Estenose mitral

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Question book.svg
Esta página ou secção não cita nenhuma fonte ou referência, o que compromete sua credibilidade (desde maio de 2009).
Por favor, melhore este artigo providenciando fontes fiáveis e independentes, inserindo-as no corpo do texto por meio de notas de rodapé. Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoScirusBing. Veja como referenciar e citar as fontes.
Estenose mitral
Classificação e recursos externos
CID-10 I05.0, I34.2, Q23.2
CID-9 394.0, 396.0, 746.5
DiseasesDB 8288
MedlinePlus 000175
eMedicine emerg/315 ped/2517
MeSH D008946
Star of life caution.svg Aviso médico

Estenose mitral é uma doença cardíaca valvar caracterizada pelo estreitamento do orifício da válvula mitral do coração.

Etiologia[editar | editar código-fonte]

A causa mais predominante de estenose mitral é a doença reumática do coração. 99% das valvas mitrais estenóticas substituídas cirurgicamente tem comprometimento reumático. 2/3 dos pacientes com EM são do sexo feminino. Dos pacientes com doença reumática 25% são acometidos de estenose mitral pura e 40% possuem estenose associada a regurgitação mitral.

De forma mais rara a estenose pode ser congênita. Muito raramente a estenose mitral pode ser decorrente de uma das situações a seguir: carcinoide maligno, lupus, artrite reumatóide, mucopolissacaridoses, D. de Fabry, D. Whipple, terapia com metisergida.

A estenose mitral pode ser simulada por fenômenos obstrutivos ao nível do anel mitral, como no mixoma atrial, grandes trombos atriais, grandes vegetações de endocardite e no cor triatriatum.

Patologia[editar | editar código-fonte]

A estenose mitral reumática surge por comprometimento das cúspides mitrais, por fusão das comissuras, por envolvimento das cordoalhas ou por um processo combinado entre essas 3 partes do aparelho valvar. A maioria dos casos de estenose 40% ocorre por comprometimento combinado. 30% possuem fusão isolada das comissuras. 15% apresentam comprometimento isolado das cúspides e apenas 10% envolvem as cordoalhas isoladamente.

Caracteristicamente as cúspides se fundem em suas bordas e a fusão das cordoalhas leva a espessamento e encurtamento das mesmas. Os folhetos apresentam espessamento fibroso e depósitos de cálcio. A valva toma uma forma de funil e o orifício valvar toma forma de boca de peixe. O espessamento e a rigidez dos folhetos pode chegar a tal ponto que impede o fechamento da valva, diminuindo a 1º bulha e levando a insuficiência mitral conjugada. O comprometimento das cordoalhas quando é predominante também leva a insuficiência mitral concomitante.

É discutível se as alterações anatômicas da valva mitral podem ser decorrentes tanto de um processo reumático continuo sobre a valva quanto a alterações induzidas por trauma hemodinâmico após um surto inicial. Provavelmente ambos os mecanismos devem estar envolvidos no processo.

Fisiopatologia[editar | editar código-fonte]

A área valvar mitral do adulto é de 4 a 6 cm2. Uma redução de área até 2 cm2 é considerada uma estenose leve, onde o enchimento ventricular se faz com um pequeno gradiente. Áreas menores de 1 cm2 são consideradas estenoses importantes, gerando gradientes de 20 mmHg e pressões médias de 25 mmHg no átrio esquerdo, para manter um enchimento ventricular normal em repouso. A elevação de pressão atrial esquerda leva ao aumento da pressão venocapilar pulmonar, que produz dispnéia aos esforços. Os primeiros surtos são deflagrados por exercícios, stress emocional, atividade sexual, infecção ou surto de fibrilação atrial.

A taquicardia encurta o tempo de diástole, assim diminui o tempo de enchimento ventricular. Em conseqüência, independente do débito cardíaco, a taquicardia vai elevar o gradiente AV e a pressão atrial esquerda. Isto explica a súbita descompensação de um paciente previamente assintomático durante um surto de fibrilação atrial aguda com alta resposta ventricular. Também explica a melhora clínica após a redução da freqüência cardíaca com uso de digital , beta-bloqueadores ou bloqueadores de canais de cálcio, mesmo que o fluxo mitral se mantenha constante.

Uma constante hidráulica dita que, para um dado orifício, o gradiente de pressão é relação direta do quadrado do fluxo por este orifício. Assim se o fluxo transvalvar dobrar de valor (exemplo: aumento causado por exercício físico) o gradiente pressórico quadruplica.

A contração atrial aumenta em até 30% o gradiente transvalvar. A perda do impulso atrial na fibrilação atrial vai representar uma perda de 20% do débito cardíaco.

Clínica[editar | editar código-fonte]

Star of life caution.svg
Advertência: A Wikipédia não é consultório médico nem farmácia.
Se necessita de ajuda, consulte um profissional de saúde.
As informações aqui contidas não têm caráter de aconselhamento.

O sintoma mais importante é a dispnéia de esforço, que pode ser acompanhada por tosse e sibilos. A capacidade vital é reduzida, devido o engurgitamento dos vasos pulmonares e edema intersticial. Pacientes com obstruções críticas em classe funcional III, geralmente se queixam de ortopneia e podem desenvolver episódios edema agudo de pulmão. Nos pacientes com elevação importante da pressão pulmonar, geralmente ocorre disfunção ventricular direita.

Hemoptise pode ocorrer em diversos graus e formas de apresentação. Dor torácica do tipo anginosa é infrequente mas pode ocorrer em até 15% dos pacientes com EM.

Embolia sistêmica é uma complicação importante, relacionada com 25% dos óbitos nos pacientes com EM. A chance de êmbolos múltiplos ou recorrentes em um paciente com embolia sistêmica é da ordem de 25% dos casos.

A endocardite infecciosa é mais propensa em pacientes com estenoses mais leves e válvulas mais flexíveis e menos calcificadas.

Exame físico[editar | editar código-fonte]

O pulso arterial em geral é normal, podendo ser reduzido em pacientes mais graves com volume sistólico já reduzido. O pulso venoso mostra uma onda a proeminente quando o ritmo é sinusal. Nos pacientes em fibrilação atrial o colapso x é substituído por um platô e apenas uma onda grande onda V é discernível. O ictus não é proeminente. A palpação de ondas de enchimento diastólico fala muito contra a presença de estenose mitral grave. O choque de B1 é sentido na presença de um folheto anterior ainda móvel.

Ausculta cardíaca[editar | editar código-fonte]

Na ausculta há um sopro diastólico, mais precisamente mesodiastólico de ejeção, que pode apresentar um reforço pré-sistólico, sendo a B1 proeminente. Isto reflete a dificuldade que o fluxo de sangue encontra para passar através de uma estrutura valvar anormalmente estreita, durante o enchimento do ventrículo esquerdo, na diástole. P2 pode estar aumentada na presença de hipertensão pulmonar. Gradualmente B2 pode se tornar única. Na estenose mitral PURA não há 3º bulha.