Batalha de Creta

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Batalha de Creta
Segunda Guerra Mundial
Bundesarchiv Bild 141-0864, Kreta, Landung von Fallschirmjägern.jpg
Parquedistas alemãe saltando em Creta
Data 20 de Maio de 1941 - 1 de junho de 1941
Local Creta
Desfecho Vitória dos Alemães, com grandes perdas
Combatentes
Reino Unido Inglaterra
State Flag of Greece (1863-1924 and 1935-1970).svg Grécia
Nova Zelândia Nova Zelandia
Austrália Austrália
Alemanha Nazi Alemanha
Flag of Italy (1861-1946) crowned.svg Itália
Comandantes
Nova Zelândia Bernard Freyberg Alemanha Nazi Kurt Student
Forças
Reino Unido:
15 000 soldados
Grécia:
11 451 combatentes[1]
Austrália:
7 100 homens
Nova Zelândia:
6 700 soldados
Total:
40 000 militares (10 000 sem condições para lutar)[2]
Alemanha:
14 000 paraquedistas
15 000 soldados de montanha
280 bombardeiros
150 bombardeiros de mergulho
180 caças
500 transportes
80 tropas de planadores
Itália:
2 700 soldados
Baixas
3.990 mortos
2.750 feridos
17.090 capturados
2.041 mortos
1.917 desaparecidos
2.640 feridos
17 capturados e evacuados para o Egito[3]

A Batalha de Creta (Luftlandeschlacht um Kreta em alemão e Μάχη της Κρήτης grego) iniciou-se na manhã de 20 de maio de 1941, momento em que teve início a Operação Mercúrio (Unternehmen Merkur) e a Alemanha lançou um grande número de para-quedistas na ilha de Creta. Apesar da operação ser considerada um sucesso, as grandes baixas infligidas pelas forças aliadas na tentativa de manter suas posições fez com que a Alemanha não realizasse mais quaisquer outras missões com tropas aerotransportadas.

Campanha[editar | editar código-fonte]

Em 28 de abril de 1941, o General Kurt Student, Chefe da XII Fliegerkorps (Corpo Aéreo), unidade da Luftwaffe na qual estavam agrupadas todas as forças de pára-quedistas, participou de uma reunião com Hitler e propôs completar a Campanha dos Balcãs, através de uma operação que tomaria a Ilha de Creta com a utilização de forças aerotransportadas. Inicialmente Hitler considerou o projeto muito arriscado, pois até então era algo novo e não testado efetivamente em campo de batalha. Convencido por uma série de argumentos apresentados por Student, acabou autorizando a operação.

A justificativa principal para a operação seria a de transformar a ilha de Creta numa magnífica base aérea, desde a qual se poderia atacar o exército inglês na África do Norte. Para tanto era necessário, ocupar a Ilha. Naquele momento nada parecia impossível para as forças alemãs, vitoriosas em todas as frentes. Contudo, era impossível conquistar a Ilha por mar, uma vez que o Mar Egeu era dominado pela poderosa frota Inglesa. Desta forma a única maneira era fazê-lo pelo ar.

Imediatamente, foram transportados dentro do maior sigilo, da Alemanha para a Grécia, os soldados da 7ª Divisão de Pára-Quedistas e realizou-se a concentração no setor de Atenas de uma força de 700 aviões de transportes Junkers. A 22ª Divisão Aerotransportada, que devia intervir na invasão, foi retida na Romênia devido a dificuldades de seu deslocamento em território grego. Para substituí-la, foi cedido a Student a 5ª Divisão de Caçadores de Montanha, sob o comando do General Ringel, que havia tido destacada atuação na Campanha dos Balcãs.

O plano alemão, batizado com o nome Mercúrio, consistia em ocupar os aeroportos da costa setentrional, usando três grupos de assalto:

  • Grupo Oeste, comandado pelo General Meindl, se encarregaria de conquistar o aeroporto de Maleme;
  • Grupo Central, sob a chefia do General Sussmann, seria lançado em duas investidas; a primeira se apoderaria do porto de Canéia e a segunda do aeroporto de Retimno; sendo este último grupo comandado pelo General Ringel, e teria a seu cargo a captura de Heraclião. A esta força de assalto se seguiriam as tropas de montanha da 5ª Divisão, que seriam desembarcadas pelos Junkers, uma vez que os pára-quedistas houvessem capturado os aeroportos.
Os Fallschirmjäger[4] contemplam seus camaradas mortos

Embora o planejamento do ataque tenha sido cuidadoso, a realidade se mostrou bastante diferente. Nas primeiras horas do dia 20 de maio, a Luftwaffe lançou um forte ataque contra as posições inimigas em Creta, preparando o terreno para o salto. Pouco depois os primeiros paraquedistas começaram a saltar de aviões e pousar em planadores perto do aeroporto de Maleme e nas proximidades de La Canea, capital da ilha.

Mas o inimigo já os esperava, graças a decodificação dos códigos alemães através da captura da máquina Enigma, causando-lhes pesadas baixas.

O aeroporto não pôde ser tomado, e La Canea e a baía de Suda continuaram sob domínio britânico. Ignorando o que havia dado errado no primeiro assalto, os alemães fizeram mais dois lançamentos de paraquedistas, agora na região do aeroporto de Retimno e Heraclião( também conhecida como Heraklion). Porém ao final do dia nenhum dos pontos previstos havia sido conquistado, o que impossibilitava a chegada de reforços por ponte aérea.

Os paraquedistas pagariam caro por um grave defeito em seu equipamento de salto. As características da época não permitiam saltar com nada mais que pistolas e granadas de mão. O restante do armamento( fuzis, morteiros, metralhadoras, munição) vinha logo a seguir em contêineres sustentados também por paraquedas adicionais. Desta forma, os paraquedistas chegavam praticamente desarmados ao solo, tendo que se virar com os poucos recursos à mão, até a localização dos contêineres com os equipamentos necessários.

A Batalha[editar | editar código-fonte]

Mapa do assalto a Creta.

Surpreendemente algumas equipes conseguiram se reagrupar, apesar das pesadas baixas, e dominar alguns pontos estratégicos, porém ainda longe dos objetivos principais.

Por toda parte na ilha de Creta civis, armados ou não, se juntaram à batalha com as armas que estavam à mão. Em alguns casos, utilizando espingardas antigas que haviam sido contra os turcos, foram tiradas de seu descanso e entraram em ação. Em outros casos, cretenses civis entraram em ação armado apenas com o que poderia reunir em suas cozinhas ou celeiros , e muitos pára-quedistas alemães foram esfaqueados ou espancados até a morte nos olivais que pontilhada da ilha.

Por toda ilha, batalhas ferozes foram travadas entre os defensores e seus atacantes, apesar dos duros combates, ataques e contra-ataques os alemães foram sistematicamente conquistando as posições planejadas.

Na tarde do primeiro dia, a situação era bastante comprometida para os sobreviventes dos sete mil alemães. Não haviam consequido conquistar dos objetivos, porém uma indecisão do General Freyberg, comandante do ANZAC (Australian New Zealand African Corp) que não contra-atacou como devia ter feito, permitindo a reorganização dos alemães. Durante a noite, tentaram desembarcar, pelo mar, uma pequena frota de barcos de pesca cheia de tropas alpinas, mas fracassaram devido á intervenção de uma frota inglesa. Que acabou afundando a maioria dos barcos, porém a maioria utilizava coletes salva-vidas, perdendo-se 300 de um total de 2.300, na verdade por causa deste ataque nenhum deles conseguiu desembarcar na ilha.

Pela manhã finalmente a aviação alemã que dominava o cenário, conseguiu uma série de ataques contra a frota britânica, permitindo que novas ondas de paraquedistas pudessem saltar, juntamento com o apoio necessário de suprimentos. Assim, paulatinamente as posiçoes foram sendo confirmadas e dominadas pelo paraquedistas alemães.

No principio de Junho, toda a ilha estava nas mãos dos alemães. Uma Vitória verdadeiramente excepcional que, no entanto, examinada posteriormente, resultou terrivelmente cara. Foram utilizadas duas divisões, uma de pára-quedistas e outra alpina, num total de quase 23.000 homens. Morreram 3.200 e muitos ficaram feridos, quase todos pára-quedistas. Demasiados para a conquista de Creta! O próprio Hitler ficou tão impressionado que ordenou que os seus valentes pára-quedistas só fossem utilizados em operações especiais e onde a surpresa fosse total.

Referências

  1. (grego) pág. 10, retirado de 27.5.2010: 474 oficiais e 10 977 soldados
  2. Gavin Long, 1953, Official Histories – Second World War Volume II – Greece, Crete and Syria (1st ed.), Canberra: Australian War Memorial, p. 210
  3. Davin, Daniel Marcus. Crete. Wellington, New Zealand: Historical Publications Branch, Department of Internal Affairs, Government of New Zealand, 1953. 486–488 pp.
  4. O termo Fallschirmjäger vem do alemão, Fallschirm -. “pára-quedas” e de Jäger, um termo para infantaria leve; literalmente “caçador; ranger” traduzido livremente como pára-quedista-caçador.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • África Korps; Carrel, Paul; Editora Flamboyant, 1964.
  • Memórias de Rommel, 4° edição; Rommel, Erwin; Editora Aster Lisboa.
  • Coleção 70º Aniversário da Segunda Guerra Mundial, Abril 2009- Fascículo 10

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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