Terror Vermelho

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Broom icon.svg
As referências deste artigo necessitam de formatação (desde dezembro de 2014). Por favor, utilize fontes apropriadas contendo referência ao título, autor, data e fonte de publicação do trabalho para que o artigo permaneça verificável no futuro.
Félix Dzerjinski, Chefe da Tcheka.

O Terror Vermelho na Rússia Soviética foi a campanha de prisões e execuções em massa conduzidas pelo governo Bolchevique. Na historiografia soviética, o Terror Vermelho é descrito como anunciado oficialmente em 2 de setembro de 1918 por Yakov Sverdlov e terminado aproximadamente em outubro de 1918. Entretanto, muitos historiadores, começando por Serghei Melgúnov, aplicam este termo à repressões para todo o período da Guerra civil russa, 1918-1922.[1] [2] A repressão em massa foi conduzida sem processo judicial pela polícia secreta, a Cheka,[3] junto de elementos da agência de inteligência militar bolchevista, a GRU.[4]

O termo "Terror Vermelho" foi originalmente[5] usado para descrever as últimas seis semanas do "Terror" da Revolução Francesa, terminando em 28 de julho de 1794 (execução de Robespierre), para distingui-lo do subsequente período do Terror branco[6] (historicamente este período tem sido conhecido como o Grande Terror (em francês: la Grande Terreur).

Finalidade[editar | editar código-fonte]

O Terror Vermelho foi um esforço por parte dos bolcheviques para eliminar contra-revolucionários que pertenciam as antigas "classes dominantes", como uma implementação da ditadura do proletariado.[7] Martin Latsis, chefe da Tcheka na Ucrânia, explicou no jornal Red Terror:

Não olhe no arquivo por provas incriminatórias. Você não precisa provar que este ou aquele homem agiu contra os interesses do poder soviético. Pergunte a ele, em vez de qual classe pertence, qual é o seu passado, a sua educação, a sua profissão. Estas são as perguntas que irão determinar o destino do acusado. Esse é o significado da essência do Terror Vermelho.

A luta amarga foi descrita de forma sucinta, do ponto de vista bolchevique, por Grigory Zinoviev em meados de setembro 1918:

Para vencer os nossos inimigos, devemos ter o nosso próprio militarismo socialista. Temos de carregar conosco 90 milhões dos atuais 100 milhões da população da Rússia Soviética. Quanto ao resto, não temos nada a dizer a eles. Eles devem ser aniquilados.

História[editar | editar código-fonte]

"Bolshevik freedom" – Poster de propaganda polonesa com a caricatura de Leon Trotsky

A campanha de repressão em massa começou oficialmente em retaliação ao assassinato em Petrogrado do líder da Tcheca Moisei Uritsky, pelo estudante e membro dos Partido Socialista Revolucionário Leonid Kannegisser,[10] [11] e pela tentativa de assassinato de Lenin, pela socialista revolucionária Fanni Kaplan em 30 de agosto de 1918.[11]

Como reação 1300 representantes da classe burguesa foram massacrados por destacamentos da tcheca dentro das prisões em Petrogrado e Kronstadt entre 31 de agosto e 4 de setembro. Quinhentos reféns foram executados imediatamente pelo governo comunista bolchevique após o assassinato do Uritsky.[12]

Enquanto se recuperava de seus ferimentos, Lenin instruiu:

"É necessário - secretamente e com urgência - preparar para o terror”.[13]

Mas mesmo antes dos atentados, Lenin estava enviando telegramas "para introduzir terror em massa" em Níjni Novgorod, em resposta a uma suspeita insurreição civil lá, e de "esmagar" latifundiários em Penza que protestavam, por vezes violentamente, a requisição de seus grãos por destacamentos militares. [14] [15]

O primeiro anúncio oficial do Terror Vermelho foi publicado em 3 de setembro de 1918 no Izvestia, com o titulo de "Apelo à classe trabalhadora" instigando os trabalhadores a "esmagar a hidra da contra-revolução com terror!

"Quem se atreve a espalhar o menor rumor contra o regime soviético será preso imediatamente e enviados para campos de concentração".[16]

Em 5 de setembro o Conselho do Comissariado do Povo publicou um decreto intitulado ‘’Sobre o Terror Vermelho’’ apelando para ...‘’isolar os inimigos de classe da República Soviética dentro de campos de concentração, e de executar no local todo envolvido em insurreições, motins ou de pertencer a Guarda Branca.[17] [18] [19] [20]

Em 15 de outubro, um dos líderes da Tcheca, Gleb Bokii, citou que o Terror Vermelho tinha terminado oficialmente, informando que em Petrogrado 800 supostos inimigos havia sido baleado e outro 6.229 presos.[13] Os mortos nos dois primeiros meses foram entre 10.000 e 15.000 com base em listas de pessoas executadas sumariamente publicadas no jornal Cheka Weekly e em outros da imprensa oficial.[15]

O número de execuções pela Tcheka em poucas semanas foi duas a três vezes maior que a pena de morte por parte do regime czarista em 92 anos.[16]

A medida que a guerra civil progredia, um número significativo de presos, suspeitos e reféns foram executados com base de pertencerem às "classes inimigas do proletariado". Na Crimeia, Béla Kun, com a aprovação de Vladimir Lenin[21] executou sumariamente 50.000 civis e prisioneiros de guerra brancos, por disparo ou enforcados, após a derrota do general Pyotr Nikolayevich Wrangel, no final de 1920. A eles havia sido prometida anistia se eles se rendessem.[22] É razoável citar os bolcheviques como iniciantes do ciclo de atrocidades durante a guerra civil.[23]

Repressões[editar | editar código-fonte]

Camponeses[editar | editar código-fonte]

Os adversários reais ou imaginários são submetidos a prisões e execuções. Segundo algumas estimativas, a repressão da Revolta de Tambov (1919-1921) causou a deportação de cerca 100.000 camponeses rebeldes e suas famílias, sendo cerca de 15.000 deles executados.[24]

Trabalhadores da indústria[editar | editar código-fonte]

Em 16 de Março de 1919, a Tcheka invadiu a fábrica Putilov. Mais de 900 trabalhadores que estavam em greve foram presos, dos quais mais de 65 foram executados sem julgamento durante os próximos dias.[25] Inúmeras greves ocorreu na primavera de 1919, nas cidades de Tula, Orel, Tver, Ivanovo e Astrakhan. Os trabalhadores famintos procurou obter rações alimentares semelhantes às dos soldados do Exército Vermelho. Eles também exigiram a eliminação de privilégios para bolcheviques, a liberdade de imprensa e eleições livres. Todas as greves foram impiedosamente reprimidas pela Tcheka usando execuções.[25] [26]

Os membros do clero foram submetidos a abusos particularmente brutais. De acordo com documentos citados porAlexander Yakovlev, então chefe do Comitê Presidencial para a reabilitação das vítimas da repressão política, padres, monges e freiras foram crucificados, jogados em caldeirões de piche fervendo, escalpelados, estrangulados e afogado em buracos no gelo.[27] Estima-se que 3.000 foram condenados à morte só em 1918.[27]

Referências

  1. Sergei Petrovich Melgunov, Red Terror in Russia, Hyperion Pr (1975), ISBN 0-88355-187-X
  2. Nicolas Werth, Karel Bartošek, Jean-Louis Panné, Jean-Louis Margolin, Andrzej Paczkowski, Stéphane Courtois, The Black Book of Communism: Crimes, Terror, Repression, Harvard University Press, 1999, capa-dura, 858 páginas, ISBN 0-674-07608-7
  3. Edvard Radzinsky Stalin: The First In-depth Biography Based on Explosive New Documents from Russia's Secret Archives, Anchor, (1997) ISBN 0-385-47954-9, páginas 152-155
  4. Suvorov, Viktor, Inside Soviet Military Intelligence, New York: Macmillan (1984)
  5. Jan ten Brink (1899) English translation by J. Hedeman "Robespierre and the Red Terror", reprinted in 2004, ISBN 1-4021-3829-6
  6. French Revolution
  7. The supersession of the bourgeois state by the proletarian state is impossible without a violent revolution (The State and Revolution, capitulo 1)
  8. Yevgenia Albats and Catherine A. Fitzpatrick. The State Within a State: The KGB and Its Hold on Russia – Past, Present, and Future, 1994. ISBN 0-374-52738-5.
  9. George Leggett. The Cheka: Lenin's Political Police Oxford University Press, 1986. ISBN 0-19-822862-7 pagina 114.
  10. David Marples. "Motherland - Russia in the 20th Century" (em inglês). Nova York: Routledge, 2002. p. 61. ISBN 987 0 582 43834-7.
  11. a b David Cox. "Close Protection: The Politics of Guarding Russia's Rulers" (em inglês). USA: Greenwood Publishing Group, 2001. p. 12. ISBN 987 0 275 96688-7. In addition to assassinating the German ambassador and Moisey Uritsky, the head of Petrograd Cheka, the Left SRs went after Lenin. On August 30, a Left SR named Fanya Kaplan shot Lenin three times.
  12. Edvard Radzinsky Stalin: The First In-depth Biography Based on Explosive New Documents from Russia's Secret Archives, Anchor, (1997) ISBN 0-385-47954-9, paginas 152–155
  13. a b Christopher Andrew and Vasili Mitrokhin (2000). O O Arquivo Mitrokhin: The KGB in Europe and the West. Gardners Books. ISBN 0-14-028487-7, página 34.
  14. Barbara Lefebvre, Sophie Ferhadjian, Comprendre les génocides du XXe siècle: comparer-enseigner, Editions Bréal, 2007, pagina 89
  15. a b Nicolas Werth, Karel Bartosek, Jean-Louis Panne, Jean-Louis Margolin, Andrzej Paczkowski, Stephane Courtois, Black Book of Communism: Crimes, Terror, Repression, pagina 72 e 78 Harvard University Press, 1999, ISBN 0-674-07608-7. capitulo 4: The Red Terror – Telegramas enviados em 9 e 10 de agosto.
  16. a b Nicolas Werth, Crimes et violences de masse des guerres civiles russes, Online Encylopedia of Mass Violence / Sciences-Po Paris, 2008
  17. Decreto assinado pelo People's Commissar of Justice D. Kursky, People's Commissars of Interior G.Petrovsky, Director in Affairs of the Council of People's Commissars Vl.Bonch-Bruyevich, SU, #19, department 1, art.710, 04.09.1918
  18. V.T.Malyarenko. "Rehabilitation of the repressed: Legal and Court practices". Yurinkom. Kiev 1997. pagina 17–18.
  19. A.N.Yakovlev. "GULAG: The main directory of camps. 1918–1960". MFD. Moscow 2000.
  20. A declaração do Terror Vermelho completa 92 anos
  21. Donald Rayfield. Stalin and His Hangmen: The Tyrant and Those Who Killed for Him. Random House, 2004. ISBN 0-375-50632-2 p. 83
  22. Gellately, Robert. Lenin, Stalin, and Hitler: The Age of Social Catastrophe. [S.l.]: Knopf, 2007. p. 72. ISBN 1-4000-4005-1.
  23. Vladimir Brovkin. "The Bolsheviks in the Russian Society" (em inglês). London: Yale University, 1997. Capítulo 5. p. 115. ISBN 300 06706 2.
  24. Gellately, Robert. 'Lenin, Stalin, and Hitler: The Age of Social Catastrophe'. [S.l.]: Alfred A. Knopf. ISBN 1-4000-4005-1.
  25. a b Vladimir Brovkin. "The Bolsheviks in the Russian Society". [S.l.: s.n.], 1997. Capítulo 7. p. 147.
  26. Edvard Radzinsky, Stalin: The First In-depth Biography Based on Explosive New Documents from Russia's Secret Archives, Anchor, 1997, paginas 152-155
  27. a b Alexander Nikolaevich Yakovlev. A Century of Violence in Soviet Russia. Yale University Press, 2002. ISBN 0-300-08760-8 pagina 156

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Nicolas Werth, Karel Bartosek, Jean-Louis Panne, Jean-Louis Margolin, Andrzej Paczkowski, Stephane Courtois, Black Book of Communism: Crimes, Terror, Repression, Harvard University Press, 1999, hardcover, 858 pages, ISBN 0-674-07608-7. Chapter 4: The Red Terror
  • George Leggett, The Cheka: Lenin’s Political Police. Oxford University Press, 1987, ISBN 0-19-822862-7
  • Melgounov, Sergey Petrovich (1925) The Red Terror in Russia. London & Toronto: J. M. Dent & Sons Ltd.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]