Trajano

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Trajano
Imperador romano
Traianus Glyptothek Munich 336.jpg
Busto de Trajano, Gliptoteca de Munique
Governo
Reinado 28 de janeiro de 98-9 de agosto de 117
Antecessor Nerva
Sucessor Adriano
Dinastia Antonina
Vida
Nome completo Marco Úlpio Trajano (do nascimento à adoção);
César Marco Úlpio Nerva Trajano (da adoção à ascensão);
César Marco Úlpio Nerva Trajano Augusto (como imperador)
Nascimento 18 de setembro de 53
Itálica (Hispânia)
Morte 9 de agosto de 117 (63 anos)
Selinunte (Ásia Menor)
Sepultamento Roma (cinzas ao pé da Coluna de Trajano, agora perdidas)
Esposas Pompeia Plotina
Filhos Adriano (adotivo)
Pai Marco Úlpio Trajano
Mãe Márcia

Marco Úlpio Nerva Trajano (em latim: Marcus Ulpius Traianus; 18 de setembro de 539 de agosto de 117) nasceu em Itálica (atual Santiponce), na Bética, no sul da Hispânia, perto de Híspalis (depois Sevilha) em 53 d.C. Foi imperador romano de 98 a 117. Durante sua administração, o Império Romano atingiu sua maior extensão territorial graças às conquistas do leste. Trajano também é notado pelos seus extensos programas de obras públicas e as políticas sociais implementadas durante o seu reinado.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Marco Úlpio Nerva Trajano nasceu em 18 de setembro de 53, na província romana da Bética (hoje na atual Andaluzia, na moderna Espanha). De família nobre, concluiu a formação militar junto ao pai, Marcus Úlpio Nerva Trajano, governador primeiro da província da Síria e depois da província da Ásia, à época de Vespasiano. Comandou uma legião na Hispânia e participou das campanhas na Germânia, nas quais conquistou grande prestígio. Em 91, foi nomeado cônsul por Domiciano. O imperador Nerva adotou-o como seu sucessor e, com a morte daquele, em 98, ele foi nomeado imperador. Os pretorianos apoiaram sua escolha.

Administração[editar | editar código-fonte]

Eficiente administrador, reorganizou o império, com apoio decisivo do senado, que lhe concedeu o título excepcional de Optimus Princeps. Manteve um contato permanente e íntimo com a intelectualidade romana como consta da correspondência que manteve com Plínio, o Jovem. Reativou o comércio e a agricultura, reduziu a carga tributária e realizou um ambicioso programa de obras em todo o império. Além de edifícios públicos, como o novo Fórum Romano, construiu estradas, pontes, aquedutos, portos, banhos públicos e infraestrutura sanitária. Algumas dessas obras sobrevivem ainda na Itália, Espanha, Portugal, norte da África e Balcãs. Seu prestígio, no entanto, não se deveu somente aos êxitos na política interna, mas também às conquistas militares e territoriais, destinadas a aumentar e consolidar o poder de Roma e a proporcionar os recursos necessários para suas reformas.

Sob seu reinado o Império Romano atingiu sua máxima extensão. Após este período, com seu filho adotado Adriano, a contenção dos vastíssimos territórios geográficos conquistados (de Portugal ao Irã, da atual Inglaterra ao milenar Egito), passou a ser prioridade.

Derrotou os partas e os armênios e lutou contra os dácios (nas regiões dos países atuais da Romênia e da Hungria) em duas batalhas que são celebradas nas cenas em relevo da coluna de Trajano, em Roma.

As riquezas obtidas dos saques destas regiões conquistadas, que por centenas de anos haviam evitado, com sucesso, as tentativas de invasão de Roma, serviu grandemente para o financiamento de novas construções em Roma, provavelmente importante para obter a aceitação de um povo que se sentia acima de tudo superior aos interioranos de províncias conquistadas pela espada.

Imperador Trajano.

Também, beneficiado pelo fato de que, dos arquitetos aos mestres de construção de seu império, terem eles atingido o seu apogeu profissional em sua época, as novas construções e renovações puderam ser realizadas sem custos muito superiores aos que tiveram sido necessários para tal por imperadores do passado.

O imperador Trajano, sendo filho da distante província da Hispânia, portanto, foi o primeiro imperador que não era natural de Roma, abrindo, assim, o caminho para uma nova era, onde os horizontes da participação cidadã romana nos altos escalões do império passou a ser bem mais abrangente.

Além disso realizou novos projetos arquitetônicos e reformas em educação e agricultura.

Muitas obras públicas foram realizadas, inclusive uma nova parte da Via Ápia. Foi um excelente administrador e teve a lealdade de seus súditos.

É considerado por muitos romanos da época e por alguns historiadores como o maior dos imperadores romanos. Porém a verdade é que a sua política de conquistas gerou alguns danos à economia do império, reparados depois por Adriano.

Trajano era, antes de tudo, um chefe militar. Durante a fase final de seu reinado, dedicou-se exclusivamente à guerra e deixou boa parte da administração civil em mãos de terceiros. Morreu, provavelmente de um ataque cardíaco, na viagem de volta da campanha parta, em Selinus, perto do mar Negro, no dia 8 de agosto de 117.

As guerras contra os dácios[editar | editar código-fonte]

As províncias do Império Romano em sua máxima extensão (governo de Trajano).

Em 101, Trajano começou sua primeira guerra contra os dácios, um povo que vivia na atual Romênia, cujo líder era Decébalo. A guerra terminou no ano seguinte com a vitória romana na batalha de Tapae. O rei dos dácios foi mantido no poder por Trajano como procurador da Dácia. Entre 105 e 106, seguiu-se a segunda guerra dos dácios, encabeçada por Decébalo, durante a qual os romanos tomaram a capital dácia, Sarmizegetusa, e anexaram a Dácia como província do império, Decébalo foi decapitado (como mostra a coluna de Trajano). Estas guerras se refletem na coluna, que se levantou juntamente com o Fórum de Trajano, onde foi colocada para celebrar a vitória.

Aproximadamente ao mesmo tempo, o reino dos nabateus integrou-se sem luta ao império, convertendo-se em província romana com o nome de Arábia Pétrea.

As guerras contra os partas[editar | editar código-fonte]

Em 113, Trajano começou uma guerra vitoriosa contra o Império Parta. Armênia, Assíria e Mesopotâmia foram integradas no Império Romano. Este alcançou, com estas conquistas, sua máxima extensão.É provável que o grande líder almejasse avançar até a Pérsia, conquistando o Império Sassânida, numa tentativa de suplantar as conquistas de Alexandre Magno, mas problemas logísticos, rebeliões e uma enfermidade de Trajano seriam os impedimentos para conquistar mais territórios além destes limites.

Um governo liberal[editar | editar código-fonte]

Suas prolongadas permanências na guerra exterior não impediram Trajano de levar a cabo uma intensa política interior, motivo de acendidos elogios na historiografia romana, porta-voz da opinião do senado, uma antiga instituição que reunia em seu seio a aristocracia e queria o poder de que havia gozado no regime republicano anterior a instauração do Principado por Augusto.

A ascensão ao poder de Trajano supôs para o senado a recuperação da liberdade perdida, "um tempo novo", disse Plínio. Com a colaboração do senado, onde implantou o voto secreto, Trajano trouxe um plano de regeneração moral e política que teve conseqüências na administração, na justiça e na economia. Se preocupou especialmente de aumentar os recursos do fisco, com o fim de levar a cabo sua política de construções e melhoras da infraestrutura. Seria também o impulsor de um plano de ajuda aos proprietários agrícolas consistente na concessão de crédito com taxas de juro abaixo das usuais, e cuja originalidade consistia em que os juros cobrados se destinavam à manutenção de crianças de condição livre. Assim, buscava-se favorecer o aumento da natalidade, que havia caído a índices alarmantes.

Construções[editar | editar código-fonte]

Por um lado, se preocupou de realizar aquelas construções necessárias para facilitar a romanização e melhorar as condições de vida dos cidadãos: abriu caminhos em terras distantes, criou novas vias, construiu aquedutos e pontes, entre os que destaca o que fez sobre o Danúbio para facilitar a conquista da Dácia.

Por outro lado, levantou edificações que, além de contribuírem para a perpetuação de sua memória, buscavam o embelezamento da Urbe, um aumento nas possibilidades de diversão dos romanos com teatros e circos.

Contou com os serviços do maior arquiteto da Roma Imperial, Apolodoro de Damasco. As obras que se levantaram em tempos de Trajano foram deste magnífico arquiteto. Foi também quem desenhou o célebre Panteão. Este último imperador ordenou sua morte: dizem que o obrigou a suicidar-se.

Sucessão[editar | editar código-fonte]

Justo antes de sua morte em 117, Trajano adotou seu sobrinho Adriano quem o sucedeu no trono. Esta sucessão deu-se através da adoção, na qual se acredita que Plotina tenha desempenhado um papel decisivo. Na época circularam rumores que Plotina teria assinado o decreto de adoção depois da morte do marido (post mortem).

A titulação completa de Trajano no momento de sua morte era:

Imperator Caesar Divi Nervae filius Nerva Traianus Optimus Augustus Germanicus Dacicus Parthicus, Pontifex maximus, Tribunicia potestate XXI, Imperator XIII, Consul VI, Pater patriae

O legado de Trajano[editar | editar código-fonte]

Diferente de muitos louvados soberanos na história, a reputação de Trajano sobreviveu não diminuindo durante quase dezenove séculos. Trajano levou o império à sua máxima extensão territorial e é tido por muito historiadores como o protótipo do "bom governante" romano, com incentivos às obras públicas e outras políticas que fizeram seu reinado ser conhecido como uma época dourada, a ponto de depois dele os senadores usarem por muito tempo a expressão "felicior Augustus, melior Traianus", desejando a cada novo imperador que fosse alguém com mais sorte que Augusto e melhor do que Trajano, os recordistas em cada quesito.

A cristianização de Roma resultou em novo embelezamento da sua lenda: era comumente dito em tempos medievais que o Papa Gregório I, pela intercessão divina, ressuscitou Trajano da morte e o batizou na fé cristã.

Teólogos, como Tomás Aquino, diziam que Trajano era um exemplo de um pagão virtuoso. Na Divina Comédia, Dante vê o espírito de Trajano no céu de Júpiter com outras pessoas históricas e mitológicas observadas como Homero e Aristóteles.

Um episódio, tratado como a justiça de Trajano, foi refletido em vários trabalhos de arte.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui multimídias sobre Trajano
Precedido por
Nerva
Imperador romano
98 — 117
Sucedido por
Adriano




Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Ancel, R. Manning. "Soldiers." Military Heritage. Dezembro de 2001. Volume 3, No. 3: 12, 14, 16, 20 (Trajano, Imperador de Roma).
  • Bennett, J. Trajan: Optimus Princeps, 2° Edição, Bloomington: Indiana University Press 2001, ISBN 0-253-21435-1
  • Bowersock, G.W. Roman Arabia, Harvard University Press, 1983
  • Christol, M. & Nony, N. Rome et son Empire, Paris: Hachette, 2003, ISBN 2-01-145542-1
  • Finley, M.I. The Ancient Economy, Berkeley: University of California Press, 1999, ISBN 0-520-21946-5
  • Fuller, J.F.C. A Military History of the Western World. Três Volumes. Nova Iorque: Da Capo Press, Inc., 1987 and 1988.
    • v. 1. From the late times to the Battle of Lepanto; ISBN 0-306-80304-6: 255, 266, 269, 270, 273 (Trajano, Imperador de Roma).
  • Isaac, B. The Limits of Empire, The Roman Army in the East, Revised Edition, Oxford University Press, 1990
  • Kennedy, D. The Roman Army in Jordan, Revised Edition, Council for British Research in the Levant, 2004
  • Lepper, F.A. Trajan's Parthian War. Londres: Oxford University Press, 1948.
  • Luttvak, Edward N. The Grand Strategy of the Roman Empire: From the First Century A.D. to the Third, Baltimore: Johns Hopkins University Press, 1979, ISBN 0-8018-2158-4
  • Wildfeuer, C.R.H. Trajan — Lion of Rome, Aquifer Publishing, 2009