Júlio Nepos

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Júlio Nepos
Imperador romano
Tremissis Julius Nepos-RIC 3221.jpg
Tremisse com a efígie de Júlio Nepos
Governo
Reinado 474480
Consorte Sobrinha de Leão I
Antecessor Glicério
Sucessor Rômulo Augusto
Dinastia Leonina (matr.)
Vida
Nome completo Flávio Júlio Sobrinho
Flauius Iulius Nepos
Nascimento 430
Morte 480 (50 anos)

Flávio Júlio Nepos (Flauius Iulius Nepos, em latim) (c. 430 - 480, reg. 474 - 480) foi o último imperador romano do Ocidente considerado legítimo. Nepos era o marido da sobrinha de Leão I, imperador romano do Oriente, donde o cognome Nepos ("sobrinho", em latim).

História[editar | editar código-fonte]

Inicialmente governador da província da Dalmácia, foi nomeado imperador do Ocidente por Leão I, o Trácio em 474, encerrando o reinado do usurpador Glicério, que havia sido elevado à dignidade imperial em Ravena por um magister militum burgúndio. Em junho de 474, Nepos entrou em Ravena e Glicério foi obrigado a renunciar, partindo para a Dalmácia para assumir o cargo de bispo de Salona (atual Solin, na Croácia).

Como imperador, Nepos buscou consolidar o que restava do Império Romano do Ocidente (a Itália e algumas terras na Gália setentrional e meridional). Negociou com sucesso com o rei visigodo Eurico, obtendo de volta o controle da Provença, embora suas tratativas com o rei vândalo Genserico para evitar a pirataria nas costas da Itália tivessem sido frustradas.

Nepos foi um dos mais capazes dentre os últimos imperadores do Ocidente, mas era impopular com o Senado, devido a seus laços com o oriente. Quando Nepos cometeu o erro de nomear Flávio Orestes para o cargo de magister militum, a falta de apoio no ocidente ficou patente. Em 28 de agosto de 475, Orestes assumiu o controle do governo em Ravena e forçou Nepos a fugir de navio para a Dalmácia. De origem germânica, Orestes não podia assumir o manto imperial, mas indicou seu filho Rômulo, nascido de mãe romana, para a dignidade. Rómulo Augusto - como o chamaria a história, empregando o diminutivo de augusto - é considerado o último imperador romano do Ocidente.

Entrementes, Nepos continuou a governar na Dalmácia como imperador legítimo, reconhecido como tal na Gália e na corte de Constantinopla. Quando Odoacro capturou Ravena, matou Orestes e depôs Rômulo em 4 de setembro de 476, autoproclamou-se governante da Itália e pleiteou junto ao imperador oriental Zenão I que fosse nomeado patrício do Império Romano e vice-rei da Itália. Zenão consentiu, desde que Odoacro reconhecesse Nepos como imperador do Ocidente (razão pela qual Odoacro chegou a cunhar moedas em nome de Nepos).[1]

Nepos foi assassinado em 480, em Salona, provavelmente por conspirar contra Odoacro (talvez instigado por Glicério), que imediatamente invadiu a Dalmácia e anexou-a ao seu reino.

Referências

  1. MATHISEN, Ralph W.. De Imperatoribus Romanis - An Online Encyclopedia of Roman Emperors (em inglês). Página visitada em 23 de novembro de 2009.
Precedido por
Glicério
Imperador romano do Ocidente
474 - 475
Sucedido por
Rómulo Augusto
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