Lucrécio

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Lucrécio
Lucretius1.png
Nome completo Tito Lucrécio Caro
Data de nascimento: 99 a.C.
Local: Não disponível
Data de falecimento 55 a.C.

Tito Lucrécio Caro (em latim: Titus Lucretius Carus; ca. 99 a.C. – ca. 55 a.C.) foi poeta e filósofo latino que viveu no século I a.C..

Nasceu ca. 99 a.C. e viveu 44 anos.[1] "Assim como Tertuliano, um dos primeiros Padres da Igreja, inventou a história de que o materialista Demócrito teria furado os próprios olhos por não suportar o desejo sexual despertado pela visão de jovens mulheres, assim também são Jerônimo inventou que Lucrécio teria bebido um filtro de amor, enlouquecido e escrito seu poema nos intervalos de lucidez, terminando por se suicidar. O mínimo que um leitor atento do Sobre a Natureza das Coisas (De Rerum Natura) pode afirmar é que essa obra jamais poderia ter sido escrita em 'intervalos de lucidez!" (CHAUÍ, M. Introdução à História da Filosofia. Ed. Compahia das Letras, p. 253). Seus vários livros foram editados por Cícero.[1]

Para Lucrécio, a alma é mortal. Após o decesso, resta um simulacro (simulacrum), os fantasmas que assombram os vivos. Deste modo, ele resgata a ideia epicurista de eidolon, termo grego. Ele afirma que o medo da morte criou o mito da imortalidade da alma. A Teosofia sustenta a tese da alma morredoura, mas defende que o espírito, princípio que anima a alma, é o Ser que realmente sobrevive à morte.

É provável que tenha nascido em Roma, onde foi educado. Sua fama decorre do poema De rerum natura (Sobre a natureza das coisas), onde expõe a filosofia de Epicuro de Samos. Para Lucrécio, o epicurismo era a chave que poderia desvendar os segredos do universo e garantir a felicidade humana. Tão entusiasmado ficou que se propôs a tarefa de libertar os romanos do domínio religioso através do conhecimento da filosofia epicurista.

Em De rerum natura Lucrécio apresenta a teoria de que a luz visível seria composta de pequenas partículas. Teoria incompleta, apesar de bastante consistente, é uma espécie de visão antiga da atual teoria dos fótons. Também neste poema, Lucrécio sustenta a ideia da existência de criaturas vivas que, apesar de invisíveis, teriam a capacidade de causar doenças. Esta ideia representa na realidade a base da microbiologia.

Além de fonte preciosa para o conhecimento do epicurismo, o poema de Lucrécio tem grande importância literária e seus versos consagram o autor como um dos maiores poetas latinos.

Segundo o padre São Gerônimo, Lucrécio matou-se aos 44 anos de idade e seu poema foi escrito em intervalos de ataques de loucura.[1] A bem da verdade, as "circunstâncias da vida e da morte de Lucrécio são desconhecidas. A habitual informação de que ele se suicidou em razão de crises de loucura, acrescidas de perturbações amorosas, não é plenamente confiável. Só há um registro nesse sentido, transmitido por São Jerônimo, que, em seu tempo, foi um grande opositor de Epicuro e do epicurismo” (SPINELLI, Miguel. "O devotamento de Lucrécio a Epicuro e ao epicurismo". In Os Caminhos de Epicuro. São Paulo: Loyola, 2009, p. 215ss).

Tradução[editar | editar código-fonte]

De rerum natura, cópia de 1483, por Girolamo di Matteo de Tauris para o Papa Sisto IV

Seu livro De rerum natura foi completamente traduzido para o português pelo grande latinista Agostinho da Silva, e publicado no volume V da coleção Os Pensadores da editora Abril Cultural.

Em 2015 foi publicada uma tradução completa do latim por Luís Manuel Gaspar Cerqueira, Lucrécio,Da Natureza das coisas, Relógio d' Água, com texto bilingue,

Referências

  1. a b c Jerônimo de Estridão, Chronicon, 3o ano da 171a olimpíada

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