Invasão da Polônia

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1º de setembro de 1939: os alemães derrubam a fronteira da Polônia. Tem início a II Guerra Mundial.

A Invasão da Polónia (em polaco, Wojna obronna 1939 roku: "Guerra defensiva de 1939" ou Kampania wrześniowa "Campanha de setembro"; em alemão, Polenfeldzug, "Campanha da Polônia", ou Fall Weiß, "Caso Branco"; em russo, Вторжение в Польшу, transl. Vtorženie v Pol'šu: "Invasão da Polônia") foi o ataque à Polônia, empreendido pela Alemanha, União Soviética e mais um pequeno contingente de eslovacos. O episódio marca o início da Segunda Guerra Mundial na Europa.

O ataque foi realizado em duas frentes: pela Alemanha, a partir da madrugada de 1° de setembro de 1939 (uma semana depois da assinatura do Pacto Molotov-Ribbentrop), e pela União Soviética, a partir de 17 de setembro (dia seguinte à assinatura do acordo Molotov-Tōgō, que deu por encerrado o incidente de Nomonhan). [1]

O objetivo da invasão era repartir o território polaco no final da operação. De fato a campanha terminou, em 6 de outubro de 1939, com a divisão e anexação da Polônia pela Alemanha e pela União Soviética.

Em 3 de setembro, em resposta às hostilidades, a França e o Reino Unido, seguidos pelo Commonwealth, entre outros, declararam guerra à Alemanha. Começava a Segunda Guerra Mundial .

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

A Alemanha, derrotada na Primeira Guerra Mundial, havia perdido seus territórios ultramarinos, a Alsácia-Lorena e parte da Prússia. Particularmente inaceitável para os alemães era a nova delimitação da fronteira leste do país, imposta pelo Tratado de Versalhes: a Alemanha ficara separada da Prússia Oriental pelo chamado corredor polonês , território neutro. Mas, de fato, as relações entre a Alemanha e a Polônia já eram bastante tensas, desde a República de Weimar. A partir de 1919, a disputa pela região produzia contínuas escaramuças entre os dois países. [2]

De outra parte, Hitler, interessado nas matérias-primas da Romênia, do Cáucaso, da Sibéria e da Ucrânia, planejava a expansão para o leste . Embora as potências ocidentais temessem o perigo nazista, permitiram seu crescimento como forma de bloqueio ao avanço comunista soviético. [2]

Em 1934, com ajuda da SA e do Partido Nazi Austríaco, Hitler depõe o então chanceler austríaco Engelbert Dollfuss, numa tentativa fracassada de instalar um regime nazi na Áustria. O chanceler passa a ser Kurt Schuschnigg, da Frente Nacional (o mesmo partido de Dollfuss), até 1938, quando Hitler pressiona o presidente Wilhelm Miklas para nomear um chanceler nazi, Arthur Seyss-Inquart, enquanto traçava planos (Operação Case Otto) para anexar a Áustria ao Reich .

Em 1935, a Alemanha reinicia a produção de armamentos e restabelece o serviço militar obrigatório, o que era proibido pelo Tratado de Versalhes. [2] Em 1936, os alemães ocupam militarmente a zona desmilitarizada da Renânia, anexando-a ao território alemão. Na sequência, Hitler promoverá a remilitarização da região .

Ao mesmo tempo, a Alemanha aproximava-se da Itália fascista, de Benito Mussolini; dos nacionalistas espanhois , de Francisco Franco, e do Japão. [2]

Em 1938, , numa manobra política negociada com o governo austríaco, a Alemanha finalmente anexa a Áustria.

Ainda em 1938, os líderes das grandes nações da Europa se reúnem na cidade de Munique, na Alemanha , para discutir o futuro da Tchecoslováquia, tendo em vista as investidas nazis na região dos Sudetos, que abrigava minorias germânicas. O alemão Adolf Hitler , o italiano Benito Mussolini, o inglês Neville Chamberlain e o francês Edouard Daladier, sem a presença de representantes da Tchecoslováquia, assinam o Acordo de Munique, pelo qual o território dos Sudetos era cedido à Alemanha. Na volta a seus países, Chamberlaim e Daladier são recebidos como heróis. Pouco tempo depois, em 10 de março de 1939, Hitler ordenaria a ocupação do restante da Tchecoslováquia, incluindo Praga.

Por fim, em 23 de agosto de 1939, é firmado o Pacto Molotov-Ribbentrop pelo qual a Alemanha e a URSS estabelecem um acordo de não agressão e neutralidade de cinco anos.

Estava aberto o caminho para o ataque à Polônia. A Alemanha reitera a exigência de devolução da zona do "corredor polonês" e do porto de Danzig (atual Gdansk). Diante da negativa do governo da Segunda República Polonesa , é criado um álibi para justificar a invasão - um suposto ataque polaco a uma estação de rádio. Em 1º de setembro de 1939, tropas alemãs invadem o país e, utilizando-se da nova tática de guerra-relâmpago (Blitzkrieg), desmantelam rapidamente a frágil resistência local. Dois dias depois, a Inglaterra e a França declaram guerra à Alemanha.

Durante a operação, em 17 de setembro, a União Soviética, seguindo uma cláusula secreta do Pacto Ribbentrop-Molotov, também declara guerra à Polônia , dando início à invasão da parte leste do país .

Forças[editar | editar código-fonte]

Avanço das forças da Alemanha Nazista e da URSS sobre a Polônia.

A Wehrmacht envolveu suas melhores unidades, engajando 37 divisões de infantaria, uma de montanha, quatro de infantaria motorizada, quatro divisões blindadas leves, seis Panzer, uma brigada de cavalaria e uma variadade de unidades paramilitares. Para a invasão, o Grupo de Exércitos Norte tinha um efetivo 630 mil soldados, enquanto o Grupo de Exércitos Sul tinha 886 mil soldados.

Ao todo, as forças alemãs tinham 559 batalhões de infantaria contra 376 da Polônia. Em artilharia, a Wehrmacht tinha 5805 peças de artilharia contra 2065 polocas (sem contar a grande diferença de idade e qualidade). Do lado polaco havia aproximadamente 39 divisões mais 16 brigadas, totalizando, 950 mil soldados. Do lado soviético, a despeito das esparsas fontes, estima-se um total de 800 mil soldados engajados.

Em tanques, eram 2511 Panzer contra 615 tanques poloneses, sem contar, novamente, a qualidade e a metodologia de combate (os tanques alemães consistiam em Panzer I, Panzer II, Panzer III, Panzer 35(t) e Panzer 38(t), os polacos consistiam em tanques 7TP e tanquetes TK-3/TKS). Dentre esses veículos, os alemães tinham 215 befehlspanzer (veículos de comando, sem torre, equipados com potentes rádios para coordenar as unidades).

Em 1939, uma divisão padrão de infantaria da Wehrmacht tinha:

Já uma divisão de infantaria polaca tinha:

  • 6937 cavalos
  • 76 veículos

Início das hostilidades[editar | editar código-fonte]

As operações começaram aproximadamente às 4h45min do dia 1, com o encouraçado alemão SMS Schleswig-Holstein abrindo fogo contra as guarnições polonesas da Westerplatte, península localizada em Danzig, hoje Gdansk. Horas depois, o Grupo de Exércitos Norte e Sul iniciaram uma batalha.

Empregando a tática da Guerra Relâmpago, juntamente com inovadoras técnicas de combate e equipamentos modernos, os alemães rapidamente quebraram as linhas defensivas dos poloneses, alcançando o Vístula já em 3 de setembro, e iniciando o cerco a Varsóvia no dia 10. Ao sul, com o Grupo de Exércitos Sul, comandado por Gerd von Rundstedt, no dia 3, as tropas de Walter von Reichenau já se encontravam na retaguarda de Cracóvia, e cinco dias depois, tendo percorrido 140 milhas numa semana, se encontravam a 10 km de Varsóvia.

A essa altura, todos os planos de defesa da Polónia haviam falhado, basicamente pela mobilização das tropas alemães e pela incapacidade do exércitos polones em recuar estrategicamente, muito por causa do nível de obsolência do seu exército e da mentalidade de seus comandantes, principalmente do general da cidade, General Edward Rydz-Śmigły. Os poloneses tinham duas opções de defesa; a primeira era espalhar as forças pela fronteira e recuar aos poucos até o Vístula, e ali estabelecer a última linha defensiva. A segunda era já estabelecer a linha no rio Vístula, sem recuos estratégicos. O General Rydz-Śmigły, querendo dar proteção à totalidade do território nacional, optou pela primeira opção e estendeu, ao longo das fronteiras, 7 divisões, denominadas exércitos. Essas forças foram rapidamente cercadas, e a despeito do contra-ataque do rio Bzura (Batalha de Bzura), nenhuma delas esboçou reação expressiva ou comprometeu de alguma forma a invasão como um todo.

O SMS Schleswig-Holstein da Kriegsmarine, bombardeando Gdansk.
A cidade de Wieluń, em 1 de setembro de 1939, após bombardeio da Luftwaffe.
Blindados da Wehrmacht avançando pela Polônia, setembro de 1939
Infantaria polonesa em marcha.

Resultado[editar | editar código-fonte]

Ainda que algum plano defensivo lograsse sucesso, ele falharia em se proteger da inesperada invasão russa pelo leste. No cômputo geral, a invasão foi um teste e uma importante lição para os alemães, que ali testaram suas forças, assimilaram os resultados e corrigiram os erros. Entre outubro de 1939 e maio de 1940, as Forças Armadas Alemãs passaram por uma reformulação completa, que tornaria ainda mais eficiente a Blitzkrieg. Aos polacos, restou resistir nos cercos nas cidades, até a capitulação. O governo Polaco, juntamente com a sua Marinha, se exilou na Inglaterra. Muitas tropas fugiram para a Lituânia e França e a maioria foi para a então neutra Romênia.

Varsóvia destruída por bombardeiros da Alemanha, em setembro de 1939.
Castelo Real de Varsóvia em chamas no dia 17 de setembro de 1939.
Soldados alemães removendo a insígnia do governo polonês.

Referências

  1. Goldman p. 163, 164
  2. a b c d Instantâneos: Nazifascismo e 2ª Guerra Mundial. 1939: Alemanha invade a Polônia. Deutsche Welle.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • GOLDMAN, Stuart D. (2012). Nomonhan, 1939; The Red Army's Victory That Shaped World War II. Naval Institute Press. ISBN 978-1-59114-329-1.
  • ZALOGA, Steven J.. Poland 1930 The birth of Blitzkrieg. Osprey, 2002.
  • MCKSEY, K.J. Divisões Panzer - os punhos de aço. Rio de Janeiro: Renes.
  • SHIRER, Willian l. Ascensão e Queda do Terceiro Reich (4 vols). Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira, 1964.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]