Dinastia Qing

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清朝
Grande Qing

Império

Flag of Ming China.jpg
1644 – 1912
Flag Brasão
Bandeira Brasão
Localização de Dinastia Qing
Dezoito províncias da China em 1875.
Continente Ásia
País China
Capital Beijing
Língua oficial chinês [1] , manchu, mongol, e outras
Religião Budismo
Taoísmo
Confucionismo
Religião tradicional chinesa
Lamaísmo
Governo Monarquia Absoluta
Imperador
 • 1626-1643 Huang-Taiji
 • 1908-1912 Xuantong
História
 • 26 de maio de 1644 Queda da Dinastia Ming
 • 12 de fevereiro de 1644 Captura de Pequim
 • 1839-1842 Primeira Guerra do Ópio
 • 1850-1864 Rebelião Taiping
 • 1894-1895 Primeira Guerra Sino-Japonesa
 • 12 de fevereiro de 1912 Revolução de Xinhai
Área
 • 1760 est. 13 150 000 km2
 • 1790 (inclui estados vassalos)[2] 14 700 000 km2
População
 • 1851 est. 436 000 000 
 • 1898 est. 319 720 000 
Moeda Tael
Precedido por
Sucedido por
Flag of Ming China.jpg Dinastia Ming
República da China Flag of the Republic of China 1912-1928.svg
Canato da Mongólia Flag of Mongolia (1911-1921).svg
Ilha Formosa Flag of Formosa 1895.svg
Império Russo Flag of Russia.svg
Império do Japão Flag of Japan.svg
CJ Peers, Late Imperial Chinese Armies: 1520–1840.
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History of China.gif
História da China
ANTIGA
Dinastia Zhou 1122/1027 AEC–221 AEC
Dinastia Chin 221 AEC–206 AEC
Dinastia Han Ocidental 206 AEC–220 EC
Dinastia Xin
Dinastia Han Oriental
Três Reinos 220–280
  Wei, Shu & Wu
Dezesseis Reinos
304–439
Dinastia Sui 581–618
Dinastia Tang 618–907
5 Dinastias e
10 Reinos

907–960
Dinastia Liao
907–1125
Dinastia Song
960–1279
  Song do Norte Xia
  Song do Sul Jin
Dinastia Yuan 1271–1368
Dinastia Ming 1368–1644
Dinastia Qing 1644–1911
MODERNA
República da China 1912–1949
República Popular
da China

1949–presente
Republica
da China (Taiwan)

1945–presente

A dinastia Qing (manchu: daicing gurun; em pinyin: qīng cháoe Wade-Giles: ch'ing ch'ao; mongol : Манж Чин Улс; mandarim: 清朝), Também Império do Grande Qing ou Grande Qing foi a última dinastia imperial da China, governando 1644-1912 com uma breve restauração abortiva em 1917. Foi precedida pela dinastia Ming e sucedida pela República da China.

Esta dinastia teve início quando os manchus invadiram o norte da China em 1644 e derrotaram a dinastia Ming. Desta região, os manchus expandiram a dinastia para a China propriamente dita e os territórios circundantes da Ásia central, estabelecendo o Império do Grande Qing (em pinyin: Dà Qīng Dìguó) [3] .

A Qing foi a última dinastia imperial da China; os seus imperadores ocuparam a sua capital entre 1644 e 1912 [4] , quando, no seguimento da Revolução Xinhai, uma república foi estabelecida e o último imperador da China, Pǔyí Xiānsheng, abdicou.

Formação do Estado Manchu[editar | editar código-fonte]

A Dinastia Qing foi formada pela etnia manchus minoritária, povo nômade originário da região leste da Ásia, que atualmente inclui o extremo nordeste da China também chamada Manchúria Interior e uma parte da Sibéria.

O seu fundador foi Aisin Gioro líder do clã manchu da região nordeste da China. Nurhachi seu sucessor, que era originalmente um vassalo do imperador Ming, iniciou uma ação de unificação dos clãs da região conseguindo seu intento no final do século XVI. A sua principal estratégia foi a criação do sistema de governo e distribuição de poder conhecido como "Oito Bandeiras" em que todos os manchus pertenciam a uma das "Oito Bandeiras", que uniam o poder civil de uma região com unidades militares da mesma área. Por volta de 1635, Huang-Taiji o filho e sucessor de Nurhachi, conseguiu expulsar o governo Ming de Liaoning, no sul da Manchúria.

A Dinastia Ming sustentada pela etnia han predominante na China, foi vencida ao longo de quase trinta anos de lutas. Em 26 de maio de 1644, a cidade de Pequim depois de uma revolta camponesa caiu frente ao exército liderado pelo general rebelde Li Zicheng [5] . Durante o tumulto, o Imperador Chongzhen último imperador Ming, enforcou-se em uma árvore no Parque Beihai, jardim imperial situado a noroeste da Cidade Proibida.

Governo e Sociedade chinesa[editar | editar código-fonte]

O sistema de governo seguia os princípios da monarquia absoluta. O imperador tinha o poder supremo em todas as coisas temporais e espirituais, mas seu autoritarismo era consideravelmente limitado pelos ministros e outros funcionários da alta de hierarquia que de fato dirigiam o Estado. Pessoa do imperador era sagrada e inviolável. O imperador promulgava as leis, sem entretanto legislar pois todas propostas eram feitas por seus ministros.

O império não era herdado pelo direito de nascença. Cada imperador decidia quem seria o seu sucessor, que poderia ser um de seus filhos ou um parente próximo do sexo masculino. O imperador era considerado o "filho do céu" e o "pai do povo", objeto de veneração obrigatória. Mas o seu protocolo de vida era muito rigoroso, que incluiu rígido ritual para toda a sua vida diária.

A China atingiu sua maior extensão durante o século XVIII, quando além da China faziam parte do império a Manchúria (nordeste da China ), Mongólia Interior , Mongólia , Xinjiang e o Tibete. A área destes territórios alcançavam 13 milhões km².

Administrativamente o império era dividido em 18 províncias todas da China propriamente dita, o número aumentou para 22 com a anexação da Manchúria e Xinjiang que foram divididas ou transformadas em províncias. Taiwan virou uma província no século XIX, e foi cedida ao Império do Japão após a Segunda Guerra Sino-Japonesa no final do mesmo século. Além disso, muitos países vizinhos, como Coréia, Vietnã e Nepal , foram os estados tributários da China durante a maior parte do período Qing.

Regiões administradas pela Dinastia Qing:

  • Regiões norte e sul do Tian Shan (mais tarde província de Xinjiang), incluindo vários canatos semi-autônomos como Khanate Kumul.
  • Mongólia, regiões de Khalkha, Kobdo, Köbsgöl e Tannu Urianha.
  • Mongólia Interior, regiões de Jirim, Josotu, Juu Uda, Shilingol, Ulaan Chab e Ihe Juu.
  • Outras regiões mongóis, Alshaa khoshuu, Ejine khoshuu, Ili khoshuu (em Xinjiang), Koke Nuur ; * * Áreas diretamente governadas: Dariganga, Guihua Tümed , Chakhar e Hulunbuir.
  • Tibete (Ü-Tsang e oeste de Kham , aproximadamente a área da atual Região Autônoma do Tibete)
  • Manchúria (nordeste da China)
  • Dezoito províncias da China:
  1. Zhili
  2. Henan
  3. Shandong
  4. Shanxi
  5. Shaanxi
  6. Gansu
  7. Hubei
  8. Hunan
  9. Guangdong
  10. Guangxi
  11. Sichuan
  12. Yunnan
  13. Guizhou
  14. Jiangsu
  15. Jiangxi
  16. Zhejiang
  17. Fujian (incluindo Taiwan até 1885)
  18. Anhui
  • Outras províncias do final da Dinastia Qing:
  1. Xinjiang
  2. Taiwan (até 1895)
  3. Fengtian, renomeada como Liaoning
  4. Jilin
  5. Heilongjiang
Dynastia Qing em 1820, com províncias em amarelo, governos militares e protetorados em amarelo claro e estados tributários em laranja.

A sociedade chinesa durante no período era fundamentalmente agrária. Os imperadores controlavam o país se valendo de um extenso aparelho administrativo, constituído por uma classe de funcionários recrutados. A estrutura econômica se baseava na produção agrícola e a sociedade chinesa era composta por uma diminuta classe de proprietários de terras, que dependiam do Governo para as obras de infra-estrutura e uma grande maioria de camponeses [6] .

Influência dos jesuítas[editar | editar código-fonte]

A missão católica na China foi confiada exclusivamente aos jesuítas, que estavam sob a tutela do Padroado português [7] .

O conhecimento científico dos jesuítas aproximou a Igreja Católica do Imperador Kangxi (1662-1722). Estes missionários prestaram vários serviços à corte imperial nas áreas de diplomacia, astronomia, cartografia e de mecânica [8] . Eles também melhoraram a artilharia chinesa, o que permitiu a dinastia Qing reconquistar Taiwan em 1661, que estava em poder da Holanda [9] .

Em agradecimento as contribuições dos jesuítas na Corte imperial, Kangxi emitiu em 1692, um édito de tolerância ao cristianismo.

Um importante legado da presença dos jesuítas foi o atlas preparado por Martino Martini Sinensis Atlas Novus (1655) e o grande Mapa da China, concluído em 1718, que incluia a China, Mongólia, Manchúria e Tibete desenvolvido por Jean-Baptiste Halde.

O jesuítas entraram em conflito com os franciscanos e dominicanos. Este litígio levou o imperador proibir a pregação cristã em 1723.

Decadência[editar | editar código-fonte]

A Dinastia Qing começou a declinar em função a corrupção política crescente. Os imperadores Jiaqing (1796-1820) e Daoguang (1820-1850) não deram sequência o estilo administrativo de seus antecessores, tornando o controle do Estado cada vez mais conservador e rígido.

Tela retratando a Rebelião Taiping [10] .

Uma série de tentativas rebeldes, contra a dinastia Manchu foram iniciadas nos governos de Daoguang (1820-1850), Xianfeng (1850-1861) e Tongzhi (1861-1875), entre elas a Rebelião Taiping (1851-1864) [11] .

O Reino Unido moveu uma guerra contra a China que ficou conhecida como a Primeira Guerra do Ópio (1839-1842). O mesmo Reino Unido mais a França e os Estados Unidos promoveram a Segunda Guerra do Ópio (1856-1860). Ambas as guerras foram perdidas, levando a China a assinar tratados desiguais altamente desfavoráveis em termos comerciais e perda de territórios. A cidade de Hong Kong foi cedida aos ingleses nesta oportunidade [12] .

A Guerra Sino-Japonesa (1894-1895) que tornou a Coreia independente e a ilha de Taiwan uma colônia do Japão, também foi perdida de forma desatrosa pela China. Este foi o divisor de águas para o governo Qing, pois o Japão na época era considerado pelos chineses como um país sem expressão militar [13] .

O Levante dos boxers (1899-1900) foi um movimento popular antiocidental e anticristão de oposição a presença de estrangeiros, era contra também a proteção legal extraterritorial e privilégios comerciais, bem como o aumento da influência cultural sobre a China. Como resposta foi formada a Aliança das Oito Nações que contava com forças militares da Áustria-Hungria, França, Império Alemão, Itália, Japão, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos [14] . As tropas estrangeiras ocuparam a capital e milhares de cidadãos morreram durante a campanha. Ao final das hostilidades, o governo imperial foi forçado a assinar o desigual Protocolo Boxer de 1901 [15] . O levante fez com que aumentasse a interferência estrangeira na China, com a conseqüente diminuição da autoridade da dinastia Qing.

Puyi o 12º imperador (1908 -1912) da dinastina Qing e último imperador da China, foi forçado a abdicar, após movimento revolucionário dirigido por Sun Yat-sen [16] , a República da China foi criada em 12 de fevereiro de 1912 [17] .

Imperadores Manchu[editar | editar código-fonte]

[6]

Referências

  1. Samuel Wells Williams. The Middle kingdom: a survey of the ... Chinese empire and its inhabitants .... 3 ed. New York: Wiley & Putnam, 1848. p. 489. vol. 1. Página visitada em 8 de maio de 2011..
  2. (dezembro de 2006) "East-West Orientation of Historical Empires". Journal of world-systems research 12 (2): 219–229. ISSN 1076–156x.
  3. China ABC. Dinastia Qing. Página visitada em 11 de fevereiro de 2012.
  4. Diario del Pueblo. Breve cronología histórica de China (em espanhol). Página visitada em 11 de fevereiro de 2012.
  5. Cultural China. Li Zicheng and the Fall of the Ming Dynasty (em inglês). Página visitada em 11 de fevereiro de 2012.
  6. a b Renato Cancian. China imperial, Dinastia Manchu controlava sociedade agrícola. Uol Educação. Página visitada em 11 de fevereiro de 2012.
  7. Martins, Paulo Miguel. Percorrendo o Oriente: A vida de António de Albuquerque Coelho, 1682-1745. [S.l.]: Livros Horizonte, 1998. ISBN 972-24-1046-6; págs. 33-40
  8. Frédéric Mantienne, Monseigneur Pigneau de Béhaine, 1999, Editions Eglises d'Asie, 128 Rue du Bac, Paris, ISBN 2914402201; pág. 180
  9. Les Missions Etrangères. Trois siecles et demi d'histoire et d'aventure en Asie, Editions Perrin, 2008, ISBN 9782262025717; pág. 83
  10. Historical Background. Battle of Qurman (em inglês). Página visitada em 12 de fevereiro de 2012.
  11. Britainnica. Results of Taiping Rebellion (em inglês). Página visitada em 12 de fevereiro de 2012.
  12. Z. Lin, T. Robinson. The Chinese and their Future, Beijing, Taipei, and Hong Kong (em inglês). AEI Press. Página visitada em 12 de fevereiro de 2012.
  13. sinojapanesewar.com. The First Sino Japanese War August 1, 1894 - April 17, 1895 (em inglês).
  14. NationMaster. Alliance of Eight Nations (em inglês). Página visitada em 14 de fevereiro de 2012 de .
  15. hkptu.org. Eight-Nation Alliance (Section 4). Página visitada em 14 de fevereiro de 2012.
  16. Iolani Bulletin Story. Dr. Sun Yat Sen (em inglês). Página visitada em 12 de fevereiro de 2012.
  17. Site do Oriente. Qing: A última dinastia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Nurhachi, 1º imperador da Dinastia Manchu.
  • Cotterell, Arthur.. The Imperial Capitals of China - An Inside View of the Celestial Empire. London: Pimlico. 304 pages, 2007. ISBN 9781845950095
  • Elliot, Mark C.. The Manchu Way: The Eight Banners and Ethnic Identity in Late Imperial China. Stanford, CA: Stanford University Press, 2001.
  • Fairbank, John K. and Liu, Kwang-Ching, ed. The Cambridge History of China. Vol. 2: Late Ch'ing, 1800–1911, Part 2. Cambridge U. Press, 1980. 754 pp.
  • Paludan, Ann.. Chronicle of the China Emperors. London: Thames & Hudson. 224 pages, 1998. ISBN 0-500-05090-2
  • Peterson, Willard (ed.). (2002). The Cambridge History of China, Volume 9, Part One: The Ch'ing Empire to 1800. Cambridge: Cambridge University Press. ISBN 0-521-24334-3, 9780521243346.
  • Rawski, Evelyn S. The Last Emperors: A Social History of Qing Imperial Institutions (2001) complete text online free
  • Spence, Jonathan. The Search for Modern China. New York: W. W. Norton & Company, 1990.
  • Jonathan Spence. God's Chinese Son: The Taiping Heavenly Kingdom of Hong Xiuquan. New York: W. W. Norton & Company, 1997.
  • Struve, Lynn A., ed. The Qing Formation in World-Historical Time. (2004). 412 pp.
  • Struve Lynn A.. Voices from the Ming-Qing Cataclysm: China in Tigers' Jaws. Yale: Yale University Press. 312 pages, 1968. ISBN 0300075537, 9780300075533 excerpt and text search
  • Li Bo, Zheng Yin, 5000 years of Chinese history. Inner Mongolian People's publishing corp, ISBN 7-204-04420-7 (2001).
  • Luca Gabbiani, Pékin à l'ombre du mandat céleste : vie quotidienne et gouvernement urbain sous la dynastie Qing (1644-1911). l'École des hautes études en sciences sociales, 2011. 287 p. ISBN 978-2-7132-2289-4. Site EHESS : [1]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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