Tratados de Locarno

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Da esquerda para a direita, Gustav Stresemann, Austen Chamberlain e Aristide Briand durante as negociações de Locarno

Por meio dos sete Tratados de Locarno, negociados em Locarno, Suíça, em 16 de outubro de 1925, e assinados em Londres em 1º de dezembro de 1925, as potências da Europa Ocidental aliadas na Primeira Guerra Mundial buscaram a manutenção das fronteiras entre a Bélgica e a Alemanha, assim como aquelas da França com a Alemanha. Foram fiadores do Tratado o Reino Unido e a Itália, apesar de não terem tomado, efetivamente, nenhuma providência no sentido de honrarem sua promessa. Nenhum comprometimento militar ou planejamento de defesa para os territórios envolvidos foi feito. Nos termos do tratado principal (o "Pacto de Estabilidade" ou "Pacto Renano", entre Alemanha, Bélgica, França, Reino Unido e Itália), os signatários ofereciam garantias de que a Alemanha não seria reocupada pelos Aliados; em troca, a Alemanha aceitava manter desmilitarizada a área da Renânia - o que já era previsto no Tratado de Versalhes, mas não era realmente aceito pelo governo alemão, que encarava aquilo, até então, como mais uma das imposições cruéis que o pacto pós-Primeira Guerra tinha criado. O governo alemão, porém, recusou-se a negociar um "Locarno no Leste", deixando claro que estava descontente com a então configuração das fronteiras orientais.

Outros dois tratados, celebrados pela França com a Polônia e com a Tchecoslováquia, continham o compromisso de defesa mútua em caso de um ataque da Alemanha. Os demais acordos dispunham sobre arbitramento internacional.

O "espírito de Locarno" permitiu que a Alemanha fosse admitida na Liga das Nações (1926) e levou à retirada das tropas aliadas da Renânia Ocidental (1930). Não sobreviveu, porém, à ascensão do nacionalismo alemão de extrema-direita a partir de 1930. A Alemanha repudiou formalmente os seus compromissos de Locarno quando ocupou a Renânia desmilitarizada, em 7 de março de 1936.

Referências