Batalha de Moscovo

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Batalha de Moscou
Segunda Guerra Mundial
RIAN archive 429 Fresh forces going to the front.jpg
Tropas soviéticas em Moscou, 1941.
Data 2 de outubro de 1941
a 7 de janeiro de 1942
Local Arredores de Moscou, União Soviética
Resultado Vitória soviética.
Combatentes
 Alemanha Nazista  União Soviética
Comandantes
Alemanha Nazi Adolf Hitler
Alemanha Nazi Fedor von Bock
Alemanha Nazi Heinz Guderian
Alemanha Nazi Albert Kesselring
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas Josef Stalin
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas Gueorgui Jukov
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas Aleksandr Vasilevsky
Forças
Em 1º de outubro de 1941:
1.000.000 homens
1.000 tanques
14.000 armas
549 aeronaves
Em 1º de outubro de 1941:
1.250.000 homens
3.232 tanques
7.600 armas
936 aeronaves
Baixas
280.000 a 750.000 500.000 a 1.280.000

A Batalha de Moscovo (português europeu) ou Batalha de Moscou (português brasileiro) (Битва под Москвой, translit.: Bitva pod Moskvoy, em alemão: Schlacht um Moskau) é o nome dado pelos historiadores soviéticos a dois períodos estrategicamente significativos da Segunda Guerra Mundial, entre outubro de 1941 e janeiro de 1942. Os confrontos tiveram lugar ao longo de aproximadamente 600 km da Frente Oriental, e a resistência dos soviéticos conseguiu frustrar a tentativa de ataque alemão a Moscou, um dos principais objetivos estratégicos e políticos do Eixo na Operação Barbarossa.

A ofensiva estratégica alemã denominada Operação Typhoon foi planejada em dois movimentos de pinça: um deles, a cargo do 3º e 4º Grupos Panzer, realizado ao norte de Moscou, contra a Frente de Kalinin e visando simultaneamente destruir a Ferrovia Moscou-Leningrado; o outro, ao sul do Oblast de Moscou, contra a Frente Ocidental Soviética, com o 2º Exército Panzer ao sul de Tula e o 4º Exército avançando desde o oeste diretamente para Moscou. Um plano operacional separado, codinominado Operação Wotan, foi incluído na fase final da ofensiva alemã.

Inicialmente, as forças soviéticas adotaram uma estratégia de defesa do Oblast de Moscou, construindo três linhas defensivas e mobilizando militares da reserva, além de tropas dos distritos militares da Sibéria e do Extremo Oriente. Em seguida, quando os avanços alemães foram contidos, foi lançada uma estratégica contra-ofensiva, além de operações ofensivas de menor escala, para forçar os exércitos alemães a recuar para posições em torno das cidades de Oryol, Vyazma e Vitebsk, onde ficaram quase encurralados.

A Batalha de Moscou foi uma das mais importantes da Segunda Guerra Mundial, em primeiro lugar porque os soviéticos conseguiram evitar a captura de sua capital. Foi também uma das mais longas batalhas da guerra, resultando em aproximadamente um milhão de mortos. A Wehrmacht já tinha sido obrigada a recuar antes disso - durante a Ofensiva de Yelnya, em setembro de 1941 e na Batalha de Rostov. Mas Moscou marcou um ponto de virada, por ter sido a primeira vez que a Wehrmacht - desde o início da sua trajetória de conquistas, em 1939 - foi obrigada a uma retirada, sem que a iniciativa fosse retomada.

A invasão alemã[editar | editar código-fonte]

Para Hitler, Moscou era o mais importante alvo militar e político. Ele previa que a rendição da cidade levaria ao imediato colapso da União Soviética.

A 22 de junho de 1941, a Alemanha e seus aliados do Eixo invadiram a União Soviética, num ataque surpresa, destruindo a maior parte da força aérea soviética no chão. Assim as forças alemãs puderam, em pouco tempo, avançar no território soviético, utilizando tácticas de Blitzkrieg. Unidades blindadas rapidamente cercaram e destruíram exércitos soviéticos inteiros. Enquanto o Grupo de Exércitos Norte alemão deslocava-se para Leningrado, o Grupo de Exércitos Sul movia-se para capturar a Ucrânia, e o Grupo de Exércitos Centro avançava em direcção a Moscou.

As condições de defesa soviéticas eram catastróficas, e as baixas foram enormes. Em agosto de 1941, os alemães capturaram a cidade de Smolensk, um importante obstáculo no seu caminho até Moscou. Em contrapartida, os combates na área de Smolensk bloquearam o avanço alemão até setembro, inviabilizando a estratégia de Blitzkrieg. A 2 de outubro de 1941, o Grupo do Centro, sob o comando de Fedor von Bock, finalmente lançou o ataque contra Moscou - operação que recebera o codinome Operação Typhoon.

As forças da Frente Ocidental Soviética - Frente de Reserva, Frente de Briansk e Frente de Kalinin -, defendendo a área de Moscou, sofreram baixas pesadas mas continuaram a lutar. A 10 de outubro, Georgy Zhukov ficou com o comando da Frente Leste e da defesa de Moscou.

A defesa de Moscou[editar | editar código-fonte]

A Frente Oriental à época da Batalha de Moscou:
  Avanço inicial da Wehrmacht — até 9 de julho de 1941
  Avanços subsequentes — até 1º de setembro de 1941
  Cerco e batalha de Kiev até 9 de setembro de 1941
  Avanço final da Wehrmacht — até 5 de dezembro de 1941

Em 15 de outubro, os alemães atacaram a região de Volokolamsk, no Oblast de Moscou. A defesa soviética nas proximidades de Moscou foi heroica, a exemplo do ataque suicida da 316ª Divisão de Rifles, liderada por Ivan Panfilov, contra os tanques alemães. Depois de duas semanas de luta, a divisão abandonou Volokolamsk, com o resto do 16° Exército, retirando-se para Moscou, com uma dezena de soldados sobreviventes. Houve também um grande número de soldados alemães mortos. Este e outros atos de resistência conseguiram retardar significativamente o avanço inimigo em direção à capital, dando tempo para a organização da defesa da capital.

Mulheres constroem armadilhas anti-tanques para deter o avanço dos Panzers sobre Moscou.

A cidade agora tinha começado a ser o alvo dos raides aéreos alemães. Em crescente desespero diante da aproximação das forças alemãs, milhares de recrutas, voluntários e até mesmo batalhões de mulheres foram enviados contra o fogo de metralhadoras alemãs. A população recebeu ordens de construir barricadas nas cidades, até mesmo na proximidade de Kremlin. O governo soviético foi evacuado para a parte leste da cidade de Kuybyshev, (actualmente Samara). Estaline, porém, continuou em Moscou. Para dar um exemplo de determinação aos soldados e aumentar o moral dos civis, ordenou a organização da tradicional parada militar a 7 de Novembro, para comemorar o aniversário da Revolução, na Praça Vermelha, mesmo sob o perigo dos bombardeamentos alemães. As tropas efetuaram a parada até ao Kremlin e depois marcharam diretamente para frente de batalha.

Entretanto, o avanço alemão tornara-se mais lento, chegando a ser quase paralisado com a chegada das chuvas do outono, que transformavam o terreno em um imenso lamaçal. Quando o inverno siberiano chegou, em novembro, congelando o piso lamacento, os alemães puderam novamente deslocar-se, mas viram-se frente a frente com o problema da falta do equipamento militar de inverno, visto que Hitler previra que a vitória ocorresse ainda no verão. A camuflagem quente e branca de inverno estava a acabar, e cada vez mais veículos ficavam imobilizados devido às temperaturas tremendamente baixas, muito abaixo de zero grau Celsius. De fato, o inverno de 1941-1942 foi anormalmente rigoroso: na segunda metade de dezembro, a temperatura chegaria a −42°C.

A 27 de novembro as forças alemãs finalmente avançaram para a posição mais oriental que puderam alcançar. Uma força de patrulha avançada conseguiu entrar na estação de metropolitano de Moscou, com vista às torres do Kremlin, antes de uma força soviética os afastar.

A contra-ofensiva soviética[editar | editar código-fonte]

A 5 de Dezembro de 1941, Zhukov lançou um contra-ataque massivo soviético contra o exército alemão. A ofensiva teve lugar em todos setores na área de Moscou a 6 de Dezembro.

Durante o outono, Zhukov tinha transferido forças Soviéticas novas e bem equipadas da Sibéria para leste de Moscou, mas manteve as mesmas afastadas até a marcação da data da contra-ofensiva. Zhukov tinha confiado em dados de Richard Sorge, que lhe disse que o Japão não atacaria o leste da Rússia, após este ter predito a Operação Barbarossa.

Agora com o inimigo perto do centro de Moscou, Zhukov enviou os reforços contra as linhas alemãs, juntamente com os novos tanques T-34 e lança foguetes Katyusha. As novas tropas soviéticas estavam preparadas para a guerra no inverno, e até incluíam vários batalhões de ski. O objetivo da contra-ofensiva, além de deter o avanço alemão e salvar a capital russa, era cercar e destruir as forças atacantes. No entanto, o próprio desgaste da batalha, o fraquejar da cadeia logística russa e a capacidade de recuperação do Exército Alemão impediram a concretização desse objetivo.

As forças alemãs, exaustas, massacradas e quase congeladas foram afastadas 100 a 250 km a 7 de janeiro de 1942. Os soviéticos consolidaram as suas posições em abril de 1942, afastando definitivamente a ameaça alemã contra Moscou. A vitória reforçou o moral soviético e abalou a aura de invencibilidade do exército alemão. A táctica de Blitzkrieg fora derrotada.