Públio Cornélio Tácito

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Tácito
Tácito
Nascimento 55
Morte 120 (65 anos)
Nacionalidade romano
Ocupação historiador
Magnum opus Germania

Públio (Caio) Cornélio Tácito (em latim Publius (Gaius) Cornelius Tacitus) ou simplesmente Tácito, (55120) foi um historiador, orador e político romano. Ocupou os cargos de questor, pretor (88), cônsul (97) e procônsul da Ásia (aproximadamente 110-113).

É considerado um dos maiores historiadores da Antiguidade. Escreveu por volta do ano 102 um Diálogo dos oradores e depois, Sobre a vida e o caráter de Júlio Agrícola, um elogio ao seu sogro, que havia sido um eminente homem público durante o reinado de Domiciano e que havia completado, como general, a conquista da Britânia, além de ter feito uma expedição à Escócia. Suas obras principais foram os Annales ("Anais") e as Historiae ("Histórias"), que tinham por tema, respectivamente, a história do Império Romano no primeiro século, desde a morte de Augusto e a chegada ao poder do imperador Tibério até à morte de Nero (Annales), e da morte de Nero à de Domiciano (Historiae).

Devido ao declínio do interesse romano pela historiografia tradicional, com uma crescente preferência pelas biografias e sátiras, e durante o século III, Tácito parece ter sido negligenciado como autor. A História Augusta cita que o imperador Tácito, que governou entre 275 e 276 d. C., ordenou que fossem feitas cópias das obras do historiador, o que indica que elas já deveriam estar fora de circulação. O modelo de escrita da história de Tácito foi retomado apenas na Antiguidade Tardia, quando o grego Amiano Marcelino, pode ter se inspirado nele para escrever uma história, em latim, da sua própria época. No entanto, no começo da Idade Média Ocidental, sua obra voltou a cair no esquecimento, para só readquirir notoriedade durante a Renascença. Em consequência destas oscilações na sua fortuna crítica, seus textos maiores chegaram até nós muito mutilados, de forma tal que os Anais, tais como podemos lê-los hoje, contêm apenas a descrição de parte do principado de Tibério - a descrição do período de Calígula foi totalmente perdida - o final do governo de Cláudio, e a maior parte do de Nero - estando também perdida a conclusão da obra. Quanto às Histórias, seu texto preservado contém basicamente a narrativa da guerra civil do ano 69, que levou à ascensão de Vespasiano ao trono imperial.

No livro XV dos Anais, Tácito descreve a perseguição que Nero empreende, culpando os cristãos pelo incêndio de Roma, onde 15% da cidade foi parcialmente destruída.[1] Segundo Tácito, havia suspeitas de que o próprio Nero teria causado o incêndio. A passagem sobre os cristãos é considerada por muitos autores a primeira referência pagã à existência histórica de Jesus Cristo.

Outra obra importante de Tácito foi o ensaio etnográfico Germania, uma descrição detalhada da Germânia e seus povos, contra os quais a Roma da época (de Trajano) estava em guerra.

Tácito tem as características usuais do historiador antigo: o gosto pela moralização - ele é um severo juiz de caráter -, pelo retrato dos grandes homens, o mais absoluto desinteresse pelo povo comum e o amor à retórica dos grandes discursos. De acordo com os padrões atuais, esses discursos da historiografia antiga podem parecer inventados ou remanejados; basta comparar a versão taciteana do discurso de Cláudio propondo a entrada de nobres gauleses no Senado com a cópia do discurso original, que uma descoberta arqueológica em Lyon, França, nos disponibilizou. Porém, a adaptação do original com a manutenção do mesmo argumento, polindo a retórica para se conformar ao estilo do autor, também é característico da historiografia antiga.

Não se pode dizer que Tácito tenha idealizado sem restrições a época anterior da República Romana, pois ele reconhece que o governo imperial trouxe a estabilidade política necessária para gerenciar o território do Império Romano. Como o estilo do texto de Tácito é muito complexo - é considerado um dos autores latinos mais sofisticados -, fica por vezes difícil entender o verdadeiro ponto de vista do autor sobre a realidade política do principado. Por isso, é a ele que devemos grande parte da nossa ideia pré-concebida da decadência moral de Roma.

Obras de Tácito em versão digital[editar | editar código-fonte]

  • CORNÉLIO TÁCITO, Diálogo sobre os oradores.
    Editor Sir W. Peterson, Londres, Heinemann, 1914. The Latin Library (comprovado 17-05-2009).
    Editor H. Furneaux, Oxford, Clarendon Press, 1900 Perseus Project (comprovado 17-05-2009).
  • CORNÉLIO TÁCITO, Agrícola.
    Edição não especificada. The Latin Library (Comprovado 17-05-2009).
    Edição H. Furneaux, Oxford, Clarendon Press, 1900. Perseus Project (Comprovado 17-05-2009).
  • CORNÉLIO TÁCITO, Germania.
    Editor D. R. Stuart, New York, Mcmillan, 1916. The Latin Library (comprovado 17-05-2009).
    Editor H. Furneaus, Oxford, Clarendon Press, 1900. Perseus Project (Comprovado 17-05-2009).
  • CORNÉLIO TÁCITO, Histórias.
    Edição não especificada. The Latin Library (comprovado 17-05-2009).
    Editor Ch. D. Fisher, Oxford, Clarendon Press, 1911. Perseus Project (comprovado 17-05-2009).
  • CORNÉLIO TÁCITO, Annales, ed. Ch.D. Fisher, Oxford, Clarendon Press, 1906.
    The Latin Library (comprovado 17-05-2009).
    Perseus Project (comprovado 17-05-2009).

Referências

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