Império Parta

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Império Parta / Arsácida
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247 a.C. – 224 d.C. Kavani Logo.svg
Localização de Império Parta
Extensão do Império Parta c. século I d.C.
Continente Ásia
Região Oriente Médio, Ásia Central e Ásia Ocidental
Capital Asaak, Hecatompilo, Ecbátana, Ctesifonte, Susa, Mithridatkird-Nisa
Língua oficial Línguas iranianas médias (incluindo o parta), aramaico (vernáculo)[1]
Religião Heleno-zoroastrianismo sincrético
Governo Monarquia feudal[2]
Período histórico Antiguidade clássica
 • 247 a.C. Fundação
 • 224 d.C. Dissolução
Moeda Dracma

O Império Parta ou Parto (247 a.C.-224 d.C.), também conhecido como Império Arsácida (em persa: اشکانیان), foi uma das principais potências político-culturais iranianas da antiga Pérsia.[3] O termo 'arsácida' vem de Ársaces I da Pártia[4] que, como líder da tribo dos parnos (Parni), fundou a dinastia que levou seu nome em meados do século III a.C., após conquistar a Pártia,[5] região do nordeste do Irã e, na altura, uma satrapia (província) que havia se revoltado contra o Império Selêucida. Mitrídates I da Pártia (reinou por volta de 171-138 a.C.) expandiu o império após capturar a Média e a Mesopotâmia dos selêucidas. Em seu ápice, o Império Parta se estendeu das margens setentrionais do Eufrates, no atual sudeste da Turquia, até o leste do Irã, e dominava a Rota da Seda, célebre rota comercial que ligava o Império Romano e a bacia do Mediterrâneo ao Império Han, da China, e se tornou um importante entreposto comercial.

Os partas adotaram a arte, a arquitetura, as crenças religiosas e as insígnias reais de seu próprio império culturalmente heterogêneo, que englobava culturas persas, helenísticas e regionais. Durante a primeira metade de sua existência, a corte arsácida adotou elementos da cultura grega, embora eventualmente tenha visto um renascimento gradual das tradições iranianas. Os governantes arsácidas recebiam o título de "grande rei", e consideravam-se herdeiros do Império Aquemênida, aceitando diversos monarcas locais como vassalos, em regiões nas quais os aquemênidas tinham o costume de indicar sátrapas. A corte ainda mantinha a prerrogativa de indicar diretamente um número pequeno de sátrapas, geralmente em províncias fora do Irã, porém estas satrapias eram menores e menos poderosas que os potentados aquemênidas. Com a expansão do poder arsácida, a sede do governo central foi deslocada de Nisa, no atual Turquemenistão, para Ctesifonte, às margens do Tigre, a sul da atual Bagdá, capital do Iraque - embora diversas outras cidades tenham servido como capital ao longo de sua história.

Parthian gold funerary objects by Nickmard Khoey.jpg
Parthian jewelry from Nineveh by Nickmard Khoey.jpg
Peças de ouro partas encontradas em sítio funerário em Nínive (próximo à atual Mossul, Iraque)

Os primeiros inimigos dos partas foram os selêucidas, no ocidente, e os citas no oriente. À medida que o território da Pártia avançou para oeste, no entanto, eles passaram a travar conflitos com o reino da Armênia e, mais tarde, com a República Romana, já em sua fase final. Roma e Pártia eram rivais que visavam estabelecer reis na Armênia como seus clientes. Os partas infligiram uma derrota contundente sobre o general romano Marco Licínio Crasso na Batalha de Carras, em 53 a.C. Em 40-39 a.C. tropas partas conquistaram praticamente todo o Levante, com exceção de Tiro, das mãos dos romanos. Marco Antônio, no entanto, liderou um contra-ataque contra a Pártia, e diversos imperadores romanos invadiram a Mesopotâmia durante as guerras romano-partas. Os romanos conseguiram conquistar as cidades de Selêucia e Ctesifonte por diversas vezes durante estes conflitos, porém jamais conseguiram manter sobre elas um longo domínio. Guerras civis frequentes entre os pretendentes ao trono parte se revelaram mais perigosas que invasões externas, e o poder dos partas se esvaiu quando Artaxes I, soberano de Estakhr, na província de Fars, se revoltou contra os arsácidas e assassinou seu último rei, Artabano IV, em 224 d.C. O reinado de Artaxes deu início ao Império Sassânida, que governou o Irã e boa parte do Oriente Médio até as conquistas islâmicas do século VII - embora a dinastia arsácida tenha tido sequência através da dinastia arsácida da Armênia.

Fontes partas nativas, escritas em parta, grego e outros idiomas antigos, são escassas, especialmente se comparadas com fontes sassânidas e até mesmo aquemênidas, mais antigas. Além de algumas poucas tabuletas cuneiformes, fragmentos de óstracos, inscrições em pedra, moedas de dracmas e documentos em pergaminhos que sobreviveram de maneira fortuita, a maior parte da história parta é conhecida apenas através de fontes externas - que incluem obras da historiografia greco-romana, além de obras históricas chinesas motivadas pelo mercado existente para mercadorias chinesas na Pártia. O artesanato parta era visto pelos historiadores como uma fonte válida para a compreensão de determinados aspectos da sociedade e cultura local que não estariam presentes nas fontes textuais.

História[editar | editar código-fonte]

Origens e fundação[editar | editar código-fonte]

A Pártia, em laranja, ao lado do Império Selêucida (rosa) e da República Romana (vermelho) por volta de 200 a.C.

Antes de Ársaces I da Pártia fundar a dinastia arsácida, ele foi líder dos parnos, uma antiga tribo de povos iranianos oriunda da Ásia Central, uma das muitos tribos nômades dentro da confederação dos Dahae.[6] Os parnos provavelmente falavam um idioma iraniano oriental, contrastando com a língua iraniana do noroeste falada na época na Pártia.[7] Esta era uma província a nordeste da Pérsia, primeiro sob o domínio aquemênida e, posteriormente, selêucida.[8] Após conquistar a região, os parnos adotaram o parta como idioma oficial na corte, falando-o juntamente com o persa médio, o aramaico, o grego, o babilônio, o sogdiano e outros idiomas falados nos territórios conquistados por eles.[9]

Ainda é desconhecida a razão pela qual a corte arsácida escolheu retroativamente 247 a.C. como o primeiro ano do período de seu reinado. O arqueólogo britânico A.D.H. Bivar concluiu que este teria sido o ano em que os selêucidas perderam o controle da Pártia para Andrágoras, sátrapa indicado pelos próprios selêucidas e que teria se revoltado contra eles. Assim, Ársaces I antecipou o ano de início de seu reino para o momento em que o controle selêucida sobre a Pártia foi interrompido.[10] Para Vesta Sarkhosh Curtis, do Museu Britânico, este seria simplesmente o ano em que Ársaces teria recebido a liderança da tribo dos parnos.[11] Para o historiador iraniano Homa Katouzian[12] e Gene Ralph Garthwaite,[13] este seria o ano em que Ársaces teria conquistado a Pártia e expulsado as autoridades selêucidas, embora Curtis[11] e Maria Brosius,[14] da Universidade de Newcastle, afirmem que Andrágoras não tenha sido deposto pelos arsácidas até 238 a.C.

Ainda se desconhece quem teria sido o sucessor imediato de Ársaces I. Bivar[15] e Katouzian[12] afirmam que teria sido seu irmão, Tiridates I da Pártia, que por sua vez teria sido sucedido por seu filho Ársaces II da Pártia, em 211 a.C. Curtis,[16] e Brosius,[17] no entanto, afirmam que Ársaces II foi o sucessor imediato de Ársaces I; segundo Curtis, esta sucessão teria ocorrido em 211 a.C., e Brosius em 217 a.C. Bivar insiste que 138 a.C., o último ano do reinado de Mitrídates I, seria "a primeira data de reinado estabelecida com precisão na história parta."[18] Devido a estas e outras discrepâncias, Bivar elencou duas cronologias distintas aceitas pelos historiadores.[19] Posteriormente, alguns reis partas alegaram descendência dos aquemênidas; a alegação recebeu apoio recente de evidências numismáticas e outras inscrições que sugerem que tanto os reis aquemênidas quanto os partas teriam sofrido de neurofibromatose, uma doença hereditária.[20]

Dracma de prata de Ársaces I da Pártia (r. 247–211 a.C.–x) com uma inscrição no alfabeto grego de seu nome (ΑΡΣΑΚΟΥ).

Por algum tempo, Ársaces consolidou sua posição na Pártia e na Hircânia aproveitando-se da invasão do território selêucida, a ocidente, por Ptolemeu III Evérgeta (r. 246–222 a.C.) do Egito. Este conflito com Ptolemeu, a Terceira Guerra Síria (246-241 a.C.), também permitiu a Diodoto I que se rebelasse e formasse o Reino Greco-Báctrio, na Ásia Central.[14] O sucessor deste, Diodoto II, formou uma aliança com Ársaces contra os selêucidas, porém Ársaces foi expulso temporariamente da Pártia pelas tropas de Seleuco II Calínico (r. 246–225 a.C.).[21] Após passar algum tempo exilado entre a tribo nômade dos apasiacas, Ársaces liderou um contra-ataque e reconquistou a Pártia. O sucessor de Seleuco II, Antíoco III, o Grande (r. 222–187 a.C.), não conseguiu retaliar imediatamente por suas tropas estarem envolvidas com a rebelião de Mólon, na Média.[21]

Antíoco III deu início a uma campanha maciça visando reconquistar a Pártia e a Báctria em 210 ou 209 a.C. Não obteve sucesso, porém negociou um acordo de paz com Ársaces II. Este recebeu então o título de rei (grego antigo: basileu) em troca de sua submissão a Antíoco III e do reconhecimento deste como seu superior.[22] Com a aproximação da República Romana e a derrota em Magnésia ocorrida em 190 a.C. os selêucidas deixaram de ter influência suficiente para intervir nos assuntos partas.[22] Friapácio da Pártia (r. ca. 191–176 a.C.) sucedeu a Ársaces II, e Fraates I da Pártia (r. ca. 176–171 a.C.) o sucedeu no trono, governando a região sem qualquer interferência selêucida.[23]

Expansão e consolidação[editar | editar código-fonte]

Relevo esculpido em rocha de Mitrídates I da Pártia (r. c 171–138 a.C.) sobre um cavalo, em Xong-e Ashdar, cidade de Izeh, província do Cuzestão, Irã.

Registros narram que Fraates I teria expandido o domínio parta além dos Portões de Alexandre, ocupando a região de Apameia Ragiana; a localização exata dos dois locais é desconhecida hoje em dia.[24] A maior expansão de poder e território parta ocorreu durante o reinado de seu irmão e sucessor, Mitrídates I da Pártia (r. c. 171–138),[17] que Katouzian comparou a Ciro, o Grande (m. 530 a.C.), fundador do Império Aquemênida.[12]

As relações entre a Pártia e a Greco-Báctria se deterioraram após a morte de Diodoto II, quando as tropas de Mitrídates conquistaram duas eparquias greco-báctrias, e pioraram sob o reinado de Eucrátides I (r. ca. 170–145 a.C.).[25] Agora com vistas ao reino selêucida, Mitrídates invadiu a Média e ocupou Ecbátana em 148 ou 147 a.C.; a região havia sido desestabilizada por uma rebelião liderada por Timarco, e que havia sido debelada com sucesso pelos governantes selêucidas.[26] A esta vitória se seguiu a conquista parta da Babilônia, na Mesopotâmia, onde Mitrídates cunhou moedas em Selêucia, em 141 a.C., e realizou uma cerimônia oficial de investidura.[27] Enquanto Mitrídates se deslocou para a Hircânia, suas tropas subjugaram os reinos de Elimaide e Caracena, e ocuparam Susa.[27] A esta altura, a autoridade parta se estendia até o rio Indo.[28]

Embora Hecatompilo tenha servido como primeira capital parta, Mitrídates estabeleceu residências reais em Selêucia do Tigre, Ecbátana (atual Hamadã), Ctesifonte e na cidade recém-fundada por ele próprio, Mitradacerta (Mithradatkert; Nisa, no atual Turcomenistão), onde se localizavam as tumbas dos reis arsácidas.[29] Ecbátana tornou-se a principal residência de verão da realeza arsácida;[30] Ctesifonte não se tornou a capital oficial até o reinado de Gotarzes I da Pártia (r. ca. 90–80 a.C.),[31] quando passou a ser o local de todas as cerimônias reais e coroação e a cidade passou a representar os arsácidas, de acordo com Brosius.[32]

Os selêucidas não conseguiram retaliar imediatamente, pois seu general, Diodoto Trífon, deu início a uma rebelião em sua capital, Antioquia (atual Antakya), em 142 a.C.[33] Em 140 a.C., no entanto, Demétrio II Nicator conseguiu iniciar uma contra-invasão contra os partas na Mesopotâmia. Apesar, no entanto, de alguns sucessos iniciais, os selêucidas foram derrotados, e o próprio Demétrio foi capturado pelas tropas partas e levado à Hircânia. Lá, Mitrídates tratou seu prisioneiro com grande hospitalidade, chegando a ceder em casamento sua filha, Rodoguna da Pártia, a Demétrio.[34]

Dracma de Mitrídates I da Pártia mostrando-o com barba e uma diadema real sobre sua cabeça.
Dracma de Mitrídates II da Pártia (r. {AC–124–90x)

Antíoco VII Sideta (r. 138–129 a.C.), irmão de Demétrio, assumiu o trono selêucida e se casou com Cleópatra Teia, sua viúva. Após derrotar Diodoto Trífon, Antíoco deu início, em 130 a.C., a uma campanha militar para reconquistar a Mesopotâmia, agora sob o domínio de Fraates II da Pártia (r. ca. 138–128 a.C.). O general parta Indates foi derrotado às margens do Grande Zab; na sequência teve início uma revolta local na qual o governador parta da Babilônia foi assassinado. Antíoco conquistou então a região e ocupou Susa, onde cunhou moedas.[35] Após avançar com seu exército pelo interior da Média, os partas procuraram-no com uma oferta de paz, que Antíoco rejeitou a menos que os arsácidas abrissem mão de todas as terras de seu império além da própria Pártia, pagassem pesados tributos, e libertassem Demétrio de seu cativeiro. Ársaces libertou o prisioneiro e enviou-o à Síria, porém recusou-se a ceder às outras exigências.[36] Na primavera de 129 a.C. os medos iniciaram uma revolta aberta contra Antíoco, cujas tropas então deram início a uma política de devastação dos campos durante o inverno. Enquanto tentava debelar as revoltas, as principais tropas partas invadiram a região e conseguiram matar Antíoco em combate; seu corpo foi enviado de volta à Síria dentro de um caixão de prata; seu filho, Seleuco, foi coroado príncipe da Pártia e uma filha sua integrou o harém de Fraates.[37]

Enquanto os partas reconquistavam os territórios perdidos a ocidente, outra ameaça surgiu no Oriente. Em 177-176 a.C., a confederação nômade conhecida como Xiongnu empurrou outra tribo nômade, os yuezhi, de sua terra natal, na atual província de Gansu, no Noroeste da China;[38] os Yuezhi migraram então para a Báctria, expulsando de lá as tribos sacas (citas), que avançaram para o oeste e invadiram as fronteiras do nordeste do império.[39] Mitrídates foi então forçado a recuar para a Hircânia após sua conquista da Mesopotâmia.[40]

Alguns dos sacas integraram as tropas de Fraates contra Antíoco. Chegaram, no entanto, tarde demais para participar do conflito. Quando Fraates se recusou a pagar seus salários, os sacas se revoltaram; os ex-soldados selêucidas que seriam usados para debelar a revolta também abandonaram Fraates e uniram-se aos sacas.[41] Fraates II marchou contra esta força combinada, e acabou sendo morto em combate.[42] O historiador romano Justino relatou que seu sucessor, Artabano I da Pártia (r. 128–124 a.C.) teve um fim semelhante ao combater nômades no oriente. Segundo ele, Artabano teria sido morto pelos tocários (identificados por alguns estudiosos com os yuezhi), embora Bivar acredite que Justino tenha confundido-os com os sacas.[43] Mitrídates II da Pártia (r. c 124–90 a.C.) recuperou, mais tarde, as terras que haviam sido perdidas para os sacas no Sistão.[44]

Seda chinesa de Mawangdui, século II a.C., Dinastia Han. A seda da China era talvez o item de luxo mais comercializado pelos partas na extremidade ocidental da Rota da Seda.[45]

Após a retirada selêucida da Mesopotâmia, o governador parta da Babilônia, Hímero, recebeu ordens da corte arsácida para conquistar Caracena, governada então por Aspasine, de Cárax Spasinu. Com o fracasso desta incursão, Aspasine invadiu a Babilônia em 127 a.C., e ocupou Selêucia. Já em 122 a.C., no entanto, Mitrídates II expulsou Aspasine da Babilônia e fez dos reis de Caracena seus vassalos, sob a suserania parta.[46] Após Mitrídates ampliar o controle parta ainda mais a Oeste, ocupando Dura-Europos (atual Salihiye em 113 a.C., o rei se envolveu num conflito com o Reino da Armênia.[47] Suas tropas derrotaram e depuseram Artavasdes I da Armênia em 97 a.C., levando como refém seu filho, Tigranes, que posteriormente seria conhecido como Tigranes II, "o Grande", da Armênia (r. 95–55 a.C.).[48]

O Reino Indo-Parta, localizado nos atuais Afeganistão, Paquistão e norte da Índia, aliou-se ao Império Parta no século I a.C.[49] Bivar afirma que os dois estados se consideravam no mesmo patamar político.[50] Após o filósofo grego Apolônio de Tiana visitar a corte de Vardanes I da Pártia (r. ca. 40–47 d.C.), em 42 d.C., o rei lhe ofereceu a proteção de uma caravana para sua viagem à Indo-Pártia. Quando Apolônio chegou à capital indo-parta, Taxila, o líder de sua caravana leu a carta oficial de Vardanes, talvez escrita em parta, para um oficial indiano, que tratou então Apolônio com grande hospitalidade.[49]

Após a incursão diplomática de Zhang Qian na Ásia Central, durante o reinado do imperador Wu de Han (r. 141–87 a.C.), o Império Han da China enviou uma delegação à corte de Mitrídates II, em 121 a.C. A embaixada dos Han inaugurou oficialmente as relações comerciais com a Pártia, através da Rota da Seda - embora não tenha obtido sucesso em conseguir firmar a aliança militar desejada contra a confederação Xiongnu.[51] O Império Parta se enriqueceu através dos impostos cobrados sobre as caravanas que realizavam o comércio de seda, item de luxo mais valorizado dentre os produtos importados pelos romanos.[52] Pérolas também eram um item de importação da China altamente valorizado, enquanto os chineses compravam especiarias, perfumes e frutas dos partas.[53] Animais exóticos eram trocados, como presentes, das cortes arsácidas para as cortes chinesas; em 87 d.C. Pácoro II da Pártia enviou leões e gazelas persas para o imperador Zhang de Han (r. 75-88 d.C.).[54] Além da seda, entre as mercadorias partas compradas pelos mercadores romanos estavam o ferro da Índia, especiarias e couro.[55] As caravanas que cruzavam o Império Parta traziam produtos de vidro da Ásia Ocidental e até mesmo de Roma para a China.[56]

Roma e Armênia[editar | editar código-fonte]

Dracma de Orodes I da Pártia (r. ca. 90–80 a.C.)
Dracma de Fraates IV da Pártia (r. 38–2 a.C.)

O Império Cushano Yuezhi no norte da Índia garantiu a segurança da fronteira oriental da Pártia.[57] Assim, a partir de meados do século I a.C., a corte arsácida passou a ter como foco a segurança das fronteiras ocidentais, especialmente contra a ameaça de Roma.[57] Um ano após a conquista da Armênia por Mitrídates II, Lúcio Cornélio Sula, procônsul romano da Cilícia, reuniu-se com o diplomata parta Orobazo às margens do rio Eufrates. Ambos concordaram que o rio serviria como fronteira entre a Pártia e Roma, embora a historiadora americana Rose Mary Sheldon afirme que Sula detivesse autoridade apenas para comunicar estes termos a Roma.[58]

Apesar deste acordo, em 93 ou 92 a.C. a Pártia se envolveu numa guerra na Síria contra a líder tribal Laódice e seu aliado selêucida, Antíoco X Êusebes (r. 95–92 a.C.), durante a qual matou o segundo.[59] Quando um dos últimos monarcas selêucidas, Demétrio III Eucairos tentou sitiar Bereia (atual Alepo), a Pártia enviou auxílio militar para os seus habitantes, derrotando Demétrio.[59]

Após o reinado de Mitrídates II, Gotarzes I governou a Babilônia, enquanto Orodes I (r. ca. 90–80 a.C.) reinou sozinho sobre a Pártia.[60] Este sistema de monarquia dividida enfraqueceu a Pártia e permitiu que Tigranes II da Armênia anexasse território parta na Mesopotâmia ocidental. Este território só retornaria ao domínio parta até o reinado de Sanatruces da Pártia (r. 78–71 a.C.).[61] Com a deflagração da Terceira Guerra Mitridática, Mitrídates VI do Ponto (r. 119–63 a.C.), aliado de Tigranes II da Armênia, solicitou auxílio dos partas contra os romanos, porém Sanatruces recusou a ajuda.[62] Quando o comandante romano Lúcio Licínio Lúculo marchou contra a capital armênia, Tigranocerta, em 69 a.C., Mitrídates VI e Tigranes II foram obrigados a pedir ajuda a Fraates III da Pártia (r. ca. 71–58 a.C.). Fraates, no entanto, não enviou tropas, e após a queda de Tigranocerta reafirmou, juntamente com Lúcio Licínio Lúculo, o rio Eufrates como fronteira entre Pártia e Roma.[63]

Tigranes, o Jovem, filho de Tigranes II da Armênia, não teve sucesso em reaver o trono armênio ocupado por seu pai e acabou por fugir para Fraates III, a quem convenceu a marchar contra a nova capital armênia, em Artaxata. Com o fracasso desta nova empreitada, Tigranes fugiu novamente, desta vez para o comandante romano Pompeu, a quem prometeu que serviria na função de guia no território armênio; quando Tigranes II, no entanto, se rendeu aos romanos na condição de rei cliente, Tigranes, o Jovem foi levado a Roma como refém.[64] Fraates exigiu a Pompeu que ele fosse enviado de volta, porém o romano se recusou; como retaliação, Fraates deu início a uma invasão da Corduena (sudeste da atual Turquia), onde, de acordo com dois relatos conflitantes feitos pelos romanos, o cônsul Lúcio Afrânio teria conseguido expulsar os partas através de métodos militares ou diplomáticos.[65]

O triúnviro Marco Licínio Crasso, que foi derrotado em Carras por Surena. Busto em mármore.

Fraates III foi assassinado por seus filhos, Orodes II da Pártia e Mitrídates III da Pártia. Em seguida Orodes voltou-se contra Mitrídates, forçando-o a fugir da Média para a Síria romana.[66] Aulo Gabínio, procônsul romano da Síria, marchou com suas tropas em apoio de Mitrídates até o Eufrates, porém teve de recuar para ajudar Ptolemeu XII Auleta (r. 80–58; 55–51 a.C.) contra uma rebelião no Egito.[67] Apesar de perder seu apoio romano, Mitrídates conseguiu conquistar a Babilônia e cunhar moedas em Selêucia até 54 a.C. Naquele ano, o general de Orodes conhecido apenas como Surena, nome de clã de sua família aristocrática, reconquistou Selêucia e executou Mitrídates.[68]

Marco Licínio Crasso, um dos triúnviros e então procônsul da Síria, iniciou uma invasão da Pártia em 53 a.C., manifestando apoio, ainda que atrasado, a Mitrídates.[69] Enquanto seu exército marchava a Carras (atual Harrã, no sudeste da Turquia), Orodes II invadiu a Armênia, cortando as linhas de suprimentos vindas de Artavasdes II da Armênia (r. 53–34 a.C.), aliado romano. Orodes convenceu então Artavasdes a estabelecer uma aliança matrimonial entre o príncipe herdeiro, Pácoro I da Pártia (m. 38 a.C.) e a irmã de Artavasdes.[70]

Surena, com um exército composto inteiramente por homens a cavalo, deslocou-se até Crasso.[71] os mil catafractários de Surena, armadas com lanças, e seus nove mil arqueiros montados, compunham uma força numericamente quase quatro vezes menor que o exército de Crasso, composto por sete legiões romanas e suas tropas auxiliares, incluindo cavaleiros gauleses e infantaria leve.[72] Contando com uma caravana de suprimentos formada por cerca de mil camelos, os arqueiros montados partas, constantemente abastecidos com novas flechas,[72] utilizavam-se da tática do "disparo parta", na qual os cavaleiros fingiam recuar, para então voltarem-se contra seus perseguidores e disparar contra eles. A combinação desta tática com a utilização de arcos compostos pesados naquelas planícies foi suficiente para devastar a infantaria de Crasso.[73] Com cerca de 20.000 romanos mortos, aproximadamente 10.000 capturados e outros 10.000 em debandada para o oeste, Crasso fugiu para o interior armênio.[74] Surena, à frente de suas tropas, acabou por encontrá-lo e contactá-lo, oferecendo a discussão dos termos de rendição. Crasso, no entanto, foi morto quando um de seus oficiais mais jovens, suspeitando uma armadilha, tentou impedi-lo de entrar no acampamento de Surena.[75]

A derrota de Crasso em Carras foi uma das piores derrotas militares da história romana.[59] A vitória parta cimentou sua reputação como uma potência formidável, capaz de se equiparar a Roma.[76] Juntamente com seus seguidores, prisioneiros e com o precioso butim capturado dos romanos, Surena viajou cerca de 700 quilômetros de volta a Selêucia, onde sua vitória foi comemorada. Temendo, no entanto, que as ambições do general pudessem se estender até o próprio trono arsácida, Orodes ordenou a execução de Surena pouco tempo depois.[59]

Áureos romanos mostrando os retratos de Marco Antônio (esquerda) e Otaviano (direita), cunhado em 41 a.C. para comemorar o estabelecimento do segundo triunvirato, por Otaviano, Antônio e Lépido, em 43 a.C.

Fortalecidos pela vitória sobre Crasso, os partas tentaram capturar os territórios dominados pelos romanos na Ásia Ocidental.[77] O príncipe herdeiro Pácoro I e seu comandante, Osaces, efetuou incursões na Síria, chegando até Antioquia em 51 a.C., porém acabou sendo repelido por Caio Cássio Longino, que matou Osaces após uma emboscada.[78] Os arsácidas se aliaram a Pompeu durante a guerra civil contra Júlio César, e chegaram até mesmo a enviar tropas para apoiar as tropas contrárias a César na Batalha de Filipos, em 42 a.C.[79] Quinto Labieno, um general leal a Cássio e Bruto, aliou-se à Pártia contra o segundo triunvirato em 40 a.C.; no ano seguinte, Labieno invadiu a Síria juntamente com Pácoro I.[80] O triúnviro Marco Antônio, incapaz de liderar as defesas romanas contra a Pártia devido à sua partida para a Itália, juntou lá tropas para confrontar seu novo rival, Otaviano, com quem realizou negociações de paz em Brundísio (atual Brindisi).[81] Após a ocupação da Síria pelas tropas de Pácoro, Labieno se separou do principal exército parta e invadiu a Anatólia, enquanto Pácoro e seu comandante Barzafarnes invadiram o Levante romano.[80] Lá, subjugaram todos os povoados ao longo do litoral do Mediterrâneo, chegando até Ptolemais (atual Acre, em Israel), com a exceção de Tiro.[82] Na Judeia, as tropas judaicas pró-romanas do sumo sacerdote Hircano II, de Fasael e de Herodes foram derrotadas pelos partas e por seu aliado judeu, Antígono II Matatias (r. 40–37 a.C>); este tornou-se rei da Judeia enquanto Herodes refugiou-se em seu forte, em Massada.[80]

Apesar destes sucessos, os partas logo foram expulsos do Levante por uma contra-ofensiva romana. Públio Ventídio Basso, um oficial a serviço de Marco Antônio, derrotou-os e executou Labieno na Batalha das Portas Cilícias (na atual província de Mersin, Turquia), em 39 a.C.[83] Pouco tempo depois, um exército parta na Síria, liderado pelo general Farnapates, foi derrotado por Ventídio na Batalha do Passo de Amano.[83] Como resultado, Pácoro I retirou-se temporariamente da Síria; ao retornar, na primavera de 38 a.C., confrontou Ventídio na Batalha do Monte Gindaro, a nordeste de Antioquia. Pácoro foi morto durante o combate, e suas tropas recuaram para a outra margem do Eufrates; sua morte deu início a uma crise pela sucessão, na qual Orodes II escolheu Fraates IV da Pártia (r. (em catalão) 38–2 a.C.) como seu novo herdeiro.[84]

Ao assumir o trono, Fraates IV matou e exilou seus próprios irmãos, eliminando assim os pretendentes ao trono.[85] Um deles, Monaeses, fugiu para Marco Antônio e o convenceu a invadir a Pártia.[86] Antônio derrotou Antígono, aliado judeu da Pártia, em 37 a.C., e colocou em seu lugar Herodes, como rei cliente. No ano seguinte, enquanto Antônio marchava para Erzurum, Artavasdes II da Armênia novamente mudou de lado e enviou tropas para auxiliar Antônio - que invadiu a Média Atropatene (atual Azerbaijão), que era governada por Artavasdes I, aliado da Pártia, visando conquistar sua capital, Praaspa, cuja localização não é conhecida nos dias de hoje. Fraates IV, no entanto, conseguiu assaltar de surpresa os flancos das tropas de Antônio, destruindo um imenso aríete destinado ao cerco da cidade;[87] após o episódio, os partas perseguiram e atacaram as forças de Antônio, enquanto estas se deslocavam para a Armênia, chegando por fim à Síria.[88] Antônio conseguiu então atrair Artavasdes II para uma armadilha, prometendo-lhe uma aliança matrimonial. Artavasdes foi aprisionado em 34 a.C., enviado para Roma, e executado.[89] Marco Antônio tentou estabelecer uma aliança com Artavasdes I da Média Atropatene, cujas relações com Fraates IV haviam se deteriorado, porém isto não foi adiante depois que Antônio e suas tropas tiveram de se retirar da Armênia, em 33 a.C., escapando de uma invasão parta enquanto os exércitos de seu rival, Otaviano, o atacavam a oeste.[89] Após a partida de Marco Antônio, Artaxias II, um aliado dos partas, reassumiu o trono da Armênia.

Paz com Roma, intrigas palacianas e contatos com generais chineses[editar | editar código-fonte]

Detalhe da estátua do Augusto da Prima Porta que mostra um parta devolvendo aAugusto o estandarte legionário que havia sido perdido por Marco Licínio Crasso em Carras.

Após derrotar Marco Antônio na Batalha de Ácio, em 31 a.C., Otaviano consolidou seu poder político, e em 27 a.C. recebeu do senado romano o título de Augusto, tornando-se o primeiro imperador romano. Por volta desta época, Tiridates II da Pártia derrubou por um breve período Fraates IV, que conseguiu reestabelecer-se no poder com o auxílio de nômades citas.[90] Tiridates fugiu então para os romanos, levando consigo um dos filhos de Fraates. Ao longo das negociações realizadas em 20 a.C. Fraates conseguiu a libertação de seu filho; em troca, os romanos receberam os estandartes legionários que haviam sido capturados durante a derrota de Carras, em 53 a.C., bem como quaisquer prisioneiros de guerra que ainda estivessem vivos.[91] Os partas viam esta troca como um preço baixo a ser pago para terem de volta seu príncipe,[92] e Augusto saudou o retorno dos estandartes como uma vitória política sobre a Pártia; esta propaganda foi celebrada com a cunhagem de diversas moedas, a construção de um novo templo para abrigar os estandartes, e até mesmo em obras artísticas, como a cena estampada no peitoral de sua estátua na Prima Porta.[93]

Juntamente com o príncipe, Augusto deu a Fraates IV uma escrava itálica, que se tornou posteriormente a rainha Musa da Pártia. Para assegurar-se de que seu filho, Fraatáces, herdaria o trono sem qualquer incidente, Musa convenceu Fraates a dar seus outros filhos a Augusto como reféns; o imperador romano utilizou este fato novamente como propaganda, ilustrando a submissão da Pártia a Roma, e listando-a como um dos seus grandes feitos em seu Res Gestae Divi Augusti.[94] Quando Fraatáces assumiu o trono, com o nome de Fraates V da Pártia (r. (em catalão) 2 a.C.4 d.C.), Musa se casou com seu próprio filho e governou ao seu lado. A nobreza parta, que não aprovava nem a relação incestuosa nem a noção de um rei que não tinha sangue arsácida, acabou por exilar o casal, que procurou refúgio em território romano.[95] O sucessor de Fraates, Orodes III da Pártia, durou apenas dois anos no trono, e a ele seguiu-se Vonones I da Pártia, que havia adotado diversos maneirismos romanos durante seu período no trono. A nobreza parta, enfurecida pelas simpatias de Vonones aos romanos, acabou por dar seu apoio a um pretendente rival ao trono, Artabano II da Pártia (r. 10–38x), que acabou por derrotar Vonones e exilá-lo na Síria romana.[96]

Durante o reinado de Artabano II dois irmãos judeus, Anilai e Asinai, oriundos de Neardeia (próximo à atual Faluja, no Iraque),[97] liderou uma revolta contra o governador parta da Babilônia. Após derrotá-lo, os irmãos receberam de Artabano o direito de governar a região, para evitar futuras rebeliões.[98] A esposa parta de Anilai, no entanto, acabou por envenená-lo, com medo de que este utilizasse o casamento com uma gentia de seu irmão como pretexto para afastá-lo do trono; Anilai então envolveu-se num conflito armado com um genro de Artabano, que acabou por derrotá-lo.[99] Com o fim do regime judeu dominando-os, os babilônios começaram a atacar a comunidade judaica local, forçando-os a migrar para Selêucia. Quando esta cidade se revoltou contra o domínio parta, em 35–36 d.C., os judeus foram expulsos novamente, desta vez pelos gregos e aramaicos locais; estes judeus exilados se fixaram então em Ctesifonte, Neardeia e Nísibis (atual Nusaybin).[100]

Um denário cunhado em 19 a.C., durante o reinado de Augusto, com a deusa Ferônia num dos lados, e um parta ajoelhando-se enquanto oferece os estandartes militares romanos obtidos na Batalha de Carras[101] .

Embora estivesse em paz com a Pártia, Roma ainda interferia em seus assuntos internos. O imperador Tibério (r. 14-37 d.C.), sucessor de Augusto, envolveu-se numa trama de Farasmanes I da Ibéria que visava colocar seu irmão, Mitrídates, no trono da Armênia após assassinar o rei Arsaces da Armênia, aliado parta.[102] Artabano II tentou, sem sucesso, restaurar o domínio parta na Armênia, o que provocou uma revolta aristocrática que o obrigou a fugir para a Cítia. Os romanos libertaram então um príncipe refém, Tirídates III da Pártia, para que ele governasse a região como aliado romano. Pouco antes de sua morte, Artabano conseguiu expulsar Tiridates do trono utilizando-se de tropas da Hircânia.[103] Após a morte de Artabano, em 38 d.C., seguiu-se uma longa guerra civil entre o sucessor legítimo, Vardanes I da Pártia, e seu irmão, Gotarzes II da Pártia.[104] Após o assassinato de Vardanes durante uma expedição de caça, a nobreza parta apelou ao imperador romano Cláudio (r. 41–54 d.C.–x), em 49 d.C., para que libertasse o príncipe refém Meherdates, visando desafiar Gotarzes; o plano, no entanto, fracassou quando Meherdates foi traído pelo governador de Edessa e por Izates bar Monobaz, de Adiabene; foi capturado e enviado a Gotarzes, e pôde viver depois de ter suas orelhas mutiladas, um ato que o desqualificava como herdeiro do trono.[105]

Em 97 d.C. o general chinês Ban Chao, Protetor-Geral das Regiões Ocidentais, enviou seu emissário Gan Ying numa missão diplomática até o Império Romano. Gan visitou a corte de Pácoro II da Pártia, em Hecatompilo, antes de partir para Roma;[106] chegou até o golfo Pérsico, onde as autoridades partas o convenceram de que a viagem marítima árdua em torno da península Arábica era a única maneira de chegar a Roma.[107] Desencorajado por este fato, Gan Ying retornou à corte Han e forneceu ao imperador He de Han (r. 88-105 d.C.–x) um relato detalhado sobre o Império Romano com base nos relatos orais de seus anfitriões partas.[108] O sinólogo britânico William Watson especulou que os partas teriam ficado aliviados com o fracasso dos esforços do império Han em estabelecer relações diplomáticas com Roma, especialmente depois das vitórias militares de Ban Chao sobre os Xiongnu no leste da Ásia Central.[106] Os registros chineses, no entanto, mostram que uma embaixada romana, talvez composta apenas por um grupo de mercadores romanos, teria chegando à capital Han, Luoyang, em 166 d.C., durante o reinado de Marco Aurélio (r. 161–180) e do imperador Huan de Han (r. 146–168).[109]

Sequência das hostilidades romanas e declínio parta[editar | editar código-fonte]

Guerra romano-parta de 58-63
Roman-Parthian War 58-60.pt.svg
Roman-Parthian War 61-63.pt.svg

Após o rei ibero Farasmanes I ordenar a seu filho Radamisto (r. 51–55 d.C.–x) que invadisse a Armênia e depusesse o rei cliente Mitrídates, Vologases I da Pártia (r. ca. 51–77 d.C.) teve a ideia de invadir a região e colocar seu irmão, Tiridates I da Armênia, no trono.[110] Radamisto acabou sendo deposto, e, a partir do reinado de Tiridates, a Pártia passaria a manter um controle firme sobre a Armênia - com breves interrupções - por intermédio da dinastia arsácida da Armênia.[111] Mesmo após a queda do Império Parta, a linhagem arsácida continuou através destes reis armênios.[112]

Quando Vardanes II da Pártia se rebelou contra seu pai, Vologases I, em 55 d.C., Vologases retirou suas tropas da Armênia. Roma então tentou rapidamente preencher o vácuo político deixado ali;[113] durante a Guerra Romano-Parta de 58-63, o comandante Gneu Domício Corbulão conseguiu alguns sucessos militares contra os partas e instaurou Tigranes VI da Armênia como rei cliente dos romanos.[114] Seu sucessor, no entanto, Lúcio Cesênio Peto, foi derrotado fragorosamente por tropas partas e teve de fugir da Armênia.[115] Após a assinatura de um tratado de paz, Tiridates viajou a Neápolis (atual Nápoles) e Roma em 63 d.C.; em ambas as localidades o imperador romano Nero (r. 54–68 d.C.) o coroou, de maneira cerimonial, rei da Armênia, colocando sobre sua cabeça a diadema real.[116]

Seguiu-se um longo período de paz entre a Pártia e Roma, com uma única menção feita por historiadores romanos de uma invasão de alanos nos territórios partas orientais por volta de 72 d.C..[117] Enquanto Augusto e Nero haviam escolhido uma política militar cautelosa ao confrontar a Pártia, os imperadores romanos posteriores invadiram e tentaram conquistar o leste do Crescente Fértil, coração do Império Parta ao longo dos rios Tigre e Eufrates. Este aumento na intensidade das agressões pode ser explicado, em parte, pelas reformas militares de Roma.[118] Para se igualar à força da Pártia em termos de artilharia e cavalaria, os romanos utilizaram-se inicialmente de aliados estrangeiros (especialmente nabateus), porém estabeleceram posteriormente uma força auxilia permanente para complementar sua infantaria legionária pesada.[119] Os romanos acabaram por manter regimentos de cavaleiros arqueiros (sagittarii), e até mesmo catafractários, em suas províncias orientais;[120] não tinham, no entanto, uma 'grande estratégia' visando lidar com a Pártia, e conquistaram muito pouco, em termos de território, destas invasões.[121] As motivações primordiais para a guerra eram o aumento da glória pessoal e da posição política do imperador, bem como a defesa da honra romana contra supostas ofensas, como interferências partas nos assuntos internos dos estados-clientes de Roma.[122]

Soldado parta (direita) vestindo uma boina frígia, mostrado como prisioneiro de guerra, acorrentado a um romano (esquerda); Arco de Septímio Severo, Roma, 203 d.C.

As hostilidades entre romanos e partas foram renovadas quando Osróes I da Pártia (r. 109–128) depôs o rei armênio Tiridates e o substituiu por Axidares, filho de Pácoro II, sem consultar Roma.[123] O imperador romano Trajano (r 98–117) ordenou a morte do candidato parta ao trono, Partamasíris, em 114 d.C., transformando a Armênia numa província romana.[124] Suas tropas, lideradas por Lúsio Quieto, também conquistaram Nísibis; sua ocupação foi essencial para a dominação de todas as principais rotas comerciais que atravessavam o norte da planície mesopotâmica.[125] No ano seguite, Trajano invadiu a Mesopotâmia, encontrando uma resistência enfraquecida de Meharaspes de Adiabene, já que Osróes estava envolvido numa guerra civil no oriente, contra Vologases III.[126] Trajano passou o inverno de 115-116 em Antioquia, porém retomou sua campanha na primavera; ao marchar ao longo do Eufrates conquistou Dura-Europos, a capital imperial, Ctesifonte, e Selêucia, chegando até mesmo a subjugar Caracena, onde observou navios que partiam do golfo Pérsico para a Índia.[127]

Nos últimos meses de 116, Trajano conquistou a cidade persa de Susa. Quando Sanatruces II reuniu tropas no leste da Pártia para desafiar os romanos, foi traído e morto por seu primo, Partamaspastes, coroado por Trajano como novo rei da Pártia.[128] Nunca mais os romanos avançariam tão a leste.

Durante o retorno de Trajano para o norte, os povoados babilônios se revoltaram contra as guarnições romanas.[129] Trajano foi forçado a abandonar a Mesopotâmia em 117, supervisionando um cerco malsucedido à cidade de Hatra durante sua retirada.[130] Esta retirada era inicialmente - de acordo com suas intenções - temporária, pois ele desejava renovar o ataque à Pártia no ano seguinte, e "fazer da submissão dos partas uma realidade".[131] Trajano morreu repentinamente, no entanto, em agosto de 117.

Durante sua campanha Trajano recebeu do senado o título de 'Pártico' (Parthicus), e moedas foram cunhadas proclamando a sua conquista da Pártia.[132] Apenas os historiadores Eutrópio e Festo, do século IV, no entanto, alegam que ele teria tentado criar uma província romana na baixa Mesopotâmia.[133]

O sucessor de Trajano, Adriano (r. 117–138) reforçou a fronteira romano-parta no Eufrates, optando por não invadir a Mesopotâmia devido aos recursos militares limitados de Roma naquele momento.[134] Partamaspates fugiu depois que os partas de revoltaram contra ele, porém mesmo assim foi coroado rei de Osroena pelos romanos. Osróes I morreu durante seu conflito com Vologases III, que por sua vez foi sucedido por Vologases IV (r. ca. 147–191), que trouxe à região um período de paz e estabilidade.[135] A Guerra Romano-Parta de 161-166, no entanto, iniciou-se quando Vologases invadiu a Armênia e a Síria, reconquistando Edessa. O imperador romano Marco Aurélio (r. 161–180) indicou seu co-governante, Lúcio Vero (r. 161–169), para proteger a Síria enquanto Marco Estácio Prisco invadiu a Armênia, em 163; no ano seguinte, Avídio Cássio comandou a invasão à Mesopotâmia.[136]

Os romanos conquistaram e queimaram completamente Selêucia e Ctesifonte, mas foram forçados a recuar depois que seus soldados contraíram uma doença contagiosa fatal (talvez varíola), que rapidamente causou grande estrago em todo o mundo romano.[137] Embora tenham abandonado a região, a partir deste momento a cidade de Dura-Europos continuou a ser governada pelos romanos.[138]

O Reino da Armênia, vassalo de Roma, por volta de 300.

Quando o imperador romano Septímio Severo (r. 193–211) invadiu a Mesopotâmia, em 197, durante o reinado de Vologases V da Pártia (r. ca. 191–208), os romanos novamente seguiram o curso do Eufrates, reconquistando Selêucia e Ctesifonte. Após assumir para si o título de Parthicus Maximus, Septímio Severo retirou suas tropas no fim de 198, fracassando, exatamente como Trajano, em conquistar Hatra após sitiá-la.[139]

Por volta de 212, logo depois que Vologases VI da Pártia (r. ca. 208–222) assumiu o trono, seu irmão Artabano IV da Pártia (m. 224) iniciou uma revolta, dominando grande parte do império.[140] Neste meio tempo, o imperador romano Caracala (r. 211–217) depôs os rei de Osroena e da Armênia, transformando-as novamente em províncias romanas. Caracala então entrou com suas tropas na Mesopotâmia, sob o pretexto de se casar com uma das filhas da Artabano; porém, como não recebeu o consentimento para o matrimônio, deu início a uma guerra contra a Pártia, durante a qual conquistou Arbil, a leste do rio Tigre.

Caracala foi assassinado no ano seguinte, a caminho de Carras (atual Harã), por seus soldados.[140] Após este episódio, os partas fizeram um acordo com Macrino (r. 217–218), de acordo com o qual os romanos pagavam à Pártia mais de dois milhões de denários, além de alguns outros presentes.[141]

Fontes nativas e externas[editar | editar código-fonte]

Fontes escritas locais e estrangeiras, bem como artefatos não-textuais encontrados na região, foram utilizados para reconstruir a história parta.[142] Embora a corte parta mantivesse registros, os partas não tinham um estudo formal da História; a primeira história universal do Irã, o Khwaday-Namag, só foi compilada no final do reinado do último soberano sassânida, Izdegerdes III (r. 632–651).[143] As fontes primárias nativas sobre a história parta continuam mais raras do que as fontes primárias de qualquer outro período da história iraniana.[144] A maior parte dos registros escritos contemporâneos sobre a Pártia contém inscrições em grego, bem como parta e aramaico.[145] A língua parta utilizava um sistema de escrita próprio, derivado da escrita de chancelaria do aramaico imperial, utilizado pelos aquemênidas, e que posteriormente deu origem ao sistema de escrita pahlavi.[146]

As fontes nativas mais valiosas para a reconstrução de uma cronologia precisa dos governantes arsácidas são os dracmas, moedas de metal cunhadas por cada monarca.[147] Estes representariam uma "transição dos resquícios não-textuais para os textuais", de acordo com o historiador Geo Widengren.[148] Entre outras fontes partas utilizadas para a reconstrução cronológica estão os colofões e tabuletas astronômicas cuneiformes encontrados na Babilônia.[149] Outras fontes textuais locais são inscrições em pedra, documentos em pergaminhos e papiros, e óstracos de cerâmica.[148] A antiga capital parta de Mithradatkert/Nisa, no Turcomenistão, por exemplo, grandes quantidades destes óstracos foram encontrados, que continham informações valiosas sobre a venda e o armazenamento de itens como vinho.[150] Juntamente com os documentos em pergaminho encontrados em sítios como Dura-Europos, estes achados forneceram informações sobre a administração governamental parta, abordando temas como impostos, cargos militares, e organização das províncias.[151]

Uma lamparina de cerâmica parta, província do Cuzestão, Irã, Museu Nacional do Irã.

As historiografias grega e romana, que representam a maior parte dos materiais que abordam a história parta, não são considerados totalmente confiáveis, tendo em vista que foram escritos a partir da perspectiva de rivais e inimigos militares durante períodos de guerras.[152] Estas fontes externas geralmente abordam eventos militares e políticos, e muitas vezes ignoram aspectos sócio-culturais da história parta.[153] Os romanos geralmente mostravam os partas como guerreiros corajosos, mas também como um povo de cultura refinada; receitas de pratos partas no livro de culinária Apicius são testemunho da admiração exercida pela culinária parta.[154] Apolodoro de Artemita e Arriano escreveram livros de história abordando a Pártia, que nunca foram encontrados e sobrevivem apenas na forma de citações em outras obras.[155] Isidoro de Cárax, que viveu durante o reinado de Augusto, fornece um relato dos territórios partas, talvez extraído de um levantamento do próprio governo parta.[156] Em menor escala, pessoas e eventos da história parta fazem parta das obras de Justino, Estrabão, Diodoro Sículo, Plutarco, Dião Cássio, Apiano, Flávio Josefo, Plínio, o Velho, e Herodiano.[157]

A história parta também pode ser reconstruída através da tradição história chinesa.[158] Em contraste com as narrativas greco-romanas, as narrativas históricas chinesas antigas sustentam um ponto de vista mais neutro ao descrever a Pártia,[159] embora o costume dos cronistas chineses de copiar de obras mais antigas torne difícil estabelecer uma sequência cronológica de eventos.[160] Os chineses chamavam a Pártia de Ānxī (em chinês: ), talvez a partir do nome grego da cidade parta de Antioquia de Margiana (Αντιόχεια της Μαργιανήs, Antiókheia tēs Margianēs).[161] O nome, no entanto, pode ser também uma transliteração de "Arsaces", nome do epônimo fundador da dinastia.[162] Entre as obras e autores que mencionam o tema estão o Shiji (Registros do Grande Historiador), de Sima Qian, o Han shu (Livro de Han), de Ban Biao, Ban Gu, e Ban Zhao, e o Hou Han shu (Livro de Han Posterior), de Fan Ye.[163] Todas fornecem informações sobre as migrações nômades que levaram à invasão da Pártia pelos Saka, bem como valiosas informações políticas e geográficas.[158] O Shiji (cap. 123), por exemplo, descreve intercâmbios diplomáticos, presentes exóticos dados por Mitrídates II à corte Han, os diferentes tipos de colheitas produzidas na Pártia, a produção de vinho, mercadores itinerantes e o tamanho e localização do território parta.[164] O Shiji também menciona que os partas mantinham registros "escrevendo horizontalmente em tiras de couro", referindo-se aos pergaminhos.[165]

Governo e administração[editar | editar código-fonte]

Autoridade central e reis semi-autônomos[editar | editar código-fonte]

Moeda de Kamnaskires III, rei de Elimaide (atual província do Cuzestão), e sua esposa, a rainha Anzaze, século I a.C.

Comparado com o antigo Império Aquemênida, o governo parta era marcadamente descentralizado.[166] Uma fonte histórica local revela que os territórios supervisionados pelo governo central estavam organizados de maneira semelhante ao Império Selêucida; ambos utilizavam um sistema de divisão tríplice na hierarquia de suas províncias: as marzbān, xšatrap e dizpat partas, equivalentes às satrapias, eparquias e hiparquias selêucidas.[167] O Império Parta também dominava diversos reinos semi-autônomos, incluindo os estados d| Reino da IbériaIbéria, Armênia, Atropatene, Gordiene, Adiabene, Edessa, Hatra, Mesene, Elimaide, e Pérsis.[168] Os soberanos destas nações governavam seus próprios territórios e cunhavam suas próprias moedas de maneira independente da cunhagem real, produzida nas casas da moeda imperiais.[169] Isto se assemelhava ao que ocorria durante o período aquemênida com certas cidades-Estado, e até mesmo com satrapias distantes, que eram semi-independentes porém "reconheciam a supremacia do rei, pagavam tributo e forneciam apoio militar", de acordo com Brosius.[170] As satrapias do período parta, no entanto, abrangiam territórios menores, e talvez tivessem menos prestígio e influência que suas antecessoras aquemênidas.[171] Durante o período selêucida, a tendência do governo de dinastias locais semi-autônomas, por vezes promovendo até mesmo rebeliões, tornou-se um lugar comum, fato que teve reflexos no estilo de governo do fim do período parta.[172]

Nobreza[editar | editar código-fonte]

Estátua de bronze de um nobre parta do santuário de Shami, em Elimaide (atual província do Cuzestão, Irã, às margens do Golfo Pérsico), atualmente no Museu Nacional do Irã.

O "rei dos reis" comandava o governo parta. Mantinha relações polígamas, e costumava ser sucedido por seu primogênito.[173] Assim como os Ptolemeus do Egito, também existem registros de reis arsácidas que se casaram com suas sobrinhas e até mesmo com suas meia-irmãs; a rainha Musa se casou com seu próprio filho, embora este tenha sido um caso extremo e isolado.[173] Brosius apresenta um trecho de uma carta escrita em grego pelo rei Artabano II, em 21 d.C., que se dirige ao governador (intitulado "arconte", arkhon) e aos cidadãos de Susa. Cargos governamentais específicos, como "amigo preferido", "guarda-costas" e "tesoureiro", são mencionados, e o documento também prova que embora existissem jurisdições locais e debates para indicações a altos cargos, o rei podia intervir a favor de um determinado indivíduo, revisar um caso e alterar a legislação local se ele assim considerasse apropriado.[174]

Os títulos hereditários da nobreza hierárquica registrados durante o reinado do primeiro monarca sassânida, Artaxes I, provavelmente refletem os títulos já em uso durante o período parta.[175] Existiam três níveis distintos de nobreza; o mais alto consistia dos reis regionais diretamente sob o "rei dos reis", o segundo daqueles que tinham parentesco com o rei dos reis apenas através de matrimônio, e a classe mais baixa consistia dos chefes de clãs locais e pequenos territórios.[176]

No século I d.C., a nobreza parta havia acumulado grande poder e influência na sucessão e deposição dos reis arsácidas.[177] Parte da nobreza atuava como conselheiros da corte para o rei, bem como na função de sacerdotes.[178] Dos grandes clãs partas listados no início do período sassânida, apenas dois são mencionados de maneira explícita por documentos partas mais antigos: a Casa de Suren e a Casa de Karen.[179] O historiador grego Plutarco relatou que membros do clã de Suren, os mais respeitados entre os nobres, recebiam o privilégio de coroar cada novo rei dos reis arsácida durante suas investiduras.[180] Posteriormente, alguns dos reis partas passaram a alegar descendência direta dos aquemênidas; este fato pode ter sido corroborado recentemente através da possibilidade de uma doença hereditária (neurofibromatose) demonstrada pela descrição física destes monarcas e pela evidência de doenças transmitidas geneticamente em moedas antigas.[181]

Forças armadas[editar | editar código-fonte]

Relevo em estuque de um soldado de infantaria, das muralhas do Castelo de Zahhak, província do Azerbaijão Leste, Irã.

O Império Parta não tinha um exército permanente, mas conseguia recrutar rapidamente tropas em ocasiões de crises locais.[182] Havia uma guarda armada permanente associada à pessoa do rei, que abrangia nobres, servos e mercenários, porém este destacamento real era reduzido.[183] Guarnições eram mantidas permanentemente nos fortes fronteiriços; inscrições partas revelam alguns dos títulos militares concedidos aos comandantes destas localidades.[183] As tropas militares também podiam ser usadas para gestos diplomáticos; quando enviados chineses visitaram a Pártia no fim do século II a.C., por exemplo, o Shiji afirma que 20.000 cavaleiros teriam sido enviados às fronteiras orientais do império para escoltar a embaixada chinesa, embora esta cifra talvez seja exagerada.[184]

A principal força de ataque do exército parta eram os seus catafratários, uma cavalaria pesada na qual homem e cavalo estavam cobertos por cota de malha.[185] Os catafratários estavam equipados com uma lança, para investir contra as linhas inimigas, bem como arco e flechas.[186] Devido ao custo da manutenção de seu equipamento e armadura, os catafratários eram recrutados entre membros da aristocracia que, em troca por seus serviços, recebiam dos reis arsácidas algum grau de autonomia local.[187] A cavalaria leve era recrutada dos membros das classes populares, e atuavam como arqueiros montados, vestindo apenas uma túnica simples e calças durante os combates.[185] Usavam o arco composto, e conseguiam disparar contra os inimigos sobre o cavalo, e até mesmo voltados para a direção oposta; esta técnica, conhecida como o disparo parta, era uma tática de combate altamente efetiva.[188] Tanto a cavalaria pesada quanto a leve da Pártia se mostraram um fator decisivo na Batalha de Carras, durante a qual uma tropa persa derrotou um exército romano muito maior comandado por Crasso. As infantarias leves, compostas por plebeus conscritos e mercenários, era usada para dispersar as tropas inimigas depois das incursões da cavalaria.[189]

Não se conhece o tamanho do exército parta, nem o da população do império. Escavações arqueológicas em centros urbanos partas, no entanto, revelaram núcleos de povoamento que podem ter sustentado grandes populações, e, portanto, oferecer grandes recursos de mão-de-obra.[190] Centros populacionais de alta densidade, em regiões como a Babilônia, sem dúvida eram atraentes para os romanos, cujos exércitos podiam se dar ao luxo de viver do que produziam.[190]

Moeda[editar | editar código-fonte]

Geralmente feitas de prata,[191] as moedas de dracma grego, incluindo o tetradracma, eram a moeda padrão utilizada por todo o Império Parta.[192] Os arsácidas mantinham casas reais da moeda nas cidades de Hecatompilo, Selêucia do Tigre e Ecbátana.[32] Provavelmente também operavam uma casa da moeda em Mithridatkert (Nisa).[16] Desde o início do império até o seu colapso os dracmas produzidos por todo o período parta raramente pesavam menos de 3,5 ou mais de 4,2 quilos.[193] Os primeiros tetradracmas partas, que pesavam inicialmente cerca de 16 gramas, com algumas variações, surgem após a conquista da Mesopotâmia por Mitrídates I, e foram cunhados exclusivamente em Selêucia.[194]

Sociedade e cultura[editar | editar código-fonte]

Helenismo e o renascimento iraniano[editar | editar código-fonte]

Cavaleiro parta, atualmente em exposição no Palazzo Madama, em Turim.

Embora a cultura grega dos selêucidas tivesse sido adotada pelos povos do Oriente Médio durante o Período Helenístico, a era parta vivenciou um renascimento cultural iraniano na religião, nas artes e até mesmo nas vestimentas.[195] Consciente das raízes helenísticas e persas de seu reinado, os monarcas arsácidas se intitulavam com o "rei dos reis" tradicional persa, ao mesmo tempo em que afirmavam ser filelenos ("amigos dos gregos").[196] O termo "fileleno" foi inscrito nas moedas partas até o reinado de Artabano II.[197] A interrupção do uso da frase significou o renascimento da cultura iraniana na Pártia.[198] Vologases I foi o primeiro governante arsácida a utilizar a escrita e a língua parta nas moedas que cunhou, juntamente com um grego já praticamente ilegível.[199] O uso de legendas no alfabeto grego nas moedas partas continuou a ser usado, no entanto, até o colapso do império.[200]

Chafariz parta de cerâmica na forma de cabeça humana, datada do século I ou II d.C.

A influência cultural grega não desapareceu do Império Parta, no entanto, e existem evidências de que os arsácidas apreciavam o teatro grego. Quando a cabeça de Crasso foi trazida a Orodes II, este estaria, juntamente com o rei armênio Artavasdes II, assistindo a uma performance das Bacantes, clássico do dramaturgo grego Eurípides (c 480–406 a.C.); o produtor da peça decidiu então utilizar a cabeça degolada de Crasso como a cabeça de Penteu, no lugar do adereço que seria utilizado para emulá-la.[201]

Em suas moedas, Ársaces I é retratado com um traje semelhante ao dos sátrapas aquemênidas. No entanto, de acordo com o arqueólogo iraniano Alireza Shahpur Shahbazi, fundador do Instituto de Pesquisa Aquemênida, Ársaces se retratava deliberadamente diferente do padrão usado nas moedas selêucidas para enfatizar suas aspirações nacionalistas e reais, e dá a si mesmo o nome de Kārny/Karny (em grego: Autokratos), título utilizado anteriormente por generais supremos aquemênidas, como Ciro, o Jovem.[202] Seguindo as tradições aquemênidas, imagens em relevo dos governantes arsácidas foram esculpidas no monte Behistun, onde Dario I (r. 522-486 a.C.) fez as suas inscrições reais.[203] Além disso, os arsácidas alegavam que sua família descendia de Artaxerxes II (r. 404–358 a.C.) como um meio de consolidar sua legitimidade sobre antigos territórios aquemênidas, ou seja, fazendo de si próprios "legítimos sucessores dos reis gloriosos" do antigo Irã.[204] Artabano III deu a um de seus filhos o nome de Dario, e reivindicou para si a herança de Ciro.[202] Os reis arsácidas costumavam escolher para si nomes zoroástricos típicos, além de alguns nomes do "período heróico" do Avesta.[205] Os partas também adotaram o calendário babilônico, com nomes retirados do calendário iraniano aquemênida, substituindo assim o uso do calendário macedônio trazido pelos selêucidas.[206]

Religião[editar | editar código-fonte]

Relevo votivo parta da província do Cuzestão, Irã, século II d.C.

O Império Parta, sendo cultural e politicamente heterogêneo, tinha diversos sistemas e crenças religiosas, dos quais os mais difundidos eram aqueles dedicados a cultos gregos e iranianos.[207] Com a exceção duma minoria de judeus[208] e cristãos,[209] a maior parte dos partas era politeísta.[210] Divindades gregas e iranianas frequentemente eram por vezes misturadas ou enxergadas numa só. Por exemplo, Zeus era igualado com Ahura Mazda, Hades com Angra Mainyu, Afrodite e Hera com Anahita, Apolo com Mitra, e Hermes com Shamash.[211] Além dos deuses e deusas principais, cada grupo étnico e cidade tinha sua própria divindade particular.[210] Tal como os governantes selêucidas,[212] a arte parta indica que os reis arsácidas se viam como deuses; este culto ao monarca talvez tenha sido o mais difundido.[213] A extensão com que os arsácidas patrocinavam o zoroastrianismo é debatida pelos acadêmicos modernos.[214] Os seguidores de Zoroastro consideravam inaceitáveis os sacrifícios sangrentos de alguns dos cultos iranianos do período parta.[207] Existem, no entanto, evidências de que Vologases I encorajava a presença de sacerdotes zoroastristas (magi) em sua corte, e que patrocinou a compilação de textos sagrados zoroastristas que posteriormente formaram o Avesta.[215] A corte sassânida posteriormente adotaria o zoroastrianismo como religião oficial do império.[216]

Embora Mani (216–276), o profeta fundador do maniqueísmo, não tenha proclamado sua primeira revelação religiosa antes de 228/229, o arqueólogo britânico A.D.H. Bivar afirma que esta nova fé continha "elementos da crença mandeia, da cosmogonia iraniana, e até mesmo ecos do cristianismo... [ela] pode ser vista como um reflexo típico da mistura de doutrinas religiosas do fim do período arsácida, que a ortodoxia zoroastrista dos sassânidas logo iria varrer do mapa."[217]

Existem poucas evidências arqueológicas a respeito da expansão do budismo a partir do Império Kushano para o Irã.[218] Sabe-se, no entanto, a partir de fontes chinesas, que An Shigao (Predefinição:Fl século II d.C.), um nobre parte e monge budista, viajou para Luoyang, na China do período Han, como um missionário budista e traduziu diversos cânones budistas para o chinês.[219]

Arte e arquitetura[editar | editar código-fonte]

Um iwan com abóbada de berço na entrada da antiga Hatra, no atual Iraque, construído por volta de 50 d.C.

A arte parta pode ser dividida em três fases geo-históricas: a arte da Pártia em si, a arte do planalto Iraniano, e a arte da Mesopotâmia parta.[220] A primeira arte genuinamente parta, encontrada em Mithridatkert/Nisa, combinava elementos da arte grega e iraniana, seguindo as tradições aquemênida e selêucida.[220] Numa segunda fase, a arte parta encontrou inspiração na arte aquemênida, como exemplifica o relevo da coroação de Mitrídates II no monte Behistun.[221] The third phase occurred gradually after the Parthian conquest of Mesopotamia.[221]

Entre os motivos comuns durante o período parta estão cenas de expedições de caça reais, e a investidura de reis arsácidas.[222] Estes motivos também eram utilizados para retratar governantes locais.[220] Obras artísticas tomavam a forma de relevos em rocha, afrescos e até mesmo grafite.[220] Padrões geométricos e de plantas estilizadas também eram utilizados em paredes de gesso e estuque.[221] O motivo comum do período sassânida que mostrava dois cavaleiros empunhando lanças, em combate, surgiu pela primeira vez nos relevos partas do monte Behistun.[223]

Em seus retratos os partas davam preferência (e enfatizavam) a frontalidade, ou seja, a pessoa retratada tanto na forma de pintura, escultura ou alto-relevo nas moedas, estava voltada diretamente para o espectador, no lugar de mostrar-lhe seu perfil.[224] Embora a frontalidade nos retratos já fosse uma técnica artística antiga na época do período parta, o arqueólogo francês Daniel Schlumberger explica a inovação da frontalidade parta:[225]

A 'frontalidade parta', como agora estamos acostumados a chamá-la, é profundamente diferente da frontalidade do Oriente Médio e da Grécia, embora seja, sem dúvida, uma cria desta. Pois tanto na arte oriental quanto na arte grega a frontalidade era um tratamento excepcional; na arte oriental era um tratamento reservado exclusivamente para um pequeno número de personagens tradicionais de cultos e mitos; na arte grega era uma opção à qual se recorria apenas por motivos predefinidos, quando o tema o exigia, e, no geral, era um recurso raramente utilizado. Já na arte parta, inversamente, a frontalidade se tornou o tratamento normal da figura. Para os partas a frontalidade não era nada mais que o ato de mostrar, nos relevos e nas pinturas, todas as figuras de frente, ainda que às custas (tal como parece a nós modernos) da clareza e inteligibilidade. Tão sistemático é o uso desta técnica que ele atinge um completo banimento de facto da vista lateral e de quaisquer atitudes intermediárias. Este singular estado de coisas parece ter se estabelecido no decorrer do século I d.C."[225] [226]
Mural em parede retratando uma cena do Livro de Ester na sinagoga de Dura-Europos, datado de 245 d.C., que Curtir[227] e Schlumberger[228] descrevem como um bom exemplo da 'frontalidade parta'.

A arte parta, com seu uso característico da frontalidade nos retratos, foi perdida e abandonada com as mudanças profundas político-culturais trazidas pelo Império Sassânida.[229] No entanto, mesmo após a ocupação romana de Dura-Europos em 165 d.C., o uso da frontalidade parta nos retratos continuou a florescer naquela localidade; isto é exemplificado pelos murais do início do século III d.C. da sinagoga de Dura-Europos, um templo na mesma cidade dedicado aos deuses palmirenos, e o mitreu local.[230]

A arquitetura parta adotou elementos da arquitetura grega e aquemênida, porém permaneceu distinta de ambas. Seu estilo é atestado inicialmente em Mithridatkert/Nisa.[231] O Salão Redondo de Nisa é semelhante aos palácios helenísticos, porém difere deles por formar um círculo e uma abóbada dentro de um espaço quadrado.[231] As obras de arte de Nisa, no entanto, incluindo suas estátuas de mármore e as cenas esculpidas em rítons de marfim, foi indubitavelmente influenciada pela arte grega.[232]

Uma característica marcante da arquitetura parta era o iwan, um salão de audiências sustentado por arcos e/ou abóbadas de berço e aberto num de seus lados.[233] O uso da abóbada de berço substituiu o costume helênico da utilização de colunas para sustentar o teto.[221] Embora o iwan fosse conhecido durante o período aquemênida, e até mesmo antes, em estruturas menores e subterrâneas, foram os partas quem primeiro os construiu numa escala monumental.[233] Os primeiros iwans partas foram descobertos em Selêucia, e datam do início do século I d.C.[221] Iwans monumentais também costumam ser encontrados com frequência nos antigos templos de Hatra, talvez tendo como modelo o estilo parta.[234] Os maiores iwans partas naquele sítio têm uma envergadura de 15 metros.[235]

Roupas e vestuário[editar | editar código-fonte]

Estátua de um jovem palmireno trajando calças partas, em estela funerária de Palmira, início do século III d.C.

A típica vestimenta dos cavaleiros partas é exemplificada pela célebre estátua de bronze de um nobre parta encontrada em Shami, Elimaide. Com 1,9 metro de altura, a figura está vestindo um gibão em forma de V e uma túnica em forma de V, frouxos porém seguros por um cinto, com uma calça de muitas dobras presa por ligas, e uma diadema ou faixa sobre seu cabelo cuidadosamente penteado e cortado.[236] O mesmo traje pode ser visto com frequência nas imagens de relevo das moedas partas de meados do século I a.C.[198]

Exemplos de roupas em esculturas inspiradas pelos partas foram descobertos em escavações em Hatra, no noroeste do Iraque. Estátuas erguidas ali mostram a típica camisa parta (qamis), feita com materiais delicados e ornamentados, e combinando com as calças.[237] A elite aristocrática de Hatra adotou o mesmo tipo de corte de cabelo, ornamentos e túnicas vestidos pela nobreza da corte central arsácida.[234] O traje com calças era vestido até mesmo pelos reis arsácidas, como pode ser visto em imagens reversas de algumas moedas.[238] As mesmas vestimentas também foram adotadas em Palmira, na Síria, juntamente com o uso da frontalidade parta na arte local.[239]

As esculturas partas mostram mulheres ricas, vestindo mantos com mangas longas sobre um vestido, com colares, brincos, braceletes e toucados cobertos por jóias.[240] Seus variados vestidos eram presos por um broche num dos ombros.[234] Seus toucados também tinham véus, que eram pendurados para trás.[234]

Como pode ser visto nas moedas partas, os toucados usados pelos reis partas foram alterados ao longo do tempo. As primeiras moedas arsácidas mostram os governantes vestindo o barrete com abas conhecido como bashlyk (em grego: kyrbasia).[241] Estes, por sua vez, podem ter sido derivados do toucado satrápico aquemênida, e dos chapéus pontudos retratados nos relevos aquemênidas de Behistun e Persépolis.[242] As primeiras moedas de Mitrídates I mostravam-no vestindo o barrete, mas moedas da parte final de seu reinado o mostram pela primeira vez usando a diadema real helenística.[243] Mitrídates II foi o primeiro monarca a ser retratado vestindo a tiara parta, incrustada com pérolas e jóias, um toucado comumente utilizado no fim do período parta e por monarcas sassânidas.[244]

Escrita e literatura[editar | editar código-fonte]

Sabe-se que durante o período parta o menestrel da corte (gōsān) recitava literatura oral na forma de poesia, acompanhado por música. Suas histórias, no entanto, compostas na forma de versos, não foram escritas até o período seguinte, dos sassânidas.[245] Na realidade, não existe qualquer literatura em parte que tenha sobrevivido em sua forma original, já que foram escritos apenas nos séculos seguintes.[246] Acredita-se que histórias como o conto romântico Vis e Rāmin e o ciclo épico da dinastia kaianiana faziam parte do corpus de literatura oral do período parta, embora só tenham sido compiladas posteriormente.[247] Embora a literatura do idioma parta não estivesse associada à forma escrita, existem evidências de que os arsácidas conheciam e respeitavam a literatura grega.[248]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

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  66. Bivar 1983, pp. 48–49; ver também Katouzian 2009, pp. 42–43
  67. Bivar 1983, pp. 48–49; também Brosius 2006, pp. 94–95 mentions this in passing.
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  77. Kennedy 1996, p. 80 afirma que a ocupação permanente era a meta óbvia dos partas, especialmente depois que as cidades da Síria romana e até mesmo as guarnições romanas se submeteram aos partas e juntaram-se à sua causa.
  78. Kennedy 1996, pp. 78–79; Bivar 1983, p. 56
  79. Bivar 1983, pp. 56–57; Strugnell 2006, p. 243
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  89. a b Bivar 1983, pp. 64–65
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  91. Garthwaite 2005, p. 80; ver também Strugnell 2006, pp. 251–252
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  100. Bivar 1983, pp. 72–73
  101. Ver Brosius 2006, pp. 137–138 para maiores informações sobre moedas romanas que mostram os partas devolvendo os estandartes a Roma.
  102. Bivar 1983, p. 73
  103. Bivar 1983, pp. 73–74
  104. Bivar 1983, pp. 75–76
  105. Bivar 1983, pp. 76–78
  106. a b Watson 1983, pp. 543–544
  107. Watson 1983, pp. 543–544; Yü 1986, pp. 460–461; de Crespigny 2007, pp. 239–240; ver também Wang 2007, p. 101
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  109. Yü 1986, pp. 460–461; de Crespigny 2007, p. 600
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  120. Kennedy 1996, pp. 87–88; ver também Kurz 1983, pp. 561–562
  121. Sheldon 2010, pp. 231–232
  122. Sheldon 2010, pp. 9–10, 231–235
  123. Bivar 1983, pp. 86–87
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  125. Lightfoot 1990, pp. 117–118; ver também Bivar 1983, pp. 90–91
  126. Bivar 1983, pp. 88–89
  127. Bivar 1983, pp. 88–90; Garthwaite 2005, p. 81; Lightfoot 1990, p. 120; see also Katouzian 2009, p. 44
  128. Bivar 1983, pp. 90–91
  129. Lightfoot 1990, p. 120; Bivar 1983, pp. 90–91
  130. Bivar 1983, p. 91; Curtis 2007, p. 13; Garthwaite 2005, p. 81
  131. Mommsen 2004, p. 69
  132. Bivar 1983, pp. 90–91; ver também Brosius 2006, p. 137 e Curtis 2007, p. 13
  133. Lightfoot 1990, pp. 120–124
  134. Brosius 2006, p. 100; ver também Lightfoot 1990, p. 115; Garthwaite 2005, p. 81; e Bivar 1983, p. 91
  135. Bivar 1983, pp. 92–93
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  137. Brosius 2006, p. 100; Bivar 1983, pp. 93–94
  138. Curtis 2007, p. 13; Bivar 1983, pp. 93–94
  139. Brosius 2006, p. 100; Curtis 2007, p. 13; Bivar 1983, p. 94; Katouzian 2009, p. 44
  140. a b Bivar 1983, pp. 94–95
  141. Brosius 2006, pp. 100–101; see also Katouzian 2009, p. 44, who mentions this in passing
  142. Widengren 1983, pp. 1261–1262
  143. Yarshater 1983, p. 359
  144. Widengren 1983, p. 1261
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  147. Garthwaite 2005, p. 67; Widengren 1983, p. 1262; Brosius 2006, pp. 79–80
  148. a b Widengren 1983, p. 1262
  149. Widengren 1983, p. 1265
  150. Garthwaite 2005, pp. 75–76; Widengren 1983, p. 1263; Brosius 2006, pp. 118–119
  151. Widengren 1983, p. 1263; Brosius 2006, pp. 118–119
  152. Garthwaite 2005, pp. 67, 75; Bivar 1983, p. 22
  153. Garthwaite 2005, p. 75; Bivar 1983, pp. 80–81
  154. Kurz 1983, p. 564; ver também Brosius 2006, p. 138 para uma maior análise: "Curiously, at the same time as the Parthian was depicted as uncivilised, he was also 'orientalised' in traditional fashion, being described as luxury-loving, leading an effeminate lifestyle, and demonstrating excessive sexuality."
  155. Widengren 1983, pp. 1261, 1264
  156. Widengren 1983, p. 1264
  157. Widengren 1983, pp. 1265–1266
  158. a b Widengren 1983, pp. 1265, 1267
  159. Brosius 2006, p. 80; Posch 1998, p. 363
  160. Posch 1998, p. 358
  161. Watson 1983, pp. 541–542
  162. Wang 2007, p. 90
  163. Wang 2007, p. 88
  164. Wang 2007, pp. 89–90; Brosius 2006, pp. 90–91, 122
  165. Brosius 2006, p. 118; ver também Wang 2007, p. 90 para uma tradução semelhante.
  166. Garthwaite 2005, pp. 67–68
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  187. Brosius 2006, pp. 116–118; ver também Garthwaite 2005, p. 78 e Kennedy 1996, p. 84
  188. Brosius 2006, p. 120; Garthwaite 2005, p. 78; Kurz 1983, p. 561
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  220. a b c d Brosius 2006, p. 127
  221. a b c d e Brosius 2006, p. 128
  222. Brosius 2006, p. 127; ver também Schlumberger 1983, pp. 1041–1043
  223. Brosius 2006, pp. 129, 132
  224. Brosius 2006, p. 127; Garthwaite 2005, p. 84; Schlumberger 1983, pp. 1049–1050
  225. a b Schlumberger 1983, p. 1051
  226. No original:

    'Parthian frontality', as we are now accustomed to call it, deeply differs both from ancient Near Eastern and from Greek frontality, though it is, no doubt, an offspring of the latter. For both in Oriental art and in Greek art, frontality was an exceptional treatment: in Oriental art it was a treatment strictly reserved for a small number of traditional characters of cult and myth; in Greek art it was an option resorted to only for definite reasons, when demanded by the subject, and, on the whole, seldom made use of. With Parthian art, on the contrary, frontality becomes the normal treatment of the figure. For the Parthians frontality is really nothing but the habit of showing, in relief and in painting, all figures full-face, even at the expense (as it seems to us moderns) of clearness and intelligibility. So systematic is this use that it amounts to a complete banishment de facto of the side-view and of all intermediate attitudes. This singular state of things seems to have become established in the course of the 1st century A.D.

  227. Curtis 2007, p. 18
  228. Schlumberger 1983, pp. 1052–1053
  229. Schlumberger 1983, p. 1053
  230. Curtis 2007, p. 18; Schlumberger 1983, pp. 1052–1053
  231. a b Brosius 2006, pp. 111–112
  232. Brosius 2006, pp. 111–112, 127–128; Schlumberger 1983, pp. 1037–1041
  233. a b Garthwaite 2005, p. 84; Brosius 2006, p. 128; Schlumberger 1983, p. 1049
  234. a b c d Brosius 2006, pp. 134–135
  235. Schlumberger 1983, p. 1049
  236. Brosius 2006, pp. 132–134
  237. Bivar 1983, pp. 91–92
  238. Curtis 2007, p. 15
  239. Curtis 2007, p. 17
  240. Brosius 2006, pp. 108, 134–135
  241. Brosius 2006, p. 101
  242. Curtis 2007, p. 8; ver também Sellwood 1983, pp. 279–280 para comparição com os toucados satrápicos aquemênidas.
  243. Brosius 2006, pp. 101–102; Curtis 2007, p. 9
  244. Brosius 2006, pp. 101–102; Curtis 2007, p. 15
  245. Brosius 2006, p. 106
  246. Boyce 1983, p. 1151
  247. Boyce 1983, pp. 1158–1159
  248. Boyce 1983, pp. 1154–1155; see also Kennedy 1996, p. 74

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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