Clinâmen

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Clinâmen é o nome latino que Lucrécio deu ao desvio imprevisível de átomos, na doutrina atomista de Epicuro. De acordo com Lucrécio, o desvio imprevisível ocorre "em nenhum lugar ou tempo fixo":

Quando átomos se movem para baixo através do vazio pelo seu próprio peso, desviam um pouco no espaço em um tempo completamente incerto e em lugares incertos, apenas o suficiente para que você pudesse dizer que seu movimento mudou. Mas se eles não tivessem o hábito de se desviar, todos eles cairiam direto através das profundezas do vazio, como gotas de chuva, e nenhuma colisão ocorreria, nem qualquer golpe ser produzido entre os átomos. Nesse caso, a natureza nunca teria produzido nada.1

Esta indeterminação, de acordo com Lucrécio, fornece o "livre-arbítrio que as coisas vivas por todo o mundo tem."2

Uso moderno[editar]

O termo também tem sido considerado por Harold Bloom para descrever as inclinações de escritores em "desviar" a partir da influência de seus predecessores, é a primeira de suas "Razões de Revisão" tal como descrito em A ansiedade da influência. Em Finnegans Wake, Joyce faz alusão ao termo nas primeiras palavras de seu trabalho: rio corre, passados Eva e Adão, do desvio da costa à curva da baía, nos traz por um commodius vicus de recirculação de volta para Howth, Castelo e Entorno. Se por "Eva e Adão" se refere aos "átomos sem flutuação", no sentido epicurista, a palavra desvio tem um significado especial. Em Diferença e Repetição, Gilles Deleuze emprega o termo em sua descrição de multiplicidades, apontando para a observação no coração da teoria do clinâmen que "é certamente essencial para que os átomos estejam relacionados a outros átomos." 3 Apesar dos átomos afetados por clinâmen entrarem em luta uns com os outros em uma relação de suposição recíproca, Deleuze rejeita esta versão de multiplicidade, tanto porque os átomos são muito independentes, como porque a multiplicidade é mais "espaço-temporal" do que interna. Jacques Lacan, 4 Harold Bloom, 5 , Jacques Derrida, Jean-Luc Nancy, assim como Michel Serres fizeram uso extensivo da idéia do clinâmen, embora com leituras muito diferentes.6

Referências[editar]

  1. Lucretius, ii. 216-224. Translation from Brad Inwood, L. P. Gerson, (1994), The Epicurus Reader, page 66. Hackett
  2. Lucretius, ii. 251
  3. Gilles Deleuze, Paul Patton, (1994), Difference and repetition, page 184
  4. in "The four fundamental concepts of psycho-analysis" (1973), Publisher: W.W. Norton & Co. (April 17, 1998), ISBN 0393317757
  5. in "The Anxiety of Influence: A Theory of Poetry" (1973), Publisher: Oxford University Press, USA; 2 edition (April 10, 1997) ISBN 0195112210
  6. Hanjo Berressem in Abbas, N. (2005), Mapping Michel Serres, page 53 University of Michigan Press

Ligações externas[editar]