Britânia (província romana)

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Britânia
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Localização da província (em destaque) no Império Romano.
Anexada em: 43 d.C.
Imperador romano: Cláudio
Capital: Camuloduno / Londínio
Fronteiras (províncias): Mar do Norte
Correspondência actual: Inglaterra e Gales

Britânia (Britannia em latim) é o nome que era dado pelos romanos à província que ocupava o centro-sul da atual ilha da Grã-Bretanha. Como província romana, existiu entre os séculos I e V.

Primeiros contatos[editar | editar código-fonte]

A Britânia não era desconhecida pelo mundo clássico. No início do século IV a.C., quando gregos e cartagineses trocavam estanho com os bretões, as ilhas Britânicas eram conhecidas pelos gregos como as Cassiteritas ("ilhas de estanho"). O navegador cartaginês Himilco é apontado como tendo visitado a ilha no século V a.C., e o explorador grego Piteas no século IV a.C.. Piteas explorou quase todo o litoral da ilha até 325 a.C. e escreveu uma descrição bastante detalhada sobre sua geografia e habitantes.

A ilha da Britânia tinha sido habitada por populações diversas até que, no século IV a.C., chegaram os celtas, os quais empurraram a ditas populações até as regiões periféricas. Mas ainda era considerada um lugar envolto em mistérios, tanto que alguns escritores ainda negavam sua existência.

Invasões da Britânia por Júlio César[editar | editar código-fonte]

Júlio César efetuou duas expedições à ilha nos anos 55 a.C. e 54 a.C., derrotando o rei Cassivelauno (Cassivellaunus), mas sem chegar a consolidar a incursão e sem terminar de dominar os moradores da ilha, pois as revoltas na Gália e as pressões de Pompeu e Crasso obrigaram-no a regressar ao continente. Os britânicos comprometeram-se a jurar fidelidade a Roma e a pagar tributo.

Conquista romana definitiva[editar | editar código-fonte]

Quase um século depois, em 43 d.C., o imperador Cláudio organizou uma invasão com seu general Aulo Pláucio a frente da força invasora, que contava com quatro legiões. Os historiadores discordam acerca dos motivos que levaram o imperador a empreender a conquista, ainda que muitos afirmem que foi o desejo de obter fama e boa reputação entre os romanos, já que suas deficiências como imperador eram evidentes. A desculpa formal para iniciar a conquista estava no fato de a Britânia ter grandes vínculos de entendimento e comércio com os Belgas da Gália através do canal da Mancha, pelo que Cláudio e seus conselheiros pensaram que a Gália não estaria nunca segura sem a anexação da Britânia. O próprio Cláudio assistiu à campanha durante algum tempo e, entusiasmado pelo êxito obtido, quis perpetuá-lo dando o nome de Britânico a seu filho.

Entretanto, os enfrentamentos foram duros. Depois do desembarque em Richborough, os filhos de Cimbelino (Cunobelinus), líder da confederação das tribos dos Catuvelaunos e os Trinovantes, Carataco e Togodumno ofereceram uma grande resistência, mas, tomados pela surpresa pela invasão, foram derrotados. Pláucio acampou à espera do imperador, a cuja chegada, procederam a tomar a capital de Cimbelino, Camuloduno (atual Colchester), o que provocou que numerosas tribos britânicas (atrebantes, icenos e brigantes) aceitassem a soberania romana.

Entretanto, Carataco tentou organizar a facção anti-romana, forte nos vales e montanhas galesas. Os quatro anos seguintes foram utilizados pelos romanos para consolidar suas posições romanas no sudeste, sudoeste e nas Midlands. Por volta de 47 d.C., a fronteira provincial estava constituída por uma linha imaginária que ia de Exeter a Lincoln. Chichester se converteu no principal centro romano da ilha. Neste ano, Pláucio foi sucedido por Ostório Escápula, quem iniciou o ataque contra as tribos rebeldes de Gales, os Siluros e os Ordovicos, a mando de Carataco, que foram derrotados em 49 d.C. Carataco fugiu e buscou refúgio entre os Brigantes, tribo que ocupava o norte da atual Inglaterra, mas foi entregue por sua rainha, Cartimândua, aos romanos. Paralelamente, em 49, criava-se a colônia romana de Camuloduno.

A derrota de Carataco, entretanto, não trouxe consigo a conquista de Gales, coisa que não ocorreria definitivamente até quase dez anos depois, sob o mando do procônsul romano Caio Suetônio Paulino. Paralelamente, os romanos apoiavam a facção pró-romana dos Brigantes, encabeçada pela rainha Cartimândua, que manteve uma política pró-romana frente à facção anti-romana liderada por seu marido (finalmente, em 71 d.C., o reino dos Brigantes seria anexado por Roma).

Entretanto, entre 60 e 61 d.C., começou a rebelião dos Icênios, comandados pela sua rainha Boadiceia (Budicca ou Boudicca), descontentes pela anexação de seus territórios efectuada pelos romanos. Apoiada por outras tribos, como a dos Trinovantes, lutou com grande dureza e conseguiu inclusive expulsar Suetônio Paulino da cidade de Londínio (atual Londres), ainda que finalmente este acabasse com a rebelião. As colônias romanas de Camuloduno, Londínio e Verulâmio foram destruídas. Estima-se que entre setenta e oitenta mil pessoas foram mortas nas três cidades. O governador romano, Suetônio Paulino, reuniu duas legiões e derrotou os revoltosos em batalha na qual a proporção das tropas era de vinte para cada romano. Depois desta revolta começou um período mais tranquilo, ainda que não longo de novas rebeliões, que possibilitou o começo da romanização.

Com a conquista de Cláudio, Britânia passou a ser província romana regida por um governador. Desde seu início como nova província ofereceu a Roma uma grande insegurança, pelo que teve necessidade de uma constante presença militar, sobretudo a norte e a leste da linha formada pela calçada de Exetera Lincoln (antiga Lindum). Teve contínuas revoltas, sendo necessária a execução de grandes obras para facilitar o acesso das legiões até ao norte. Uma destas obras foi a construção de uma ponte sobre o rio Tâmisa. O governador Cneu Júlio Agrícola se viu obrigado a dirigir uma nova expedição militar para submeter à tribo celta dos ordovicos em 78 d.C., localizada na atual Gales e dois anos depois chegou até à Caledônia (atual Escócia), na que as tribos dos Pictos conservavam a sua independência.

Em 84, deu-se a batalha do monte Gráupio, no norte, na qual as tropas romanas derrotaram decisivamente a confederação caledônia (Tácito cita 10.000 mortes entre os caledônios, nome que os romanos davam aos Pictos). Os romanos terminaram por recuar após a batalha para uma linha mais defensável ao longo do istmo de Forth-Clyde. No início do século II, a fronteira recuou um pouco mais para o sul, na linha do istmo de Solway-Tyne. Adriano viria a ordenar a construção, naquela linha, a partir de 120, da famosa muralha que levaria seu nome.

As sucessivas revoltas de tribos locais exigiam a manutenção na ilha de pelo menos três legiões, o que conferia a um governador ambicioso a base para uma rebelião em busca da dignidade imperial. Ao longo de sua história, a província assistiu a rebeliões militares e a usurpadores imperiais. A tentativa, da parte de Septímio Severo, de solucionar este problema - a divisão da província (e do poder militar) em duas, Britânia Superior e a Inferior (início do século III) - logrou manter a paz na região por pouco menos de um século.

Nova rebelião da parte de um usurpador, no final do século III, levou o imperador Constâncio Cloro a redividir a província em quatro:

Diocese da Britânia e anos finais[editar | editar código-fonte]

A Diocese da Britânia (em latim: Diocesis Britannia) foi uma diocese subordinada à prefeitura pretoriana da Gália no período final do Império Romano criada durante a reforma de Diocleciano no final do século IV.

As crescentes dificuldades romanas com os bárbaros no continente no final do século IV e no século V fizeram com que tropas romanas fossem gradativamente retiradas da Britânia. Um usurpador, Constantino III, levou suas legões da Britânia para a Gália em 407, onde foi derrotado por Constâncio, mestre dos soldados (magister militum) de Honório (posteriormente nomeado Augusto como Constâncio III). Em 409, os bretões expulsaram a administração civil romana.

Ver também[editar | editar código-fonte]


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