Benito Mussolini
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| Benito Mussolini | |
| Primeiro-ministro da |
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| Mandato: | 31 de outubro de 1922 a 25 de julho de 1943 |
| Precedido por: | Luigi Facta |
| Sucedido por: | Pietro Badoglio |
| Duce da República Social Italiana | |
| Mandato: | 23 de setembro de 1943 a 26 de abril de 1945 |
| Nascimento: | 29 de Julho de 1883 Dovia di Predappio |
| Falecimento: | 28 de Abril de 1945 Giulino di Mezzegra |
| Profissão: | jornalista |
Benito Amilcare Andrea Mussolini (Dovia di Predappio, 29 de Julho de 1883 — Giulino di Mezzegra, 28 de Abril de 1945) foi um jornalista e político italiano criador do Fascismo. Governou com fortes poderes a Itália, entre 1922 a 1943, autodenominando-se Il Duce, que significa em italiano "o condutor".
Índice |
[editar] Origens
Mussolini viveu os seus primeiros anos de vida numa pequena vila na província, numa família humilde. Seu pai, Alessandro, era um ferreiro alcoólatra e um fervoroso socialista, e sua mãe, Rosa Maltoni, uma humilde professora primária, era a principal sustentadora da família. Foi-lhe dado o nome de Benito em honra do revolucionário mexicano Benito Juárez. Tal como o seu pai, Benito tornou-se um socialista e mais tarde um marxista. Foi influenciado por aquilo que leu de Friedrich Nietzsche, e uma outra doutrina muito corrente do tempo e que o influenciou foi a do "sindicalismo revolucionário", sustentada pelo escritor francês Georges Sorel (1847-1922).
Já mesmo na escola, com apenas onze anos, Benito deu mostras de um carácter violento ao esfaquear um dos seus colegas e atirar tinta ao professor. Foi expulso da escola.
Apesar disso continuou os estudos e teve mesmo boas notas, conseguindo qualificar-se como professor da escola primária em 1901.
Em 1902 emigrou para a Suíça para fugir ao serviço militar, mas, incapaz de encontrar um emprego permanente, tendo sido até mesmo preso por vagabundagem, ele foi expulso. Foi deportado para a Itália, onde foi forçado a cumprir o serviço militar. Depois de novos problemas com a polícia, ele conseguiu um emprego num jornal na cidade de Trento (à época sob domínio austro-húngaro) em 1908. Foi nesta altura que escreveu um romance, chamado A amante do cardeal.
Mussolini tinha um irmão, Arnaldo, que se tornou um conhecido teórico do fascismo.
Uniu-se informalmente com Rachele Guidi e em 1910 nasceu a primeira filha, Edda. Contraiu matrimônio civil somente cinco anos mais tarde. Em 1916 nasce Vittorio, em 1918 Bruno, em 1927 Romano e em 1929, Anna Maria.
[editar] Carreira política
No início da sua carreira de jornalista e político foi um tenaz propagandista do socialismo italiano, em defesa do qual escreveu vários artigos no jornal esquerdista Avanti, de que era redator-chefe. Em 1914, dirigiu o jornal Popolo d'Itália, onde defendeu a intervenção italiana em favor dos aliados e contra a Alemanha. Expulso do Partido Socialista Italiano, alistou-se no exército, quando a Itália entrou na Primeira Guerra Mundial e alcançou a patente de sargento, vindo a ser ferido em combate por uma granada.
Em 1919, fundou os Fasci Italiani di Combatimento, organização que originaria, mais tarde, o Partido Fascista. Baseando-se numa filosofia política teoricamente socialista, conseguiu a adesão dos militares descontentes e de grande parte da população, alargou os quadros e a dimensão do partido. Sua oratória era tão notável – possuía uma bela voz digna de um barítono – quanto seu uso eficaz de propaganda política.
Após um período de grandes perturbações políticas e sociais, período em que alcançou grande popularidade, guindou-se a chefe do partido (Duce).
Em 1922 organizou, juntamente com Bianchi, De Vecchi, De Bono e Italo Balbo, a famosa marcha sobre Roma[1], um golpe de propaganda. O próprio Mussolini nem sequer esteve presente, tendo chegado de comboio.
Usando as suas milícias (chamadas de camicie nere (camisas negras) para instigar o terror e combater abertamente os socialistas, conseguiu que os poderes investidos o nomeassem para formar governo. Foi nomeado Primeiro Ministro pelo rei Vítor Manuel III, alcançando a maioria parlamentar e, consequentemente, poderes absolutos no governo do país.
Logo após a sua subida ao poder, iniciou uma campanha de fanatização que culminaria com o aumento do seu poder, devido à interdição dos restantes partidos políticos e sindicatos. Nessa campanha foi apoiado pela burguesia e pela Igreja. Em 1929, necessitando de apoio desta e dos católicos, pôs fim à Questão Romana (conflito entre os Papas e o Estado italiano) assinando a Concordata de São João Latrão com Pio XI. Por esse tratado, firmou-se um acordo pelo qual se criava o Estado do Vaticano, o Sumo Pontífice recebia indemnização monetária pelas perdas territoriais, o ensino religioso era obrigatório nas escolas italianas, o catolicismo virava a religião oficial da Itália e se proibia a admissão em cargos públicos dos sacerdotes que abandonassem a batina.
[editar] Invasão de outros países e Segunda Guerra
Em 1935, invadiu a Abissínia - atual Etiópia (segunda guerra ítalo-etíope), perdendo assim o apoio da França e da Inglaterra, até então seus aliados políticos. Esta campanha militar fez mais de meio milhão de mortos entre os africanos, face a cerca de 5.000 baixas do lado italiano. Foram usadas armas químicas contra a população local, um facto que não foi noticiado na imprensa italiana, controlada por Mussolini.
Somente então aliou-se de fato a Adolf Hitler, com quem firmaria vários tratados. Em 1936, assinou com o Führer e com o Japão o Pacto Tripartite, pelo qual Alemanha nazista, Itália e Japão formavam uma aliança político-militar que levaria o mundo à Segunda Guerra Mundial.
Em 1938 ocupou a Albânia e enviou vários destacamentos que lutaram ao lado dos falangistas de Franco durante a Guerra Civil de Espanha. Em seguida, fez os exércitos italianos atacarem a Grécia – apenas para serem expulsos em oito dias.
Com o início da Segunda Guerra Mundial combateu os aliados e, após várias e quase consecutivas derrotas, apesar do apoio militar alemão e sobretudo depois do desembarque aliado na Sicília, caiu em desgraça, vindo a ser derrubado e preso em 1943.
Foi libertado pelos pára-quedistas SS alemães do hotel/prisão de Gran Sasso em 12 de Setembro de 1943 em ação de resgate liderada por Otto Skorzeny, conhecida como Operação Eiche (OAK).[2]
[editar] Morte
Fundou a República Social Italiana (conhecida como República de Salò), no Norte do país, mas pouco depois viria a ser novamente preso por guerrilheiros da Resistência italiana, que o mataram a 28 de abril de 1945, juntamente com a sua companheira, Clara Petacci – que embora pudesse fugir, preferiu permanecer ao lado do Duce até o fim. As últimas palavras de Mussolini – em óbvia deferência à sua personalidade egocêntrica – foram:
" Atirem aqui " (disse ele apontando para o peito). " Não destruam meu perfil ".
O seu corpo e o de Clara Petacci ficaram expostos à execração pública durante vários dias, na Piazza Loreto em Milão.
[editar] Investigação sobre sua morte
As últimas horas de vida de Mussolini foram vasculhadas por um tribunal do júri de Pádua, em maio de 1957. Mas o processo não esclareceu as circunstâncias da morte. Até hoje não se sabe, de fato, quem disparou os tiros mortais. O pesquisador Renzo de Felice suspeita que o serviço secreto britânico tenha tramado a captura junto com os partigiani.
Michele Moretti, último sobrevivente do grupo de guerrilheiros antifascistas que matou o ditador, morreu em 1995, aos 86 anos em Como (norte da Itália). Moretti, que na época da guerrilha usava o codinome "Pietro", levou para o túmulo o segredo sobre quem realmente disparou contra Mussolini e sua amante.
Alguns historiadores italianos afirmam que o próprio Moretti matou os dois. Para outros, o autor dos disparos, feitos com a metralhadora de "Pietro", foi outro partigiano, chamado Walter Audisio. É certo, porém, que a ação foi obra da Resistência italiana.
[editar] Cronologia
- 1883 - 29 de julho: Em Dovia, distrito de Predappio, na Romanha, nasce Benito Mussolini, filho de Alessandro e Rosa Maltoni.
- 1892 - Matrícula na escola elementar dos salesianos de Faenza.
- 1901 - 8 de julho: Forma-se professor.
- 1902 - leciona, por breve período, nas escolas elementares. Em seguida, transfere-se para a Suíça. Inicia a carreira jornalística, colaborando no semanário “L’Avennire del Lavoratore” (O Futuro do Trabalhador).
- 1903 - Preso por motivos políticos, é expulso do Cantão de Berna. Volta a Lausana e freqüenta o mundo dos exilados políticos.
- 1904 - Profere ciclos de conferências, freqüenta a Universidade de Lausanne onde assiste, ao que parece, a algumas lições do economista Pareto. Em dezembro, regressa à Itália.
- 1905 - Presta serviço militar no regimento dos bersaglieri. 19 de fevereiro: morte da mãe.
- 1908 - Condenado a três meses de detenção por ameaça, tem sua pena reduzida para 15 dias.
- 1909 - É nomeado dirigente da Câmara do Trabalho de Forli. Transferindo-se a Trento, assume o cargo de secretário da Câmara do Trabalho. Colabora no jornal “Il Popolo” (O Povo), dirigido por Cesare Battisti. Outubro: detido e expulso de Trento, seus companheiros socialistas convocam uma greve contra sua expulsão. Retorna a Forli, onde dirige o núcleo local do partido socialista. Conhece Rachele Guidi, sua futura esposa.
- 1910 - Nasce a filha Edda.
- 1911 - Preso e processado por causa de sua propaganda contra a guerra da Líbia, é condenado a 12 meses de cárcere.
- 1912 - Julho: participa do congresso nacional do partido socialista, em Reggio Emilia. Entra na direção do partido e é nomeado diretor do “Avanti!”(Avante!).
- 1914 - Participa do congresso nacional do partido socialista, em Ancona. 20 de outubro: deixa a direção do “Avanti!”. Novembro: funda o jornal cotidiano “Il Popolo d’Itália” (O Povo da Itália). 24 de novembro: é expulso do partido socialista.
- 1915 - 24 de maio: a Itália entra na guerra. Mussolini parte para a frente de batalha. 11 de novembro: fruto de uma aventura amorosa com Ida Dalser, nasce Benito Albino Dalser-Mussolini, que só será reconhecido como filho legítimo em 11 de janeiro do ano seguinte. Em 16 de dezembro, Mussolini casa-se no civil com Rachele Guidi, mãe de sua filha Edda.
- 1916 - 1° de março: promovido a cabo, por dedicação e audácia. Agosto: promovido a cabo sênior. Neste ano, nasce Vittorio.
- 1917 - Fevereiro: promovido a sargento de esquadra. Logo em seguida, é ferido em batalha.
- 1918 - Nasce Bruno, filho de Mussolini e Rachele.
- 1919 - 23 de março: com centenas de camaradas, realiza o juramento na Praça San Sepolcro, fundando o Fascio Milanese di Combattimento (Esquadrão Milanês de Combate). 16 de novembro: é derrotado nas eleições para o colégio de Milão.
- 1921 - Transformação dos Esquadrões de Combate em partido fascista. Em maio, Mussolini é eleito deputado. 21 de junho: primeiro discurso reacionário na Câmara.
- 1922 - 28 de outubro: Marcha sobre Roma. Dezenas de milhares de fascistas ocupam a capital. 30 de outubro: chamado pelo Rei Vítor Emanuel III, Mussolini recebe o encargo de formar o novo governo.
- 1923 - 12 de janeiro: constituição do Grande Conselho do Fascismo.
- 1925 - 3 de janeiro: discurso de Mussolini na Câmara. Os fascistas reassumem o controle da situação.
- 1926 - Abril: fundação da Opera Nazionale Balilla (ONB), destinada à assistência e educação moral e física da juventude. Outubro: após o terceiro atentado contra o Duce, em Bolonha, o Parlamento emana uma série de leis visando à defesa do estado. Supressão dos partidos e dos jornais da oposição. 28 de dezembro: casamento religioso com Rachele.
- 1929 - 11 de fevereiro: assinatura da Concordata com a Santa Sé (Pacto de Latrão), que reconhece o Vaticano com Estado soberano.
- 1933 - Assinatura do Pacto dos Quatro (França, Inglaterra, Alemanha e Itália) para assegurar a paz na Europa. Setembro: primeiro encontro do Duce com Claretta Petacci, com quem terá um enlace amoroso até os últimos dias de vida.
- 1934 - Durante o verão, o Duce se opõe à iniciativa de Hitler que pretende anexar a Áustria à Alemanha, enviando algumas divisões ao passo de Brenner.
- 1935 - O ministro francês Laval visita Roma. 11-14 de abril: Conferência de Stressa entre Inglaterra, França e Itália. 3 de outubro: início da guerra da Abissínia. Como voluntários, partem os filhos do Duce e Rachele, Vittorio e Bruno, enquanto Edda se inscreve na Cruz Vermelha.
- 1936 - 9 de maio: Mussolini proclama a fundação do Império. 18 de julho: assinatura de um tratado de aliança com o general espanhol Franco.
- 1937 - Mussolini solicita uma aliança com Hitler. 25 de setembro: primeira visita oficial de Mussolini à Alemanha. A Itália ameaça desligar-se da Sociedade das Nações.
- 1938 - 15 de julho]: lançamento do manifesto proclamando diferenças raciais entre italianos e judeus, com repercussões na vida política.
- 1940 - 18 de março: encontro em Brenner entre Hitler e Mussolini. 10 de junho: a Itália declara guerra à França. 24 de junho: armistício ítalo-francês. Agosto-setembro: ocupação da Somália Britânica e de Djibuti pelas tropas Itália. 27 de setembro: assinatura do Pacto Tripartite, de colaboração entre Itália-Alemanha-Japão. 28 de outubro: a Itália ataca a Grécia. 9 de dezembro: contra-ofensiva inglesa na Líbia. A Itália é forçada a pedir ajuda à Alemanha.
- 1941 - 22 de janeiro a 7 de fevereiro: perda da Cirenaica Italiana. 5 de abril: os ingleses tomam Addis Abeba. 12 de abril: contra-ofensiva das tropas do Eixo na Líbia. 15 de maio: capitulação italiana na África Oriental. Junho: o Duce envia um Corpo Expedicionário Italiano para a Rússia (CSIR). 7 de agosto: o jovem capitão Bruno, filho do Duce, morre testando um novo avião. Dezembro: a Itália declara guerra aos Estados Unidos.
- 1942 - Junho: última ofensiva ítalo-germânica na Cirenaica. 3 de novembro: inicia-se a retirada das tropas do Eixo. 7 de novembro: as tropas anglo-americanas desembarcam em Marrocos e na Argélia.
- 1943 - 9 de julho: desembarque dos anglo-americanos na Sicília. 19 de julho: Mussolini encontra Hitler perto de Feltre. 24 de julho: reunião do Grande Conselho do Fascismo que vota a ordem do dia Grandi, com a qual se declara a queda do governo Mussolini e se convida Vittorio Emanuele III a assumir plenos poderes. 25 de julho: Mussolini apresenta sua demissão ao rei e é preso. Será deportado primeiro para a Ilha de Ponza e depois para Gran Sasso. 12 de setembro: um comando alemão chega à Ilha Gran Sasso e liberta Mussolini, levando-o de avião para a Alemanha. 18 de setembro: Mussolini anuncia a constituição da República Social Italiana da Alta Itália.
- 1944 - 10 de janeiro: em Verona, um tribunal especial condena à morte os membros do Grande Conselho do Fascismo que votaram a favor da ordem do dia Grandi, inclusive o genro do Duce, Galeazzo Ciano, marido de Edda. 16 de dezembro: último discurso do Duce, no teatro lírico de Milão.
- 1945 - Abril: Mussolini se transfere de Gargnano, às margens do Lago Garda, onde estava a sede do governo da República Social, para Milão. 27 de abril: unindo-se a uma coluna alemã em retirada para Valtellina, Mussolini é reconhecido por alguns guerrilheiros e preso. 27-28 de abril: Mussolini e Claretta Petacci são assassinados por partisans, numa vila nas proximidades de Bonzanigo-Giulino di Mezzegra, ao norte de Azzano, às margens do Lago de Como. Apenas no dia seguinte será expedida a sentença de morte oficial, emanada pelos guerrilheiros socialistas. 29 de abril: vilipendiação pública do cadáver de Mussolini, juntamente com o de Claretta Petacci e outros líderes fascistas, em Milão.
[editar] Ver também
Referências
- ↑ SASSOON, Donald. Mussolini e a ascensão do fascismo. Rio de Janeiro: Agir, 2009. 200 p. ISBN 978-85-220-0806-3
- ↑ (em português) Milavicorner - Operação Oak: O resgate de Mussolini
[editar] Ligações externas
| Precedido por Luigi Facta |
Primeiro-ministro da Itália 1922 - 1943 |
Sucedido por General Pietro Badoglio |


