Mycobacterium tuberculosis
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Mycobacterium tuberculosis
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| Mycobacterium tuberculosis Zopf, 1883 |
Mycobacterium tuberculosis, ou bacilo-de-koch, é a bactéria que provoca a maioria dos casos de tuberculose. Foi descrita pela primeira vez em 24 de março de 1882 por Robert Koch, que subsequentemente recebeu o Prêmio Nobel de Fisiologia/Medicina por esta descoberta em 1905. Seu genoma já foi sequenciado.
Ela é uma micobactéria BAAR (bacilo álcool ácido resistente), parasita intracelular, aeróbia obrigatória, que se divide a cada 16-20 horas. Este é um tempo relativamente longo comparado a outras bactérias que normalmente tem suas divisões contadas em minutos (por exemplo a E. coli pode-se dividir a cada 20 minutos aproximadamente). Ela é um pequeno bacilo, fino e encurvado, imóvel, em forma de bastão que pode resistir a desinfetantes fracos e ao ácido gástrico e pode sobreviver em estado latente por semanas e apenas consegue se desenvolver quando se hospeda num organismo. Não cora pelo Gram, embora tenha uma parede similar à das bactérias Gram-negativa. A sua parede é muito rica em lípidos, nomeadamente em ácidos gordos de cadeia longa e ácidos micólicos (também presentes nas Corynebacterium.
Índice |
[editar] Factores de virulência
A parede celular é o factor de virulência mais importante nesta bactéria, face à sua composição:
- Ácidos micólicos - protegem a bactéria de enzimas hidrolíticas do fagossoma;
- Factor Cord - glicolípido tóxico para as células dos mamíferos capaz de inibir a migração de PMN;
- Cera D - responsável pela hipersensibilidade retardada.
Os danos no hospedeiro são maioritariamente causados pela acção do sistema imunitário do hospedeiro.
[editar] Patogénese
Na fase inicial da infecção (1-3 dias), os macrófagos (dust cells) activados inespecificamente fagocitam bacilos. Na segunda fase - Simbiose - os bacilos que não foram eliminados multiplicam-se no interior dos macrófagos. Ocorre um círculo vicioso da fagocitose que define o foco primário da lesão. Há acumulação de material necrótico ('caseum') no interior dos macrófagos. Na terceira fase - Caseação - a caverna ou tubérculo é preenchida com material necrótico. Os bacilos entram em estado de dormência. Finalmente, há Calcificação das cavernas. Se as cavernas não forem calcificadas, o doente imunocompetente desenvolve novas cavernas, enquanto que o doente imunocomprometido desenvolve tuberculose miliar.
[editar] Transmissão
- Transmitida através da tosse,espirro ou expectoração de pessoas infectadas.
- Disseminação através do ar de gotículas de saliva- as bactérias permanecem em suspensão no ar durante horas;
- Trauma cutâneo (raro);
- Ingestão de alimentos cutâneos (raro).
Uma pessoa não tratada infecta de 10 a 15 pessoas por ano.
[editar] Patologias
Lesão primária:
- Tuberculose pulmonar.
Lesão secundária:
- Tuberculose óssea
- Tuberculose renal
- Tuberculose intestinal
- Meningite tuberculosa
[editar] Prova da tuberculina
- Preparado antigénico.
- Doente tuberculoso é positivo.
- Indivíduo imunizado é positivo.
- Ausência de contacto com M. tuberculosis é negativo.
A prova de tuberculina é uma hemaglutinação indireta em que o soro do paciente, contendo hemácias ligada à IgG, é posto em contato com anti-IgG humana.
[editar] Terapêutica da tuberculina
- Isoniazida + Rifampicina + Pirazinamida (2 meses)
- Isoniazida + Rifampicina (4 meses)
- Etambutol ou Estreptomicina
[editar] Prevenção
BCG:
- A especificidade desta bactéria não é total pois a vacina é feita com bactérias da tuberculose dos bovinos (M. bovis).
- As formas de tuberculose passam a ser menos graves.
- Hoje em dia chegou-se à conclusão que na tuberculose não há imunidade humoral com a produção de células-memória, sendo a vacina ineficaz contra a tuberculose pulmonar. Entretanto, ela é extremamente eficaz para prevenir formas graves da tuberculose nas crianças, como a meningite tuberculosa.