Icenos

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Os Icenos foram uma tribo britana que habitou a área que corresponderia aproximadamente ao atual condado de Norfolk (Inglaterra), entre os séculos I a.C. e o I d.C. Os Cenimagnos que se renderam a Júlio César durante a sua segunda expedição à Britânia em 54 a.C., poderiam ter sido parte da tribo Icena.[1] .

Mapa dos povos celtas do sul da Britânia.

Há provas arqueológicas da sua existência, representadas por torques, desenhados para ser levados em torno do pescoço e os ombros, e que assinalavam os que os portavam como pertencentes à nobreza.

Os icenos começaram a cunhar moeda por volta de 10 a.C., criando uma adaptação especial do desenho gaulês “cara/cavalo”, mas em algumas moedas anteriores, sobretudo da zona próxima a Norwich, o cavalo foi substituído por um javali. O primeiro nome registrado que aparace nas moedas é o de um tal “Antédios” por volta de 10 a.C., seguindo nomes abreviados como AESU e SAEMU.[2]

A chamada Estrada Icena, um antigo caminho que une a Ânglia Oriental com Chilterns, foi denominada assim na honra deste povo britânico.

História conhecida dos Icenos[editar | editar código-fonte]

Tácito registra que os icenos não foram conquistados durante a invasão da Britânia pelas tropas do imperador Cláudio em 43, devido a que tinham assinada uma aliança voluntária com Roma. Contudo, em 47 sublevaram-se contra o Império quando o governador Públio Ostório Escápula tratou de desarmá-los; Ostório iniciou ações militares contra eles, e venceu-os numa dura batalha durante o assédio de um dos seus castros fortificados, mas continuaram mantendo uma independência ao menos nominal.[3] O sítio da batalha poderia ter decorrido em Stonea Camp, no atual condado de Cambridge.

Um segundo levantamento, muito mais sério, aconteceu por volta de 60 ou 61, quando o rei dos icenos Prasutanag, que fora aliado dos romanos, faleceu. Não era prática infrequente para um rei-cliente dos romanos que ao falecer deixara em herança o reino ao Império, mas Prasutanag pensou numa fórmula alternativa para assegurar a independência do seu povo e legou o seu reino ao imperador romano ex-aequo com as suas duas filhas.

Avanço de uma legião romana em posição de ataque.

Contudo, os romanos ignoraram o testamento e o procurador Cato Deciano apropriou-se de toda a herança do rei falecido; quando os icenos protestaram do abuso, na pessoa da sua rainha viúva Boudica, Deciano ordenou às suas tropas sufocar o protesto, e estas ultrapassaram-se no emprego da força, açoitando a rainha e violando as suas filhas. Esta ação provocou um forte mal-estar entre a população, que foi usado por Boudica para chamar a sua tribo para a rebelião e, posteriormente, atraindo a tribo dos Trinovantes, vizinha deles e que vira como os romanos tornavam a sua capital, Camuloduno numa colônia de veteranos romanos.

Enquanto o governador da Britânia, Caio Suetônio Paulino encontrava-se guerreando a norte de Gales, os Icenos e os Trinovantes, dirigidos por Boudica, caíram sucessivamente sobre as cidades de Camuloduno, Londínio e Verulâmio, onde assassinaram a população que não pôde fugir e incendiaram as povoações até os alicerces. Finalmente, Suetônio, que regressara com parte das suas tropas, atraiu os icenos à batalha num terreno favorável para os romanos, enfrentando-se na Batalha de Watling Street, na qual, apesar de a coligação icena-trinovante superar os romanos numa proporção de 5 a 1, foram derrotados graças às táticas, melhor equipamento e superior disciplina dos romanos. A derrota deveio numa massacre, na qual faleceram, segundo relata Tácito nos seus Annales, cerca de 80 000 britanos, homens, mulheres e crianças.[4] [5] [6] O lugar da batalha não foi estabelecido com segurança.

Os Icenos estão registrados como "civitas" da Britânia Romana na Cartografia de Cláudio Ptolomeu[7] que assinala Venta Icenorum como uma das suas cidades. Venda, que também se encontra mencionada na Cosmografia de Ravenna e no Itinerário Antonino, foi um assentamento que pode ser localizado perto de Casiter St.Edmunds, a cerca de 7,5 Km a sul da atual Norwich e a cerca de dois Km. de um assentamento da Idade do Bronze em Arminghall.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Júlio César, Comentários à guerra das Gálias, 5.21
  2. Graham Webster (1978), Boudica: the British Revolt Against Rome AD 60, pp. 46-48
  3. Tácito, 'Annales, 12-31
  4. Tácito, Agricola 14-17
  5. Tácito, Annales 14:29-39
  6. Dião Cássio, História de Roma 62:1-12
  7. Ptolemeu, Geografia, 2,1
  • Este artigo foi inicialmente traduzido do artigo da Wikipédia em espanhol, cujo título é «Icenos».

Ligações externas[editar | editar código-fonte]