Guerra da Continuação

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Guerra da Continuação
Parte da(o) Segunda Guerra Mundial
Sommeenmotti.jpg
Soldados finlandeses passam junto a cadáveres de soldados russos em Sommee.
Data 25 de junho de 194119 de setembro de 1944
Local Finlândia, Carelia e Murmansk
Desfecho Vitória soviética, Armistício de Moscou
Combatentes
 Finlândia
Alemanha Nazi Alemanha nazista
Flag of the Soviet Union.svg União Soviética
 Reino Unido
Principais líderes
Carl Gustaf Emil Mannerheim Kirill Meretskov
Leonid Govorov
Forças
450.000 homens Mais de 1.000.000 de homens
Vítimas
80.000 mortos
188.000 feridos
1.500 baixas civis
100.000 mortos ou desaparecidos
Mais de 700.000 feridos
64.188 prisioneiros

A Guerra da Continuação (em finlandês: jatkosota) ou Segunda Guerra Russo-Finlandesa foi um conflito travado entre a Finlândia e a União Soviética, entre 25 de Junho de 1941 e 19 de Setembro de 1944, durante a Segunda Guerra Mundial.

O Reino Unido declarou guerra à Finlândia em 6 de dezembro de 1941, mas não participou do conflito ativamente. A Alemanha interveio mediante o envio de material de guerra vital e cooperação militar com os finlandeses. Os EUA não lutaram nem declararam guerra contra nenhum dos lados, mas deram à União Soviética ajuda massiva em vários níveis - oficialmente, no sentido de colaborar no esforço de guerra soviético contra a Alemanha.

Na Finlândia, foi chamada Guerra da Continuação para tornar clara a relação com a Guerra de Inverno (ou Primeira Guerra russo-finlandesa, de 1939 a 1940) e a intenção de Josef Stalin de ocupar a Finlândia com base no Pacto Ribbentrop-Molotov, firmado entre Stalin e Hitler em 1939. Nesse sentido, é considerada como uma guerra separada da Segunda Guerra Mundial.

A União Soviética não dá um nome específico para o conflito, pois oficialmente foi considerado apenas como mais uma das frentes da "Grande Guerra Patriótica" contra a Alemanha Nazi.[1] Da mesma forma, os alemães viram as suas operações na região como parte dos seus esforços durante a Segunda Guerra Mundial.

Início do conflito[editar | editar código-fonte]

Crianças finlandesas mortas por milícias soviéticas em Seitajärvi, 1942

Após um acordo acerca da movimentação de tropas e importação de munições, a Alemanha destacou um forte contingente da Wehrmacht no Norte da Finlândia, em preparação para a Operação Barbarossa (invasão da União Soviética).

No dia 25 de Junho de 1941, três dias após o início dos ataques alemães à União Soviética noutras frentes, meia dúzia de cidades e vilas finlandesas foram bombardeadas por forças aéreas soviéticas e, pouco depois, tropas finlandesas e alemãs invadiram o território soviético a partir da Finlândia.

Os finlandeses, pela Declaração da Bainha da Espada, afirmaram que os seus objectivos se limitavam à conquista da Carélia Oriental, o que ocorreu antes do inverno de 1941.

Final do conflito e consequências[editar | editar código-fonte]

Áreas cedidas pela Finlândia à URSS, pelo Armistício de Moscou. A Finlândia cedida o distrito do Petsamo, além das perdas da Guerra de Inverno.

No dia 9 de Junho de 1944, a União Soviética iniciou uma forte ofensiva e a Finlândia foi forçada a evacuar o Istmo da Carélia após poucas semanas. No entanto, tal ofensiva viria a ser detida nas principais frentes, tornando o custo de ocupar todo o país demasiado pesado para os soviéticos.

A 4 de Setembro entrou em vigor um cessar-fogo, que pôs fim às operações militares do lado finlandês. A URSS pôs fim às hostilidades 24 horas depois. A 19 de Setembro foi assinado em Moscovo o armistício entre a Finlândia e a União Soviética. Segundo as condições impostas pelo acordo, a Finlândia era obrigada a desmobilizar imediatamente o seu exército e a expulsar as tropas da Wehrmacht do seu território no prazo de 14 dias. Perante a recusa alemã em abandonar a Finlândia voluntariamente, os finlandeses iniciaram a Guerra da Lapónia contra os seus antigos aliados.

Além disso, a União Soviética recuperou as fronteiras de 1940, com a adição da área de Petsamo (ou Petchenga), atual Raion (distrito) de Pechengsky, na Rússia; a península de Porkkala (adjacente a Helsinki) foi cedida à USSR para servir como base naval durante cinquenta anos, com direitos de trânsito garantidos.

A Finlândia também teve que limpar os campos minados na Carelia e no Golfo da Finlândia. A retirada das minas foi uma longa operação, especialmente nas áreas marítimas, sendo concluída somente em 1952. 100 militares finlandeses - na maioria, lapões - morreram, e mais de 200 foram feridos durante esse processo.

Todavia, em contraste com os países da Europa Oriental envolvidos na Segunda Guerra Mundial, não houve ocupação soviética e a Finlândia manteve sua soberania. Tampouco os comunistas assumiram o poder, como nos países do Bloco Oriental. A Doutrina Paasikivi–Kekkonen line foi a base da política externa finlandesa em relação à URSS, até a sua dissolução, em 1991,[2] e preconizava a estrita neutralidade internacional da Finlândia e relações amistosas com a URSS. Essa política foi assim chamada assim em alusão ao seu iniciador, o presidente Juho Kusti Paasikivi, e ao seu sucessor, Urho Kaleva Kekkonen.

Referências

  1. Grande Enciclopédia Soviética, Finlândia, Moscovo, 1974, ISBN 0-02-880010-9
  2. Finlândia. História.
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