Constâncio II

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Constâncio
Imperador romano
Bust of Constantius II (Mary Harrsch).jpg
Busto de Constâncio II,
Museu de Arqueologia da Universidade da Pensilvânia
Governo
Reinado 337-361
Antecessor Constantino I
Sucessor Juliano, o Apóstata
Dinastia Dinastia constantiniana
Vida
Nome completo Flavius Iulius Constantius
Nascimento 7 de agosto de 317
Sírmio, Panônia
Morte 3 de novembro de 361 (44 anos)
Mopsuéstia, Cilícia
Cônjuges
Filha de Júlio Constâncio
Eusébia
Faustina
Filhos Com Faustina:
Flávia Máxima Constância
Pai Constantino I
Mãe Fausta

Flávio Júlio Constâncio (em latim: Flavius Iulius Constantius; 7 de agosto de 3173 de novembro de 361), segundo filho de Constantino, o Grande (r. 306–337), com sua segunda esposa, Fausta, governou o Império Romano do Oriente, em Constantinopla, de 337 a 361. Após a morte de Constantino I, o Império Romano foi dividido em três regiões administrativas diferentes e governado por seus três filhos. O mais velho, Constantino II, governou a parte Ocidental, que abrangia a Hispânia e a Gália, com capital em Augusta Treveroro (atual Tréveris). Constante I, o terceiro filho, governou a parte central (Itália e Ilíria), com capital em Mediolano (atual Milão).

Biografia[editar | editar código-fonte]

Juventude[editar | editar código-fonte]

Constâncio II nasceu a 7 de agosto de 317 em Sirmio na Panónia, segundo filho do imperador romano Constantino I e de Fausta, e recebeu o nome de seu avô paterno, o imperador tetrarquico Constâncio Cloro. Constantino e Fausta tiveram outros dois filhos, Constantino II e Constante I, e duas filhas, Constantina e Helena.[1]

A 13 de Novembro[2] de 324, na Nicomédia, Constâncio foi elevado à categoria de César, com a idade de sete anos; dois anos depois, realizou o seu primeiro consulado, juntamente com seu pai. Quando Constantino II foi enviado por seu pai para lutar na fronteira do Danúbio, em 332, Constâncio foi enviado para governar a Gália; o irmão mais velho obteve uma vitória sobre os Godos que também permitiu a Costâncio reivindicar o título de Germanicus maximus (a prática de assumir títulos obtidos de colegas governantes, de origem tetrarquica, permitiu-lhe obter o título de Sarmaticus maximus após a vitória de Constante sobre Sármatas em 338). [3]

Em 335, com a elevação a césar do neto Dalmácio (filho do meio-irmão Dalmácio), Constantino I delineou aquela que deveria ter sido a divisão do Império romano após a própria morte: para os quatro imperadores - Constantino II, Constante I, Dalmácio e Constâncio II - foram atribuídas quatro porções do império, respectivamente a província correspondente à prefeitura da Gália, Itália e África, a Grécia, e por fim, a Constâncio, o Oriente.

Em 336, na altura da celebração da tricenalia de Constantino, Constâncio desposou em Constantinopla a filha de Júlio Constâncio, meio irmão de Constantino, e de Gala, reforçando assim a legitimidade por parentesco, bem como a tomada da dinastia constantiniana do Império.[3]

Situação do Império no inicio do reinado de Constâncio[editar | editar código-fonte]

Divisão do Império romano entre os quatro césares, de maio a setembro de 337, entre a morte de Constantino I e a elevação a augusto dos seus três filhos.
  Constâncio II

O reinado de Constâncio II deve ser entendido dentro do processo de transformação do Império que tinha sido iniciado pela tetrarquia, revigorado e continuado por Constantino I e que seria concluído com o fim da dinastia constantiniana em 363. Em particular, o reino de Constantino foi importante por duas razões: a primeira foi a mudança do centro do poder imperial do Ocidente para o Oriente, cuja importância estava já a crescer, em particular com a fundação da nova capital, Constantinopla; a segunda razão é o apoio que deu ao cristianismo, que em poucas décadas se tornou a religião de Estado.

Ambos estes aspectos da política imperial, contudo, mantiveram-se até à morte de Constantino, e deste passaram a seus filhos e sucessores, em particular a Constâncio, onde caiu a gestão da parte oriental do império. A escolha da colocação da capital em Constantinopla foi devida á vontade de colocar o centro do poder imperial a certa distância das duas principais fronteiras do império, a danubiana e a sul do Eufrates; não obstante, Constantino não podia consolidar ambas, tanto que, no momento da sua morte, preparava uma campanha contra inimigos no Oriente, os Sassânidas.

Ambos estes problemas comprometeram o reino de Constâncio.[3]

Ascensão ao trono[editar | editar código-fonte]

Constantino I morreu a 22 de maio de 337, quando preparava uma campanha militar contra os sassanídas: não nomeou o seu sucessor, mas a situação viu o poder repartido entre os seus césares. Constâncio, que estava comprometido na Mesopotâmia setentrional a supervisionar a construção de fortificações fronteiriças,[4] apressou-se a voltar a Constantinopla, onde organizou e presenciou a cerimónia fúnebre do pai: com este gesto reforçou o seu direito como sucessor e obteve o apoio do exército, componente fundamental da política de Constantino.[5]

Durante o verão de 337, houve um massacre por mãos do exército, dos membros masculinos dadinastia Constantiniana e de outros representantes de grande relevo do estado: apenas os três filhos de Constantino e dois de seus netos crianças (Galo e Juliano, filhos do meio-irmão Júlio Constâncio) foram poupados.[6] As razões por trás deste massacre não são claras: de acordo com Eutrópio Constâncio não estava entre os seus promotores, mas não estava tão certo deste se opõr a ela e perdoar os assassinos;[7] Zósimo afirma que Constâncio foi o organizador do massacre.[8] Em setembro do mesmo ano, os restantes três césares (Dalmácio tinha sido vítima da purga) reuniram-se em Sirmio na Panónia, onde a 9 de setembro foram aclamados imperadores pelo exército, e dividiram o ipério: Costanzo viu reconhecida a soberania do Oriente.

A divisão de poder entre os três irmãos não durou muito tempo: Constantino II morreu em 340, enquanto ele tentava derrubar Constante, e Constâncio ganhava os Balcãs; Constante foi derrubado em 350 pelo usurpador Magnêncio, e Constâncio torna-se o único imperador.[8]

Confronto com os Sassânidas (338-350)[editar | editar código-fonte]

Moeda de Sapor II, governante dos Sassânidas (309-379), um contemporâneo de Constâncio: todo o reino de Constâncio foi caracterizado por hostilidade de alta e baixa intensidade com os vizinhos de Leste, com os dois soberanos que obtiveram vitórias e derrotas, sem nunca dar o golpe decisivo.

Depois de ser proclamado imperador, Constâncio foi para Antioquia, na Síria, a cidade que foi a capital durante os últimos anos como César, onde ele poderia lidar melhor com a fundamental fronteira leste do que se permanecesse na capital imperial de Constantinopla. Aqui, manteve-se de 338 para 350.[9]

Durante todo o tempo de seu reinado Constâncio II esteve envolvido em guerras romano-persianas contra o rei sassânida Sapor II. Se antes de morrer Constantino I pretendia resolver de uma vez por todas o problema da fronteira oriental, tocou a Constâncio resolver este problema, obtendo resultados variáveis. Havia dois principais pontos de colisão entre os dois grandes impérios: a fronteira leste, com a contenção da província da Mesopotâmia, e o controle do reino da Armênia, que estava entre as órbitas das duas potências vizinhas.[9]

Constâncio primeiro enfrentou o problema da Arménia. Após a morte de Tirídates III, fiel aliado dos Romanos em todo o seu longo reinado, os seus sucessores foram influenciados pelo partido pró-persa e o país tinha entrado na esfera de influência dos sassânidas. Constâncio foi capaz de ganhar a lealdade do soberano Ársaces II (Arshak) e da aristocracia arménia através dos canais diplomáticos, já em 341, graças aos dons prodigali concedidos à classe dominante do país, que ficou sob influência romana para todos os anos 340.[9] [10]

O conflito na Mesopotâmia era totalmente militar, mas Constâncio fez, neste caso, uma escolha original, pelo menos de acordo com a estratégia romana consolidada: em vez de escolher a opção da maciça campanha militar destinada a atacar o coração do Estado inimigo, como previa fazer Constantino e como havia mais tarde feito Juliano, Constâncio preferiu contar com uma linha de fortificações de fronteira dispostas em profundidade, girando em cima delas para conter ataques Sassanianos; Por isso, era uma guerra defensiva, em que foram evitadas, tanto quanto possíveis manobras em campo aberto com o exército para concluir. Essa escolha, embora muito eficaz e barata em termos de mobilização de tropas, não era certa para atender a expectativa de vitórias decisivas que existiam no mundo romano;[9] entre os principais episódios da guerra havia algumas vitórias obtidas por seu General, o que lhe permitiu se orgulhar em 338 do título de Persicus e em 343 do de Adiabenicus Maximus[3] , os dois cercos incorridos pela fortaleza de Nusaybin (346 e 350, após o cerco do verão de 337) e o único confronto militar de grande escala, a batalha do Singara (344 ou 348), teve lugar perto de outra fortaleza de fronteira, em que a vitória de Constâncio foi diminuída pela falta de disciplina das tropas.[9]

Quando em 350 se deu a rebelião de Magnêncio no Ocidente, Constâncio estava em Antioquia, mas as suas forças estavam ocupadas a defender Nisibi do terceiro cerco Sasanida. Apesar da ameaça representada por Magnêncio, Constâncio deu prioridade à fronteira oriental e esperou que Sapore se retirasse, após quatro meses, antes de voltar ao Ocidente para enfrentar o usurpador. No entanto, o proposto ataque Sasanida para 351 não aconteceu, enquanto Sapore estava ocupado a sufocar a revolta do povo do Afeganistão.[4]

Usurpaçãp de Magnêncio (350-353)[editar | editar código-fonte]

Moeda cunhada de Magnêncio, o usurpador que derrubou Constante I (350), reinou sobre a Britânia, Gália e Hispânia, apenas para ser derrotado por Constâncio II (353).

A 18 de janeiro de 350, o augusto do Ocidente, Constante I, foi derrubado e morto por um de seus generais, Flávio Magnêncio, que se proclamou imperador em Autun e foi reconhecido na Britânia, Gália e Hispânia. Constâncio estava na época ocupado na fronteira oriental, a lutar contra a ofensiva Sasanida sobre Nusaybin, e decidiu não sair imediatamente para defrontar diretamente o usurpador.

Vetrânio proclamou-se imperador em março de 350, oscilou entre Constâncio e outro usurpador Magnêncio, mas foi enfim deposto por Constâncio em dezembro daquele mesmo ano.

A 1º de março do mesmo ano, o magister militum Vetrânio proclamou-se imperador, por sua vez, por instigação de Constantina (irmã de Constante e Constâncio); este foi reconhecido imperador pelas tropas do Danúbio. Constâncio, o próprio reconheceu Vetrânio como seu colega, enviando-lhe o diadema imperial e o dinheiro, já que, provavelmente tentava empenhar Magnêncio opondo outro usurpador; o jogo era muito perigoso, prevendo-se um jogador adicional: Vetrânio, na verdade, vacilou na sua lealdade para com Constâncio quando Magnêncio lhe propôs uma aliança.

Precedido por
Constantino I, o Grande
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Imperador romano
(co-imperador, junto com
Constantino II e Constante I)

337 — 361
Sucedido por
Juliano
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Referências

  1. Cameron, Averil. The Cambridge Ancient History - Volume XIII The Late Empire 337-425. [S.l.]: Cambridge University Press, 1925. p. 11-32. ISBN 0-521-30200-5.
  2. AE 1937, 119. Anche la data dell'8 novembre è stata proposta (Lendering).
  3. a b c d Jona Lendering. [livius.org Constantius II]. Visitado em 2 de janeiro de 2015.
  4. a b Bagnell Bury, John. The Cambridge Ancient History. [S.l.: s.n.], 1925. ISBN 0-521-30200-5
  5. Chronicon paschale, p. 533, 5-17;Passio Artemii, 8 (8.12-19);Giovanni Zonara, xiii.4, 25-28.
  6. Giuliano. Lettera agli Ateniesi. [S.l.: s.n.].
  7. Eutropio. Breviarium ab Urbe condita. [S.l.: s.n.]. Capítulo: ix. ,
  8. a b Zosimo. Ἱστορία νέα (Storia nuova). [S.l.: s.n.].
  9. a b c d e Bagnell Bury, John. The Cambridge Ancient History - Volume XIII The Late Empire 337-425. [S.l.]: Cambridge University Press, 1925. p. 11-32. ISBN 0-521-30200-5
  10. Smith, William. Arsaces II in Dictionary of Greek and Roman Biography and Mythology. [S.l.: s.n.], 1849. p. 363. vol. 1.