Província romana

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A divisão provincial do Império Romano em 117

Na República Romana e depois no Império Romano, uma província era um território fora da península Itálica que tinha uma organização regular e estava sob administração romana.[1] . Nesse sentido, não havia províncias no mundo até os romanos estenderem suas conquistas além da península Itálica.[2]

A administração provincial de Roma surgiu com a Primeira Guerra Púnica, que deu lugar à expansão do território da República Romana além da península Itálica e pelas ilhas mediterrâneas. Uma província era a unidade territorial e administrativa básica e manteve-se assim até o período da Tetrarquia, (por volta de 296 d.C.). Entre os territórios dominados por Roma, é o de maior tamanho fora da península Itálica.

No seu estágio de completo desenvolvimento, o Estado romano consistia em duas partes distintas: a Itália e as províncias.[3] . A província da Gália Ulterior, na época de Júlio César era, às vezes, designada simplesmente pelo termo "província".[4]

Um território conquistado recebia sua organização provincial sob o comandante romano, cujos atos requeriam a aprovação do senado; ou então o governo era organizado pelo comandante e um grupo de comissários indicados pelo senado. O modo como se tratava um território conquistado não era uniforme. Quando constituído em província, o território não se tornava parte integrante do Estado romano para todos os propósitos, mas mantinha sua existência nacional, embora não sua soberania.[5]

As províncias eram atribuídas por períodos de um ano a governadores originários da classe senatorial, no caso de ser uma província senatorial, ou da classe equestre, no caso de ser uma província imperial, normalmente ex-cônsules ou ex-pretores. No início do ano romano (em Março, até o surgimento do calendário juliano), as províncias eram atribuídas aos governadores por sorteio, na época da república, ou nomeação, no império.

Normalmente, as províncias onde eram esperadas complicações, quer por rebeliões internas ou invasões de povos bárbaros, eram conferidas a homens mais experientes, de grau consular. A distribuição de legiões romanas pelas províncias era igualmente dependente do perigo em que se encontrava. Assim, em 14 d.C., a Lusitânia não detinha nenhuma legião permanente, enquanto que a Germânia Inferior, onde a fronteira do Reno ainda representava um problema, tinha uma guarnição de quatro legiões. As províncias mais problemáticas eram as mais desejadas pelos futuros governadores, pois problemas significavam guerra e na guerra havia a possibilidade de obter despojos, escravos para venda e outras oportunidades de enriquecimento.

A primeira província romana foi a Sicília, anexada pela República Romana em 241 a.C.,[6] depois do fim da Primeira Guerra Púnica.

A Sardenha tornou-se província em 235 a.C..[7] Hispânia Tarraconense e Hispânia Ulterior, que englobavam a península Ibérica (Hispânia para os romanos) foram obtidas em 197 a.C., de novo à custa de Cartago, no fim da Segunda Guerra Púnica.

Em 147 a.C., Lúcio Emílio Paulo Macedônico adquiriu a Macedónia e a destruição de Cartago em 146 a.C. rendeu a província da África. Já no período do Império Romano, a Britânia tornou-se numa província, depois da invasão comandada por Cláudio em 43 d.C., apesar da pacificação completa ter demorado umas décadas a ser obtida.

O número e dimensão das províncias variou ao longo da história, de acordo com as políticas da metrópole. Durante o império, as maiores e mais bem guarnecidas províncias foram subdivididas em territórios menores, para evitar que um único governador detivesse demasiado poder nas mãos.

Lista de províncias da República Romana[editar | editar código-fonte]

Por ordem cronológica de criação.

Lista de províncias romanas por volta de 117[editar | editar código-fonte]

Império Romano sob Trajano em 117; Províncias imperiais são sombreadas em verde, províncias senatoriais são sombreadas em bege e estados-clientes são sombreados em cinza.
  1. Hispânia Bética (Hispania Baetica)
  2. Lusitânia (Lusitania)
  3. Hispânia Tarraconense (Hispania Terraconensis)
  4. Gália Narbonense (Gallia Narbonensis) (era a província romana, cuja etimologia persiste no nome medieval e moderno da Provença)
  5. Gália Aquitânia (Gallia Aquitania)
  6. Gália Lugdunense (Gallia Lugdunensis)
  7. Gália Belga (Gallia Belgica)
  8. Britânia (Britannia)
  9. Germânia Inferior (Germania Inferior)
  10. Germânia Superior (Germania Superior)
  11. Récia (Raetia)
  12. Itália (Italia)
  13. Sicília (Sicilia)
  14. Córsega e Sardenha (Corsica et Sardinia)
  15. Alpes Peninos (Alpes Poenninae)
  16. Alpes Cócios (Alpes Cottiae)
  17. Alpes Marítimos (Alpes Maritimae)
  18. Nórica (Noricum)
  19. Panônia (Pannonia)
  20. Dalmácia (Dalmatia)
  21. Dácia (Dacia)
  22. Mésia Superior (Moesia)
  23. Mésia Inferior (Moesia)
  24. Trácia (Thracia)
  25. Macedônia (Macedonia)
  26. Épiro: Velho Épiro (Epirus vetus) e Novo Épiro (Epirus nova)
  27. Acaia (Achaea)
  28. Ásia (Asia)
  29. Bitínia e Ponto (Bithynia et Pontus) - subdivida em Ponto Galático, Ponto Polemoníaco e Ponto Capadócio
  30. Galácia (Galatia)
  31. Lícia e Panfília (Lycia et Pamphilia)
  32. Pisídia (Pisidia)
  33. Cilícia e Chipre (Cilicia et Cyprus)
  34. Capadócia (Cappadocia)
  35. Arménia (Armenia) - ver também Armênia Inferior (Armenia Inferior)
  36. Sofena (Sophene)
  37. Síria (Syria)
  38. Judéia (Iudaea), depois Palestina (Palestina)
  39. Arábia Pétrea (Arabia Petraea)
  40. Egito (Aegyptus)
  41. Creta e Cirenaica (Creta et Cyrenaica)
  42. Numídia (Numidia)
  43. África Proconsular
  44. Mauritânia Cesariense (Mauretania Cesariensis)
  45. Mauritânia Tingitana (Mauretania Tingitana)

Reforma de Diocleciano[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Smith 1870, p. 964
  2. Smith 1870, p. 964
  3. Smith 1870, p. 964
  4. Smith 1870, p. 964
  5. Smith 1870, p. 964
  6. Smith 1870, p. 964
  7. Smith 1870, p. 964

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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