Codificação jurídica

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A palavra código possui muitos significados paralelos e aceitáveis: pode ser a globalidade ordenada que contém o núcleo, até a generalidade, das regras jurídicas sobre dada matéria; também pode ser a sequência de instruções que formam um programa, qualquer marcação numérica, alfanumérica, ou um endereço especial, que identifique a peça enviada ou a lista ou qualquer outra variável, qualquer trecho de um programa executável, escrito numa linguagem de programação, etc.

A codificação jurídica[editar | editar código-fonte]

Neste tipo de codificação, os códigos estão no mesmo nível das leis que os criam. Um código é uma lei em sentido material. Traz a disciplina fundamental e completa do ramo do direito de que trata. Contudo a unidade legislativa é afetada pelas leis acessórias ao código, chamadas de “leis extravagantes”.

Diferença entre código, compilação e consolidação[editar | editar código-fonte]

Os códigos antigos eram meras compilações recolhidas de leis:

  • Compilação: caráter meramente reprodutivo, diploma único;
  • Consolidação: alteração dos textos existentes e união em um só texto.

Exemplo no Direito Brasileiro: Consolidação das Leis do Trabalho (Decreto-Lei 5.452/43) e consolidação das regras da previdência social (Decreto 11.011/76).

Tendência à codificação[editar | editar código-fonte]

A codificação é uma tendência antiga. Listam-se alguns códigos historicamente importantes.

Códigos da antiguidade[editar | editar código-fonte]

Portugal e Brasil Colônia[editar | editar código-fonte]

Toda a pessoa, de qualquer qualidade que seja, que peccado de sodomia per qualquer maneira commetter, seja queimado, e feito per fogo em pó, para que nunca de seu corpo e sepultura possa haver memoria, e todos seus bens sejam confiscados para a Corôa de nosso Reinos, postoque tenha descendentes; (Ordenações Filipinas, Livro V, Título XIII)

Período racionalista[editar | editar código-fonte]

Sistematização racionalista influenciou uma nova geração de códigos.

  • Despotismo esclarecido (Aufklärung): Código Prussiano (1794) e Austríaco (1881).
  • Ideologia demo-liberal: Código de Napoleão (Código Civil Francês de 1804).
  • Avanço do liberalismo: códigos em Portugal, Espanha e Itália, influência do código francês.
  • Surgimento do Código Civil alemão: 1900, Bürgerliches Gesetzbuch (BGB), tomou o lugar do código francês e influenciou os códigos posteriores, como o suíço e o brasileiro.
  • Código Civil Italiano (1942) e Português (1966).
  • Constituições políticas: verdadeiros “Códigos de Direito Constitucional”.

Códigos civis e códigos posteriores no Brasil[editar | editar código-fonte]

  • Primeiros códigos no Brasil: Criminal (1830) e de Processo Criminal (1832).
  • Código Civil Brasileiro:
    • Publicado em 1º de janeiro de 1916, é um grande marco legislativo, o primeiro código civil criado no Brasil, tendo revogado as Ordenações Filipinas, de 1603.
    • Iniciado em 1824, em razão de disposição constitucional programática (Constituição de 1824, art. 179, XVIII: “Organizar–se-ha quanto antes um Codigo Civil”).
    • O processo legislativo foi conduzido primeiramente por Teixeira de Freitas depois por Clóvis Beviláqua. A oposição de Ruy Barbosa adiou a promulgação do código.
    • O Código Civil de 1916 é precedido por uma Lei de Introdução, substituída em 1942 pela lei (Decreto-Lei 4.657, de 4 de setembro de 1942). Esta Lei de Introdução foi modificada pela Lei nº 12.376 de 2010 passando a se chamar Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (LINDB)aplicável em todo ordenamento jurídico, não apenas no Direito Civil.

A codificação espalhou-se para outros ramos do direito (salvo no direito administrativo e no direito previdenciário).

  • Terceira geração de códigos
    • Código de Processo Civil (1973).
    • Novo Código Civil (2002), integração da matéria comercial.

Códigos atuais[editar | editar código-fonte]

Os códigos atuais regulam determinado ramo do Direito, contêm a disciplina fundamental desse ramo e são sistemáticos e científicos.

Causas e conveniências da codificação[editar | editar código-fonte]

Causas da codificação[editar | editar código-fonte]

-As causas da codificação dividem-se em: ideológicas, políticas, técnico-jurídicas e práticas.

  • Causas ideológicas

Racionalismo jurídico e ordem racional:

A razão humana podia descobrir a generalidade dos princípios que deveriam regular a vida social – o Direito natural, dentro da visão da época. O direito codificado prestava-se a refletir fi-elmente esse Direito natural.(Ascensão)

  • Causas políticas
    • No plano interno: impõe uma legislação geral e favorece a unificação política do país por meio da unificação jurídica.
      • A Polêmica entre Thibault (pró-codificação) e Savigny (Escola Histórica, Volksgeist) retardou em quase um século a codificação na Alemanha.
    • No plano externo: exemplo do mais célebre dos códigos, o Código de Napoleão.
      • Código napoleônico como arma de guerra, conquista dos espíritos antes da conquista pelas armas.
  • Causas técnico-jurídicas
    • Código como instrumento científico e sistemático, ordenação técnica das matérias;
    • Racionalismo do século XVIII.
      • Racionalismo e os três “s”: synthétique, scientifique et systématique.
  • Causas práticas
    • Resposta à situação caótica das fontes do direito.

Conveniências da codificação[editar | editar código-fonte]

  • Vantagens
    • Permite um conhecimento mais fácil do direito aplicável.
    • Evita a incompatibilidade entre as fontes e destaca os princípios gerais.
    • Dá ao intérprete um mapa para a aplicação do direito.
  • Desvantagens
    • Um código é uma lei, logo apresenta as mesmas desvantagens da lei.
    • Códigos são menos alterados, portanto mais rígidos.
    • Em razão de sua rigidez os códigos podem estar desatualizados em relação à sociedade.

Aspectos complementares[editar | editar código-fonte]

Um código deve reger uma rama da ordem jurídica: porém há dificuldades na demarcação dos ramos.

Há leis incorretamente denominadas “códigos”, são códigos apenas no sentido formal. Ex. de “falsos” códigos: Código das Custas Judiciais português e Código Florestal brasileiro.

A fronteira entre código e estatuto é pouco clara. Este regularia certa matéria mais específica, um sub-ramo do direito. Ex. Estatuto da Terra.

Divisões dos códigos[editar | editar código-fonte]

Os códigos são divididos em Parte, Livro, Título, Capítulo, Seção, Subseção e artigos. Por exemplo o Código Civil Brasileiro de 2002:

P A R T E E S P E C I A L

  • LIVRO I. DO DIREITO DAS OBRIGAÇÕES
    • TÍTULO I. DAS MODALIDADES DAS OBRIGAÇÕES
      • CAPÍTULO I. DAS OBRIGAÇÕES DE DAR
        • Seção I. Das Obrigações de Dar Coisa Certa

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Baseado e adaptado de Ascensão, J.E. O Direito.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Lista de códigos brasileiros