Exarcado de Ravena

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Exarcado de Ravena
Província do(a) Império Bizantino

584751
Location of Exarcado
Itália bizantino-lombarda, século VII
Capital: Ravena
Governador: Exarca
Período : Idade Média
 -  Extinção da prefeitura pretoriana da Itália 554
 -  Conquista pelo rei lombardo Astolfo 752


O Exarcado de Ravena foi o centro do poder bizantino na península itálica desde o final do século VI até o ano de 751, quando o último exarca foi morto pelos lombardos.

Origem[editar | editar código-fonte]

Em 404, durante o governo do imperador Honório, Ravena tornou-se a capital do Império Romano do Ocidente graças a sua vantajosa localização e seu porto abrigado com acesso ao Adriático.

A cidade continuou sendo o centro do Império Romano do Ocidente até sua dissolução em 476, momento em que se tornou primeiro a capital de Odoacro e depois dos ostrogodos, sob Teodorico, o Grande, reinando sobre o território da Itália, Gália Cisalpina, Dalmácia e Sicília.

Em 540, Ravena foi conquistada pelo general bizantino Belisário, embora tenha sido posteriormente recuperada pelos ostrogodos e de novo conquistada para o Império Bizantino por Narses em 552.

Posteriormente, devido à invasão lombarda, que começou em 568, Ravena passou a ser a sede do exarcado imperial. O exarcado foi fundado e organizado durante o reinado do imperador Maurício I (582-602).

O exarcado[editar | editar código-fonte]

No comando do exarcado estava o exarca, representante do imperador romano do oriente, que assumia tanto o poder civil como o militar dentro do território. O território sob domínio efetivo do exarca se estendia pela costa adriática da Itália desde Veneza no norte até Marcas. O resto dos territórios bizantinos da península Itálica não estava sob a autoridade direta do exarca, mas sim sob o governo de duques ou magistri militum. As ilhas não pertenciam ao exarcado: Sicília constituía uma unidade administrativa diferente, enquanto que Córsega e Sardenha dependiam do Exarcado de Cartago.

Os limites do exarcado não foram jamais definidos, dado o estado de guerra permanente entre bizantinos e lombardos. Para enfrentar a invasão lombarda, o imperador Maurício I, em 584 reformou a organização do exarcado, repartindo seu território em sete distritos, diretamente controlados e governados pelo exarca em Ravena:

Os lombardos estabeleceram sua capital em Pavia, de onde controlavam o vale do rio Pó. Alguns guerreiros independentes penetraram mais até o sul, e estabeleceram os ducados de Espoleto e de Benevento. A criação destes ducados dificultou as comunicações de Ravena com os territórios bizantinos da Itália meridional, tornando mais precário o poder do Império Bizantino na península.

Durante o século VII, o exarcado foi perdendo territórios em benefício dos lombardos. Piemonte, Lombardia, Vêneto, Toscana e grande parte do sul da Itália passaram ao poder dos lombardos, assim como Ligúria (em 640). Roma, nominalmente sob a autoridade do exarca, era na prática regida pelo papa, e a rivalidade deste último com o patriarca de Constantinopla era causa frequente de tensões.

Por volta do ano 740, nas vésperas de seu final, o exarcado controlava apenas a Ístria (exceto a laguna de Veneza, que começava a estabelecer-se como uma cidade-estado independente, Ferrara, Ravena com Pentápolis e Perúgia.

O fim do exarcado[editar | editar código-fonte]

Durante os séculos VII e VIII, a posição do exarca foi tornando-se mais difícil, devido à ameaça dos lombardos e dos francos, assim como pela divisão entre a cristandade oriental e ocidental motivada pela crise iconoclasta e a rivalidade entre o papa e o patriarca de Constantinopla.

Ravena continuou sendo a sede do exarcado até a revolta de 727 contra os imperadores iconoclastas. O último exarca foi morto pelos lombardos em 751. O exarcado transformou-se no Catapanato da Itália, com capital em Bari, cidade que foi conquistada pelos árabes em 858 e recuperada pelo Império Bizantino em 878.

Quando, em 756 os francos expulsaram os lombardos, o Papa Estêvão III reclamou o exarcado. Seu aliado, Pepino o Breve, rei dos francos, doou os territórios conquistados do antigo exarcado ao papa em 756. Esta doação, confirmada posteriormente por Carlos Magno (774), constituiu o início do poder temporal do Papado, conhecido como Patrimônio de São Pedro e depois como Estados Pontifícios.

Quando a Sicília foi conquistada pelos árabes no século X, os restos do poder bizantino na Itália se organizaram nos temas de Calábria e Lombardia. Ístria e a cabeceira do Adriático foram incorporados à Dalmácia.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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