Monte Capitolino

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A colina do Capitólio.

O Capitólio (em italiano: Campidoglio; em latim: Capitolium), ou monte Capitolino, é uma das famosas sete colinas de Roma. Trata-se da colina mais baixa, com dois picos separados por uma depressão. Era local facilmente defensável, com alta escarpa exceto no lado que se vira para o Quirinal. Segundo a lenda, os Sabinos puderam tomar a colina apenas pela traição de Tarpeia. A rocha Tarpeia, de onde os criminosos eram jogados, guardaria seu nome.[1] Quando os Gauleses invadiram Roma, em 390 a.C., o monte Capitolino foi a única zona da cidade que não foi capturada pelos bárbaros.

De acordo com os escritores romanos e gregos antigos, o nome inicial do monte era monte Tarpeio, pois nele fora enterrada Tarpeia;[2] quando o rei Tarquínio, o Soberbo dedicou o monte a Júpiter e removeu seus ossos, o nome de Tarpeia foi esquecido, sendo mantido apenas na rocha Tarpeia.[1]

No lado do pico do sul, ou Capitólio, entre o Fórum Romano e o Campo de Marte (Campo Marzio), erguia-se o templo da Tríade Capitolina — os deuses Júpiter, a sua companheira Juno e a filha de ambos, Minerva — iniciado pelo último rei de Roma Tarquínio, o Soberbo, e considerado um dos maiores e mais belos templos da cidade. No lado do pico do norte, ou Arx, a partir do século IV a.C. se levantava o templo de Juno Moneta, no atual local da igreja de Santa Maria in Aracoeli. No pequeno vale entre ambos, hoje ocupado pela Praça do Capitólio, ficava o Asilo (Asylum), santuário que a lenda faz recuar aos tempos de Rômulo que oferecia refúgios aos perseguidos. Do lado leste, o Tabulário, arquivo estatal romano. No sopé da colina, no local da atual igreja de Giuseppe del Falegnami, a prisão Mamertina, onde provavelmente estiveram detidos os apóstolos Pedro e Paulo.

Do alto desta colina os generais triunfantes podiam contemplar a cidade pela qual lutavam. Além disto, o monte Capitolino é referido inúmeras vezes durante a História de Roma:

  • Quando, no século IV a.C., os guerreiros de Breno atacaram furtivamente, em plena noite, a colina do Capitólio, os gansos consagrados a Juno provocaram um grande alarido, fazendo que os soldados romanos não fossem surpreendidos dormindo em suas fortificações, podendo assim oferecer prolongada resistência ao ataque gaulês durante a Invasão Gaulesa de Roma. [3] [4]
A Praça do Capitólio
  • Bruto e os assassinos se refugiaram no monte Capitolino, dentro do Templo de Júpiter, após o assassinato de Júlio César.
  • Foi no Capitólio que Tibério Graco morreu.
  • Foi por este local que os Sabinos, perante a Cidadela, perpetraram dentro da cidade, com a ajuda da infame Virgem Vestal, Tarpeia, filha de Espúrio Tarpeio, que foi mais tarde o primeiro a morrer nas rochas.
  • Aqui foram assassinados criminosos políticos, atirados pela encosta da colina, para caírem nas afiadas Rochas Tarpeianas, mais abaixo.
  • Quando Júlio César sofreu um acidente durante o seu triunfo (segundo as crenças da época, indicando claramente a sua ira e o castigo que receberia por suas acções durante a Segunda Guerra Civil da República de Roma), aproximou-se, em joelhos, da colina, em direcção ao templo de Júpiter, na tentativa de subverter as infelizes premonições (César seria assassinado seis meses depois). [5]
A Praça do Capitólio, com a imponente estátua de Marco Aurélio ao centro.

De 1536 a 1546, o Papa Paulo III encarregou Michelangelo de redesenhar a praça e transformar o Capitólio com os seus três palácios que preenchem o espaço trapezoidal, aproximados de uma escadaria famosa, a Cordonata, encabeçada pelas duas grandes estátuas dos Dioscuros (os míticos Castor e Pólux). A ideia de redesenhar a praça nasceu quando se preparava a visita do imperador Carlos V de Habsburgo em 1536. Michelangelo incluiu em seus planos o palácio dos senadores, construído no século XII, e os alicerces do Tabulário e do edifício do lado sul, que datava do século XIV, hoje Palácio dos Conservadores (Palazzo dei Conservatori). A ideia do grande artista foi transformar o monumento equestre ao imperador Marco Aurélio, transferido para o Capitólio em 1538, na principal atração.

Contrapondo a orientação clássica do monte Capitolino, que se virava para o Fórum, o artista rodou as atenções para a Roma papal. A construção da praça progrediu muito lentamente e outros arquitetos terminariam as ideias de Michelangelo, pois a praça só seria terminada no século XVII. A impressionante fachada com pilastras coríntias do Palácio dos Conservadores, por exemplo, se deve a Giacomo della Porta (executada de 1564 a 1568). Os três palácios compõem actualmente os importantes Museus Capitolinos: estes edifícios do Palácio Novo (Palazzo Nuovo) e do Palácio dos Conservadores mostram em suas estupendas galerias o núcleo da coleção do papa Sisto IV iniciada em 1471.

A Praça do Capitólio continua a ser importante, pois o Tratado de Roma nela foi assinado em 1957 e o Palácio dos Senadores (Palazzo Senatorio) é a sede oficial do prefeito da cidade. A igreja de Santa Maria in Aracoeli está adjacente à praça.

Referências

  1. a b Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Rômulo 18.1 [em linha]
  2. Samuel Ball Platner e Thomas Ashby, A Topographical Dictionary of Ancient Rome (1929), Tarpeius Mons [em linha]
  3. Tito Lívio, Res memorabiles, V, 47
  4. Nascentes, Antenor (1986), Tesouro da Fraseologia Brasileira, Rio de Janeiro: Ed. Nova Fronteira, p.137
  5. Ancient World: Roman (em inglês)

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