Constantino XI Paleólogo

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Constantino XI
Imperador bizantino
ConstantinoXI.jpg
Constantino XI
Governo
Reinado 1404-1453
Antecessor João VIII Paleólogo
Sucessor Último imperador bizantino
Dinastia Paleólogos
Vida
Nascimento 8 de fevereiro de 1404
Morte 29 de maio de 1453 (49 anos)
Constantinopla
Cônjuges
Madalena (Teodora) Tocco
Catarina Gattilusio
Filhos Não teve
Pai Manuel II Paleólogo
Mãe Helena Dragaš

Constantino XI Paleólogo (algumas vezes numerado como Constantino XII ou Constantino XIII), também conhecido como Constantino Dragasēs (em grego Κωνσταντίνος ΧΙ Δραγάσης Παλαιολόγος; 9 de fevereiro de 140429 de maio de 1453) membro da dinastia Paleólogo, foi o último imperador bizantino,[1] [2] [3] desde 1449 até sua morte.

O reinado de Constantino XI representa a agonia do Império Bizantino. Esta agonia se traduziu nos revezes sofridos, tanto internamente quanto externamente. Internamente, equívocos nas relações eclesiásticas. Externamente, o ataque cada vez mais evidente dos turcos otomanos. Sua morte marcou o fim definitivo do Império Romano, que continuou no leste 977 anos após a queda do Império Romano do Ocidente.[4]

Vida[editar | editar código-fonte]

Nascido em Constantinopla, Constantino era o oitavo dos dez filhos de Manuel II Paleólogo e Helena Dragaš. Cresceu na cidade imperial sob a supervisão de seus pais e, mais tarde, assumiu oficialmente o nome de sua mãe (Drageses).

Constantino casou-se por duas vezes. A primeira vez, em 1 de julho de 1428, com Madalena (Teodora) Tocco (morta em 1429); a segunda vez, com Catarina Gattilusio (morta em 1442). Segundo algumas fontes, não houve filhos nestes casamentos; segundo outras, teria nascido uma criança chamada Madalena.

Quando seu irmão, João VIII Paleólogo morreu, o trono foi disputado por Constantino e seu outro irmão Demetrius. Eles apelaram ao sultão Murad II para que este arbitrasse o conflito. Murad II escolheu Constantino, que foi coroado em Mistra, em 6 de janeiro de 1449. Ironicamente, seria o filho de Murad II quem, mais tarde, traria o fim do Império Bizantino.

União de Florença[editar | editar código-fonte]

Cerco de Constantinopla.

Em 12 de dezembro de 1452, a União de Florença foi proclamada solenemente na Igreja de Santa Sofia, perante Constantino XI, o representante do papa Nicolau V e o patriarca Gregório III Mammas. Tal união havia sido discutida e decretada no Concílio de Florença, nos anos 1438 e 1439, com representantes tanto dos católicos romanos quanto dos ortodoxos. Os ortodoxos voltariam atrás em suas diferenças com os católicos romanos em troca de apoio militar contra os otomanos. Mesmo questões delicadas como a cláusula filioque, a doutrina do purgatório, o uso do pão ázimo na Eucaristia e o reconhecimento da autoridade do papa foram admitidas pelos ortodoxos orientais. Em 1452, com a missa solene e conjunta em Constantinopla, tentou-se selar, por fim, a união. No entanto, esta cerimônia provocou uma reação contrária dos não-unionistas, que eram a maioria. Com tamanha oposição e, mais tarde, com a queda de Constantinopla (1453) em mãos dos otomanos, esta união católica-ortodoxa acabou por não se tornar em realidade.

Queda de Constantinopla[editar | editar código-fonte]

Maomé II, 1480, por Gentile Bellini, na National Gallery

Em fevereiro de 1451, com a morte de Murad II, assumiu o comando dos otomanos o sultão Maomé II, seu filho. Seu objetivo claro era a tomada de Constantinopla. Para isto, fez tratados diplomáticos com possíveis aliados de Constantino XI (como a República de Veneza), além de incursões militares contra cidades que pudessem enviar socorro a Constantinopla.

Com a construção da fortaleza Rumeli-Hissar, ao norte de Constantinopla, em agosto de 1452, Maomé II – munido de artilharia pesada – passou a impedir a navegação da cidade. Abandonada pelo Ocidente, sem contato com seus aliados e sob o peso da poderosa artilharia turca, coube a Constantino XI sozinho organizar a resistência. No entanto, contra os 60.000 combatentes de Maomé II, o imperador conseguiu reunir apenas oito mil soldados (sendo quase a metade deste contingente composta por estrangeiros).

No mês de abril de 1453, começaram os bombardeios e as tentativas de assalto contra a cidade. Em 23 de abril, Constantino XI ofereceu desesperadamente a paz ao sultão, mas este, obviamente, recusou. Segundo Vasíliev,

Cquote1.svg o bombardeio ininterrupto durante várias semanas, extenuava a população. Homens, mulheres, crianças, monges, religiosas, sacerdotes trabalharam dia e noite sob uma chuva de balas para reparar as numerosas brechas dos muros. O assédio durava já cinquenta dias quando o sultão, diante da notícia talvez fantástica da chegada de uma frota cristã de socorro, resolveu precipitar o assalto decisivo. Cquote2.svg
Vasíliev

A morte de Constantino XI[editar | editar código-fonte]

Na madrugada de 29 de maio, a lenta agonia cessou. Sob o ataque de três frentes, a cidade de Constantinopla caiu sob o domínio do Império Otomano. Não há nenhuma informação precisa a respeito, mas provavelmente Constantino XI morreu na resistência contra os otomanos. Por seu corpo nunca ter sido encontrado surgiu a lenda de que "quando estava rodeado pelos inimigos, um anjo o teria transformado em estátua de mármore e o escondido em uma caverna", donde sairá um dia para expulsar os Turcos de Constantinopla e restaurar o império. A lenda tem carácter escatológico, pois o despertar do imperador coincidiria com a "Consumação dos Tempos". Constantinopla está em poder turco até hoje. Teve seu nome alterado para Istambul.

A grande importância de Constantino XI, portanto, não está em algum grande feito que tenha realizado. Ele entrou para história por ter sido em seu reinado a queda da cidade de Constantinopla, fato que teve profunda repercussão em todo o Ocidente.

Porém a resistência valorosa até a morte do último imperador romano foi escolhida, nos anos seguintes, como símbolo da luta da cristandade contra os turcos, e contra esses foi usado sucessivamente como símbolo dos independentistas gregos no século XIX. Apesar disto, o Império Otomano só terminou muitos séculos depois, após a Primeira Guerra Mundial, e mesmo assim por deterioração própria e não por ação direta de nações europeias.

Uma estátua de Constantino XI está hoje defronte à catedral de Atenas. Foi feito santo e mártir da Igreja Ortodoxa.

Referências

  1. The last centuries of Byzantium, 1261–1453 Donald MacGillivray Nicol – Cambridge University Press, 1993 p.369
  2. History of the Byzantine Empire, 324–1453, A. Vasiliev – 1958, volume 2 p.589
  3. World History, William J. Duiker, Jackson J. Spielvogel 2009, Volume I p.378
  4. Nationalism and territory: constructing group identity in Southeastern Europe, George W. White, Rowman & Littlefield, 2000, pp.124

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • GIORDANI, Mario Curtis. História do Império Bizantino. 5 ed. Petrópolis: Vozes, 2001.
  • VASÍLIEV, A. A. Historia del Império Bizantino. Barcelona: Ibéria, Joaquín Gil, Editores S.A..
Precedido por
João VIII Paleólogo
Device of the Palaiologos Dynasty.svg
Imperador bizantino
1449 - 1453
Sucedido por
Maomé II, o Conquistador