Pequim

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Pequim
Símbolos de Pequim.
Símbolos de Pequim.
Localização de Pequim na China
Localização de Pequim na China
Coordenadas 39° 54' 20" N 116° 23' 29" E
País República Popular da China China
Prefeito Wang Anshun[1]
Área  
  Total 16.801,25 km²
População  
  Cidade (2010[2] ) 19.612.368
    Densidade   888/km²
  Urbana 10.395.000
Fuso horário +8 (UTC)
Website: www.beijing.gov.cn

Pequim (em chinês 北京; em pinyin Běijīng e Wade-Giles Peiching; AFI: Loudspeaker.svg? /pèɪtɕíŋ/) é a capital, bem como a segunda maior cidade da República Popular da China. Pequim, cujo nome em mandarim significa, literalmente, Capital do Norte, foi durante séculos, a mais populosa cidade do mundo, contando, hoje, com cerca de 10,3 milhões de habitantes (dados de 2010[2] ). Situada ao norte do país, Pequim é famosa pela Cidade Proibida (em mandarim, 紫禁城; zǐ jìn chéng), um conjunto de palácios dos imperadores chineses construído no século XV.

A cidade foi capital do Império Chinês de 1421 a 1911. Em 1912, a capital foi transferida para Nanquim, e Pequim tomou o nome para Beiping (Wade-Giles: Peiping) (literalmente "Paz do Norte", em mandarim); Ocupada pelos japoneses entre 1937 e 1945, Pequim tornou-se novamente a capital da República Popular da China em 1949, com a denominação atual.

Nomes[editar | editar código-fonte]

"Pequim" significa "Capital do Norte" mantendo a tradição da Ásia Oriental de se chamar as capitais como tal em seus nomes — assim como Tóquio no Japão e Pyongyang na Coreia do Norte querem dizer "Capital do Leste" e "Capital do Oeste" respectivamente. Outras cidades que receberam nomes similares foram Nanquim ("capital do sul") e Đông Kinh, atual Hanói, no Vietnã ("capital do leste"), Quioto, no Japão, e Gyeongseong (, atual Seul), na Coreia do Sul (ambas significando simplesmente "capital").

Peking é o nome da cidade de acordo com a Romanização do Sistema Postal Chinês; a grafia se originou com os missionários franceses há cerca de 400 anos, e corresponde a uma pronúncia mais antiga, que antecede uma mudança sonora subsequente ocorrida no mandarim, na qual o [kʲ] passou a [tɕ][3] (o [tɕ] é representado no pinyin como j, como em Beijing).

A pronúncia "Peking" também está mais próxima dos dialetos fujianeses de amoy e min nan, falandos na cidade de Xiamen, uma das cidades onde comerciantes europeus primeiro aportaram, no século XVI, enquanto "Beijing" se aproxima mais da pronúncia do nome da cidade no mandarim.

A cidade recebeu diversos nomes ao longo da história. Durante a Dinastia Jin era conhecida como Zhongdu (中都), e posteriormente, durante o período da dinastia mongol Yuan, como Dadu () em chinês[4] e Daidu em mongol.[5] (também registrada como Cambuluc[6] por Marco Polo). Por duas vezes em sua história seu nome foi mudado de Beijing/Peking para Beiping (ou Peiping; em chinês: pinyin: Beiping; Wade-Giles: Pei-p'ing), literalmente "Paz do Norte". Isto ocorreu pela primeira vez no reinado do Imperador Hongwu, da Dinastia Ming, e em 1928, durante o governo Kuomintang (KMT) da República da China.[6] Em cada uma destas ocasiões, a mudança envolvia a retirada do elemento do nome que significa "capital" (jing ou king, 京) para indicar o fato de que a capital nacional havia sido mudada para Nanquim (Nanjing), na província de Jiangsu. Os nomes foram restaurados posteriormente ao formato anterior, Beijing/Peking; primeiro com o Imperador Yongle, na Dinastia Ming, que voltou a transferir a capital para lá, e em 1949, quando o Partido Comunista da China fez o mesmo, após a fundação da República Popular da China.[6]

Yanjing (; pinyin: Yānjīng; Wade-Giles: Yen-ching) é outro nome popular informal em uso para a cidade, referindo-se ao antigo Estado de Yan, que existiu no local durante a Dinastia Zhou. O nome pode ser visto em diversas instituições e produtos locais, como a marca de cerveja local, Yanjing Beer, bem como a Universidade de Yenching, uma instituição de ensino superior que acabou por se fundir com a Universidade de Pequim.

História[editar | editar código-fonte]

Durante as dinastias Tang e Song, existiam somente pequenas aldeias na zona. A última dinastia Jin(1115-1234) cedeu grande parte da sua fronteira norte, incluindo Pequim, à dinastia Liao no século X. A dinastia Liao fundou uma segunda capital numa cidade a que chamou Nanjing ("capital do Sul"). A dinastia Jin conquistou Liao e o norte da China, fundando Zhongdu (中都), a "capital central".

O Templo do Céu, um dos símbolos da capital chinesa.

Os mongóis, com Genghis Khan, arrasaram Zhongdu em 1215 e reconstruíram-na como Grande Capital (大都), a norte da capital Jin. Este é considerado o início da atual Pequim . O explorador Marco Polo chamou à zona Cambaluc. Kublai Khan, que queria ser imperador da China, localizou a sua capital no norte da China, que era mais próximo às origens de Kublai na Mongólia. Isto realçou a importância da cidade, apesar de ela estar na fronteira norte da China.

Em 1403, o terceiro imperador Ming, Zhu Di (朱棣), que subiu ao trono depois de matar o seu sobrinho e de uma longa guerra civil, moveu a capital, que estava no sul, estabelecendo-a no norte e chamando-a Beijing, ou seja, capital do norte. A Cidade Proibida foi construída entre 1406 e 1420. Em seguida, foram construídos o Templo do Céu (1420) e vários outros projetos. A Praça da Paz Celestial (Tian'anmen) pegou fogo duas vezes durante a dinastia Ming e foi finalmente reconstruída em 1651.

Após a instauração da República da China em 1911, estabeleceu-se de novo a capital em Nanjing (Nanquim) e "Beijing" foi renomeada "Beiping". Durante a Segunda Guerra Sino-Japonesa, foi ocupada pelo Japão em 29 de Julho de 1937. Durante a ocupação, Pequim foi a capital do Governo Provisório da China, um estado fantoche que governou o norte da então China ocupada. A ocupação durou até à rendição do Japão, em 15 de Agosto de 1945.

Em 31 de Janeiro de 1949, durante a Guerra Civil Chinesa, as forças comunistas entraram em Pequim sem confrontos violentos. No dia 1 de Outubro, o Partido Comunista Chinês chefiado por Mao Tse Tung, anunciou na Praça da Paz Celestial a criação da República Popular da China.

Depois das reformas económicas de Deng Xiaoping, a área urbana cresceu enormemente. A zona de Guomao tornou uma grande área comercial, tal como Wangfujing e Xidan, enquanto que Zhongguancun se converteu no centro da indústria da eletrônica do país.

Como capital da nação, Pequim também sofreu agitação política nos últimos vinte anos. Na Praça da Paz Celestial tiveram lugar os Protestos da Praça da Paz Celestial em Maio e Junho de 1989, que terminaram num massacre por parte do exército, sob ordem direta dos dirigentes comunistas: milhares de estudantes foram massacrados, o que ainda é objeto de polêmicas e é contestada nacionalmente porque tratava da liberdade política na mais populosa nação da Terra. A praça também foi lugar de apelos de praticantes da Falun Gong (uma prática de Qigong) para que eles não fossem mais perseguidos.

Nos anos recentes, Pequim esteve sempre com problemas sérios, tais como os congestionamentos (apesar da maioria da população usa a bicicleta como meio de transporte), a contaminação do ar, a destruição do património histórico e a grande migração de outras partes do país.

Pequim, perdeu a eleição para a sede dos Jogos Olímpicos de 2000, mas 8 anos depois foi escolhida como sede dos Jogos Olímpicos de 2008.[7]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Pequim está situada no extremo norte da Planície Setentrional Chinesa. Montanhas ao norte, noroeste e oeste protegem a cidade e a área agrícola do norte da China das vizinhas estepes desérticas. A parte noroeste do município, especialmente Yanqing e Distrito Huairou, são dominadas pelas montanhas Jundu, enquanto a parte oeste do município é dividida pelas serras Xishan. A Grande Muralha da China, que se estende através da parte norte de Pequim, fez uso desta topografia acidentada para a defesa contra as incursões nômades das estepes.

Pequim detém de uma das maiores densidades populacionais do planeta, abrigando cerca de 10,3 milhões de habitantes dentro de seus limites. Sua região metropolitana é a 12ª mais populosa da Terra, contando com 17 234 087 habitantes.

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima de Pequim é continental. O tempo é praticamente seco em quase todo o ano, mas no verão as monções causam muita chuva. Os invernos são muito frios, registrando temperaturas máximas abaixo de 0 °C nos dias mais frios, mas neva pouco devido à seca, causada pela alta pressão do ar vinda da Sibéria. Os verões são quentes, as temperaturas ficam acima dos 30 °C em vários dias da estação. O outono e a primavera são estações de transição entre o frio e o calor e, assim como o inverno, são estações secas.

Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
Temperatura média mínima (°C) -9,4 -6,9 -0,6 7,2 13,2 18,2 21,6 20,4 14,2 7,3 -0,4 -6,9
Temperatura média máxima (°C) 1,6 4,0 11,3 19,9 26,4 30,3 30,8 29,5 25,8 19,0 10,1 3,3
Precipitação (mm) 2,6 5,9 9,0 26,4 28,7 70,7 175,6 182,2 48,7 18,8 6,0 2,3
Fonte: Climate charts

Política[editar | editar código-fonte]

O sistema político de Pequim é estruturado num sistema de governo duplo como todas as outras instituições governamentais da República Popular da China. O prefeito de Pequim é a autoridade máxima no governo da cidade.Como a cidade é uma municipalidade administrada pelo governo federal,o prefeito possui o mesmo nível na ordem de precedência dos governadores das províncias.Entretanto,no sistema duplo de governo de Pequim,o prefeito está abaixo do que o Secretário do Comitê Municipal de Pequim do Partido Comunista.

Economia[editar | editar código-fonte]

Pequim é um dos maiores e mais importantes centros financeiros da China. Como uma cidade historicamente industrial, hoje, cerca de 73,2% do Produto Interno Bruto (PIB) da cidade vem da atividade industrial terciária[8] . Isso contribuiu para que Pequim, em 2009, fosse sede de 41 das 500 maiores empresas mundiais (e mais de 100 das maiores empresas da China) segundo a revista americana Fortune, estando em segundo lugar na lista das cidades que sedeiam o maior número de empresas entre as 500 maiores do mundo da época, sendo superada somente por Tóquio[9] .

As atividades financeiras são outro motor da economia de Pequim. No final de 2007, as 751 organizões financeiras sediadas na capital chinesa geraram uma arrecadação de CNY126,2 bilhões para o governo local, cerca de 11% de todo a arrecadação bruta extraídas de atividades financeiras no país, naquele período. Essas atividades são responsáveis por 13,8% da economia de Pequim, mais do que qualquer outra cidade da China[10] .

Em 2009, o produto interno bruto nominal de Pequim chegou a CNY1,3 trilhão, sendo seu PIB nominal per capita no mesmo período de CNY78,1 mil. Em 2008, por sua vez, o PIB nominal da capital chinese foi de CNY1,1 trilhão (cerca de US$174 bilhões), com um crescimento economico de 10,1% entre 2008 e 2009. Em 2008 o PIB nominal per capita foi de CNY68 mil, tendo crescido 6,2% em relação a 2008.

Em 2009, as atividas industriais primárias, secundárias e terciárias geraram uma arrecadação bruta de CNY11,8 bilhões, CNY274,3 bilhões e CNY900,4 bilhões, respectivamente.

O centro financeiro da cidade, concentrado principalmente na área central de Guomao, é um dos principais centros comerciais da China, concentrando diversas empresas, escritórios comerciais e shoppings centers. Já o Zona Financeira de Pequim, nas áreas de Fuxingmen e Fuchengmen, é um dos mais tradicionais centros financeiros da China. A área de Zhongguancun, conhecida como "Vale do Silício chinês", abriga diversas industriais relacionadas a alta-tecnologia, como a informática, além de, mais recentemente, a produtos farmaceuticos. Do mesmo modo, a área de Yizhuang, na parte sudoeste da periferia da cidade, é sede de inúmeras industrias ligadas a tecnologia de informação, de produtos farmaceuticos e petroquímicos. A cidade também possuí outros diversificados parques industriais, como os de Yongle e Tianzhu.

Educação[editar | editar código-fonte]

A Universidade de Tsinghua é uma das melhores universidades da China.

Pequim abriga um grande número de faculdades e universidades, incluindo várias reconhecidas em nível internacional, tais como a Universidade de Tsinghua e a Universidade de Pequim.[6] Por causa do status de Pequim como a capital política e cultural da China, a maioria das Universidades está localizada lá, tendo na soma geral 59 Universidades. Muitos estudantes estrangeiros, vindos dos países vizinhos e de outros continentes se transferem para Pequim todos os anos.

Transportes[editar | editar código-fonte]

Com o crescimento da cidade após as reformas econômicas, Pequim tem evoluído como o centro de transportes mais importante da República Popular da China e na região do leste asiático. Circundando a cidade estão cinco anéis viários, nove vias expressas e vias expressas da cidade, onze autoestradas nacionais, várias linhas ferroviárias, e um aeroporto internacional.

Cidades-irmãs[editar | editar código-fonte]

Estas são as cidades irmãs de Pequim.[11]

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. http://exame.abril.com.br/mundo/noticias/apos-criticas-sobre-gestao-prefeito-de-pequim-renuncia
  2. a b Communiqué of the National Bureau of Statistics of People's Republic of China on Major Figures of the 2010 Population Census. National Bureau of Statistics of China.
  3. Coblin, W. South. "A Brief History of Mandarin." Journal of the American Oriental Society 120, no. 4 (2000): 537-52.
  4. Li, Dray-Novey & Kong 2007, p. 7
  5. Denis Twitchett, Herbert Franke, John K. Fairbank, in The Cambridge History of China: Volume 6, Alien Regimes and Border States (Cambridge: Cambridge University Press, 1994), p 454.
  6. a b c d "Beijing". The Columbia Encyclopedia (6ª edição). (2007). 
  7. Beijing 2008: Election. International Olympic Committee. Página visitada em 2006-12-18.
  8. http://www.china.com.cn/economic/txt/2008-03/20/content_13178335.htm
  9. http://money.cnn.com/magazines/fortune/global500/2009/cities/
  10. http://zhengwu.beijing.gov.cn/xwfbh/bmqxfbh/t989438.htm
  11. Sister Cities. Beijing Municipal Government. Página visitada em 2008-09-23.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]