Lípido

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Fosfolípidos organizados em lipossomas, micelas e bicapa lipídica.
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Lípidos (português europeu) ou lipídios (português brasileiro), lipídeos ou lípides são biomoléculas compostas por carbono (C), hidrogênio (H) e oxigênio (O), fisicamente caracterizadas por serem insolúveis em água, e solúveis em solventes orgânicos,[1] como o álcool, benzina, éter, clorofórmio e acetona. A família de compostos designados por lipídios é muito vasta. Cada grama de lipídio armazena 9 quilocalorias de energia, enquanto cada grama de glicídio ou proteína armazena somente 4 quilocalorias.[1]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Num Congresso Internacional de Bioquímica em 1922 estabeleceu-se que os ésteres que por hidrólise fornecem ácidos carboxílicos superiores (ácidos graxos) seriam enquadrados num grupo geral, os lipídios ou lípides (do grego lipo, gordura).[2]

Propriedades[editar | editar código-fonte]

Os lipídios são geralmente incolores, untuosos ao tato, pouco consistentes, apresentam densidade menor que a água, na qual são insolúveis porém emulsionáveis. São pouco solúveis em etanol a frio, mas solúveis a quente. São solúveis em sulfeto de carbono, clorofórmio, éter etílico, acetona, benzeno, gasolina e outros solventes orgânicos. Deixam no papel manchas gordurosas e translúcidas que não desaparecem com o calor.[2] Não são destiláveis por aquecimento nem a baixa pressão e decompõem-se pelo aquecimento.[2]

Alteração pelo aquecimento[editar | editar código-fonte]

Como as gorduras são usadas em processo de fritura e seguidamente realizado em recipientes abertos, em temperatura elevada (180 – 200 °C), há o contato direto com o ar. Estas condições propiciam modificações físico-químicas nos óleos (como a termo-oxidação e a rancificação), algumas das quais são perceptíveis pelo próprio escurecimento das gorduras, o aumento da viscosidade, a formação de espuma e produção de fumaça. Essas transformações afetam o sabor que a fritura conferem aos produtos fritos, dificultando a aceitabilidade dos produtos, mas também produzem efeitos tóxicos como irritação gastrointestinal, a inibição de enzimas, a destruição de vitaminas e carcinogênese, quando da ingestão contínua e prolongada de produtos alterados quimicamente e rancificados.[3]

Alimentação[editar | editar código-fonte]

A gordura é um tipo de lipídio. Alguns alimentos ricos neste composto são: manteiga, margarina, frituras, doces, biscoitos recheados, carnes gordas, queijo amarelo, leite integral, requeijão, embutidos.[1]

Após uma refeição rica em lipídios, o sangue fica com um aspecto leitoso. É importante levar em consideração que os alimentos crocantes são os que mais contêm gordura trans, e evitar o consumo de carne com gordura visível é um cuidado simples e muito benéfico. O excesso de alimentos adiposos pode resultar em doenças cardiovasculares. Porém, a ausência destes no nosso corpo pode resultar em raquitismo. Por isso, é necessário que haja um equilíbrio.[1]

Funções[editar | editar código-fonte]

Fonte energética[editar | editar código-fonte]

Fornecem mais energia que os carboidratos, porém estes são preferencialmente utilizados pela célula. Toda vez que a célula eucarionte necessita de uma substância energética, ela vai optar pelo uso imediato de uma glicose, para depois consumir os lipídios.

Estrutural[editar | editar código-fonte]

Os fosfolipídios são os principais componentes das membranas celulares. Do ponto de vista químico, um fosfolipídio é um glicerídeo combinado a um grupo de fosfato. A sua molécula lembra um palito de fósforo, com uma “cabeça” polar, e uma haste apolar, constituída por duas cadeias de ácido graxo.[1]

Nas membranas biológicas, eles ficam organizados em duas camadas, que se incrustam com moléculas de certas proteínas.[1]

Isolante térmico[editar | editar código-fonte]

Auxiliam na manutenção da temperatura do corpo, por meios de uma camada de tecido denominado hipoderme, a qual protege o indivíduo contra as variações de temperatura mantendo a homeostasia corpórea.

Proteção mecânica[editar | editar código-fonte]

A gordura age como suporte mecânico para certos órgãos internos e sob a pele de aves e mamíferos, protegendo-os contra choques e traumatismos.

Classificação[editar | editar código-fonte]

Por causa de sua origem em nossa alimentação, é costumeiro se ver uma classificação trivial e útil na nutrição das gorduras em gordura animal e gordura vegetal. Um exemplo de gordura animal é a banha de porco, uma gordura vegetal comum é o azeite de oliva.

Glicerídios[editar | editar código-fonte]

Constituem os óleos e as gorduras, que diferem entre si quanto ao ponto de fusão. À temperatura ambiente, os óleos são líquidos, pois um ou mais dos ácidos graxos têm predominância de insaturações na cadeia. E as gorduras são sólidas pelo fato dos ácidos graxos terem predominância de saturação na cadeia.[1] Os glicerídios possuem elevados teores energéticos e são os principais componentes lipídicos da dieta humana.

Em mamíferos que vivem em regiões polares, como a baleia, a gordura forma uma espessa camada subcutânea ou "colchão adiposo", que envolve o corpo e permite o isolamento térmico do animal em relação ao ambiente frio. As moléculas dos glicerídios podem ter um, dois ou três ácidos graxos associados ao glicerol, um álcool conhecido como glicerina. Ácidos graxos são compostos de longas cadeias de carbono, saturadas ou não, que formam os ésteres das gorduras e dos óleos.

Ácidos graxos[editar | editar código-fonte]

São ácidos carboxílicos constituídos cadeias hidrocarbonadas de quatro a trinta e seis átomos de carbono e representam uma importante fonte de energia para as células. São considerados anfipáticos por apresentarem uma extremidade polar (hidrofílica) e uma extremidade apolar (hidrofóbica).

Em temperatura ambiente (25°C), os ácidos graxos saturados de 12 a 24 átomos de carbono possuem consistência cerosa, ao passo que os ácidos graxos insaturados do mesmo comprimento são líquidos e oleosos. Dessa forma, o ponto de fusão dos ácidos graxos insaturados é menor do que os ácidos graxos saturados.

Entre os diversos ácidos graxos esterificados nos lipídios destacam-se:

Graus de Insaturação[editar | editar código-fonte]

As propriedades dos ácidos graxos e dos lipídeos deles derivados dependem muito do comprimento da cadeia e do grau de saturação. Os ácidos graxos insaturados têm ponto de fusão mais baixos que os saturados com o mesmo comprimento. Por exemplo, o ponto de fusão do ácido esteárico é 69,6°C, enquanto o do ácido oleico (que contêm uma dupla ligação cis) é 13,4°C. Os pontos de fusão dos ácidos graxos poliinsaturados da série C18 são ainda mais baixos. O comprimento da cadeia também afeta o ponto de fusão, como é ilustrado pelo fato de que a temperatura de fusão do ácido palmítico (C16) é 6,5 graus abaixo daquela do ácido esteárico (C18). Assim, a cadeia curta e a insaturação acentuam a fluidez dos ácidos graxos e de seus derivados.

Nomenclatura[editar | editar código-fonte]

Os nomes dos ácidos graxos baseiam-se em seus hidrocarbonetos correspondentes

Os ácidos graxos são longas cadeias hidrocarbonadas, com vários comprimentos e graus de insaturação, que terminam em carboxilas, grupamentos ácidos. O nome sistemático de um ácido graxo é derivado do nome do hidrocarboneto correspondente, pela substituição do o final por óico. Por exemplo, o ácido graxo saturado com C18 é chamado de ácido octadecanóico porque o hidrocarboneto correspondente é o octadecano. Um ácido graxo com C18 e uma dupla ligação é chamado de octadecenóico; com duas octadecadienóico; e com três, octadecatrienóico. A notação 18:0 denota um ácido graxo com 18 carbonos e nenhuma dupla ligação, enquanto 18:2 significa que há duas ligações duplas. As estruturas das formas ionizadas de dois ácidos graxos comuns ácido palmítico (C16 saturado) e oleico (C18 monoinsaturado).

Os átomos de carbono dos ácidos graxos são numerados a partir do terminal carboxílico. Os átomos de carbono 2 e 3 são com frequência referidos, respetivamente, como α e β. O carbono da metila na extremidade distal da cadeia é chamado de átomo de carbono ω. A posição de uma dupla ligação é representada pelo símbolo Δ seguido de um número em índice superior. Por exemplo, cis-Δ9 significa que há uma dupla ligação cis entre os carbonos 9 e 10; trans –Δ2 indica que há uma dupla ligação trans entre os carbonos 2 e 3. Uma alternativa é denotar a posição de uma dupla ligação, contando a partir da extremidade distal, com o carbono metílico como o número 1. Um ácido graxo ω-3, por exemplo, tem a estrutura mostrada na margem. Os ácidos graxos se ionizam em pH fisiológico e portanto, é adequado se referir a eles de acordo com sua forma de carboxilato: por exemplo, palmitato ou hexadecanoato.

Eicosanoides[editar | editar código-fonte]

Os eicosanóides são hormônios parácrinos, substâncias que, em vez de serem transportadas pelo sangue para agir sobre células em outros tecidos ou órgãos, agem apenas sobre as células próximas ao local de síntese do próprio hormônio. Esse derivado de ácidos graxos tem um variado número de efeitos dramáticos em tecidos de vertebrados. Sabe-se que estão envolvidos nas funções reprodutivas, na inflamação, na febre, na dor associada a lesões ou doenças; na formação de coágulos sanguíneos e na regulação da pressão arterial, na secreção de ácido no estômago; e em vários outros processos importantes tanto na saúde como nas doenças humanas.

Todos os eicosanoides são derivados do ácido araquidônico (20:4(Δ5,8,11,14)), o ácido graxo poliinsaturado com 20 átomos de carbono do qual eles tomam o nome genérico (do grego eikosi, vinte). Existem três classes de eicosanóides: prostaglandinas, tromboxanos e leucotrienos.

As prostaglandinas contêm um anel com cinco carbonos derivado da cadeia do ácido araquidônico. As prostaglandinas agem em muitos tecidos regulando a síntese da molécula mensageira intracelular 3´, 5´ – AMP cíclico (cAMP). Como o cAMP é um mediador na ação de muitos hormônios, as prostaglandinas afetam um amplo espectro de funções celulares e teciduais. Algumas prostaglandinas estimulam contrações do músculo liso do útero durante a menstruação e o parto. Outras afetam o fluxo sanguineo a órgãos específicos, o ciclo sono-vigília, e a sensibilidade de certos tecidos hormônios tais como epinefrina e glucagon. As prostaglandinas de um terceiro grupo elevam a temperatura do corpo (produzindo febre) e causam inflamação e dor.

Os tromboxanos têm um anel de seis membros contendo um grupo éter. Eles são produzidos pelas plaquetas sanguíneas e agem na formação de coágulos sanguíneos e na redução do fluxo de sangue ao sítio do coágulo. Os compostos antiinflamatórios não-esteróides (NSAIDs) aspirina, ibuprofeno e meclofenato, por exemplo inibem a enzima prostaglandina H2 sintase (também chamada cicloxigenase ou COX) que catalisa uma etapa inicial na via do araquidonato a prostaglandinas e tromboxanos.

Os leucotrienos, encontrados inicialmente em leucócitos, possuem três duplas ligações conjugadas. Eles são poderosos sinais biológicos. Por exemplo, o leucotrieno D4, derivado do leucotrieno A4, induz a contração do músculo que reveste as vias aéreas que levam ao pulmão. A superprodução de leucotrienos causa ataques de asma , e a sua síntese é um dos alvos de drogas antiasmáticas como a prednisona. A forte contração dos músculos lisos do pulmão que ocorre no choque anafilático é parte da redação potencialmente fatal em indivíduos hipersensíveis a picadas de abelhas, penicilina ou vários outros agentes.

Principais glicerídeos[editar | editar código-fonte]

Dentre os glicerídeos, os principais em suas formas naturais e extraíveis são:

Os óleos ditos secativos contém glicerídeos de ácidos graxos insaturados, com múltiplas ligações. Devido a esta insaturação de suas moléculas eles se plimerizam e se oxidam quando em contato com o ar, transformando-se em películas finas, resinosas e transparentes quando aplicadas sobre superfícies. Por esta propriedade são aproveitados em formulações de vernizes e tintas e diversas formulações de revestimentos de superfícies.

  • Óleo de tungue: óleo com propriedades secativas, cujo principal glicerídeo é o ácido eloesteárico.
  • Óleo de oiticica: óleo com propriedades secativas que contém entre outros ácidos graxos o ácido linoleico. É extraído das plantas comuns em diversas regiões do Brasil.
  • O óleo de rícino é outro óleo secativo, extraído da semente da mamona, e o mais destacado dos ácidos graxos que o compõe é o ácido ricinoleico.
  • Óleo de algodão, um óleo comestível, extraído do caroço do algodão, usado como alimento, lubrificante e combustível. Seus principais glicerídeos são compostos pelos ácidos graxos como o ácido palmítico, o ácido esteárico e o ácido oleico. Estes glicerídeos estão também presentes no óleo de amendoim, óleo de oliva, óleo de côco, o óleo de patauá (extraído de determinadas palmeiras da Amazônia), o óleo de babaçu, o óleo de dendê (extraído da palmeira dendê, nativa da África, aclimatada no Brasil).
  • O óleo de girassol é produzido industrialmente a partir das sementes de girassol. Após limpeza, secagem, descasque, tiruração e extração com solvente. Sofre remoção do solvente e refino, com etapas que incluem desgomagem (remoção de gomas), branqueamento e desodorização. É essencialmente constituído por triacilgliceróis (98 a 99%), com um elevado teor em ácidos graxos insaturados (aproximadamente de 83%), mas reduzido teor em ácido linolénico (menos de 0,2%). É principalmente rico em ácido linoleico.[4]
  • É crescente a disponibilidade de óleo de milho, devido a crescente produção de etanol a partir do milho dos EUA. Esta grande produção levou ao desenvolvimento de derivados químicos dos ácidos graxos do óleo de milho, como os tensoativos e emulsificantes, em substituição aos tradicionais derivados de oleo de côco, nos cosméticos e produtos de higiene.[5]
  • Pela grande produção de soja, sem uso do grão íntegro (o que ocorre parcialmente com o milho), o óleo de soja está entre os óleos vegetais mais produzidos no mundo, e em especial, sua destinação além da produção de margarina vegetal e inúmeros outros derivados por hidrogenação, também tem se direcionado para a produção de biodiesel. Representa 18 a 20% da composição nutricional da soja, sendo que possui predominância de ácidos graxos poliinsaturados (58%), monoinsaturados (23%) e pouca participação de saturados (15%).[6] Os principais ácidos graxos que o compõe são ácido linoleico (aprox. 54%), ácido oleico (aprox. 22%), ácido palmítico (aprox. 10%).[7]
  • Um óleo em crescente uso é o óleo de canola, extraído de variedades da colza.

Lipídeos anfipáticos[editar | editar código-fonte]

Incluem os glicerofosfolipídeos, os esfingolipídeos e as esfingomielinas.

As esfingomielinas contêm fosfocolina, ou fosfoetanolanina como seu grupo-cabeça polar, e são classificados como fosfolipídeos juntamente com os glicerofosfolípideos. Essas esfingomielinas guardam semelhança, com as fosfatidilcolinas em suas propriedades gerais e estrutura tridimensional, e pelo fato de não ter carga nos seus grupos cabeça. Também estão presentes nas membranas plamáticas de células de animais, e são especialmente importantes na mielina, uma lâmina membranosa que envolve e isola os axônios em alguns neurônios, daí se dá o nome esfingomielinas.

Os glicoesfingolipídeos,que ocorrem principalmente na face externa da membrana plasmática, têm grupos cabeça com um ou mais açucares ligados diretamente ao - OH, em C-1 da porção ceramida, não contendo fosfato. Os cerebrosídeos, têm um único açucar ligado á ceramida, aqueles com galactose são caracteristicamente encontrados na membrana plásmatica de células em diferentes tecidos neurais. Já os globosídeos, são glicoesfingolipídeos neutros (sem carga elétrica), com dois ou mais açucares; usualmente D - glicose, D - galactose ou N - acetil - D galactosamina. Cérebrosídeos e globosídeos são às vezes, também chamados glicolipídeos neutros, pois não tem carga em ph 7.

Os gangleosídeos, são os esfingolipídeos mais complexos, apresentam oligossacarídeos como seus grupos-cabeças polares, e como unidades terminadas em um ou mais resíduos de ácido N - acetilneuramínico (Neu SAc), também chamado ácido siálico, este se dá aos gangliosídeos com um resíduo de ácido siálico, estão na série GM (M para monossérie), aqueles com dois ácidos siálicos estão na série GD (D para di), e com três ácidos siálicos na série GT, e assim sucessivamente.

Aminoálcool com uma cadeia de hidrocarboneto insaturada longa. A esfingosina e seu derivado esfinganina são as bases principais dos esfingolipídeos nos mamíferos.

Esteroides[editar | editar código-fonte]

Os esteróis são esteróides com 27 a 29 átomos de carbono, formados por uma cadeia lateral de oito ou mais átomos de carbono (C) no carbono 17 e um grupo álcool ou hidroxila (-OH) no carbono 3. Estas substâncias são encontradas em abundância nos organismos vivos, principalmente em animais e em algumas algas vermelhas. São solúveis em solventes orgânicos, e possuem um elevado ponto de fusão. O esterol propriamente dito é um álcool secundário, no qual uma hidroxila está ligada a um composto tetracíclico.

Entre os esterois destacam-se o colesterol e a vitamina D. O colesterol faz parte da estrutura das membranas celulares, sendo também um reagente de partida para a biossíntese de vários hormônios (cortisol, aldosterona, testosterona, progesterona), dos sais biliares e da vitamina D. Sem colesterol não haveria vida. Os esteróides formam um grande grupo de compostos solúveis em gordura (lipossolúveis), que têm uma estrutura básica de 17 átomos de carbono dispostos em quatro anéis ligados entre si.

Os esteróides compreendem diversas substâncias químicas com importante papel na fisiologia humana. Todos os esteroides apresentam em comum a estrutura química denominada Ciclo-pentano-peridro-fenantreno: um núcleo cíclico similar, semelhante ao nucleo do fenantreno (anéis A, B e C), que são ligados a um anel ciclopentano (D).Sendo eles lipídios de cadeia complexa.

Os esteróides são amplamente distribuídos nos organismos vivos e incluem os hormônios sexuais, a vitamina D e os esteróis, tais como o colesterol.

Existem cinco classes principais de hormônios esteróides sendo eles poderosas moléculas sinalizadoras que regulam um grande número de funções do organismo.

  • Progesterona: preparara o revestimento do útero para a implantação do óvulo fecundado, também é essencial para a manutenção da gestação.
  • Androgênios: são responsáveis pelo desenvolvimento das características secundárias masculinas.
  • Estrogênios: são responsáveis pelo desenvolvimento das características secundárias femininas. Em conjunto com a progesterona participa do ciclo ovariano.
  • Glicocorticoides: promovem a gliconeogênese e a formação de glicogênio, estimulam a degradação de lipídios e proteínas.
  • Mineralocorticoides: agem nos túbulos distais dos rins, aumentando a reabsorção de Na + e a excreção de K+ e H+, o que leva a um aumento do volume e da pressão do sangue.

Os hormônios esteroides ligam-se, ativam moléculas de receptores que servem como fatores de transição para a expressão gênica. Estas moléculas pequenas e semelhantes são capazes de ter efeitos muito diferentes, porque as leves diferenças estruturais entre elas permitem interações com moléculas receptoras específicas.

Vitaminas lipossolúveis[editar | editar código-fonte]

Vitaminas são compostos orgânicos que funcionam como coenzima, ou seja, atuam ativando as enzimas responsáveis pelo metabolismo celular. Há dois grupos de vitaminas os lipossolúveis e os hidrossolúveis, são classificadas nesses dois grupos com base na sua solubilidade, estabilidade, ocorrência em alimentos, distribuição nos fluidos corpóreos e na sua capacidade de armazenamento nos tecidos.

As vitaminas lipossolúveis têm um papel fisiológico separado e distinto. Na maior parte, são absorvidos com outros lipídios em uma absorção eficiente que requer a presença de bile e suco pancreático. São transportadas para o fígado através da ninfa como uma parte de lipoproteína e são estocadas em vários tecidos corpóreos, embora não todas nos mesmos tecidos, nem na mesma extensão e normalmente são excretadas na urinas. Os tipos de vitaminas lipossolúveis são A, D, E e K

  • Vitamina A (Retinol): Necessária para o crescimento normal e para o funcionamento normal dos olhos, do nariz, da boca, dos ouvidos e dos pulmões. Previne resfriados e várias infecções, protege os epitélios e a visão. A carência dessa vitamina pode causar cegueira noturna, xeroftalmia “olhos secos” e diminui a imunidade. São encontradas em alimentos de origem animal, como leite, manteiga, queijo, gema de ovo e em vegetais verdes e amarelos, com cenoura, milho, agrião, couve, alface. O excesso da retinol no organismo é tóxica e podem surgir sintomas como pele seca e áspera , dores ósseas, articulares e de cabeça, queda de cabelo, cãibras e sangramentos.
  • Vitamina D (calciferol): atua no metabolismo do cálcio e fósforo. Mantém os ossos e os dentes em bom estado, previne o escorbuto. A sua carência pode causar problemas nos dentes, raquitismo na infância, osteomalacia no adulto e osteoporose no idoso. Ela não é encontrada pronta na maioria dos alimentos, é ingerida na forma de provitamina D, que se transforma em vitamina D na pele, pela ação dos raios UV. As fontes que as encontra são em óleos de fígados de peixe, leite, fígado, manteiga e ovos. O excesso da ingestão de calciferol provoca aumento do cálcio no sangue, que podem alterar as funções do coração e dos nervos.
  • Vitamina E (tocoferol): Promove a fertilidade, previne aborto. Atua no sistema nervoso involuntário e no sistema muscular e nos músculos involuntários. No homem tem ação antioxidante, evitando a oxidação de compostos celulares. O efeito da sua carência é a degeneração muscular, anemia. Suas principais fontes são carnes magras, laticínios, alface e óleo de amendoim. Se ingerida em excesso pode eventualmente competir na absorção e reduzir a disponibilidade das outras vitaminas lipossolúveis e do ferro dos alimentos, e assim, colaborar para o desencadeamento de anemias.
  • Vitamina K (filoquinoma): é anti-hemorrágica, por atuar na coagulação sanguínea, favorecendo a síntese de protrombiana. A deficiência dessa vitamina pode causar hemorragias. São encontradas em vegetais verdes, tomate, castanha, fígados. As manifestações de excesso da filoquinoma são raras e pode evoluir com anemia e lesões no fígado.

Cerídios[editar | editar código-fonte]

São formados pela união de álcool a uma ou mais moléculas de ácidos graxos. Compreende as ceras animais e vegetais, sendo mais frequente no reino vegetal. Embora tenha valor econômico, não têm a mesma importância que as gorduras e óleos. As ceras de carnaúba e de babaçu, por exemplo, constituem bases alternativas para geração de energia. São encontrados também na secreção de alguns insetos, como a cera das abelhas.

Carotenoides[editar | editar código-fonte]

São pigmentos lipídicos amarelos, vermelhos e laranjas, insolúveis em água e solúveis em óleos e solventes orgânicos. Estão presentes nas células de todas as plantas, nas quais desempenham o papel importante no processo de fotossíntese.[1] Os carotenóides são importantes também para os animais. Por exemplo, a molécula de caroteno de um carotenóide alaranjado presente na cenoura e em outros vegetais, é matéria-prima para a produção da vitamina A, essencial a muitos animais. Essa vitamina é importante, por exemplo, para nossa visão, pois é precursora do retinal, uma substância sensível à luz presente na retina dos olhos dos vertebrados.[1]

Fosfolipídios[editar | editar código-fonte]

Formam a camada dupla da membrana celular. A molécula do fosfolipídio solubiliza-se, ao mesmo tempo, com a água e com os lipídios. Isso é possível porque possui uma porção hidrófila (afeição a água), o fosfato, e uma porção hidrófoba (aversão a água) constituída pelas cadeias lipídicas. Os principais exemplos de fosfolipídios são a lecitina e a cefalina.

Esteroides[editar | editar código-fonte]

São diferentes dos demais lipídios por apresentarem uma cadeia circular formando anéis. Pertencem a esse grupo os hormônios: sexuais testosterona e progesterona. E alguns hormônios supra-renais: aldosterona e cortisol. Todos são semelhantes sob o aspecto constitucional ao colesterol, do qual derivam.[1]

O colesterol é sintetizado exclusivamente em células animais; nas plantas é substituído pelo fito esterol. Uma parcela do colesterol precisa ser obtida pela dieta e a outra é fabricada pelo corpo, principalmente no fígado, que o reúne com triglicerídios e proteínas para formar os corpúsculos de HDL (lipoproteína de alta densidade) e LDL (lipoproteína de baixa densidade). Denominados também de “colesterol bom” e “colesterol ruim” respectivamente.

Grande parte do colesterol é transportada no sangue sob o formato de LDL. Uma parte dele é metabolizada no fígado e a outra serve para síntese de membranas celulares. No entanto, quando há excesso, o LDL acumula-se nas paredes das artérias, causando a aterosclerose. Por isso o LDL é chamado de "mau colesterol".[8]

Em contrapartida, o HDL tende a retirar o colesterol das artérias, levando-o ao fígado, onde se converte em bile. Há estudos direccionados na comprovação de que o HDL também remove o colesterol das placas ateroscleróticas já existentes, diminuindo a velocidade de sua formação. Fazendo com que taxas maiores de HDL afastariam os riscos de problemas cardíacos, justificando-se o nome de "bom colesterol".[8]

As taxas de colesterol e de triglicerídios variam com a idade; por isso, é aceitável um suave aumento de ambas quando se envelhece.

Lipídios e a esclerose múltipla[editar | editar código-fonte]

A bainha de mielina é uma estrutura membranosa que envolve os axônios das células nervosas. Ela tem um conteúdo particularmente alto de esfingolipídios e consiste em diversas camadas de membranas plasmáticas que envolvem as células nervosas. Diferentemente das demais membranas celulares, a mielina é uma bicamada inteiramente lipídica com pequena quantidade de proteínas associadas. A sua estrutura permite a rápida transmissão dos impulsos nervosos entre os segmentos separados pelos nódulos de Ranvier. Com a perda ou diminuição da eficiência da bainha de mielina, a transmissão dos impulsos nervosos fica prejudicada. Na esclerose múltipla, uma doença incapacitante e (por vezes) fatal, a bainha de mielina é destruída de forma progressiva por placas escleróticas, que afetam o cérebro e a medula espinhal. A origem dessas placas pode ser auto-imune ou por infecções virais no início da doença (ainda não se sabe ao certo).[9]

Referências

  1. a b c d e f g h i j AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia das células. São Paulo: Moderna, 2004.
  2. a b c SAFFIOTI, WALDEMAR; Fundamentos de Química; Companhia Editora Nacional; São Paulo, Brasil; 1968.
  3. Seme Youssef Reda e Paulo I. Borba Carneiro; [Oleos e gorduras: aplicações e implicações; Revista Analytica • Fevereiro/Março 2007 • Nº27
  4. Óleo de Girassol - www.cienciaviva.pt
  5. Rose de Moraes; Aceitação dos insumos naturais obtidos no Brasil é maior no exterior; Revista Química e Derivados Edição nº 471 de março de 2008.
  6. Soja - Histórico e composição - www.nutricaoclinica.com.br
  7. Vieira, F.C.V., Pierre, C.T. e Castro, H.F.; INFLUÊNCIA DA COMPOSIÇÃO EM ÁCIDOS GRAXOS DE DIFERENTES ÓLEOS VEGETAIS NAS PROPRIEDADES CATALÍTICAS DE UMA PREPARAÇÃO COMERCIAL DE LIPASE PANCREÁTICA; VI Congresso Brasileiro de Engenharia Química em Iniciação Científica - www.feq.unicamp.br
  8. a b O bom colesterol e o mau colesterol - www.editorasaraiva.com.br (Acessado em 03/11/09)
  9. CAMPBELL, M.K. & FARRELL, S.O. (2007). Bioquímica. São Paulo: Thomson Learning

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

AMABIS, José Mariano; MARTHO, Gilberto Rodrigues. Biologia: organismo. São Paulo: Moderna, 1994.

BERG, Jeremy, et al. Bioquímica. 6° edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.p. 332-334.

BERG, Jeremy, et al. Bioquímica. 6° edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008.

COELHO, Alessandra. Vitaminas. Disponível em: <http://www.alessandracoelho.com.br/vitaminas.htm>. Acesso em: 17 set. 2011.

DELVIN, Thomas. Manual de Bioquímica com correlações clínicas. 1° edição. São Paulo: Edgard Blücher Ltda, 2003.

LEHNINGER, Albert Lester. Princípios de Bioquímica. Tradução Arnaldo Antônio Simões, Wilson Roberto Navega Lodi.4.ed. São Paulo: Sarvier, 2006.p. 356-357.

MASTROENI, Marco Fabio; GERN, Regina Maria Miranda.Bioquímica:Práticas adaptadas.São Paulo: Atheneu.2008. p. 92-93.

MORANDINI, Clézio; BELLINELLO, Luiz Carlos. Biologia: volume único. 2ª edição. São Paulo: Atual, 2003.

WELL, Jacques. Biochimie Génerale. 8° edição. Paris: Masson, 1997.

Metabolismo[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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