Cómodo

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Cómodo / Cômodo
Imperador romano
Commodus Musei Capitolini MC1120.jpg
Busto de Cômodo vestido como Hércules. Museus Capitolinos
Governo
Reinado 17717 de março de 180 (com Marco Aurélio).
17 de março de 18031 de dezembro de 192 (em solitário)
Consorte Bruta Crispina
Antecessor Marco Aurélio
Sucessor Pertinax
Dinastia Nerva-antonina
Vida
Nome completo Lúcio Aurélio Cómodo Antonino
(Lucius Aurelius Commodus Antoninus)
Nascimento 31 de agosto de 161
Lanúvio
Morte 31 de dezembro de 192 (31 anos)
Roma
Filhos Não teve
Pai Marco Aurélio
Mãe Faustina, a Jovem

Lúcio Aurélio Cómodo (português europeu) ou Cômodo (português brasileiro) Antonino (em latim: Marcus Aurelius Commodus Antoninus; Lanúvio, 31 de agosto, 161 - Roma, 31 de dezembro, 192) foi um imperador romano que governou de 180 a 192.

Nascimento e família[editar | editar código-fonte]

Era filho de Marco Aurélio e de Faustina, a Jovem[1] , nasceu no dia anterior às calendas de setembro[2] e foi o primeiro imperador, numa série de cinco, a ascender ao poder por laços de sangue e não por adoção. É frequentemente citado como tendo sido um dos piores imperadores romanos, tendo o seu reinado marcado o final da chamada era dos cinco bons imperadores.

Ele teve um irmão gêmeo[1] chamado Antonino[2] , e sua mãe tinha sonhos, quando grávida, de que daria a luz serpentes[1] . Antonino, porém, só viveu até os quatro anos de idade[3] .

Cómodo foi educado em literatura grega por Onesicrates, em latim por Antistius Capella e em retórica por Ateius Sanctus[4] .

Imperador[editar | editar código-fonte]

Em 176, seu pai o nomeou co-imperador, e até a morte de Marco Aurélio os dois governaram juntos, durante a guerra contra os Marcomanos. No entanto, com a morte de Marco Aurélio, Cômodo preferiu, contra a opinião dos assessores do pai, encerrar a política de guerra total de Marco Aurélio e fazer com os germanos uma paz negociada - muito embora o exército romano estivesse envolvido, entre 180 e 182, em campanhas de "limpeza" na região danubiana.

A renúncia a conquistas de territórios, muito embora levasse em conta o fato de os recursos econômicos romanos, desde a época de Trajano, serem insuficientes para manter um número crescente de tropas permanentes sem uma grande expansão da base tributária existente, era algo que, desde a renúncia às inseguras conquistas asiáticas de Trajano por Adriano, tendia a desagradar à elite governante romana, que via com isso suas oportunidades de ocupar cargos públicos reduzidas. A renúncia a uma política ofensiva de Cômodo deveria, de saída, aliená-lo, como Adriano, dos grupos tradicionalistas muito poderosos no senado , com o qual começou desde cedo a entrar em atrito. A tradição de Cômodo como "mau" imperador (com as usuais acusações de depravações sexuais e extravagâncias, preservadas na sua biografia romanceada na História Augusta) vem, muito provavelmente, daí.

Cómodo celebrizou-se, segundo a tradição, pelo gosto dos espetáculos violentos. E esse seu gosto pela violência teria começado muito cedo: diz-se que, aos 12 anos de idade, após reclamar de um banho muito quente, exigiu que o criado responsável fosse queimado vivo. Os demais serventes lançaram o corpo de um animal ao fogo, dizendo tratar-se do responsável pelo banho. Cómodo, então, ficou de frente para o fogo, apreciando o cheiro da carne queimada. Este gosto pelos espetáculos seria transformado num instrumento político com sua ascensão ao trono.

Diante da oposição do senado, Cômodo procurou legitimar seu governo com base no carisma religioso, combinado a um carisma pessoal: fez empréstimos importantes às religiões orientais e promoveu o culto de Júpiter Summus Exsuperantissimus, como centro de um novo panteão romano, no qual estariam representados os deuses estrangeiros. Também apresentou-se como gladiador no anfiteatro, e devido à sua devoção ao culto de Hércules, um dos mitológicos filhos de Júpiter, autodenominou-se Hércules Romanus, impondo que o adorassem como a reencarnação de Hércules. Emitiu uma série de moedas em que se fazia representar como Hércules, com a clava, o arco, flechas e uma pele de leão.

Grande admirador das lutas entre gladiadores, Cómodo organizou, em 192, uma série de combates, com duração de duas semanas, chegando a participar pessoalmente deles, usando roupas e armas semelhantes às de Hércules. Apareceu inclusive no senado vestindo essas roupas.

Marco Aurélio Cómodo Antonino, busto no Museu do Louvre

Logo no início de seu reinado, teve de enfrentar uma conspiração baseada no senado e liderada por sua irmã Lucila- a qual era viúva do colega de Marco Aurélio como imperador, Lúcio Vero, e casada com um dos principais generais de Marco Aurélio, Tibério Cláudio Pompeano. Cômodo exilou - e mais tarde executou - Lucila, ao mesmo tempo que simplesmente afastou Pompeianus (com o qual Lucila jamais estivera em boas relações, por conta da idade avançada e da origem plebeia do segundo marido) da vida pública. A partir daí, apoiou-se no seu prefeito do pretório Perénio , que em 182 tornou seu cargo o posto mais elevado da hierarquia administrativa imperial. Perênio foi no entanto afastado e executado em 185, sendo substituído como favorito por Cleandro, que recebeu o título de amicus princeps e passou a dirigir o governo imperial de fato, assumindo a prefeitura em 189. Em 190, Cleandro seria derrubado por uma intriga de bastidores, e o poder real passou ao camareiro Eclectus e ao novo prefeito Laetus.

A hostilidade entre os imperadores e senado não era uma novidade na história do Império Romano, e Adriano já havia preferido governar apoiando-se num conselho de amigos pessoais e funcionários administrativos, mantendo-se através de suas viagens, longe do senado e em contato direto com as elites provinciais, com bons resultados. Diferentemente de Adriano, no entanto, Cômodo, apesar da noção exaltada e quase religiosa que possuía do seu cargo, não tinha interesse pelas tarefas quotidianas de governo - talvez devido à sua posição de "mais nobre príncipe", nobilissimus princeps, que lhe vinha de haver nascido quando o pai já tinha o poder imperial - demonstrando um profundo aborrecimento e desconsideração pelo cargo que ocupava; à medida que seu reinado avançava, passava cada vez menos tempo em Roma, preferindo manter-se isolado nas suas propriedades em Lanúvio. Chegou a nomear, em 189, sob a influência de Cleandro, 25 cônsules, sendo frequentes os julgamentos nos tribunais serem resolvidos com dinheiro, vendendo-se igualmente cargos públicos, no governo e na magistratura. Durante o seu período como imperador teve, contudo, o bom senso de escolher para as províncias e para o exército indivíduos com capacidades de administração, bem como o cuidado em atender a solicitações dos mais oprimidos, como o caso dos colonos africanos. Organizou uma frota que fazia periodicamente o transporte de trigo do Norte da África, como alternativa às importações de trigo do Egito, até então a principal base de abastecimento da plebe romana, à qual deu o nome de Alexandria Commodiana Togata(a partir da época de Constantino I, a frota do Egito seria utilizada para o abastecimento de Constantinopla, e a da África para o de Roma). Foi tolerante com os cristãos.

Morte[editar | editar código-fonte]

Diante da crise de legitimidade constante, o grupo de assessores mais próximos do imperador - que incluía o futuro imperador Septímio Severo, então governador da Panônia (e um dos 25 cônsules de 189), e seu irmão Públio Septímio Geta, governador da Dácia - resolveu-se pelo afastamento do imperador: em 31 de dezembro de 192, a pedido da favorita de Cômodo, Márcia, um campeão de lutas chamado Narciso estrangulou o imperador durante o banho. Cómodo foi então enterrado no mausoléu de Adriano. Sua morte violenta marcou o início de um período de grande instabilidade política em Roma.

Quando Septímio Severo se tornou imperador, Cómodo foi divinizado.

Representações[editar | editar código-fonte]

A tragédia de Cómodo foi recontada em dois filmes de sucesso em suas épocas (com tramas muito semelhantes):

Ver também =[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Cómodo
Precedido por
Marco Aurélio
Imperador romano
180 - 192
Sucedido por
Pertinax



Referências

  1. a b c História Augusta, Vida de Cómodo, 1.3
  2. a b História Augusta, Vida de Cómodo, 1.2
  3. História Augusta, Vida de Cómodo, 1.4
  4. História Augusta, Vida de Cómodo, 1.6

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BENNETT, Julian - Trajan: Optimus Princeps, 2a. ed., Bloomington, Indiana University Press, 2001.
  • CHRISTOL, M. & NONY, D. - Rome et son Empire, Paris, Hachette, 2003.
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