Maximiano

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Maximiano
Imperador romano
Toulouse - Musée Saint-Raymond - Maximien Hercule1.jpg
Busto do imperador Maximiano.
Governo
Reinado 21[1] ou 25 de julho[2] de 285 – 286 (como César sob Diocleciano)
2 de abril de 286[3]  – 1 de maio de 305 (como Augusto do Ocidente, com Diocleciano como Augusto do Oriente)[4]
Fim de 306 – 11 de novembro de 308 (declarou-se Augusto)[5]
310 (declarou-se Augusto)[6]
Consorte Esposa de nome desconhecido?
Eutrópia
Antecessor Numeriano
Sucessor Constâncio Cloro
Galério
Vida
Nome completo Marcus Aurelius Valerius Maximianus
Nascimento ca. 250[7]
Sírmio
Morte ca. julho de 310 (60 anos)[7]
Massília
Filhos Com esposa de nome desconhecido:
Flávia Maximiana Teodora (adotiva)?
Com Eutrópia:
Magêncio
Fausta

Marco Aurélio Valério Maximiano Hercúleo Augusto (em latim: Marcus Aurelius Valerius Maximianus Herculius Augustus;[8] c. 250 – c. julho de 310[7] ) foi imperador romano de 286 a 305. Deteve o título de César (Caesar)[1] [2] de 285 a 286, e de Augusto (Augustus) de 286[3] a 305,[4] título que compartilhou com seu co-imperador e superior, Diocleciano, cuja inteligência política complementava sua força bruta militar. Maximiano estabeleceu sua residência em Trier, na atual Alemanha, porém passou a maior parte de sua vida em campanhas militares. No fim do verão de 285 combateu na Gália os rebeldes conhecidos como bagaudas. De 285 a 288 combateu tribos germânicas ao longo da fronteira do Reino. Em 288, juntamente com Diocleciano, deu início a uma campanha de terra arrasada bem no interior do território dos alamanos, removendo temporariamente a ameaça de invasão germânica das províncias ao longo do Reno.

O homem indicado por Maximiano para patrulhar as costas do Canal da Mancha, Caráusio, se revoltou em 286, causando a secessão da Britânia e do noroeste da Gália. Maximiano não conseguiu derrubar Caráusio, e sua frota naval foi destruída por tempestades em 289 ou 290. Constâncio, um general subordinado a Maximiano, iniciou campanhas militares contra o sucessor de Caráusio, Alecto, enquanto Maximiano manteve militarmente a fronteira do Reno. O líder dos rebeldes acabou sendo derrotado em 296, e Maximiano deslocou suas tropas para o sul, visando combater piratas na Hispânia e incursões berberes na Mauritânia. Com o fim destas campanhas, em 298, Maximiano partiu para a Itália, onde viveu confortavelmente até 305. Sob ordens de Diocleciano, Maximiano abdicou em 1 de maio de 305, passando o título de Augusto para Constâncio, e se estabelecendo no sul da Itália.

No fim de 306 Maximiano assumiu novamente o título de Augusto e apoiou a rebelião liderada por seu filho, Magêncio, na Itália. Em abril de 307 tentou depor seu filho, porém não obteve sucesso e fugiu para a corte do sucessor de Constâncio, Constantino (que era neto adotivo e genro de Maximiano), em Trier. No Concílio de Carnunto, em novembro de 308, Diocleciano e seu sucessor, Galério, forçou Maximiano a renunciar novamente ao título imperial. No início de 310 Maximiano tentou se apossar do título de Constantino enquanto este estava numa campanha militar no Reno; poucos, no entanto, o apoiaram nesta empreitada, e ele acabou sendo capturado por Constantino em Massília (atual Marselha). Maximiano cometeu suicídio no verão de 310, sob ordens de Constantino. Durante a guerra entre ambos, a imagem de Maximiano acabou sendo removida de todos os monumentos públicos; após Magêncio ser deposto e morto por Constantino, no entanto, sua imagem foi reabilitada, e ele foi deificado.

História[editar | editar código-fonte]

Diocleciano, logo a que ascendeu ao cargo de augusto, nomeou-o como césar, enviando-o para a Gália para sufocar uma série de rebeliões. Em 286, foi promovido a augusto, mantendo-se como comandante das linhas de defesa do Reno. A sua forte e activa ligação a Diocleciano está bem documentada. Em dois panegíricos da sua época dizia-se, por exemplo, que ambos estavam talhados para a esfera divina, pois a Maximiano estava reservado o papel de Hércules e a Diocleciano o de Júpiter.

Em 293, Constâncio Cloro e Galério foram empossados "césares". Maximiano foi então transferido para o Mediterrâneo ocidental, deixando o Norte para Constâncio. Foi bem sucedido nas suas novas paragens, pois entre 296 e 298 conseguiu dominar várias rebeliões na Hispânia e África, visitando depois Roma à frente de um solene cortejo cerimonial.

Em 304, regressou a (Roma), com Diocleciano, para celebrar os seus vinte anos à frente dos destinos do império. Desde o triunfo de Aureliano, em 254, que a cidade não assistia a um espectáculo tão grandioso. Para comemorar este acontecimento, construíram-se as Termas de Diocleciano e um magnífico edifício em frente ao Senado. Todavia, esta glória foi efémera, pois em 1 de Maio de 305, Diocleciano e Maximiano abdicaram do poder, embora se possa dizer que o segundo não tenha renunciado voluntariamente, antes terá sido por lealdade ao primeiro.

Em 306, o trono imperial romano foi usurpado por Magêncio, filho de Maximiano. Em 307, logo aquele tratou de chamar seu pai, retirado em Lucânia (Calábria), para com ele colaborar na sua tomada do poder. Maximiano, apoiando o filho, empreende uma aliança com Constantino na Gália, dando-lhe sua filha Fausta para sua mulher. Mas a Tetrarquia imperial estava minada de conflitos e desinteligências, criando impasses governativos profundos. Depois de falharem conversações promovidas por Galério no intuito de resolver esses intrincados problemas, Maximiano regressa à Gália e aí se proclama Augusto. No Reno, Constantino marchou de imediato ao encalço de Maximiano, seu sogro, que estava em Marselha, e impôs-lhe uma derrota militar. Deu então a escolher ao imperador a forma de acabar com a vida: Maximiano, como velho militar e romano de boa cepa, optou por se enforcar.

Referências

  1. a b Barnes, Constantine and Eusebius, 6; Barnes, New Empire, 4.
  2. a b Potter, 280–81.
  3. a b Barnes, Constantine and Eusebius, 6–7; Potter, 282; Southern, 141–42. A cronologia da indicação de Maximiano ao cargo de Augusto é um tanto incerta (Corcoran, "Before Constantine", 40; Southern, 142). Sugeriu-se por vezes que ele teria sido nomeado Augusto a partir de julho de 285, e nunca teria sido César. Esta teoria, no entanto, não recebeu muito apoio (Potter, 281; Southern, 142; following De Casearibus 39.17).
  4. a b Barnes, New Empire, 4.
  5. Barnes, Constantine and Eusebius, 32–34; Barnes, New Empire, 13; Elliott, 42–43; Lenski, 65; Odahl, 90–91; Pohlsander, Emperor Constantine, 17; Potter, 349–50; Treadgold, 29.
  6. Barnes, New Empire, 13.
  7. a b c Barnes, New Empire, 32.
  8. No latim clássico o nome de Maximiano seria inscrito como MARCVS AVRELIVS VALERIVS MAXIMIANVS HERCVLIVS AVGVSTVS.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Precedido por
Diocleciano
Imperador romano
com Diocleciano

286305
Sucedido por
Constâncio Cloro e Galério
Precedido por
Magêncio e Galério
Imperador romano
com Magêncio, Galério e Constantino I

306308
Sucedido por
Licínio, Magêncio e Galério