Império Mongol

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Império Mongól

Império

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Localização de Império Mongól
Expansão do Império Mongol
Continente Ásia
País Mongólia
Capital Avarga
Caracorum
Khanbaliq (Pequim)
Religião Tengriismo (Shamanismo), depois Budismo, Cristianismo e Islamismo
Governo Monarquia eletiva
Grande Khan
 • 1206-1227 Gengis Khan
 • 1229-1241 Ögedei Khan
 • 1246-1248 Güyük Khan
 • 1251-1259 Möngke Khan
 • 1260-1294 Kublai Khan
Legislatura Kurultai
História
 • 1206 Genghis Khan unificou as tribos
 • 1227 Morte de Gengis Khan
 • 1260-1264 Disputa de sucessão entre Ariq Böke e Kublai Khan, fim do império unido
 • 1294 Morte de Kublai Khan, divisão permanente do império
 • 1368 Queda da Dinastia Yuan
Moeda Moedas (como as Dirhams), Sukhe, papel moeda

O Império Mongól (em mongol: Loudspeaker.svg? Монголын Эзэнт Гүрэн, Mongolyn Ezent Güren ou Их Mонгол улс, Ikh Mongol Uls) foi uma entidade política que existiu durante os séculos XIII e XIV e foi o maior império em área contígua da história.[1] A partir de estepes da Ásia Central, que se estendiam da Europa Central até o Mar do Japão, ao norte até a Sibéria, ao leste e ao sul até o subcontinente indiano, a Indochina e o planalto iraniano e, por fim, ao oeste até o Levante e da Arábia.

O império unificou tribos mongóis e turcas da Mongólia sob a liderança de Genghis Khan, que foi proclamado o governante de todos os mongóis em 1206. O império cresceu rapidamente sob seu governo e sob seus descendentes, que enviaram invasões em todas as direções.[2] [3] [4] [5] [6] [7] O grande império transcontinental ligava o Oriente com o Ocidente em uma Pax Mongolica imposta, que permitia o comércio e a troca de tecnologias, produtos e ideologias por toda a Eurásia.[8] [9]

O império começou a decair devido a guerras sobre a sucessão de poder, visto que os netos de Genghis Khan divergiram sobre se a linha real devia seguir a partir de seu filho e herdeiro inicial Ögedei, ou para um de seus outros filhos, como Tolui, Chagatai ou Jochi. Os seguidores de Tolui prevaleceram após um expurgo sangrento das facções de Ögedeid e Chagataid, mas disputas continuaram mesmo entre os descendentes de Tolui. Após a morte de Mongke Khan, conselhos kurultai rivais elegeram simultaneamente diferentes sucessores, os irmãos Ariq Böke e Kublai Khan, que, em seguida, não só lutaram entre si na Guerra Civil Toluida, mas também travaram disputas com os descendentes dos outros filhos de Khan.[10] [11] Kublai chegou com sucesso ao poder, mas a guerra civil se seguiu quando Kublai procurou, sem sucesso, retomar o controle das famílias Chagatayid e Ögedeid.

A Batalha de Ain Jalut, em 1260, marcou o ponto das conquistas mongóis e foi a primeira vez que um avanço mongol foi derrotado em combate direto no campo de batalha. Embora os mongóis tenham feito muito mais invasões no Levante, ocupando-o brevemente e invadindo até Gaza, depois de uma vitória decisiva na Batalha de Wadi al-Khazandar em 1299, eles se retiraram da região devido a vários fatores geopolíticos. Na época da morte de Kublai, em 1294, o Império Mongol tinha se fragmentado em quatro canatos (ou impérios) separados, cada um perseguindo seus próprios interesses e objetivos distintos: o Canato da Horda Dourada, no noroeste; o Canato de Chagatai no oeste; o Ilcanato, no sudoeste; e da dinastia Yuan, sediada na moderna Pequim.[12] Em 1304, os três canatos ocidentais aceitaram rapidamente a suserania nominal da dinastia Yuan,[13] [14] mas, quando em 1368 ela foi derrubada pela dinastia Ming, dos hans, o Império Mongol finalmente foi dissolvido.

História[editar | editar código-fonte]

Origem e expansão[editar | editar código-fonte]

Com a ajuda de seus arqueiros montados, os mongóis conquistaram a maior parte da Eurásia. Na imagem, a reconstrução de guerreiro mongol.

Após unificar as tribos mongóis, o próximo alvo de Gengis Khan foi a China, na época dividida em vários reinos, dentre eles o império Jin ao nordeste, os Xixia ao norte e os Sung ao sul. Em 1215 Pequim foi conquistada, após um longo cerco. A região ficou ao cargo do general Muqali.

Em seguida, foi a vez do império da Corásmia, cujos domínios incluíam os atuais Uzbequistão, Quirguistão, Turcomenistão, Tajiquistão e Afeganistão, contra o qual empreendeu uma sangrenta guerra entre 1219 a 1221. Cidades como Samarcanda e Bucara foram arrasadas.

Em perseguição ao Maomé da Corásmia, um exército liderado por Jebe Noyon e Subedei invadiu o norte da Pérsia, atravessou o Cáucaso, derrotando vários exércitos locais, e alcançou a região sul da Ucrânia, onde em maio de 1223 derrotou um exército de 80 mil homens composto por soldados de diversos principados russos na batalha do rio Kalka. Em agosto de 1227, em meio a guerra contra o império Xixia, Gengis Khan faleceu.

Com a morte de Khan, o império foi dividido entre seus filhos. A Sibéria Ocidental e o Cazaquistão ficaram com Jochi, porém como este também morreu alguns meses depois, seus domínios foram divididos entre Batu e Orda Khan; O Turquestão ficou com Djaghatai, no que viria a ser depois o Canato de Djaghatai; a Mongólia ficou com o caçula Tolui e o norte da China com Ogodai.

Em 1229, seu filho Ogodai o sucedeu, continuando com as guerras de expansão. Na China terminou de destruir os Xixia, conquistou a cidade de Kaifeng em 1234, assim terminando a conquista da região norte e iniciando guerra contra os Song do sul, além de conquistar por completo a Coreia. No Oriente Médio, destruiu os últimos remanescentes de Khwarezm e conquistou a Pérsia. Porém seu maior feito sem dúvida foi a campanha contra a Europa, comandada por Batu Khan e Subedei. Após derrotarem os búlgaros do rio Volga, os vários principados russos foram devastados e conquistados, reduzindo-os à vassalagem.

Em dezembro de 1240 Kiev foi conquistada e no ano seguinte em um ataque triplo foram invadidos Polônia, Hungria e Romênia. Os exércitos poloneses e alemães foram vencidos na batalha de Legnitz e os húngaros na batalha de Mohi. Ao final de 1241, Subedei estava discutindo planos de invadir o norte da Itália, Áustria e os estados germânicos, porém devido a morte de Ogodai tal campanha foi abortada, já que tiveram de voltar à Mongólia para eleger o próximo khan. No caminho de volta, devastaram Croácia, Sérvia e Bulgária, que se tornaram vassalos dos mongóis.

Fragmentação e declínio[editar | editar código-fonte]

Nos anos 1250, sob o governo de Mongke, filho de Tolui, as conquistas foram retomadas. Em 1256, os assassinos na Pérsia foram destruídas e em 1258 Bagdá foi conquistada, pondo fim ao agonizante Califado Abássida. Em seguida foi a vez da Síria. Ao mesmo tempo na Europa um novo ataque contra a Polônia ocorre, liderado pelo general Nogai. Eis que em 1259, Mongka morre e Hulagu Khan teve de voltar para a eleição do novo khan, e suas forças de guarnição que manteve foram derrotadas e expulsas pelos Mamelucos, liderados por Baibars, que infligiu-lhes em 1260 uma derrota na batalha de Ain Jalut, na Palestina.

Após a morte de Mongka, iniciou-se um processo de divisão em canatos independentes dos territórios do império. Para suceder Mongke, Berke, khan da Horda Dourada, apoiou Arik Boke, enquanto que Hulagu apoiou Kublai, que após derrotar seu irmão assumiu o trono em Karakorum. Tais disputas tiveram como resultado o surgimento de rixas que levaram à fragmentação do império.

Kublai Khan, ao assumir o poder, iniciou novas guerras de conquista, porém todas elas voltadas contra os países vizinhos da China. Sua política toda voltada à China contribuiu para a fragmentação do império, à medida que não dava atenção às suas regiões mais remotas. Dentre as guerras empreendidas por Kublai, estão a conquista dos Song, que terminou em 1279, assim conquistando toda a China e fundando uma nova dinastia, a Yuan. Fora da China, promoveu dois ataques contra o Japão em 1274 e 1281, que foram frustrados por conta de tempestades marítimas (que foram chamadas pelos japoneses de kamizake ou vento divino) que destruiu a frota mongol, além de ataques contra os atuais Vietnã, Camboja, Mianmar e Java, também sem muito sucesso.

Estados sucessores[editar | editar código-fonte]

O Império Mongol em 1300 d.C, com as subdivisões da Horda de Ouro (amarelo), Canato de Chagatai (cinza), Dinastia Yuan (verde) and the Ilcanato (roxo).

Com o tempo o Império Mongol foi se dividindo em vários canatos independentes, devido às rivalidades locais e as políticas adotadas pelos khans. Todos eles, à exceção da Horda de Ouro, tiveram duração efêmera. Dentre eles estão:

Expansão à Índia[editar | editar código-fonte]

Nos anos de 1520, Baber invadiu a Índia e na batalha de Panipat fez-se senhor do Punjab. Em breve estabelecia um novo Império Mongol na Índia, conhecido pelo nome de Império Mogol, da versão persa da palavra "mongol", para o distinguir das anteriores conquistas desse povo. Baber morreu em 1530, apenas quatro anos depois de Panipat, mas o seu império durou até meados dos anos de 1700, quando os britânicos passaram a ter o poder supremo na Índia.

No seu período áureo, o Império Mogol cobriu quase toda a moderna Índia, Paquistão e Bangladesh. Hoje, grande parte da população da Sibéria e uma pequena parte do extremo leste europeu tem traços mongóis ou pertence a raça mongolóide, à qual pertence também quase metade da população do mundo (chineses, coreanos, japoneses, etc.)

Diz-se que os Mongóis passavam o dia inteiro montados nos seus cavalos, tanto que deixavam um pedaço de carne debaixo das suas selas; assim com o calor e o suor a carne ficava semicozida. Os seus guerreiros, montados em cavalos, carregavam lanças leves, e os mongóis geralmente viviam em tendas.

Lista de governantes[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Império Mongol

Referências

  1. Morgan. The Mongols. p. 5.
  2. Diamond. Guns, Germs, and Steel. p. 367.
  3. The Mongols and Russia, by George Vernadsky
  4. The Mongol World Empire, 1206–1370, by John Andrew Boyle
  5. The History of China, by David Curtis Wright. p. 84.
  6. The Early Civilization of China, by Yong Yap Cotterell, Arthur Cotterell. p. 223.
  7. Mongols and Mamluks: The Mamluk-Ilkhanid War, 1260–1281 by Reuven Amitai-Preiss
  8. Gregory G.Guzman "Were the barbarians a negative or positive factor in ancient and medieval history?", The Historian 50 (1988), 568-70.
  9. Allsen. Culture and Conquest. p. 211.
  10. The Islamic World to 1600: The Golden Horde University of Calgary (1998). Página visitada em 3 de dezembro de 2010.[ligação inativa]
  11. Michael Biran. Qaidu and the Rise of the Independent Mongol State in Central Asia. The Curzon Press, 1997, ISBN 0-7007-0631-3
  12. The Cambridge History of China: Alien Regimes and Border States. p. 413.
  13. Jackson. Mongols and the West. p. 127.
  14. Allsen. Culture and Conquest. pp. xiii, 235.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Allsen, Thomas T.. Culture and conquest in Mongol Eurasia. [S.l.]: Cambridge University Press, 2004. ISBN 978-0-521-60270-9
  • Amitai-Preiss, Reuven. Mongols and Mamluks: The Mamluk-Ilkhanid War, 1260–1281. Cambridge, UK; New York, USA: Cambridge University Press, 1995. ISBN 978-0-521-46226-6
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  • Jackson, Peter. The Delhi Sultanate: A Political and Military History. Cambridge, UK; New York, USA: Cambridge University Press, 2003. ISBN 0-521-54329-0
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  • Lane, George. Daily life in the Mongol empire. Westport, Connecticut, USA: Greenwood Press, 2006. ISBN 978-0-313-33226-5
  • Man, John. Genghis Khan: Life, death and resurrection. New York, USA: Thomas Dunne Books, 2004. ISBN 978-0-312-36624-7
  • Man, John. Kublai Khan: from Xanadu to superpower. [S.l.]: Bantam Books, 2007. ISBN 978-0-553-81718-8
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  • Ratchnevsky, Paul. In: Haining, Thomas Nivison (translator). Genghis Khan: His Life and Legacy. [S.l.]: Wiley-Blackwell, 1993. ISBN 978-0631189497
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Leitura adicional[editar | editar código-fonte]

  • Brent, Peter. The Mongol Empire: Genghis Khan: His Triumph and his Legacy. Book Club Associates, London. 1976.
  • Buell. Historical Dictionary of the Mongol World Empire. [S.l.]: The Scarecrow Press, Inc., 2003. ISBN 0-8108-4571-7
  • May, Timothy. "The Mongol Art of War." Westholme Publishing, Yardley. 2007. ISBN 978-1-59416-046-2 / ISBN 1-59416-046-5
  • May, Timothy. The Mongol Conquests in World History (Reaktion Books, distributed by University of Chicago Press; 2012) 319 pages
  • Rossabi, Morris. The Mongols: A Very Short Introduction. Oxford University Press, 2012. ISBN 978-0199840892

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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