Antíoco III Magno
Antíoco III Magno ou Antíoco, o Grande (em grego antigo: Ἀντίοχος ὁ Μέγας, transl. Antíokhos ho Mégas; Babilônia, c. 241 – 187 a.C.) foi um rei selêucida que governou entre 223 até sua morte.
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[editar] Antecessores e família
Seu avô era o rei selêucida Antíoco II Theos, casado com Laódice, filha de Aqueu. O casal teve dois filhos e duas filhas.[1]. Os filhos eram Seleuco II Calínico, que sucedeu Antíoco II, e Antíoco Hierax; as filhas se casaram com Mitrídates e Ariathes.[1] Antígono Hierax tentou tomar o poder ainda durante a vida de Seleuco II, provocando uma guerra, onde houve intervenção do Egito.[1]. Antígono Hierax morreu no primeiro ano da 138a olimpíada (228 a.C.), e Seleuco II Calínico no ano seguinte.[1]
Seleuco II Calínico tinha dois filhos, Alexandre, chamado de Seleuco III Cerauno e Antíoco III.[1] Seleuco III Cerauno, o sucessor de Seleuco II, foi morto por volta do primeiro ano da 139a olimpíada (224 a.C.), sendo sucedido por Antíoco III, que começou a reinar no segundo ano da 139a olimpíada (223 a.C.).[1] Textos astronômicos cuneiformes indicam que Seleuco III (Siluku) ainda era rei em 11 de julho de 223 a.C..[2] Antíoco III reinou por trinta e seis anos, até o segundo ano da 148a olimpíada (187 a.C.).[1]
Durante o reinado de Seleuco III Cerauno, Antíoco III foi sátrapa da Babilônia.[2]
[editar] Reinado
Ele casou com Laódice,[3] filha do rei Mitrídates II do Ponto,[4] formando assim uma aliança com este poderoso reino.
Assim que se tornou rei teve que fazer frente à revolta de Mólon, governador da província da Média que se tinha declarado independente. Aconselhado pelo ministro Hermias, Antíoco abandona uma campanha no sul da Síria contra o Egipto para derrotar o rebelde. Uruk, no sul da Babilônia, permaneceu fiel ao rei, conforme textos cuneiformes datados de 1 de julho de 221 a.C..[2] Seu filho nasceu durante a campanha contra Mólon.[5]
Com o objectivo de tentar reconquistar partes da Síria e da Palestina lutou contra o Egipto ptolemaico, num conflito conhecido como Quarta Guerra Síria e que se desenrolou entre 219 e 216 a.C., mas foi derrotado em 217 a.C. na Batalha de Ráfia, perto de Gaza. No acordo de paz com o Egipto, Antíoco abandona todas as conquistas com excepção de Seleucia Péria.
Após a morte de Ptolemeu IV Filopator Antíoco e o rei Filipe V da Macedónia realizam um pacto através da qual combinam dividir o império ptolemaico. Antíoco deveria ficar com o sul da Síria, a Lícia, a Cilícia e Chipre, enquanto que Filipe deveria ficar com a parte ocidental da Ásia Menor e as Ciclades. Após ter derrotado os egípcios na Batalha de Pânias (200 a.C.), Antíoco toma ao Egipto a Celessíria e a Palestina. Antíoco garantiu então os judeus a liberdade de culto e permitiu-lhes cobrar impostos destinados ao templo de Jerusalém. Antíoco criou também um culto em torno de si e da sua esposa.
Entretanto, o seu aliado Filipe V envolveu-se em conflitos com Pérgamo e Rodes, que pediram ajuda a Roma. Na Segunda Guerra da Macedónia Filipe seria derrotado pelos Romanos, tendo Antíoco se recusado a ajudá-lo. Em vez disso, decide atacar o Egipto, que não podia ser ajudado pelos Romanos. Depois de ter sido alcançada a paz com o Ptolemeu V, o reino selêucida integrou definitavamente o sul da Síria e os territórios egípcios da Ásia Menor.
Em 198 a.C. Antíoco invade partes do reino de Pérgamo e 196 a.C. a Trácia, que proclamou como sua. Esta invasão levou a problemas com Roma, que exigia a retirada de Antíoco da Europa, o que este se recusou a fazer. Para piorar a situação, Antíoco acolhe na sua corte Aníbal, inimigo de Roma, derrotado na Segunda Guerra Púnica. Na Grécia, Antíoco seria apoiado apenas pela Liga Etólica, que desejava livrar-se da influência romana. Em 191 a.C. Antíoco seria derrotado pelos Romanos nas Termópilas, abandonando a Europa. Tendo recusado deixar a região a oeste das montanhas do Taurus, Antíoco foi definitivamente vencido na batalha de Magnésia em 189 a.C. O tratado de Apameia (188 a.C.) com Roma viu o império selêucida perder toda a Ásia a oeste do Tauro (Ásia Cistáurica), deixando o reino de ter influência no Mediterrâneo. O tratado também obrigava o rei a pagar 15 mil talentos a Roma, a ceder os elefantes que tinha no exército e a entregar o seu filho Antíoco IV como refém.
Documentos cuneiformes apresentam Antíoco III reinando junto com seu segundo filho, Seleuco IV Filopáter, nas datas de 11 de outubro de 189 a.C. e 18 de dezembro de 188 a.C..[2]
Antíoco e vários nobres foram mortos em batalha em Susa pelos Elymaeans, no segundo ano da 148a olimpíada (187 a.C.).[1] Segundo outra versão, Antíoco foi assassinado em 187 a.C. num templo de Baal, onde se tinha dirigido para tentar conseguir parte do dinheiro que tinha que pagar aos Romanos.
[editar] Sucessores
Segundo William Smith, os nove filhos de Antíoco III são filhos de Laódice.[6]
Antíoco deixou dois filhos vivos, Seleuco IV Filopáter, seu sucessor, e Antíoco IV Epifânio, sucessor de Seleuco IV.[7] A primeira data, baseada nos textos cuneiformes, que menciona Seleuco IV como rei é 20 de julho de 187 a.C..[2]
Referências
- ↑ a b c d e f g h Eusébio de Cesareia, Crônica, 95, Os reis da Ásia Menor depois da morte de Alexandre, o Grande
- ↑ a b c d e A. T. Olmstead, Cuneiform Texts and Hellenistic Chronology
- ↑ Políbio, Histórias, Livro V, 43.3
- ↑ Políbio, Histórias, Livro V, 43.1
- ↑ Políbio, Histórias, Livro V, 55.4
- ↑ William Smith, Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology, Anti'ochus III [em linha]
- ↑ Eusébio de Cesareia, Crônica, 96, Os reis da Ásia Menor depois da morte de Alexandre, o Grande
[editar] Bibliografia
- HAZEL, John - Who's Who in the Greek World. Routledge, 2001. ISBN 0-415-26032-9
- ADKINS, Lesley; ADKINS, Roy A. - Handbook to Life in Ancient Greece. Nova Iorque: Facts on File, Inc., 1997. ISBN 0-8160-3111-8
| Precedido por Seleuco III Cerauno |
Rei Selêucida Dinastia Selêucida |
Sucedido por Seleuco IV Filopáter |