Guerra Greco-Italiana

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Guerra Greco-Italiana
Segunda Guerra Mundial
Greek artilery Morava Nov 1940.JPG
Tropas gregas tentando resistir ao avanço das forças do Eixo, 1940
Data 28 de Outubro de 1940 a 6 de Abril de 1941
Local Grécia
Desfecho Vitória do Eixo
Combatentes
State Flag of Greece (1863-1924 and 1935-1970).svg Grécia
Reino Unido Membros da Commonwealth
 Itália
Alemanha Nazi Alemanha nazista
Flag of Albania (1939-1943).svg Albânia
Bulgária Bulgária
Forças
300 000 565 000
Baixas
58 578 mortos ou feridos 89 696 mortos ou feridos

A Guerra Greco-Italiana (28 de outubro de 1940 a 6 de abril de 1941) foi um conflito armado no qual a Grécia e a Itália se enfrentaram, durante o curso da Segunda Guerra Mundial.

A Itália atacou a Grécia através da Albânia, mas semanas depois tiveram que recuar de volta. De fato estavam evidentemente perdendo a guerra para os gregos. Então, Mussolini pediu ajuda a Hitler, e esta ajuda tinha que chegar logo, pois os italianos não só haviam sido repelidos de volta a suas linhas de partida, como estavam em vias de perder a Albânia para os gregos. Para a ajudar chegar, a Alemanha teve que invadir a Iugoslávia e a Macedônia para abrir caminho até a Grécia. Logo após, tropas alemãs e búlgaras invadiram a Grécia em abril, e dominaram o país rapidamente.

Causas[editar | editar código-fonte]

A Grécia, passa a ser governada por um regime autoritário e nacionalista encabeçado pelo Premiê Ioannis Metaxas, era no entanto um país tradicionalmente do lado dos Aliados. A Grécia tinha libertado grande parte de seu território na Primeira Guerra Mundial combatendo às forças turcas, aliadas dos Impérios Centrais. Portanto, era um país tradicionalmente aliado do Império Britânico.

A decisão de atacar a Grécia foi tomada por Mussolini a nível político. As razões são diversas: contrarrestar o peso a cada vez maior da Alemanha nazista, com a que Itália tinha assinado do Pacto de Aço; reverdecer os laureles do exército italiano, de actuação mediocre durante a campanha da França nos Alpes Ocidentais, e talvez, conquistar bases na Grécia e em suas ilhas, para reduzir a presença inglesa no Mediterrâneo

No dia 15 de outubro de 1940, o Palácio Venezia de Roma teve lugar a uma reunião secreta, na qual tomam parte Mussolini, Galeazzo Ciano, Badoglio, Soddu, Iacomoni, Roatta e Visconti Prasca. Toma-se a decisão de atacar a Grécia e prepara-se um ultimato, que o embaixador italiano em Atenas, Emanuele Grazzi, deverá entregar às três da manhã do 28 de outubro, três horas antes do começo da ofensiva. No documento, se intima ao governo grego a permitir que as tropas italianas ocupem o território nacional grego para continuar a guerra com Grã-Bretanha. No entanto, o mesmo documento adverte que se as tropas italianas encontrassem resistência, essa resistência será doblegada pelas armas e o governo grego assumiria a responsabilidade das consequências.

A entrevista Grazzi–Metaxas[editar | editar código-fonte]

O 28 de outubro, como foi estabelecido, o embaixador italiano lhe fez chegar a Metaxas em seu domicílio de Kifissia o ultimato, lhe dando três horas para aceitar ou recusar as exigências italianas.

Segundo a tradição grega, Metaxas teria respondido ao embaixador com um único e tajante «Oxi!» («Não!»), resposta que é recordada na Grécia a cada ano no chamado «Dia do Não» ( feriado e festa nacional grega).

Emmanuele Grazzi, em seu livro O princípio do fim — as operações contra Grécia, dá sua versão da entrevista entre Metaxas e ele:

Mal tomamos assento, e já que era um pouco mais das três da manhã, lhe disse imediatamente que meu Governo me tinha encarregado de lhe fazer chegar um escrito, que não era se não o ultimato da Itália a Grécia, com o qual o Governo Italiano exigia a dissolução das forças armadas gregas, a partir de 6 da manhã do 28 de outubro de 1940. Metaxas começou a lê-lo. Por trás dos vidros de seus gafas, via seus olhos em lágrimas. Quando terminou do ler, me disse com voz triste mas firme: «Alors, c'est a guerre» («Então, é a guerra»).

A filha de Metaxas narra a continuação deste diálogo, que não aparece nas memórias de Grazzi: — «Não necessariamente, Excelencia», aludindo à possibilidade que Grécia tinha de se render. —«Sim, é necessário...», respondeu o Premiê. A guerra era inevitável. Três horas mais tarde, as tropas italianas entravam em território grego.

Forças italianas[editar | editar código-fonte]

Reagrupamento litoral (5.000 homens)

3°Regimento Granatieri dei Sardenha

7°Regimento de cavalaria Milano

6°Regimento de cavalaria Aosta, um batalhão de Camisas Negras.

XXV°Corpo de Exército (Carlo Rossi)

Divisão de infanteria Siena (9.000 homens)

Divisão de infanteria Ferrara (16.000 homens, dos quais 3.500 eram albaneses)

Divisão encouraçada Centauro (4.000 homens, 163 blindados)

Divisão Alpina Julia (10.000 homens)

5 batalhões

2 grupos de artilharia.

XXVI°Corpo de Exército (Gabriele Nasci)

Divisão de infanteria Piemonte (9.000 homens)

Divisão de infanteria Parma (12.000 homens)

Divisão de infanteria Veneza (10.000 homens).

A ofensiva italiana[editar | editar código-fonte]

O plano de invasão da Grécia tinha sido preparado pelo Estado Maior italiano desde fins de 1939, e previa uma primeira fase com uma ofensiva na Albânia para a conquista de Épiro, seguindo pelos vales de Vojussa e de Tíamis, com a tomada de Metsovo e Drisko, para impedir às tropas gregas de Tessália e Macedônia de unir-se às de Épiro. Seguia uma segunda fase, destinada à conquista de Atenas, e uma terceira, consistente na ocupação de todo o território. As forças italianas na Albânia eram de 87.000 homens, das quais uns 75.000 situadas no território albanês e os 12.000 homens da Divisão «Arezzo», às ordens do general Feroni, na fronteira iugoslava.

A contraofensiva grega[editar | editar código-fonte]

As condições meteorológicas eram péssimas. As forças italianas avançaram ao princípio rapidamente, mas a rápida mobilização do exército grego e o apoio aéreo da RAF (a aviação grega consistia em antiquados caças poloneses PZL P.24 e caças biplanos Gloster Gladiator), junto com a falta de flutuantes para cruzar as torrentes de montanha crescidos pelas chuvas e a escassez de efetivos que lhes deixou em inferioridade em frente aos gregos, lhes permitiu a estes recusar aos italianos entre o dia 8 e 10 de novembro, para depois isolar à divisão «Julia» e tomar a cidade albanesa de Coritsa, em 22 de novembro.

Em 9 de novembro, a situação precipitou-se. Visconti Prasca foi substituído pelo general Ubaldo Soddu, quem em pese às pressões de Mussolini não pôde efectuar nenhuma operação ofensiva, se contentando com reorganizar a débil linha defensiva italiana. As tropas gregas aniquilaram a brigada alpina «Julia» no vale da Vojussa, e avançaram para o Adriático. Mussolini enviou reforços, aumentando os efectivos a 162.000 homens em dezembro de 1940, mas os gregos continuaram avançando sobre território albanês. A fins de dezembro, a frente estabilizou-se, e o general Ugo Cavallero assumiu o comando das tropas italianas.

Cavallero ordenou em janeiro de 1941 um contra-ataque para tentar reconquistar Klisura, que os gregos não só recusaram, senão que obrigaram aos italianos a retroceder em uma ofensiva de inverno, chegando até Tepelenë. O general grego Alexander Papagos não quis avançar para além das montanhas, onde as tropas gregas estavam em vantagem pese à superioridade aérea italiana. Expor à planície onde os italianos poderiam usar seus blindados e sua força aérea não era uma decisão sensata. O avanço grego, então, limitou-se a ocupar a metade de Albânia. Uns 56.000 homens da Commonwealth prestaram apoio aos gregos, sobretudo em aspectos onde o exército grego carecia de meios, como a artilharia e a aviação.

A intervenção alemã[editar | editar código-fonte]

A situação não podia seguir assim. A fins de março, um golpe de estado na Iugoslávia persuadiu ao OKW (Oberkommando der Wehrmacht) rever os planos alemães a respeito da Grécia. Em 6 de abril de 1941, a Wehrmacht lançou a Operação 25 (invasão da Iugoslávia) e a Operação Marita (invasão da Grécia).

Nos primeiros dias de abril, os gregos avançaram em Puka e Kukës. As forças italianas atacaram desde a Albânia, enquanto os gregos eram atacados desde Iugoslávia por forças alemãs e búlgaras, aliadas dos alemães. Os gregos tinham estabelecido uma linha de defesa, chamada Linha Metaxas (o Premiê tinha falecido em janeiro desse ano), mas em frente às forças alemãs, a linha era indefinível. Os gregos perderam de novo Coriza em 14 de abril, e Argirocastro em 18 de abril. Papagos compreendeu que toda a resistência era inútil, e assinou o armistício em Tessália em 21 de abril.

Baixas[editar | editar código-fonte]

Os italianos sofreram baixas em torno de 13.755 mortos, 25.067 desaparecidos, 50.874 feridos, 12.368 incapacitados pelo frio, além de 23.000 prisioneiros de guerra. Os gregos sofreram menos baixas que os italianos. Foram 13.325 mortos, 1.237 desaparecidos, 42.485 feridos, 25.000 incapacitados pelo frio e 2.392 prisioneiros de guerra.

A repartição da Grécia[editar | editar código-fonte]

A Alemanha ocupou militarmente a Macedônia central e oriental, com o importante porto de Salônica; a capital Atenas, as ilhas do Egeu setentrional e a ilha de Creta. A Bulgária, por sua participação, anexou a Tracia. Os italianos obtiveram o controle do resto da Grécia. O governo militar do general Tsolakoglu foi um governo fantoche baixo as ordens da Alemanha, como o de Pétain na França de Vichy ou de Quisling na Noruega.

A vida dos soldados e da população civil[editar | editar código-fonte]

A guerra levou-se a cabo nas nevadas montanhas da fronteira greco-albanesa, com temperaturas extremas com até 25 graus a baixo de zero, no meio de constantes nevoeiros, nevadas e granizadas. As crônicas da época abundam em exemplos da heroicidade tanto dos soldados gregos como das mulheres que se apresentaram voluntárias para abastecer a seus filhos e a seus maridos na frente. Muitos soldados de ambos bandos foram descadastrados por congelação, e se realizaram numerosas amputações. Tanto baixaram as temperaturas, que o comando italiano começou a substituir a seus soldados provenientes do sul e centro da Itália, por soldados originários do Norte, aos que se supunha que suportarão melhor o frio glacial das altas e geladas montanhas de Épiro.

Os gregos em sua contraofensiva libertaram a região de Épiro do Norte, uma parte de Albânia que historicamente tinha sido grega e na que vivia a minoria étnica grega em Albânia. Ao chegar a cidades com nomes gregos como Aghii Saranda ('Quarenta Santos') a população de origem grego dá as boas-vindas ao exército com flores, bandeiras gregas e canções, e celebram a entrada do exército grego como uma libertação.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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