Realpolitik

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Realpolitik (do alemão real "realístico", e Politik, "política") refere-se à política ou diplomacia baseada principalmente em considerações práticas, em detrimento de noções ideológicas. O termo é freqüentemente utilizado pejorativamente, indicando tipos de política que são coercitivas, imorais ou maquiavélicas. Pensadores como Maquiavel e Nietzsche defendem a Realpolitik como um tipo de realismo político segundo o qual as relações de poder tendem a solapar todas as pretensões de fundamentação moral, num tipo de ceticismo moral análogo ao do argumento de Trasímaco na República de Platão.[1]

Henry Kissinger conceitua Realpolitik como sendo "política exterior baseada em avaliações de poder e interesse nacional".[2]

Origem e uso do termo[editar | editar código-fonte]

O termo foi colocado por Ludwig August von Rochau, escritor e político alemão do século XIX, seguindo a idéia de Klemens Wenzel von Metternich de achar caminhos para equilibrar as relações de poder imperialista ao nível europeu. Equilibrar tal poder para manter a pentarquia européia era o meio de manter a paz, e cuidadosos praticantes de Realpolitik tentaram evitar corridas armamentistas.

Na sua acepção estadunidense, o termo é geralmente similar a Machtpolitik, enquanto na Alemanha, Realpolitik descreve políticas mais modestas (realistas), opondo-se a políticas "superprotetoras", mas geralmente irrealistas, apesar de ser associado ao nacionalismo do século XIX. O mais famoso adepto alemão da Realpolitik foi Otto von Bismarck, Chanceler do Reino da Prússia (1862 - 1870) de Guilherme I. Bismarck utilizou Realpolitik para assegurar maioria da Prússia na Alemanha, manipulando questões políticas como a de Schleswig-Holstein e a candidatura de Hohenzollern, em antagonismo com outros países, possivelmente com intenções bélicas. Uma característica da ação política de Bismarck era a ação quase maquiavélica, sem dar muita importância a questões éticas, morais ou legais. O movimento aparentemente ilógico da Prússia de não requerer território de uma Áustria derrotada - uma ação que posteriormente levou à unificação da Alemanha - é um dos exemplos mais citados de Realpolitik.

De modo análogo, no Partido Verde Alemão, pessoas que procuram acordos são chamadas de Realos(realistas), enquanto os opositores são os Fundis(fundamentalistas ou ideologistas).

Realpolitik em contraste com políticas de ideologia[editar | editar código-fonte]

A Realpolitik foi formalmente introduzida na Casa Branca no governo de Nixon por Henry Kissinger. Nesse contexto, a política significava lidar com outras nações poderosas de uma maneira prática, em detrimento de uma base de política doutrinária ou ética - por exemplo, as ações diplomáticas de Nixon com a República Popular da China, apesar de a doutrina estadunidense ser contrária ao comunismo e apesar da política de contenção do expansionismo soviético, formulada por George F. Kennan.[3] Outro exemplo é a "política de sonda" de Kissinger, na guerra entre árabes e israelitas de 1973, quando ele persuadiu os israelitas a se retirarem do Sinai em respeito à conjuntura internacional derivada da crise do Petróleo.

A Realpolitik é distinta da política ideológica por não seguir um número prefixado de regras, tendendo a ser orientada a resultados e limitada somente por exigências práticas. Como a Realpolitik é direcionada através dos mais práticos mecanismos de assegurar interesses nacionais, pode às vezes requerer que o sacrifício de princípios ideológicos. Por exemplo, os EUA, nas administrações Nixon e Reagan, frequentemente apoiavam governos que violavam os direitos humanos, para assegurar o interesse nacional norte-americano de estabilidade regional. Opositores freqüentemente classificavam estas atitudes como imorais, enquanto situacionistas replicavam com o argumento de que estariam apenas operando dentro dos limites práticos. Mais recentemente, o ex-embaixador estadunidense Dennis Ross associou essa idéia à política internacional, em seu livro de 2007 Statecraft: And how to restore America's standing in the world.

Em oposição à Realpolitik, políticas ideológicas tendem a favorecer princípios ideológicos acima de outras considerações. Tais grupos (teoricamente) rejeitam compromissos que, a seu ver, vão contra os seus ideais e, então, sacrificam ganhos políticos de curto prazo em favor de suas idéias.

Realpolitik e realismo político[editar | editar código-fonte]

Uma política externa guiada pelos princípios de Realpolitik também pode ser descrita como uma política externa realista. Realpolitik pode ser considerada como um de seus fundamentos do realismo político. Ambos implicam power politics mas Realpolitik seria como um guia prescritivo para a formulação de políticas (a exemplo da política externa), enquanto o Realismo é um paradigma que inclui uma grande variedade de teorias que descrevem, explicam e predizem as Relações Internacionais. Realpolitik também visa o equilíbrio de poder entre estados-nações, o que também é um assunto central do Realismo. Ambos implicam operações políticas, de acordo com a crença de que a política é baseada na perseguição, posse e aplicação do poder. Por isso, corre um risco de cometer crimes em tempos de guerra.

Referências

  1. Ética geral, por Nythamar de Oliveira. PUCRS, 2009.
  2. Kissinger, Henry [Diplomacy, p. 137, New York, Simon and Schuster], 1994.
  3. George F. Kennan e a política de contenção da Guerra Fria, por Andrea M. T. PENNACCHI.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]