Insuficiência cardíaca
| Insuficiência cardíaca |
|
| Classificação e recursos externos | |
| CID-10 | I50.0 |
|---|---|
| CID-9 | 428.0 |
| DiseasesDB | 16209 |
| MedlinePlus | 000158 |
| MeSH | D006333 |
Insuficiência cardíaca é o termo médico referente as situações onde o coração não está capacitado a manter as necessidades circulatórias do organismo.
Índice |
[editar] Epidemiologia
No mundo: 23 milhões de casos.
Nos EUA: Maior problema de saúde pública; 5,2 milhões de casos; 550 mil novos casos/ano; 12 a 15 milhões de consultas médicas; 6,5 milhões de dias de internações/ano; Reinternações em 30-50% em 6 meses; 300.000 mortes anuais; 54.000 mortes diretas; Custo de U$ 15 bilhões/ano/ internações.
No Brasil: 6,5 milhões de doentes; 30% é internado anualmente; 4% de todas as internações; 31% das internações cardiovasculares; 380 000 hospitalizações/ano; média de 5,8 dias cada; R$ 200 milhões anuais; 5,6 a 6,0% de mortalidade hospitalar.
[editar] Causas
- A insuficiência cardíaca não é uma doença só, mas uma fase, em geral a final, de várias doenças cardíacas.
- As doenças que diminuem a força de contração do músculo cardíaco, o miocárdio, são as que mais comumente provocam a IC.
- São exemplos a cardiopatia isquêmica, a Miocardiopatia Dilatada Idiopática, a Cardiopatia Hipertensiva e a cardiomiopatia da Doença de Chagas.
- Qualquer situação biológica, física ou química, que diminua a força do miocárdio, pode levar a IC.
- Outras situações podem levar a IC em um coração com força normal, mas com uma sobrecarga de trabalho excessiva.
- São exemplos a estenose aórtica, onde uma das válvulas de saída do coração não se abre perfeitamente, e a insuficiência aórtica, onde uma das válvulas permite um refluxo de sangue, fazendo com que o volume de sangue ejetado diminua. Então o coração adota mecanismos para, em um primeiro momento, tentar compensar e aumentar o volume ejetado na sístole do ventrículo esquerdo.
- Nesta mesma linha muitas más-formações cardíacas, as chamadas cardiopatias congênitas, também impõem ao coração uma sobrecarga de trabalho.
- Doenças que aumentam o metabolismo geral do organismo também levam à sobrecarga de trabalho cardíaco. Um exemplo é o hipertireoidismo, que é um excesso de hormônio de tireoide circulante.
[editar] Fisiopatologia
Quando a IC se inicia por diminuição da força do miocárdio (músculo cardíaco), o processo segue com alterações no próprio músculo e no organismo como um todo.
- A alteração na estrutura e na forma do coração se chama remodelação ventricular. Este processo envolve aumento do estresse oxidativo, inflamação local e morte celular programada (apoptose).
- As alterações sistêmicas (fora do coração) decorrem de diminuição da capacidade de perfusão tecidual, ou seja, de levar e trazer os elementos necessários aos funcionamento das células.
- Existem vários sistemas envolvidos nestas alterações, como:
- Sistema nervoso simpático.
- Sistema renina angiotensina aldosterona.
- Substâncias constritoras dos vasos, como a Endotelina.
- Substâncias dilatadoras dos vasos, como o Óxido nítrico.
- Substâncias inflamatórias, como as citocinas Interleucina-6, Interleucina-1 e Fator de necrose tumoral alfa.
O número de sistemas envolvidos é muito grande e apenas parcialmente conhecido. A interação entre estes múltiplos sistemas leva a progressiva diminuição da capacidade do coração funcionar como efetiva bomba propulsora sangue.
[editar] Diagnóstico
[editar] História clínica
A base do diagnóstico de qualquer doença é a história clínica, onde são identificados os sintomas da pessoa doente. Os possíveis sintomas de Insuficiência cardíaca são:
- Dispneia (falta de ar) A falta de ar do portador de insuficiência cardíaca caracteristicamente se dá aos esforços físicos e quando o portador encontra-se deitado (ortopnéia)
- Tosse
- Fraqueza (astenia)
- Edema (inchaço, ou aumento do volume dos membros)
- Dor abdominal
- Palpitação
- Tonturas
- Diminuição da emissão de urina.
-
- Habitualmente, estão presentes em cada pessoa doente apenas uma parte dos sintomas acima, em graus variáveis. Uma pessoa tem mais tosse, a outra mais inchaço e assim por diante.
- Os sintomas não são patognomônicos, ou seja, não são exclusivos desta doença. Uma pessoa pode ter o mesmo grau de inchaço que outra,e a primeira ter insuficiência cardíaca e a segunda ter varizes.
[editar] Exame físico
No exame físico são identificados sinais da doença. Sinais são dados objetivos, que sensibilizam algum sentido do observador, como a visão ou o tato. São possíveis sinais da Insuficiência cardíaca:
- Dispneia (Respiração dificultosa)
- Taquicardia (Aceleração do coração)
- Palidez
- Estase jugular (Dilatação das veias jugulares no pescoço)
- Hepatomegalia (Aumento do fígado)
- Edema
- Estertores pulmonares
[editar] Exames complementares
Existem numerosos métodos complementares que mostram alterações devida a Insuficiência cardíaca. Cada um deles tem o potencial de ver uma aspecto particular da doença, e como o próprio nome diz, completam a busca de informações feita pelo Terapeuta ao analisar a doença. Não existe um melhor, existe os indicados para aquela situação. São métodos comumente usados na avaliação da Insuficiência cardíaca:
- Eletrocardiografia e seus derivados.
- Radiografia do tórax
- Exames bioquímicos
- PNB Peptídeo natriurético cerebral (tipo B)
- EcoDopplercardiografia com mapeamento de fluxo em cores exame fundamental para a confirmação da insuficiência cardíaca, bem como a sua caracterização, permitindo muitas vezes estabelecer a causa, bem como o prognóstico
- Ressonância nuclear magnética
[editar] Tratamento
- O tratamento para a insuficiência cardíaca envolve um grande número de opções.
- As finalidades do tratamento são prolongar a vida do paciente e melhorar a sua qualidade de vida.
- As modalidades de tratamento podem ser agrupadas em 3 áreas: Tratamento não farmacológico, Tratamento farmacológico e Procedimentos mecânico-cirúrgicos.
[editar] Tratamento não farmacológico
Neste grupo de medidas se enquadram:
- Optimização do nível de atividade físico.
- Utilização de Oxigênio.
- Optimização do consumo de sal e de líquidos.
- Medidas nutricionais.
[editar] Tratamento farmacológico
Neste grupo de medidas se enquadram as seguintes classes de medicações:
- Diuréticos.
- Antagonistas da Aldosterona.
- Vasodilatadores periféricos.
- Agentes Inotrópicos (que aumentam a força de contração)como os Digitálicos.
- Inibidores da enzima conversora da angiotensina.
- Antagonistas dos receptores da angiotensina II
- Betabloqueadores adrenérgicos.
- Hidralazina associados a Nitratos.
Existem muitas substâncias sob investigação, como:
[editar] Procedimentos Mecânico-Cirúrgicos
Neste grupo se enquadram os procedimentos que buscam corrigir defeitos estruturais do coração ou promover ajuda mecânica à contração.
- Correção de Cardiopatias congênitas.
- Correção de Cardiopatias valvulares.
- Correção de Coronariopatias (Angina, Infarto, etc).
- Correção de área produtoras de arritmias (Ablação).
- Estimulação artificial (Marcapasso).
- Balão Intra-Aórtico.
- Remodelação cirúrgica do coração.
- Transplante cardíaco.
[editar] Células Tronco
Neste grupo estão as técnicas que procuram formar novo tecido muscular cardíaco a partir de células progenitoras, chamadas células tronco. Esta terapia ainda está em estudo em seres humanos (2006), devendo em um prazo curto ser liberada para prática clínica após o resultados dos últimos trabalhos científicos.