Suevos

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Hispania 476 AD.PNG
O Reino Suevo (a verde) no ano 476
Série
História da península Ibérica
Portugal Espanha
Pré-História
Período pré-romano
Invasão romana
Hispânia: Citerior e Ulterior
Bética; Cartaginense; Galécia; Lusitânia e Tarraconense
Migrações bárbaras: Suevos e Visigodos
Invasão e domínio árabe
Período das taifas
A Reconquista e o Reino das Astúrias
Reino de Leão
Portucale   Aragão; Castela-Leão e Navarra

Os suevos (do proto-germânico *swēbaz, baseado na raiz proto-germânica *swe, "o próprio"[1] ; em latim: Suevi ou Suebi) foram um grupo de povos germanos, parte dos quais migraram à Hispânia durante as Invasões bárbaras, fundando um reino na antiga província romana da Galécia (actual norte de Portugal e Galiza) que duraria entre 409 e 585 d.C., data em que foi anexado pelos Visigodos.

Os suevos eram oriundos da região entre os rios Elba e Oder, na atual Alemanha. O historiador romano Tácito chegou a referir-se a todos os germanos do além-Elba como "suevos".

Parte dos suevos constituíram uma ameaça periódica contra os romanos no Reno, até que, no final do império, os alamanos, incluindo elementos dos suevos, quebraram as defesas romanas e ocuparam a Alsácia, e desde lá a Baviera e a Suíça. Uma parte deles permaneceu na Suábia (uma área no sudoeste da atual Alemanha, cujo nome moderno deriva do nome antigo), enquanto os migrantes estabeleceram um reino na Galécia.

Fundação do Reino Suevo na Galécia[editar | editar código-fonte]

Reino Suevo com capital em Braga, século V a VI

Os suevos chegaram à península Ibérica em 409, juntamente com outros invasores germânicos – vândalos, búrios e com os alanos (não-germânicos) e mais tarde os visigodos, numa migração desencadeada pela fuga à destruição causada pelos hunos entre os anos 372 e 375. Os suevos cruzaram os Pirenéus e fundaram um reino, com capital em Bracara Augusta, o qual, na sua máxima extensão, englobava a totalidade da província da Galécia e a parte norte da Lusitânia, até ao Tejo. O território mais a sul foi ocupado pelos visigodos. Os suevos instalaram-se principalmente em torno de cidades como Bracara Augusta (Braga), Portus Cale (Porto), Lucus Augusta (Lugo) e Asturica (Astorga).

Em 438 o rei suevo Hermerico ratificou a paz com os povos galaicos e, cansado por uma vida de lutas, já que comandava os suevos desde quando estes entraram na Península Ibérica, abdicou em favor de seu filho Réquila I.

Em 448 Réquila morreu, deixando um estado em expansão a seu filho Requiário que, sendo católico, impôs este credo à população sueva. A população urbana da Galécia era já predominantemente católica. A cidade de Braga como capital do reino suevo e sede episcopal ganhou grande importância, a qual ainda hoje é visível no carácter metropolita da sua , primaz entre as dioceses do Noroeste peninsular. ha vario tipos de um deles e suevos

Os suevos e a cidade do Porto[editar | editar código-fonte]

São Martinho de Dume numa miniatura do Códice Albeldensis, c. 976, À esquerda, junto da cabeça, lê-se Martinus episcopus bracarensis, Biblioteca do Escorial

Cerca do ano de 417, os alanos invadiram os territórios dos Suevos, empurrando estes até à margem direita do rio Douro, onde hoje se situa a cidade do Porto. Os alanos não conseguiram, apesar de muitos esforços, conquistar a cidade, sendo posteriormente expulsos pelo povo suevo, com o apoio dos romanos. Hermerico, o rei suevo, estendeu os muros do castelo, que fundara no morro da Pena Ventosa (onde actualmente se ergue a Sé), edificando à sua volta casas para as tropas. A este burgo foi dado o nome de Cale Castrum Novum (castelo novo de Cale) adquirindo a denominação de civitas. Ao fundo desse morro existia o Portus Cale (porto de Cale, actual Ribeira), que deu origem ao nome Portucale, nome esse dado ao castelo novo, e que ficaria a designar a cidade a partir dos finais do século IV. O castelo antigo ficava do outro lado do rio Douro, no local de Vila Nova de Gaia, posto de defesa avançado de Cale.

Declínio e queda do reino suevo[editar | editar código-fonte]

Em 456 Requiário I morre e vários pretendentes aparecem, agrupados em duas facções. Nota-se uma divisão marcada pelo rio Minho, provavelmente um reflexo das duas tribos, quados e marcomanos, que constituíam a nação sueva na Península Ibérica.

Em 585 os visigodos destroçaram os suevos e capturaram seu rei, Andeca. O reino suevo foi anexado pelo Reino Visigótico, mas provavelmente subsistiu um certo grau de autonomia. Segundo as crónicas de Afonso III, enquanto Égica governava o reino dos godos Vitiza governava o reino dos suevos.[2]

A herança dos suevos em Portugal[editar | editar código-fonte]

Os suevos adoptaram rapidamente a língua hispano-latina falada nas províncias que ocuparam, pelo que poucos vestígios linguísticos restam da sua presença. Identificou-se, ainda assim, a palavra "laverca" (uma forma arcaica de "cotovia" em português) como derivada do suevo lawerca. Segundo Dan Stanislawski, o modo de vida dos portugueses da região nortenha foi herdado dos suevos, principalmente por predominarem as pequenas propriedades rurais contrariamente à região sul de Portugal onde predomina o grande latifúndio. Aos suevos também se atribui a introdução do arado quadrado na península [3] .

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Peterson, Lena. Swābaharjaz (pdf). Lexikon över urnordiska personnamn pp. page 16. Institutet för språk och folkminnen, Sweden. Página visitada em 2007-10-11.
  2. [Wittiza] quem rex in vita sua in regno participem fecit et eum in Tudensem civitatem avitare precepit, ut pater teneret regnum Gotorum et filius Suevorum. Crónicas Asturianas, Adefonsi Tertii Chronica
  3. (em inglês) Stanislawski, Dan. The Individuality of Portugal. The Library Of Iberian Resources Online

Ver também[editar | editar código-fonte]

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