Teodósio II

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Teodósio II
Imperador bizantino
Theodosius ii.jpg
Busto de Teodósio II, mármore do século V, no Museu do Louvre
Governo
Reinado 40828 de julho de 450
(Élia Pulquéria, sua irmã, agiu como regente 408 - 416)
Consorte Élia Eudócia
Antecessor Arcádio
Sucessor Marciano
Dinastia Teodosiana
Vida
Nome completo Flávio Teodósio
Flavius Theodosius
Nascimento 10 de abril de 401
Morte 28 de julho de 450 (49 anos)
Filhos Licínia Eudóxia
Flacila
Arcádio
Pai Arcádio
Mãe Élia Eudóxia

Flávio Teodósio (em latim: Flavius Theodosius; 10 de abril de 40128 de julho de 450) chamado o calígrafo, conhecido em português como Teodósio II, foi um imperador bizantino (408-450). Ele é conhecido principalmente pela promulgação do Código de Teodósio, bem como pelo Muro de Teodósio. Ele também presidiu a eclosão de duas controvérsias cristológicas.

Vida[editar | editar código-fonte]

Teodósio nasceu em 10 de abril de 401 como o único filho do imperador Arcádio e de sua mulher Élia Eudóxia. Em 408, seu pai morreu e o menino de sete anos de idade tornou-se imperador da parte oriental do Império Romano.

Quando Arcádio morreu em 408, Teodósio II tinha apenas sete anos. Antêmio assumiu a regência, e mostrou talento notável. Ele deu início a um novo tratado de paz com a Pérsia e, graças também a morte de Estilicão, foi capaz de restaurar a harmonia das relações das cortes imperiais de Constantinopla (Império Bizantino) e Ravena (Império Romano do Ocidente). Ele reforçou a frota do Danúbio, que protegia as províncias da Mésia II e da Cítia Menor, após a bem sucedida repulsão da invasão em 409 do rei huno Uldin.[1]

Ele, além disso, conseguiu de forma bem sucedida regularizar o suprimento de grãos de Constantinopla, que vinha principalmente do Egito e estava sob a autoridade do prefeito urbano. No passado, houve uma escassez devido à falta de navios disponíveis, resultando em fome, a mais recente em 408. Em 409, por conseguinte, Antêmio reorganizou o transporte de grãos e consentiu competências fiscais aos transportadores, tomou medidas para obter grãos de outras áreas, e criou fundos de emergência para a aquisição e distribuição de cereais para os cidadãos.[2] [3] Ele também tomou medidas para garantir a coleta regular de impostos (409), mas em 414, ele também deu um mandato fiscal de todas as dívidas dos anos 368-407.[4]

Em 408, no início do reinado do imperador Teodósio II (408-450), a construção de uma nova muralha começou, cerca de 1.500 metros a oeste da antiga. O novo muro ficou conhecido como o Muro de Teodósio (em grego: Θεοδοσιακόν τείχος, teichos Theodosiakon), e foi construído sob a direção de Antêmio, o prefeito pretoriano do Oriente, sendo concluída em 413.[5] O muro se estendia por 6,5 quilômetros entre o mar de Mármara e o subúrbio de Blaquerna perto do Corno de Ouro. O muro quase dobrou o tamanho da cidade, um feito para que J. B. Bury chame-o de "em certo sentido, o segundo fundador de Constantinopla".[6]

Pedaço da Muralha de Teodósio, construída sob a supervisão de Antêmio

Em 414, a irmã mais velha de Teodósio II, Pulquéria, foi proclamada augusta e assumiu a regência. Em 416, Teodósio foi capaz de governar sozinho, mas sua irmã manteve uma forte influência sobre ele. Ela também auxiliou seu irmão na aquisição, em 421, do casamento com a grega Élia Eudócia.[7] [8] [9] Os dois tiveram uma filha chamada Licínia Eudóxia.

O crescente interesse de Teodósio no cristianismo, alimentado pela influência de Pulquéria, iniciou uma guerra contra os Sassânidas (421-422), que estavam perseguindo os cristãos. A guerra terminou em um empate, quando os romanos foram forçados a aceitar a paz quando os Hunos ameaçaram Constantinopla.[10]

Em 423, o imperador do Ocidente, Honório, tio de Teodósio, morreu e o primicério dos notários João foi proclamado imperador. A irmã de Honório, Gala Placídia, e seu filho Valentiniano fugiram para Constantinopla para pedir o auxilio do Oriente e após uma deliberação em 424, Teodósio abriu guerra contra João. Em maio de 425, Valentiniano III foi instalado como imperador do Ocidente, com sua mãe na qualidade de regente. Para reforçar os laços entre as duas partes do império, a filha de Teodósio, Licínia Eudóxia, foi desposada por Valentiniano.

Universidade e código de leis[editar | editar código-fonte]

Uma lei aprovada em 423 proibia que judeus e pagãos infligissem qualquer lei ou cometessem qualquer delito. Em caso de roubo, o ladrão deveria devolver três vezes mais do que havia roubado.[11]

Em 425, Teodósio fundou a Universidade de Constantinopla.[12] com 31 cadeiras (15 em latim e 16 em grego). Entre os assuntos abordados estavam direito, filosofia, medicina, aritmética, geometria, astronomia, música e retórica.

Teodósio recebendo as relíquias de João Crisóstomo. Miniatura do início do século XI.

A preponderância da retórica grega marcou uma etapa do processo gradual de substituição do latim pelo grego em assuntos do Império do Oriente.

Em 429, Teodósio nomeou uma comissão para recolher todas as leis desde o reinado de Constantino I, e criar um sistema totalmente formalizado de direito. Esse plano foi deixado inacabado, mas o trabalho de uma segunda comissão que se reuniu em Constantinopla, atribuída a recolher todas as legislações gerais e trazê-las até a data presente foi concluido, e a coleção quando publicada recebeu o nome de Código de Teodósio em 438. O código de leis de Teodósio II, resumiu todos as leis desde Constantino I, formando uma base para o código de leis do imperador Justiniano I no século seguinte.

Em 14 de novembro de 435 Teodósio ordenou a destruição de todos os templos pagãos remanescentes.[13]

Guerra com vândalos, persas e hunos[editar | editar código-fonte]

Quando a África romana caiu ante os vândalos em 439, os imperadores do ocidente e do oriente enviaram forças para a Sicília, para lançar um ataque aos vândalos em Cartago, mas o projeto falhou. Em 440 um novo conflito eclodiu entre os bizantinos e os sassânidas quando o imperador sassânida Izdegerdes II invadiu a Armênia romana.[14] Como resultado os bizantinos acordaram em pagar tributo aos sassânidas o que garantiu um período de paz até o ano de 502.[15]

Vendo as fronteiras imperiais sem forças significativas, os hunos declararam guerra. Durante 443, duas armadas romanas foram destruídas pelos hunos. Os hunos chegaram a Atira ([[Athyra, atual Büyükçekmece) em 447, no entanto, foi alcançado um acordo com o império, negociado pelo patriarca Anatólio de Constantinopla. Neste acordo, Teodósio prestou-lhes tributos (300 kg de ouro).[16]

Filhos[editar | editar código-fonte]

Eudócia teve três filhos com Teodósio II[17] :

Foi somente um ano depois do nascimento da primeira filha que Eudócia foi proclamada augusta pelo marido, em 2 de janeiro de 423[20] .

Disputas teológicas[editar | editar código-fonte]

Império Bizantino após a morte de Teodósio II

Durante uma visita à província romana da Síria, Teodósio conheceu o pregador Nestório e o nomeou Patriarca de Constantinopla em 428. Nestório rapidamente se envolveu nas disputas das facções teológicas, que diferiam em sua cristologia. Nestório tentou encontrar um meio-termo entre aqueles que, enfatizavam o fato de que Cristo-Deus tivesse nascido como um homem, insistindo chamar a Virgem Maria de Theotokos ("Mãe de Deus"), e aqueles que rejeitavam esse título, porque Deus como um ser eterno não poderia ter nascido. Nestório sugeriu o título Cristotokos ("Mãe de Cristo"), mas não encontrou aceitação por ambas as facções e foi acusado de enfatizar a divindade de Cristo além de sua natureza humana, uma heresia mais tarde chamada Nestorianismo. Embora inicialmente apoiado pelo imperador, Nestório encontrou um adversário forte no patriarca Cirilo de Alexandria. Com o consentimento do imperador e do papa Celestino I, convocou um Concílio Ecumênico no Éfeso em 431, afirmou o título Theotokos e condenou Nestório, que foi então exilado pelo imperador. Teodósio ordenou que toda a vasta obra do patriarca fosse queimada.

Quase vinte anos depois, a disputa teológica começou novamente, desta vez causada pelo abade de Constantinopla Eutiques, cuja cristologia foi entendida por alguns como uma forma de misturar a natureza humana e divina de Cristo em uma. Eutiques foi condenado pelo patriarca Flaviano de Constantinopla mas encontrou um amigo poderoso no sucessor de Cirilo, Dioscoro de Alexandria. Outro concílio foi convocado no Éfeso, em 449, considerado "um sínodo de ladrões" por causa de sua circunstâncias tumultuadas, Eutiques restaurado e Flaviano deposto, que foi maltratado e morreu pouco depois. O papa Leão I de Roma e muitos outros bispos protestaram contra o resultado, mas o imperador suportou. Somente após sua morte em 450, as decisões foram revertidas no Concílio de Calcedónia.

Morte[editar | editar código-fonte]

Teodósio II morreu em 29 de julho de 450, como resultado de um acidente de equitação. Na luta pelo poder que se seguiu, sua irmã Pulquéria, que recentemente havia retornado à corte, venceu o eunuco Crisafio. Ela se casou com o general Marciano, tornando-o imperador.[21] [22]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Teodósio II


Precedido por
Arcádio
Imperador bizantino
408 — 450
Sucedido por
Marciano


Referências

  1. Bury, John Bagnall. History of the Later Roman Empire. [S.l.]: Macmillan & Co, 1923. p. C. VII. ISBN 0-7905-4544-6
  2. Código de Teodósio, Book XIII, 5.32
  3. Código de Teodósio, Book XIV, 16.1
  4. Código de Teodósio, Book XI, 28.9
  5. Bury, John Bagnall. History of the Later Roman Empire. [S.l.]: Macmillan & Co, 1923. p. 71. ISBN 0-7905-4544-6
  6. Bury, John Bagnall. History of the Later Roman Empire. [S.l.]: Macmillan & Co, 1923. p. 70. ISBN 0-7905-4544-6
  7. Duncan, Alistair The noble heritage: Jerusalem and Christianity, a portrait of the Church of the Resurrection, Longman, 1974 m. 28 psl isbn 058278039X
  8. Morgan, Robin Sisterhood is global: the international women's movement anthology, Feminist Press, 1996 m. 270 m. isbn 1558611606
  9. Mahler, Helen A. Empress of Byzantium Coward-McCann, 1952 m., 106 psl. OCLC 331435
  10. Warren T. Treadgold, A history of the Byzantine state and society, Stanford University Press, 1997, ISBN 0-8047-2630-2, p. 90.
  11. Código de Teodósio 16, 10, 24.
  12. Franz Georg Maier.Historia Universal siglo XXI.Las transformaciones del mundo mediterráneo.p.120..ISBN84-323-0067-5
  13. Código de Teodósio, xvi.10.25.
  14. Bury, John Bagnall. History of the Later Roman Empire. [S.l.]: Macmillan & Co, 1923. p. 37-51. ISBN 0-7905-4544-6
  15. Zu den beiden römisch-persischen Kriegen im 5. Jahrhundert vgl. Geoffrey B. Greatrex: The two fifth-century wars between Rome and Persia. In: Florilegium. Band 12, 1993, S. 1–14.
  16. Nathan, Theodosius II (408–450 AD).
  17. Edited by I. M. Plant, Women Writers of Ancient Greece and Rome (London: University of Oklahoma Press, 2004), 198.
  18. Holum, 183.
  19. Plant, p. 198
  20. Holum, 123.
  21. trabalho coletivo. Oxford - Grande História do Mundo. Idade Média. Povos Errantes - Merovíngios.. Poznań: [s.n.], 2006. p. 48. vol. 15. ISBN 83-7425-025-9
  22. Evágrio Escolástico. História Eclesiástica: Fortunes and character of Marcian. (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 1. , vol. II.