Império Selêucida

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Império Selêucida

Reino Diádoco

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Standard of Cyrus the Great (Achaemenid Empire).svg
312 a.C. – 63 a.C. Blank.png
 
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Localização de Império Selêucida
Territórios do Império Selêucida (em amarelo).
Continente Ásia
Região Oriente Médio
Capital Selêucia do Tigre
(305 - 240 a.C.)

Antioquia
(240 - 64 a.C.)
Língua oficial Grego
Religião Religião na Grécia Antiga
Governo Monarquia
Rei
 • 305 - 281 a.C. Seleuco I Nicator
 • 65 - 63 a.C. Filipo II Filoromeu
Período histórico Antiguidade
 • 312 a.C. Fundação
 • 64 a.C. Antioquia capturada por Pompeu
 • 63 a.C. Último rei subjugado;
A Síria foi feita Província Romana
Área
 • 301 a.C.[1] 3 000 000 km2
 • 240 a.C.[1] 2 600 000 km2
 • 175 a.C.[1] 800 000 km2
 • 100 a.C.[1] 100 000 km2

O Império Selêucida foi um Estado helenista que existiu após a morte de Alexandre, o Grande da Macedónia, cujos generais entraram em conflito pela divisão de seu império.

Entre 323 e 64 a.C. existiram mais de 30 reis da dinastia selêucida.

A divisão do império de Alexandre (323–281 a.C.)[editar | editar código-fonte]

Alexandre, o Grande havia conquistado o Império Aquemênida em pouco tempo e morrera jovem, deixando sem herdeiros um extenso império de cultura parcialmente helênica. Em vista disso, seus generais (os diádocos) terminaram por lutar na tentativa de obter supremacia sobre o império deixado.

Seleuco, um de seus generais, estabeleceu-se na Babilônia em 312 a.C. - ano geralmente usado para definir a data da fundação do Império Selêucida. Ele governou não somente a Babilônia, mas a gigantesca parte oriental do império de Alexandre. Após vencer Antígono Monoftalmo na Batalha de Isso em 301 a.C., ao lado de Lisímaco, Seleuco obteve controle sobre a Anatólia oriental e sobre a parte norte da Síria. Nessa última área, fundou uma nova capital em Antioquia, cidade a qual deu o nome do pai. Uma outra capital alternativa foi estabelecida em Selêucia do Tigre, ao norte da Babilônia. O império de Seleuco alcançou sua extensão máxima após a morte de seu aliado de longa data, Lisímaco, na Batalha de Corupédio em 281. Seleuco ampliou seu controle, abarcando a Anatólia ocidental. Ainda tinha esperanças de controlar as terras de Lisímaco na Europa - Trácia, e mesmo a própria Macedônia -, mas terminou por ser assassinado por Ptolomeu Cerauno logo ao chegar ao continente europeu. Seu filho e sucessor, Antíoco I Sóter, mostrou-se incapaz de recomeçar de onde seu pai havia parado, nunca conquistando as partes européias do império de Alexandre. Ainda assim, possuía um reino incrivelmente vasto - consistia de basicamente todas as porções asiáticas do império. Seus inimigos eram Antígono II Gonatas na Macedônia e Ptolomeu II Filadelfo no Egito.

A extensão do Império Selêucida, que cobria desde o mar Egeu até o atual Afeganistão, trouxe uma multidão de povos: gregos, persas, medos, judeus, indianos, entre outros. Sua população total foi estimada em 35 milhões de habitantes, ou 15% da população mundial na época em que era o maior e mais poderoso império do mundo. Seus governantes mantinham uma posição política cujo interesse era salvaguardar a idéia de unidade racial introduzida por Alexandre. Em 313 a.C. os ideais helênicos (disseminados por filósofos, historiadores, oficiais em reserva e casais de casamento interracial provindos do vitorioso exército macedônio) haviam começado sua expansão de quase 250 anos nas culturas do Oriente Médio e da Ásia central. O esqueleto estrutural da forma de governo do império consistia em estabelecer centenas de cidades para troca e ocupação. Muitas cidades começaram - ou foram induzidas - a adotar não só pensamentos filosóficos, como também sentimentos religiosos e políticas de natureza helênica. A tentativa de sintetizar o helenismo com culturas nativas e diferentes correntes intelectuais resultou em sucessos de tamanho ou naturezas diferentes - tendo como consequência paz e rebelião simultâneas em diferentes partes do império.

Eclipse e reflorescimento[editar | editar código-fonte]

Quando o filho de Antíoco II, Seleuco II Calínico, subiu ao trono por volta de 246 a.C. os selêucidas já estavam em declínio. Além das secessões da Pártia e da Bactriana, Seleuco II foi dramaticamente derrotado na Terceira Guerra Síria contra Ptolomeu III do Egito, tendo, logo depois, que lutar numa guerra civil contra seu próprio irmão, Antíoco Hierax. Também na Ásia Menor a dinastia selêucida perdia controle - gauleses já se haviam estabelecido completamente na Galácia; reinos semi-independentes e semi-helenizados haviam surgido na Bitínia, em Ponto e na Capadócia; e a cidade de Pérgamo, no ocidente, asseverava sua independência sob a Dinastia Atálida, formando o Reino de Pérgamo.

Porém, um reflorescimento teria início quando o filho mais novo de Seleuco II, Antíoco III o Grande, tomou o trono em 223 a.C. Apesar do malogro inicial na Quarta Guerra Síria com o Egito, que levou a uma derrota vergonhosa na Batalha de Ráfia (217 a.C.), Antíoco se tornaria o maior dos governantes selêucidas após o próprio Seleuco I. Após a derrota em Ráfia, passou 10 anos em sua "anábase" através das partes orientais de seu domínio - restaurando vassalos rebeldes como Pártia e Bactriana ao menos a obediência nominal, e até procurando competir com Alexandre, montando expedição até a Índia.

Ao retornar ao ocidente em 205 a.C., Antíoco descobriu que com a morte de Ptolomeu IV a situação mostrava-se propícia para nova campanha ocidental.

Antíoco e Filipe V da Macedônia então fizeram um acordo para dividir as possessões ptolemaicas fora do Egito, e na Quinta Guerra Síria os selêucidas destituíram Ptolomeu V do controle sobre Cele-Síria. A Batalha de Pânio (198 a.C.) transferiu definitivamente esses valores e arrendamentos aos ptolomeus e aos selêucidas. Antíoco parecia haver, no mínimo, restaurado a glória do Reino Selêucida.

Confronto com Roma[editar | editar código-fonte]

O acordo entre Filipe V da Macedônia e Antíoco III causou grande inquietação nos seus vizinhos mais importantes no mar Egeu e na Ásia Menor: Rodes e Pérgamo. Há quem duvide da existência do acordo que tinha como principal objectivo a divisão do império lágida. Provavelmente, sendo verdadeiro, não teria o alcance nem a consistência que lhe atribuem. Em breve, os interesses dos Antigónidas e dos Selêucidas entrariam em conflito e Filipe V contava já com esse facto.

Verdade ou não, Rodes e Pérgamo enviam embaixadas a Roma denunciando as pretensões macedónias. Filipe V não temia qualquer acção romana, confiando nos termos da Paz de Fenice, assinada em 205 a.C.. Infelizmente, Roma envolveu-se no conflito, temendo ou não qualquer operação conjunta de Filipe V e de Antíoco III contra o Ocidente. A luta foi feroz e a Macedónia acaba esmagada na memorável batalha de Cinoscéfalos (198 a.C.).

Roma entra então em contacto com Antíoco III. As consequências do recuo da Macedónia são dramáticas em todo o mundo egeu. Num discurso emotivo, Roma proclama a liberdade de todos os estados gregos. Se a situação é clara para os gregos da Europa, no que diz respeito à Ásia ninguém sabe qual o seu alcance. Roma e Antíoco III entram em negociações: Roma dá a entender que estará disposta a ignorar a sorte as cidades gregas da Ásia, em contrapartida, Antíoco III retira-se da Trácia. No fundo, nenhum dos lados pretende entrar em guerra, muito menos por causa dos instáveis gregos. Antíoco III recebe as propostas romanas mas não parece dar sinais de estar disposto a recuar, ele que devotou toda a sua vida ao restauro do reino de Seleuco I. O seu objectivo é ganhar tempo.

Serão precisamente os instáveis e imprevisíveis gregos que irão precipitar e desencadear um conflito em larga escala. A Etólia, apesar de aliada de Roma contra a Macedónia, sente-se traída e humilhada pelos romanos. Aproveitando a retirada das legiões romanas, dá início a uma guerra anti-romana. Em breve, os etólios apelam a Antíoco III para que marche sobre a Grécia e a liberte da influência romana. Antíoco vê-se envolvido numa armadilha. É completamente apanhado de surpresa. Não avançar, significará o ruir de todo o seu prestígio e o rei sente-se contrariado porque tem a terrível noção de que não dispõe, no momento, de forças militares suficientes para garantir um triunfo. Roma e os Selêucidas são arrastados para a guerra contra a sua vontade.

Imperadores[editar | editar código-fonte]

Dinastia Selêucida[editar | editar código-fonte]

# Nome Início do governo Fim do governo Cognome(s) Notas
1 Seleuco I Nicator I Seleuco I Nicatore.JPG 305 a.C. 281 a.C. Primeiro Imperador dos Selêucidas.
2 Antíoco I Sóter I Antiochus I Soter.jpg 281 a.C. 261 a.C.
3 Antíoco II Teo AntiochusIIMET.jpg 261 a.C. 246 a.C.
4 Seleuco II Calínico Seleucus II Callinicus.jpg 246 a.C. 225 a.C.
5 Seleuco III Sóter II SeleucusIII coin, one side.jpg 225 a.C. 223 a.C.
6 Antíoco III Megal Antiochus III, Nordisk familjebok.png 223 a.C. 187 a.C. O Grande
7 Seleuco IV Filopáter I SeleucusIV - coin - face.JPG 187 a.C. 175 a.C.
8 Antíoco IV Epífano I Antiokhos IV.jpg 175 a.C. 164 a.C.
9 Antíoco V Eupáter Antiochus V Eupator, coin, front side.jpg 164 a.C. 162 a.C.
10 Demétrio I Sóter III DemetriosISoter, coin face.JPG 162 a.C. 150 a.C.
11 Alexandre I Balas Alexander I Syria-Antiochia.jpg 150 a.C. 145 a.C.
12 Demétrio II Nicator II DemetriusII, coin, face.jpg 145 a.C. 138 a.C. Governa pela primeira vez e conjuntamente com Antíoco VI e Diódoto.
13 Antíoco VI Dioniso I AntiochusVI, coin, face.jpg 145 a.C. 140 a.C. Governa conjuntamente com Demétrio II e Diódoto.
14 Diódoto Trifon Diodotus I of Bactria wearing the diadem.jpg 140 a.C. 138 a.C. Governa conjuntamente com Demétrio II e Antíoco VI.
15 Antíoco VII Sídetes Antiochus VII coin (Mary Harrsch).jpg 138 a.C. 129 a.C.
12 Demétrio II Nicator II DemetriusII, coin, face.jpg 129 a.C. 126 a.C. Governa pela segunda vez e conjuntamente com a esposa, Cléopatra e com Alexandre II.
16 Alexandre II Zabinas Alessandro II Zabina - Tetradramma - Houghton 298.jpg 129 a.C. 123 a.C. Governa conjuntamente com Demétrio II e com a esposa deste, Cleópatra.
17 Cleópatra Thea CleopatraI.jpg 126 a.C. 123 a.C. Governa conjuntamente com o esposo, Demétrio II, e com Alexandre II.
18 Seleuco V Nicátor III 126 a.C. 125 a.C.
19 Antíoco VIII Filometor I Tetradrachm Tarsus Antiochos Grypos obverse CdM Paris.jpg 125 a.C. 96 a.C. Governa conjuntamente com Antíoco IX.
20 Antíoco IX Eusébio I AntiochusIX.jpg 114 a.C. 96 a.C. Governa conjuntamente com Antíoco VIII.
21 Seleuco VI Epífano Nicator IV Seleuco VI Epífanes.jpg 96 a.C. 95 a.C.
22 Antíoco X Eusébio II Filopáter II Antioco X Eusebes Filopator, tetradracma, face.jpg 95 a.C. 83 a.C. Governa conjuntamente com Demétrio III, Antíoco XI e Filipe I.
23 Demétrio III Filopáter III DemetriusIIICoin.png 95 a.C. 87 a.C. Governa conjuntamente com Antíoco X, Antíoco XI e Filipe I.
24 Antíoco XI Epífano II Filadelfo I 95 a.C. 92 a.C. Governa conjuntamente com Antíoco X Demétrio III, e Filipe I.
25 Filipe I Filadelfo II 95 a.C. 83 a.C. Governa conjuntamente com Antíoco X, Demétrio III e Antíoco XI.
26 Antíoco XII Dioniso II 87 a.C. 84 a.C.
27 Seleuco VII Filometor II 84 a.C. 69 a.C.
28 Antíoco XIII Asiático 69 a.C. 64 a.C.
29 Filipe II Filorromano 64 a.C. 63 a.C.
  • 63 a.C.: anexação a Roma

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências


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