Cerco a Leninegrado

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Cerco a Leningrado
Segunda Guerra Mundial
RIAN archive 5634 Antiaircrafters guarding the sky of Leningrad.jpg
Duas armas anti-aéreas soviétivas perto da Catedral de Santo Isaac no centro de Leninegrado.
Data 8 de Setembro de 1941 - 27 de Janeiro de 1944
Local Leninegrado, URSS
Desfecho Vitória soviética, com terríveis perdas civis e militares.
Combatentes
Alemanha Nazi Alemanha Nazista
Itália Itália
 Finlândia
 União Soviética
Comandantes
Alemanha Nazi Wilhelm Ritter von Leeb
Alemanha Nazi Georg von Küchler
Finlândia Carl Gustaf Emil Mannerheim
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas Kliment Voroshilov
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas Georgy Zhukov
União das Repúblicas Socialistas Soviéticas Leonid Govorov
Forças
~725 000 soldados
(~46.000 250. Einheit spanischer Freiwilliger)
~930 000 soldados
Baixas
140 739 militares Exército vermelho:[1]
1 017 881 mortos, capturados ou desaparecidos
2 418 185 feridos ou doentes
Civis:[1]
642 000 mortos durante o cerco
400 000 mortos durante a evacuação[2]

O Cerco a Leninegrado (português europeu) ou Cerco a Leningrado (português brasileiro) (em russo: блокада Ленинграда, Blokada Leningrada), durante a Segunda Guerra Mundial, durou cerca de 900 dias, de 8 de Setembro de 1941, a 27 de Janeiro de 1944.[3] [4]

Uma rua de Leningrado, 1942.

Ofensiva alemã[editar | editar código-fonte]

A 27 de Junho de 1941, o Conselho de disputas dos trabalhadores de Leningrado decidiu mobilizar milhões de pessoas para a construção de fortificações. Várias defesas foram construídas. Uma das fortificações percorria desde o rio Luga até Chudovo, Gatchina, Uritsk, Pulkovo e depois através do rio Neva. A outra defesa passava através de Petergof até Gatchina, Pulkovo, Kolpino e Koltushy. Uma outra defesa contra os finlandeses foi construída no norte dos arredores de Leninegrado. Em todos os 190 km de barricadas de madeira, 700 km de trincheiras antitanque, 5 mil km de trincheiras de terra e madeira e de instalações de ferro e betão e 25 mil km de trincheiras abertas foram construídas por civis, sendo inclusive o canhão do cruzador Aurora montado na montanha de Pulkovo no sul de Leninegrado. Contudo, quando as forças soviéticas na frente noroeste no fim de Junho foram derrotadas nas Repúblicas Soviéticas do Báltico, a Wehrmacht tinha forçado a sua passagem por Ostrov e Pskov. A 10 de Julho ambas as cidades foram capturadas e os alemães alcançaram Kunda e Kingisepp, de onde avançaram para Leninegrado a partir de Narva, da região Luzhski e a partir do sudoeste e também do norte e sul do Lago Ilmen de modo a isolar Leninegrado do leste e juntar os finlandeses na margem leste do Lago Ladoga. O bombardeamento de Leninegrado começou a 4 de Setembro. O bombardeamento a 8 de Setembro causou 178 incêndios. No início de Outubro os alemães recusaram-se a assaltar a cidade e a directiva de Hitler a 7 de Outubro, assinada por Alfred Jodl, foi uma lembrança para não aceitar uma capitulação por parte dos soviéticos.[5]

Ofensiva finlandesa[editar | editar código-fonte]

Por volta de Agosto, os finlandeses tinham reconquistado o Istmo da Carélia, ameaçando Leninegrado a partir do oeste, e estavam a avançar através de Carélia a leste do Lago Ladoga, ameaçando Leninegrado a partir do norte. Ocorreu, contudo, que as forças finlandesas pararam na fronteira de 1939. O quartel-general finlandês recusou o pedido alemão para ataques aéreos contra Leninegrado e não avançou mais a sul do rio Svir na cidade ocupada do leste da Carélia. Em contraste, o progresso alemão foi rápido e por volta de Setembro a Wehrmacht tinha cercado Leninegrado. No norte, as forças finlandesas continuaram o seu avanço até chegarem ao Svir em Dezembro, a 160 km a nordeste de Leningrado.

A 4 de Setembro, Jodl tentou persuadir Mannerheim a continuar a ofensiva finlandesa, o que, diz-se, Mannerheim recusou. Após a guerra, o ex-presidente finlandês Ryti disse: «A 24 de Setembro de 1941 visitei o quartel-general do Marshall Mannerheim. Os alemães quiseram dirigir-nos para o cruzamento da antiga fronteira e o prosseguimento da ofensiva contra Leninegrado. Eu disse que a captura de Leningrado não era o nosso objectivo e que nós não faríamos parte da ofensiva. Mannerheim e o ministro da defesa Walden concordaram comigo e recusaram as ofertas dos alemães. O resultado foi uma situação paradoxal: os alemães não puderam se aproximar de Leningrado a partir do norte...». Mais tarde foi declarado que não houve qualquer bombardeamento sistemático a partir do território finlandês.

Mantimentos[editar | editar código-fonte]

Comida[editar | editar código-fonte]

A 2 de Setembro as rações foram reduzidas: os trabalhadores tinham 600 gramas de pão por dia, crianças e dependentes 400 gramas. Um grande número de milho, farinha e açúcar foi eliminado a 8 de Setembro devido à falha de medidas de defesa aérea. Contudo, durante vários dias depois de o cerco começar, era possível comer em alguns restaurantes "comerciais" que utilizavam 10% de toda a carne que a cidade consumia. A 12 de Setembro de 1942 foi calculado que as provisões para ambos os exército e civis eram as seguintes:

  • Milho e farinha - para 35 dias;
  • Massa - para 30 dias;
  • Carne - para 33 dias;
  • Gorduras - para 45 dias;
  • Açúcar - para 60 dias;

Ao mesmo tempo uma nova redução nas rações teve lugar: os trabalhadores recebiam 500 g de pão, os empregados e crianças 300 g e os dependentes 250 g. A distribuição de carne foi diminuída mas a distribuição do açúcar e das gorduras foi aumentada. O exército e a Frota do Báltico tinham algumas rações de emergência mas não eram suficientes. A frota de Ladoga estava mal equipada e tinha sido bombardeada pela aviação alemã. Várias barcas com milho foram afundadas em Setembro. Contudo uma parte significante foi mais tarde recuperada por mergulhadores. Este milho foi depois utilizado na concepção de pão. A aveia para os cavalos foi também utilizada enquanto os cavalos eram alimentados com folhas de árvores.

Durante o cerco foram efectuadas um total de cinco reduções de comida: a 2 de Setembro, 10 de Setembro, 13 de Novembro, 1 de Outubro e a 20 de Novembro. Um nível de desnutrição foi melhorado devido a novos jardins de vegetais que cobriam a maioria da terra na cidade por volta de 1943.

Energia[editar | editar código-fonte]

Devido à falta do fornecimento de energia várias fábricas foram fechadas e em Novembro já não existia um serviço de eléctricos. A utilização de energia foi proibida em toda a cidade, excepto no quartel-general soviético, nos comités do distrito, nas bases de defesa aérea, e em algumas outras instituições. Pelo final de Setembro, o fornecimento de óleo e de carvão terminou. A utilização de árvores foi a única opção para energia. A 8 de Outubro o comité executivo de Leninegrado (Ленгорисполком) e o comité executivo regional (облисполком) decidiram começar a cortar as árvores no distrito de Pargolovo e também no distrito de Vsevolzhskiy no norte da cidade. Por volta de 24 de Outubro, apenas 1% do plano de corte de árvores tinha sido executado.[6]

Referências

  1. a b Glantz, David (2001), The Siege of Leningrad 1941–44: 900 Days of Terror, Zenith Press, Osceola, WI, ISBN 0-7603-0941-8
  2. Kirschenbaum, Lisa (2006), The Legacy of the Siege of Leningrad, 1941–1995: Myth, Memories, and Monuments, Cambridge University Press, New York, ISBN 0-521-86326-0
  3. Site do governo de São Petersburgo, Сопротивление города. "Дорога Жизни". Художественные сокровища города во время блокады. Пискаревское кладбище. [em linha]
  4. Site www.saint-petersburg.com (de uma companhia privada de turismo), The 900-day Siege of Leningrad [em linha]
  5. Lubbeck, William; Hurt, David B. (2010), At Leningrad's Gates: The Story of a Soldier with Army Group North, Casemate, ISBN 1-935149-37-7
  6. Ganzenmüller, Jörg (2005), Das belagerte Leningrad 1941–1944, Ferdinand Schöningh Verlag, Paderborn, ISBN 3-506-72889-X

Ver também[editar | editar código-fonte]