Batalha de Guadalcanal

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Batalha de Guadalcanal
Guerra do Pacífico
GuadPatrol.jpg
Fuzileiros cruzam rio na ilha de Guadalcanal, 1942
Data 7 de agosto de 1942
8 de fevereiro de 1943
Local Ilha de Guadalcanal e Mar de Salomão
Desfecho Vitória dos Aliados
Combatentes
 Estados Unidos
 Austrália
e aliados menores
 Japão
Comandantes
Frank Fletcher
Richmond Turner
Alexander Vandegrift
Alexander Patch
William Halsey
Harukichi Hyakutake Isoroku Yamamoto
Gunichi Mikawa
Forças
Forças terrestres:
60 000 soldados
Forças terrestres:
36 200 soldados
Baixas
7 100 mortos
4 capturados
29 navios perdidos
615 aviões abatidos
31 000 mortos
1 000 capturados
38 navios perdidos
683–880 aviões abatidos

A Batalha de Guadalcanal, ou Campanha de Guadalcanal, foi uma batalha terrestre e aeronaval travada de agosto de 1942 a fevereiro de 1943 entre norte-americanos, australianos e japoneses na ilha de Guadalcanal, no arquipélago das Ilhas Salomão, Oceano Pacífico, durante a II Guerra Mundial.

A batalha foi a primeira grande ofensiva realizada pelos Aliados na Guerra do Pacífico após o ataque a Pearl Harbor e à Batalha de Midway, e se tornou significativa por marcar o ponto de virada na guerra, com a primeira vitória terrestre aliada no conflito.

A batalha[editar | editar código-fonte]

Em 7 de agosto de 1942, tropas aliadas, predominantemente norte-americanas, começaram a desembarcar na ilha de Guadalcanal, Tulagi e Florida, no arquipélago das Salomão, com o objetivo de impedir o uso destas ilhas como base para que os japoneses cortassem as rotas de suprimento entre os Estados Unidos, a Austrália e a Nova Zelândia. Os Aliados também pretendiam usar estas ilhas como suas próprias bases de apoio a uma campanha militar visando a isolar a grande base japonesa do sudoeste do Pacífico em Rabaul, na Nova Guiné.

Os japoneses, que haviam ocupado as ilhas em maio, foram surpreendidos pelos desembarques de soldados em grande número , que rapidamente ocuparam as ilhas de Tulagi e Florida e um aeroporto em construção em Guadalcanal, chamado pelos norte-americanos de Henderson Field. Entre agosto e novembro de 1942, o exército japonês fez todos os esforços para retomar o aeroporto das mãos dos Aliados. Estas tentativas resultaram em três grandes batalhas terrestres, cinco batalhas navais e contínuas e quase diárias batalhas nos céus das Salomão até novembro, quando o último esforço japonês para desembarcar mais tropas na ilha foi derrotado pelos Aliados.

No mês seguinte, eles abandonaram de vez novas tentativas para retomar o aeroporto e conseguiram evacuar com sucesso a maior parte de suas tropas que ainda lutava em Guadalcanal, deixando definitivamente a ilha em mãos norte-americanas a 7 de fevereiro de 1943.

A partir de Guadalcanal, a Guerra do Pacífico, até então toda de iniciativa japonesa, veria a ofensiva militar passar definitivamente às mãos dos Aliados até a rendição do Japão em 1945.

As batalhas pela ilha[editar | editar código-fonte]

Fuzileiros desembarcam em Guadalcanal, 7 de agosto de 1942.

Os primeiros dois dias de combates foram marcados por vitórias de ambos os lados. Na manhã de 7 de agosto, a 1.ª Divisão de Marines, comandada pelo major-general Alexander Vandegrift, atacou Tulagi e as pequenas ilhas vizinhas, encontrando uma forte resistência dos defensores japoneses nelas, muitos apenas trabalhadores coreanos, que tiveram que ser exterminados em quase sua totalidade, custando aos americanos 122 mortes até a ocupação total da ilha. Em Guadalcanal entretanto, a resistência aos 11 000 soldados desembarcados foi quase nenhuma, com os marines encontrando acampamentos e construções abandonadas às pressas pelos japoneses ainda cheios de comida, munição e material de construção.

Porém, enquanto estes desembarques aconteciam, a força tarefa aliada, composta de porta-aviões e navios de batalha de superfície, foi atacada diversas vezes por dezenas de aviões japoneses vindos da base inimiga de Rabaul, que causaram a perda de dois navios e de dezenove aeronaves dos aliados nos combates. Após estes ataques, o Almirante Frank Fletcher, comandante-chefe da força tarefa de porta-aviões, resolveu retirar seus navios da área com medo de novos ataques inimigos que afundassem seus porta-aviões, forçando o Almirante Richmond Turner, comandante da frota de navios de batalha e de desembarque anfíbio, a também se retirar da região, temendo a falta de cobertura aérea em que ficaria sem a presença dos porta-aviões.

Durante a noite, as tripulações dos navios de Turner faziam o possível para desembarcar nas ilhas o máximo de material para os soldados ali instalados, até que um ataque de surpresa de uma frota japonesa composta de sete cruzadores, afundou quatro cruzadores americanos e australianos, danificando seriamente outras embarcações. Sem saber que o almirante Fletcher havia partido com seus porta-aviões e temendo um ataque aéreo à sua frota ao amanhecer, o comandante japonês, Vice-Almirante Gunichi Mikawa, bateu em retirada após esta vitória naval sem atacar os agora desprotegidos barcos de desembarque aliados nas praias e os soldados em terra. Por outro lado, também por causa da derrota, o Almirante Turner retirou no dia seguinte sua frota de superfície de Guadalcanal sem terminar o desembarque de homens, suprimentos e munição previstos, deixando os soldados do general Vandegrift em terra entregues a si próprios.

Campo Aereo de Henderson em 1942.

Nos dias seguintes, as tropas desembarcadas, com rações de comida e munição contadas e racionadas e com boa parte dos soldados sofrendo quase imediatamente de disenteria, estabeleceram um perímetro de defesa em torno da praias e do aeroporto em construção – batizado por eles de Henderson Field em homenagem a um aviador dos marines morto na Batalha de Midway – e trabalharam para completar as obras, que permitiriam dias depois o pouso de algumas aeronaves trazidas por porta-aviões. Durante este primeiro período na ilha, alguns pequenos combates se desenrolaram entre os marines e soldados japoneses instalados há alguma distância da cabeça de praia aliada, incluindo alguns que foram desembarcados em outras partes da ilha por navios japoneses.

Batalhas no ar e no mar[editar | editar código-fonte]

Em resposta ao desembarque aliado, o quartel general das forças japonesas em Tóquio determinou que o 17º Exército japonês baseado em Rabaul, sob o comando do tenente-general Harukichi Hyakutake, retomasse as ilhas. Em principio, apenas algumas das unidades deste exército estavam disponíveis para a missão, pois o grosso das forças japonesas continuava em seu ataque em direção a Port Moresby, a outra grande cidade da Nova Guiné. Subestimando as forças aliadas em Guadalcanal, estas tropas desembarcaram em outros pontos da ilha em 21 de agosto, dali promovendo um ataque noturno frontal contra as posições americanas, sofrendo enormes perdas.

Mais tropas japonesas, vindas das Filipinas, de Truk e do Japão, foram desembarcadas nas ilhas, sob a cobertura de uma grande esquadra comandada por três porta-aviões e dezenas de navios de batalha. Esta força chocou-se com a força tarefa do Almirante Fletcher, de volta a Guadalcanal com ordens de deter o ataque pela reconquista da ilha, na que ficou conhecida como Batalha das Salomão Orientais, cujo saldo foi a retirada de ambas as frotas após diversos danos, com um porta-aviões japonês afundado.

Nas semanas seguintes, os Aliados conseguiram aos poucos ir aumentando o número de aviões em Guadalcanal, e em setembro já contavam com 63 aeronaves de combate em Henderson Field. Quase diariamente, estes aviões eram obrigados a lutar contra as esquadrilhas japonesas de caças-bombardeiros que atacavam Guadalcanal vindas de Rabaul, a 1 800 km de distância. A viagem de oito horas desde a Nova Guiné incorria numa crescente desvantagem para os pilotos japoneses, que já entravam em combate sobre o campo de batalha bastante desgastados, além de seus movimentos serem vigiados e seguidos por uma rede de radio-amadores australianos, que os acompanhavam desde as matas da Nova Guiné e através das ilhas do sudoeste do Pacífico, transmitindo seus movimentos para os aviadores de Guadalcanal, que já os esperavam preparados; aos poucos, os japoneses começaram a perder a guerra aérea pela ilha.

Japoneses embarcam nos destróieres do Expresso de Tóquio rumo a Guadalcanal.

As primeiras semanas de batalha assistiram ao que seria chamado pelos norte-americanos e historiadores de guerra de Tokyo Express (O Expresso de Tóquio). Receosos de enviar tropas a Guadalcanal através dos lentos transportes anfíbios e expô-los ao ataque dos aviões aliados, os japoneses optaram por transportar esses homens em destróieres, muito mais rápidos, e nas horas da madrugada pelos mares das Ilhas Salomão. Durante noites a fio pelos meses seguintes, os pequenos e rápidos navios japoneses desembarcaram pequenas quantidades de reforços em diversos locais da ilha. Este meio, apesar de eficiente, impedia os soldados de carregarem consigo armamento mais pesado, artilharia e blindados, e grandes estoques de munição e comida, além de só poderem ser feitos à noite, para escapar dos ataques diurnos dos aviões baseados em Henderson Fied.

O USS Wasp afunda em chamas após ser atingido por torpedos.

Combates se sucederam na ilha em setembro e outubro, sem que os reforços japoneses conseguissem quebrar as linhas de defesa aliadas, também reforçadas por carregamentos de homens e armas trazidas pela Marinha, que custou aos aliados o afundamento do porta-aviões USS Wasp por um submarino japonês a sudeste de Guadalcanal, deixando os norte-americanos temporariamente apenas com o porta-aviões USS Hornet no sudoeste do Pacífico.

As tentativas infrutíferas das tropas japonesas em retomar Guadalcanal forçaram o quartel-general em Tóquio a dedicar atenção exclusiva à batalha pela ilha, interrompendo sua ofensiva na Nova Guiné e desviando reforços em homens e equipamento para as Ilhas Salomão. Pelo lado aliado, contra ataques levados a cabo pelos marines no interior da ilha eram rechaçados pelas tropas japonesas.

No mar, navios escoltando transportes de tropas de ambos os lados engajaram-se num combate na noite de 11 de outubro, a Batalha do Cabo Esperança, com perda em navios e vidas que terminou com a retirada dos japoneses após conseguirem desembarcar mais homens em terra.

Momentos decisivos[editar | editar código-fonte]

Em 23 e 24 de outubro, uma grande ofensiva contra Henderson Field foi lançada pelo comando japonês, que atravessou quilômetros de selva desde o outro lado da ilha e durante três dias os soldados dos dois lados se enfrentaram na área em volta do aeroporto com pesadas baixas japonesas, forçados a se retirar após perderem mais de dois mil homens nos combates; os poucos que conseguiram penetrar no perímetro defendido pelos marines foram caçados e mortos nos dias seguintes.

Japoneses mortos na ofensiva fracassada de outubro.

Apesar de quase destruído por pesado bombardeio naval de cruzadores japoneses na semana anterior, o aeroporto continuava em mãos aliadas. Os japoneses, com pesadas baixas, abatidos pela malária e doenças da selvatropical e sem suprimentos de comida e munição, passariam à defensiva pelo resto da campanha.

Ao mesmo tempo em que as tropas do general Hyakutake atacavam o perímetro de Henderson Field, no mar os navios inimigos se enfrentavam na Batalha de Santa Cruz. Uma grande frota nipônica de porta-aviões e cruzadores, sob ordens diretas do Almirante Isoroku Yamamoto, comandante em chefe da Marinha Imperial Japonesa, entrava nos mares das Salomão. Seu objetivo era encontrar e destruir a frota norte-americana, impedindo-as de atuar contra os ataques das tropas em terra na ofensiva contra o aeroporto e as linhas de defesa norte-americanas em Guadalcanal. A força tarefa aliada, agora sob comando do Almirante William ‘Bull’ Halsey, também esperava encontrar a marinha japonesa em combate.

As duas forças tarefas de porta-aviões se confrontaram na manhã de 26 de outubro de 1942. Após uma troca de ataques aéreos de ambas as frotas, os Aliados foram forçados a se retirar com a perda de um porta-aviões e diversos navios de batalha, seguidos pelos japoneses, com dois porta-aviões avariados e uma esquadra aérea quase dizimada, que faria grande diferença no restante da guerra pela perda quase completa de tripulações altamente treinadas. A subsequente Batalha Naval de Guadalcanal, com a vitória aliada e o afundamento de mais da metade dos comboios de tropas e suprimentos japoneses enviados para a ilha, selaria o resultado final da batalha em terra.

De novembro de 1942 a janeiro de 1943, as forças americanas lentamente avançaram por Guadalcanal, derrotando os japoneses e fazendo-os recuar, agora em condições precárias, graças à falta de uma linha constante de suprimentos tremendamente afetada pelas derrotas sofridas no mar. Tropas frescas, desembarcadas pelos norte-americanos em substituição às veteranas e cansadas guarnições em combate desde agosto, empurraram cada vez mais os restantes japoneses à bolsões de resistência na ilha. Em 8 de fevereiro, o último comboio do Expresso de Tóquio retirou de Guadalcanal os remanescentes, famintos, feridos e doentes. No dia seguinte, após quase seis meses de combates, o comando aliado declarou a ilha de Guadalcanal livre de inimigos, com a mensagem do general em comando Alexander Patch a seus superiores: “ O Expresso de Tóquio não tem mais estação terminal em Guadalcanal”.

Resultados[editar | editar código-fonte]

Oficialmente, a luta terrestre em Guadalcanal terminou em meados de Fevereiro, embora pequenos grupos de japoneses ainda fossem encontrados muito tempo depois. Na verdade, o último soldado japonês, foi capturado em 27 de Outubro de 1947, quatro anos e meio depois de pacificada a ilha e dois anos depois do fim da guerra. O ilha continuou sendo uma base importante para os aliados até o fim da guerra. O "Campo Henderson" [1] foi usado para incursões de bombardeio de longas distâncias e como área de onde as forças terrestres partiam para ataques. A Guerra nas Ilhas Salomão, só terminou em agosto de 1945. Depois de Guadalcanal, os japoneses tiveram de ser expulsos sucessivamente das Ilhas Russel, de Choiseul, e da Nova Geórgia, nas Salomão Ocidental.[2]

A vitória americana na ilha deu-lhe várias vantagens. Os japoneses haviam demonstrado que eram falíveis, sua marinha embora uma força digna de ser levada em consideração, durante anos não apareceu em formação de combate; os americanos ganharam um trampolim para seus saltos pelo Pacífico, alem disto, os japoneses haviam perdido milhares de homens e muito material, bem como centenas de aviões e pilotos insubstituíveis. Depois de Guadalcanal, os japoneses não tornaram a avançar, continuaram lutando ferozmente, mas sempre recuando.

Referências

  1. O nome foi dado pelos marines em homenagem ao oficial aviador Major Lofton Henderson, morto em combate meses antes na Batalha de Midway, o primeiro aviador da marinha morto em combate nesta batalha. Kent, Graeme, Pag.127
  2. Guadalcanal: A ilha do terror - Editora Renes- 1974-Kent, Graeme, Pag.157

Ver também[editar | editar código-fonte]

Commons
O Commons possui imagens e outras mídias sobre Batalha de Guadalcanal

Livros[editar | editar código-fonte]

  • Edson's Raiders: The 1st Marine Raider Battalion in World War II - Joseph H. Alexander
  • A Battle History of the Imperial Japanese Navy, 1941-1945 - Paul S. Dull
  • Guadalcanal: The Definitive Account of the Landmark Battle - Richard Frank
  • The Battle for Guadalcanal - Samuel B. Griffith
  • Carrier Clash: The Invasion of Guadalcanal & The Battle of the Eastern Solomons August 1942 - Eric M. Hammel
  • Guadalcanal: A ilha do terror - Editora Renes- 1974-Kent, Graeme ,

Filmes[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]