Legado romano

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Legenda:
  castelhano
  português
  francês
  italiano
  romeno

(cores escuras indicam língua oficial; cores claras, língua de uso comum).

A civilização romana antiga contribuiu grandemente para o desenvolvimento do direito, arte, literatura, arquitetura, tecnologia, religião, governo, e da linguagem no mundo ocidental e sua história continua a ter uma grande influência sobre o mundo de hoje. Os romanos assimilaram muitos aspectos da cultura dos povos vencidos, principalmente dos gregos. Dotados de notável senso prático[carece de fontes?], souberam reelaborar essas influências, nas quais introduziram inovações que levaram à formação de uma cultura original. Com isso, acabaram por legar às gerações futuras várias contribuições nas mais diversas áreas.

Línguas românicas[editar | editar código-fonte]

As línguas românicas são a continuação do latim vulgar, o popular dialeto do latim falado pelos soldados, colonos e mercadores do Império Romano, que se distinguia da forma clássica da língua falada pelas classes superiores romanas, a forma em que a língua era geralmente escrita.

De seu idioma, o latim, derivaram diversas línguas modernas, como o português, o francês, o espanhol, o romeno e o italiano.

Alfabeto latino[editar | editar código-fonte]

  Usa apenas letras latinas
  Letras latinas usadas em combinação com outras letras

O alfabeto latino é usado na maioria das línguas indo-europeias, incluindo todas dos grupos românico, céltico, báltico e germânico (com a exceção do ídiche) e algumas do grupo eslavo.

Geograficamente, isso inclui toda a Europa Ocidental, as Américas e boa parte da África Subsaariana e da Oceania. Além disso, ao longo dos processos de colonização, diversas outras línguas e localidades adotaram a escrita romana, com destaque para as línguas turcomanas na Turquia e no Cáucaso e para o malaio falado na Malásia e na Indonésia.

Literatura e filosofia[editar | editar código-fonte]

Herdeira das formas literárias criadas pelos gregos, a sociedade romana foi um centro de difusão cultural, reunindo poetas, filósofos, juristas, teatrólogos e historiadores.

Um de seus mais notáveis escritores foi o poeta Virgílio, autor da Eneida, poema épico que narra a história de Eneias, herói proveniente da cidade de Troia, que escapou da destruição da cidade na guerra contra os gregos, se refugiou na península Itálica, e seria o ancestral dos fundadores de Roma.

Legado romano

Tremendas guerras e o varão lançado

De Troia pela força do Destino,

Que, em fuga, a Itália veio (...).

E não menor a luta, suportada,

Depois por ele, até que conseguisse

No Lácio ter cidade levantada,

Cidade prometida, em cujo seio

Se gerou a imortal raça latina,

Da qual a estirpe albânica proveio,

E Roma excelsa que o provir domina![1]

Legado romano

 — Eneida de Virgílio

Além dele, destacou-se na poesia Horácio, poeta lírico que viveu no tempo do imperador Augusto, cujas realizações enalteceu. Sua poesia está impregnada dos valores característicos do estoicismo e do epicurismo, correntes filosóficas de seus tempo. Escreveu Odes, Sátiras, Epístolas e outras obras, combinando virtuosismo métrico e sobriedade de expressão.

Na oratória e no pensamento político, Cícero foi o nome mais importante. Entre os historiadores distinguiram-se Tito Lívio e, principalmente, Públio Cornélio Tácito, cuja obra mais importante são os Anais, que tratam da história romana durante o período que se estende da morte de Augusto até o governo de Nero. Tácito foi um dos primeiros escritores não-cristãos a registrar a crucificação de Jesus Cristo.

No âmbito do pensamento filosófico, tornaram-se populares o epicurismo e o estoicismo. O estoicismo foi mais difundido e teve no filósofo Sêneca e no imperador Marco Aurélio seus principais adeptos.

Artes plásticas[editar | editar código-fonte]

Os tetrarcas, uma escultura porfíria, saqueada de um palácio bizantino em 1204, tesouro de São Marcos, Veneza.

Do mesmo modo em que outros campos do conhecimento, a grande fonte de inspiração e referência das artes romanas foi a Grécia Antiga. Mas, também como nas outras áreas, os romanos colocaram na pintura, na escultura e na arquitetura seu próprio temperamento e sua visão de mundo. Assim, a escultura romana procurava reproduzir de modo realista a fisionomia dos indivíduos retratados, sobretudo dos grandes personagens públicos.

Na arquitetura, a colunata e o frontão do templo grego foram conservados, mas os romanos imprimiram a esses elementos proporções grandiosas, que refletiam sua própria experiência imperialista. Ao mesmo tempo, introduziram novos elementos arquitetônicos, como o arco redondo e a cúpula. Com as novas técnicas, edificaram templos, casas de banho, anfiteatros, pontes, arcos de triunfo, aquedutos e monumentos diversos, muitos dos quais sobrevivem até os dias de hoje.

O direito romano[editar | editar código-fonte]

Ruínas do Coliseu de Roma.

Uma notável contribuição romana à cultura ocidental ocorreu no campo do direito[carece de fontes?]. De fato, o direito romano permanece até hoje entre os fundamentos do direito contemporâneo.

Como quase tudo em Roma, as leis surgiram para dar uma solução prática aos problemas criados pelas lutas entre os grupos sociais e pelas guerras de conquista[carece de fontes?]. Afinal, Roma dominava um vasto e variado mosaico de povos, unidos por vínculos econômicos, políticos e culturais. Criar normas jurídicas que permitissem a coexistência de tão diferentes costumes e tradições tornou-se uma necessidade.

O direito romano desenvolveu-se gradualmente, tendo como ponto de partida a Lei das Doze Tábuas (450 a.C.)[carece de fontes?]. Posteriormente, aprimorou-se com as leis votadas pelas assembleias, com os decretos do senado e teve sua completa sistematização no período do império. Compunha-se de três grandes ramos:

Sistemas legais do mundo:
  Jurisdição mista (direito romano-germânico e comum)
  • O ius civile (Direito civil), aplicável apenas aos cidadãos de Roma.
  • O ius gentium (Direito das gentes ou dos estrangeiros), conjunto de normas comuns ao povo romano e aos povos conquistados.
  • O ius naturale (Direito natural), que representava o aspecto filosófico do direito. Baseava-se na ideia de que o ser humano é, por natureza, portador de direitos que devem ser respeitados.

Com as invasões bárbaras, embora inicialmente as tribos continuassem a reconhecer suas leis nativas, elas foram fortemente influenciadas pelo direito romano e gradualmente o incorporaram também.

O direito romano, particularmente o Corpus Juris Civilis coletado por ordem de Justiniano I, é a base antiga no qual o direito civil moderno de alguns países se apóia. Em contraste, a Common law (lei comum) é baseada na lei germânica.

O sistema romano-germânico é o sistema jurídico mais disseminado no mundo, baseado no direito romano, tal como interpretado pelos glosadores a partir do século XI e sistematizado pelo fenômeno da codificação do direito, a partir do século XVIII. Pertencem à família romano-germânica os direitos de toda a América Latina, de toda a Europa continental, de quase toda a Ásia (exceto partes do Oriente Médio) e de cerca de metade da África.

A religião[editar | editar código-fonte]

A Roma antiga contribuiu grandemente para o desenvolvimento do cristianismo. O Cristianismo desempenhou um papel de destaque na formação da civilização ocidental pelo menos desde o século IV.[2] A Igreja Católica de Roma possui mais de dois mil anos de história, sendo a mais antiga instituição do mundo ainda em funcionamento. Sua história é integrante à História do Cristianismo e a história da civilização ocidental.

A Igreja Católica conta aproximadamente com 1,2 bilhões de membros [3] (ou seja, mais de um sexto da população mundial[4] e mais da metade de todos os cristãos,[5] ), distribuídos principalmente na Europa e nas Américas mas também noutras regiões do mundo. Sua influência na História do pensamento bem como sobre a História da arte é considerável, notadamente na Europa.

Mitologia romana[editar | editar código-fonte]

Estátua da deusa Ceres carregando uma fruta.

Durante quase toda a sua história, os romanos mantiveram a crença numa série de deuses. Era uma religião sem doutrinas ou dogmas. Entre os deuses e os seres humanos estabelecia-se um único compromisso: aqueles davam proteção e estes retribuíam com oferendas[carece de fontes?].

A princípio, os deuses não tinham formas definidas[carece de fontes?]. A partir do contrato com os gregos, contudo, eles passaram a ser identificados com as divindades do Olimpo e ganharam fisionomia e paixões humanas. Assim, o deus supremo da mitologia grega, Zeus, chamava-se Júpiter entre os romanos; Hermes, protetor do comércio na Grécia, tinha em Roma o nome Mercúrio; Ares, deus grego da guerra, era Marte para os romanos; Afrodite, deusa do amor na Grécia, em Roma era Vênus e assim por diante.

Além da influência grega, os romanos incorporaram outras de cultos orientais, como os de Ísis e Osíris, do Egito, e de Mitra, provavelmente da Pérsia. Todos esses deuses foram admitidos no Panteão romano – templo dedicado ao culto de diversas divindades.

O cristianismo[editar | editar código-fonte]

Por volta do ano 50, o cristianismo começou a ser divulgado em Roma.

Com o imperador Nero, tiveram início as perseguições aos cristãos, que passaram a ser detidos, queimados vivos ou usados para proporcionar diversão nas arenas dos anfiteatros.

A propagação do cristianismo se acentuou no século III, quando teve início o enfraquecimento do Estado romano, particularmente afetado pela crise do escravismo. Foi nesse contexto que o imperador Constantino assinou, em 313, o Édito de Milão, concedendo liberdade religiosa aos cristãos.

Finalmente, em 391, o imperador Teodósio I impôs o cristianismo como religião oficial do Império Romano e proibiu o culto aos antigos deuses romanos.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Apresentação de gladiadores durante um banquete.

Referências

  1. CARVALHO, Coelho de. A Eneida de Virgílio lida hoje. Lisboa: Livraria Ferreira, 1908.
  2. Orlandis, "A Short History of the Catholic Church" (1993), preface.
  3. O Annuarium Statisticum Ecclesiae (ISBN 978-88-209-7928-7) indica 1.114.966.000 como número total dos fiéis registrados no último dia de 2005.
  4. Number of Catholics and Priests Rises. Zenit News Agency (2007-02-12). Página visitada em 2008-02-21.
  5. Marty, Martin E., Chadwick, Henry, Pelikan, Jaroslav Jan. "Christianity" in the Encyclopædia Britannica Millennium Edition. [S.l.]: Encyclopædia Britannica Inc., 2000.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]