Brucelose

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Brucelose
Classificação e recursos externos
CID-10 A23.a
CID-9 023
DiseasesDB 1716
MedlinePlus 000597
MeSH D002006
Star of life caution.svg Aviso médico

A brucelose também conhecida por febre de Malta ou ondulante é uma doença crônica causada pelas bactérias do gênero Brucella, transmitida pelos laticínios não pasteurizados ou pelo contato com animais ou carne infectada.

Causas[editar | editar código-fonte]

O leite não pasteurizado e os seus produtos são a principal fonte da brucelose. O quadro é de Vermeer.

Brucellas são coco-bacilos (0,4–3,0μm x 0,4–0,8μm), Gram-negativos, aeróbios, imóveis, encapsulados, não formam esporos e são parasitas intracelulares facultativos, com predileção pelo trato reprodutivo, articulações e sistema retículo-endotelial. São classificados em biótipos ou tipos diferenciados bioquimicamente em função da necessidade de CO2, produção de H2S, crescimento em presença de fucsina ou tionina e aglutinação frente a soros monoespecíficos. Alguns autores falam em cocobacilos.

Dentro deste gênero são descritas nove espécies independentes, cada uma com seu hospedeiro de eleição. As principais são a Brucella melitensis, a mais comum, encontrada em cabras, ovelhas e camelos, a B. abortus de bovinos, a B. suis, de suínos, a B. ovis de ovelhas e a B. canis, de cães, todas capazes de ser transmitidas ao homem. Há ainda a B. neotomae, de ratos do deserto e três novas espécies, a B. maris, B. cetaceae e B. pinnipediae recentemente isolada em mamíferos marinhos. Os suínos e os bovinos são resistentes à B. canis e as gatas podem apresentar bacteremias quando infectadas experimentalmente pela mesma bactéria, porém não abortam.

São capazes de sobreviver à fagocitose e parasitam os macrófagos intracelularmente. A resposta imunitária eficaz à sua disseminação é a formação de granulomas.

Transmissão[editar | editar código-fonte]

A infecção é sempre por contato direto com animais infectados ou pelo consumo do seu leite e derivados não-pasteurizados. O queijo fresco é particularmente perigoso, porque é frequentemente produzido artesanalmente com leite fresco e os consumidores raramente se preocupam em saber se o leite usado foi tratado pela pasteurização.[1]

Afeta animais em todo o mundo. No Mediterrâneo, incluindo Portugal, na América do Sul e na Ásia é prevalente a B. mellitensis, devido às numerosas ovelhas. O B. abortus é mais frequente na Europa central e de leste.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

O queijo, principalmente fresco, feito artesanalmente a partir de leite não pasteurizado é uma fonte importante da doença

As bactérias são ingeridas com o leite ou outros alimentos e invadem a mucosa intestinal. Também podem ser aspiradas ou penetrar por feridas em contacto com o animal. O período de incubação é de uma semana a um mês. A brucelose é uma doença crónica de progressão lenta. A infecção por B. mellitensis é mais grave que as outras formas.

Dentro do corpo humano são fagocitadas pelos macrófagos, no interior dos quais sobrevivem sendo transportadas para tecidos linfóides em todo o organismo, invadindo pela linfa e sangue os gânglios linfáticos, baço, fígado, medula óssea e outros órgãos onde se concentram os macrófagos.

Apesar da resposta imunitária com formação de granulomas impedir largamente a disseminação das bactérias, elas escapam por vezes, multiplicando-se, o que provoca ataques agudos no doente crónico, que se caracterizam por[1] :

  • Dor abdominal,
  • Febre,
  • Fadiga,
  • Sudorese,
  • Dor nas costas, músculos e articulações,
  • Dor de cabeça,
  • Perda de apetite e de peso,
  • Calafrios.

O maior problema da brucelose é que os seus sintomas irregulares, geralmente aumentando a tarde e diminuindo a noite, o que pode levar indivíduos a achar que estão curados e não consultar o médico.

A infecção a longo prazo, em que a bactéria sobrevive dentro dos leucócitos, apesar de raramente ser mortal, diminui consideravelmente a esperança de vida e pode complicar causando[2] :

Outras complicações possíveis da brucelose a longo prazo sem tratamento são a hepatite, artrite, espondilite, anemia, leucopenia, trombocitopenia, meningite, endocardite e problemas visuais de origem nervosa.

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

É feito pela cultura de amostras do sangue e de tecidos recolhidas por biópsia, e cultura em meio próprio. Como é de crescimento lento, demora quatro semanas a crescer em quantidades suficientes para análise microscópica ou bioquímica. A sorologia (detecção de anticorpos específicos) também é usada.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Os antibióticos usados dependem do local da infecção e da presença ou não de complicações, mas seu uso deve ser por pelo menos seis semanas porque a infecção é intracelular. e os sintomas podem levar meses para desaparecem. Geralmente se usam uma combinação de dois ou três dentre os seguintes: tetraciclinas, rifampicina, estreptomicina e gentamicina aminoglicosídeos ou doxiciclina. Doxiciclina é especialmente útil em casos de complicações neurológicas.[3]

Prevenção[editar | editar código-fonte]

A pasteurização do leite e cozimento prolongado da carne em fogo alto é eficaz na destruição das bactérias. Óculos, roupas e luvas de plástico podem ser usadas para proteção, mas a melhor forma de prevenção é a vacinação do gado saudável quando ocorrerem abortos espontâneos.[4]

Uso como arma biológica[editar | editar código-fonte]

Foi usada como arma biológica pelos EUA nos anos 50, mas algumas décadas depois seu uso foi interrompido com a aprovação de tratados de paz para eliminar o uso de armas biológicas.

Referências