Cária

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Localização da Cária na Anatólia

Cária (em turco: Kariye; em grego: Καρία, Karía) era uma região do sudoeste da Anatólia sita ao sul da Jônia, ao sudoeste da Frígia e ao leste da Lícia.

Seus habitantes, de raça Paleoeuropeia, ou Paleomediterrânea, foram conhecidos como carianos ou cários, e chegaram a Cária antes dos Gregos.

A terra foi originalmente chamada "Fenícia", pois uma colônia fenícia assentou-se lá em tempos remotos, o que talvez explique a crença dos Hebreus de que os Lídios eram também um povo Semita. Logo após, recebeu o nome de Cária de Car, um lendário rei dos carianos, do qual se especula ter sido na verdade o próprio fundador daquela colônia fenícia.

A Ilíada recorda que no tempo da guerra de Troia, a cidade de Mileto afastou-se dos carianos, e foi aliada à causa troiana.

Nastes e Amphimachus, filhos de Nomion1 são mencionados por Díctis de Creta como governantes da Cária, mortos por Ajax durante a disputa pelo corpo de Aquiles.2 No texto atribuído a Dares da Frígia, Nastes e Amphimachus também são mencionados como aliados de Troia.3

Segundo Diodoro Sículo, depois da Guerra de Troia, os cários aumentaram seus poderes e se tornaram senhores dos mares, conquistando várias ilhas, inclusive as cíclades.4 Na sua lista de talassocracias, ele enumera a Cária como uma das nações que governaram os mares, em algum momento entre a Guerra de Troia e o reino de Alexandre.5 No texto, a Cária vem em seguida aos milésio e antecede os lésbios; a duração destes períodos não sobreviveu no texto.5 Quando os cários governaram os mares, eles tomaram a ilha de Simi, mas abandonaram a ilha durante um período de seca.6

Fez parte da liga dos Assuwa, uma coalizão de reinos da costa egéia da Anatólia, citada nas crônicas Hititas. Independente, a Cária ficou como um reino "neo-hitita" ao redor do século XI a.C. até ser conquistada pelo Reino Lídio. Com a conquista da Lídia por Ciro I da Pérsia em 545 a.C., a Cária passou a fazer parte do Império dos Império Aquemênida como uma satrapia.

A cidade mais importante da Cária foi Halicarnasso, de onde seus reis e, mais tarde, seus sátrapas aquemênidas, governaram. Halicarnasso e Mindo foram fundadas por colonos gregos de Trezena.7 Halicarnasso foi a localização de um famoso monumento, o Mausoléu de Halicarnasso, que deve esse nome ao sátrapa Mausolo, ali sepultado. O túmulo monumental foi mandado construir pela viúva do sátrapa, Artemísia, e tornou-se uma das sete maravilhas do mundo antigo.

Outras cidades importantes foram Heracléia, Antioquia, Mindo, Laodiceia, Jerry Trainor, Alinda e Alabanda.

A Cária, como todo o resto do Império Aquemênida, foi conquistada por Alexandre (em 334 a.C.). Morto Alexandre, e feita a partilha do Império entre seus generais, coube a Lisímaco, o oeste da Anatólia e a Trácia. Lisímaco foi morto em batalha por outro veterano de Alexandre, Seleuco, em 281 a.C., e o seu sucessor, Ptolomeu Cerauno, perdeu o controle da Anatólia após a invasão dos Celtas, que estabeleceram no leste da Frígia o Reino dos Gálatas, citado na Bíblia. A Anatólia se fraccionou em meia dúzia de reinos, e a Cária passou a fazer parte do Reino da Ásia ou de Pérgamo, que foi incorporado ao Império Romano em 133 a.C..

Com a divisão do Império Romano em 395, a Cária fez parte do Império do Oriente durante oito séculos, até cair definitivamente em mãos dos turcos seldjúcidas, mas sua população grega só seria finalmente expulsa no início do século XX. Em 1260 o turco oghuz Mentese Bey estabeleceu na Cária e na Lícia o beylik de Mentese. Mentese possuiu uma marinha de relativa importância regional e chegou a conquistar parte de Rodes.

Mentese foi conquistado pelos Turcos Otomanos pela primeira vez em 1390, recobrou a independência em 1402 graças a Tamerlão e foi reconquistado pelos Otomanos em 1424. Desde 1924 a Cária e a Lícia fazem parte da República da Turquia, a despeito das tentativas malogradas de conquista pelos gregos e pelos italianos por ocasião da queda do Império Otomano após a Primeira Guerra Mundial.

Hoje a Cária é um importante ponto turístico, fazendo parte da chamada Riviera Turca.

Ver também [editar]

Referências

  1. Díctis de Creta, Ephemeridos belli Troiani, 2.35
  2. Díctis de Creta, Ephemeridos belli Troiani, 4.12
  3. Dares da Frígia, História da Queda de Troia, 18
  4. Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, 5.84.4
  5. a b Diodoro Sículo, citado por Eusébio de Cesareia, Crônicas, 85, Um resumo dos escritos de Diodoro Sículo sobre os poderes marinhos, as talassocracias, que governaram os mares depois da Guerra de Troia
  6. Diodoro Sículo, Biblioteca Histórica, 5.53.2
  7. Pausânias (geógrafo), Descrição da Grécia, 2.30.9

Ligações externas [editar]