento também são fundamentais para corrigir deformidades torácicas e posturais, comuns nos casos de doença avançada e com crises frequentes.

Tratamento das crises/exacerbações[editar | editar código-fonte]

O doente asmático deve saber distinguir a medicação de manutenção da medicação a usar nas crises graves e situações de emergência. Deve ter-se em atenção que muitas vezes as embalagens podem ser iguais e que nem sempre se trata de seguir as cores, isto é, a embalagem vermelha nem sempre é para as crises e a verde nem sempre é para a manutenção; depende da marca comercial.

No tratamento dos ataques graves usam-se normalmente:

Prevenção[editar | editar código-fonte]

Como prevenção de crises de asma, o asmático poderá usar os corticosteróides, os beta2-agonistas de longa duração e os antileucotrienos, além de ter um bom controle ambiental, evitando exposição aos catalisadores da crise asmática.

Não há como prevenir a existência da doença, mas sim as suas exacerbações e seus sintomas diários.

Fatores de risco e prognóstico[editar | editar código-fonte]

O prognóstico para asmáticos é bom, especialmente para crianças com a doença . Para os asmáticos diagnosticados durante a infância, 54% não irão ter mais o diagnóstico após uma década. A extensão do dano permanente ao pulmão em asmáticos ainda não é clara.

Alguns dos fatores de risco potencial no prognóstico da asma brônquica são a hiper-reatividade das vias aéreas, alergia atópica, infecções respiratórias, tabagismo, condições climáticas e o início da doença em idade precoce. Já como fatores precipitantes e agravantes incluem-se os alergênios (pelos de animais, fungos, pólens, insetos, etc), irritantes (tintas, aerossóis, perfumes, produtos químicos, fumaça de cigarro, etc), condições climáticas desfavoráveis (poluição, ar frio, etc), infecções (geralmente as virais), exercícios físicos, fatores emocionais, refluxo gastroesofágico, fatores endocrinológicos e a hipersensibilidade não alérgica a fármacos e produtos químicos.

Referências

  1. Baxi SN, Phipatanakul W (April 2010). "The role of allergen exposure and avoidance in asthma". Adolesc Med State Art Rev 21 (1): 57–71, viii–ix. PMC 2975603. PMID 20568555.
  2. a b c d e Guia Completo da Asma do Banco de Saúde.
  3. http://www.sbpt.org.br/downloads/arquivos/COM_ASMA/FACT%20SHEET%20-%20Asma_2013.pdf
  4. a b http://www.ginasthma.org/documents/4
  5. Petrucio, 2007
  6. Ther.Gazz. 11 (1887): 4-7, 124 apud Robinson, Rowan. O grande livro da cannabis: guia completo de seu uso industrial, medicinal e ambiental. Rio de Janeiro: 1999, Jorge Zahar Editor. p. 33-34.
  7. L. Vachon et al., Cherest 70, n. 3 (1976): 444.
  8. D.P. Tashkin et al. American Rev. Respir.Dis.109(1974): 420-8; 122 (1975): 377-86.
  9. R. Gordon et al., Eur. J. Pharmacol. 35 (1976): 309-13.
  10. J. Hartley et al., British Journal of Clinical Pharmacology 5,n.6 (1978): 523-5. E J. Sirek, "Importance of Hemp seed in TB therapy" (em tcheco). Acta Univ. Palack. Olomuc. 6 (1955): 93-108.
  11. http://siaibib01.univali.br/pdf/Milca%20Ambrosio.pdf
  12. a b Edith Chen and Gregory E. Miller. http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC2077080/

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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