Lucila

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Lucila
Imperatriz-consorte romana
Lucilla, da palazzo sciarra, 161-169 dc..JPG
Estátua de Lucila.
Governo
Reinado 164-março de 169
Consorte Lúcio Vero
Cláudio Pompeiano
Antecessor Faustina, a Jovem
Sucessor Faustina, a Jovem
Dinastia Nerva-antonina
Vida
Nome completo Annia Aurelia Galeria Lucilla
Nascimento 7 de Março de 148 (ou 150)
Roma
Morte 182 (34 anos)
Capri
Filhos Com Lúcio Vero:
Aurélia Lucila
Lucila Pláutia
Lúcio Vero
Com Pompeiano:
Pompeiano
Pai Marco Aurélio
Mãe Faustina, a Jovem

Lucila (em latim: Annia Aurelia Galeria Lucilla) foi uma imperatriz-consorte romana, esposa do imperador Lúcio Vero. Ela era a terceira filha - segunda menina - do imperador Marco Aurélio com Faustina, a Jovem, e irmã mais velha do futuro imperador Cômodo. Foi ele quem ordenou que ela fosse executada depois de uma tentativa fracassada de matá-lo num golpe quando ela tinha por volta de trinta e três anos.

Primeiros anos[editar | editar código-fonte]

Nascida e criada numa influente família da Roma Antiga, Lucila tinha um irmão gêmeo, Gêmelo Lucila, que morreu por volta de 150. Os avós maternos da imperatriz eram o imperador Antonino Pio e a imperatriz Faustina Maior e os paternos, Domícia Lucila e o pretor Marco Ânio Vero.

Imperatriz[editar | editar código-fonte]

Em 161, quando ela tinha 13 anos (ou 11), os pais de Lucila arranjaram um casamento para ela com o co-imperador de seu pai, Lúcio Vero[1] . Dezoito anos mais velho que ela, Vero se casou três anos depois, em 164, na cidade de Éfeso, e Lucila recebeu o título de augusta[2] . Na mesma época, Marco Aurélio e Lúcio Vero estavam travando a guerra parta na Síria.

O casal teve três filhos[3] :

  • Aurélia Lucila, nasceu em 165 em Antioquia, morreu jovem.
  • Lucila Pláutia (m. 182), conspirou com a mãe para derrubar Cômodo e terminou executada com ela em Capri.
  • Lúcio Vero, morreu jovem.

Lucila era uma mulher influente e comandava grande respeito, algo que lhe agradava. Ela passou bastante tempo em Roma enquanto Vero estava em campanha cumprindo seus deveres como co-imperador. Lúcio morreu por volta de 168 ou 169 quando retornava de um combate na região do Danúbio e, por isso, Lucila deixou de ser imperatriz[2] .

Segundo casamento[editar | editar código-fonte]

Sendo uma parente não casada do imperador Marco Aurélio e do finado Lúcio Vero e também por conta de seus filhos, nascidos na realeza, Lucila não poderia ficar muito tempo viúva e assim, pouco tempo depois, seu pai arranjou um segundo casamento para ela, desta vez com Tibério Cláudio Pompeiano Quintiano de Antioquia. Ele era um sírio-romano que fora duas vezes cônsul e era aliado de seu pai. Porém, Lucila e Faustina eram contra o casamento por entender que ele não seria o par ideal para ela: além de ser pelo menos duas vezes mais velho que ela, Pompeiano não era do mesmo status social que Lucila (nobiles), mesmo ele sendo descendente de governantes no oriente[2] . De nada adiantou e eles se casaram. Por volta de um ano depois, em 170, Lucila teve um outro filho, Pompeiano, com o novo marido.

Ascensão de Cômodo[editar | editar código-fonte]

Em 172, Lucila e Quintiano acompanharam Marco Aurélio até Vindobona (Viena) em sua campanha no Danúbio. Eles estavam com ele em 17 de março de 180, quando o velho imperador faleceu e Cômodo, irmão de Lucila, ascendeu ao trono e sepultou de vez qualquer chance dela voltar a ser imperatriz. Quintiano e Lucila então voltaram para Roma.

Lucila não se conformou com a pacata vida de cidadã em Roma e detestava sua cunhada Brútia Crispina. Com o passar do tempo, ela ficou bastante preocupada com o comportamento instável do irmão e no resultado que ele tinha sobre a estabilidade do império[2] .

Trama para assassinar Cômodo[editar | editar código-fonte]

Sestércio de Lucila.

Por conta disto, em 182, Lucila se envolveu num complô para assassinar Cômodo e substituí-lo por Cláudio Pompeiano e tendo a si mesma como imperatriz[2] . Entre os conspiradores estavam Tarrutênio Paterno, o comandante da guarda imperial, a filha dela do casamento com Lúcio Vero, Pláutia, o sobrinho de Quintiano, também chamado Quintiano, e os primos dela pelo lado paterno, o ex-cônsul Marco Umídio Quadrado Aniano e sua irmã Umídia Cornifícia Faustina[4] .

Porém, o sobrinho de Quintiano, empunhando uma adaga ou uma espada, se atrapalhou em sua tentativa de assassinar Cômodo. Quando ele saiu de seu esconderijo para matá-lo, ele estupidamente entregou suas intenções dizendo "Eis aqui o que o Senado lhe envia". Os guardas do imperador foram mais rápidos e o confiante assassino foi dominado e desarmado sem conseguir sequer ferir Cômodo[1] [4] [5] .

Cômodo imediatamente ordenou a execução de Quintiano (o sobrinho) e de Marco Umídio Quadrado Aniano e baniu Lucila, a filha e Umídia Cornifícia para ilha Itália de Capri. No final do mesmo ano, um centurião enviado para lá pelo imperador executou as três[4] . Finalmente, Pompeiano, o filho de Lucila com Cláudio Pompeiano foi assassinado por Caracala[2] .

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]


Ver também[editar | editar código-fonte]

Lucila
Nascimento: 148/150 Morte: 182
Títulos reais
Precedido por:
Faustina, a Jovem
Imperatriz-consorte romana
164–169
com Faustina, a Jovem (164–169)
Sucedido por:
Faustina, a Jovem

Referências

  1. a b Dião Cássio, História Romana, 71.1, 3; 73.4.4–5.
  2. a b c d e f Lightman, Marjorie and Lightman, Benjamin, A to Z of Ancient Greek and Roman Women, Infobase Publishing, 2008. ISBN 978-1438107943.
  3. Peacock, Phoebe B.. Lúcio Vero (161–169 A.D.) (em inglês). [S.l.]: Library of Congress. Página visitada em 28/07/2013.
  4. a b c Lúcio Aurélio Cômodo (AD 161 – AD 192)] (em inglês) Roman Empire.net. Página visitada em 28/07/2013.
  5. Gibbon, Edward. A História do Declínio e Queda do Império Romano (em inglês). [S.l.: s.n.]. Capítulo: 4. , vol. 1. Página visitada em 28/07/2013.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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  • Balsdon, J.P.V.D., Roman Women, Barnes & Noble Inc, 1998. ISBN 978-0760708620.
  • D'Ambra, Eve, Roman Women, Cambridge University Press, 2006. ISBN 978-0521521581.
  • Fraschetti, Augusto, (Ed.), Lappin Linda (Transl.), Roman Women, University Of Chicago Press, 1999. ISBN 978-0226260945.
  • Freisenbruch, Annelise, Caesars’ Wives: Sex, Power, and Politics in the Roman Empire, Free Press, 2011. ISBN 978-1416583059.
  • Gardner, Jane F., Women in Roman Law and Society, Indiana University Press, 1991. ISBN 978-0253206350.
  • Peck, Harry Thurston, Harpers Dictionary of Classical Antiquities, Harper & Brothers Publishers, 1898.