Desnutrição

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Desnutrição
An orange ribbon—the awareness ribbon for malnutrition.
Classificação e recursos externos
CID-9 263.9
MedlinePlus 000404
eMedicine ped/1360
MeSH D044342
Star of life caution.svg Aviso médico

A desnutrição é uma doença causada pela dieta inapropriada, com falta de nutrientes essenciais. Segundo os Médicos Sem Fronteiras, a cada ano entre 3,5 a 5 milhões de crianças com menos de cinco anos morrem de desnutrição nos países subdesenvolvidos.[1]

Classificação[editar | editar código-fonte]

Criança refugiada somaliana sendo tratada de desnutrição em 2010.

Pode ser classificada pelo nutriente que está em falta:

E pode ser classificada pela causa:

  • Primária: Causada por dieta inadequada;
  • Secundária: Causada por patologia, como parasitas ou má-absorção dos alimentos.

Causas[editar | editar código-fonte]

A causa mais frequente da desnutrição é uma má alimentação. Ainda, outras patologias podem desencadear má absorção ou dificuldade de alimentação e causar a desnutrição e falta de alimento como gastroenterites, doenças parasitárias e doenças crônicas que causam perda do apetite, vômito e diarreia. Dificuldades econômicas, inflação, guerras e falta de opções alimentares diversificadas também é um problema sério mesmo em alguns países desenvolvidos.[2]

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

Porcentagem de desnutrição no mundo em 2012. Dados da ONU. (países em cinza: sem dados suficientes)

No mundo, a desnutrição aumentou em valores absolutos de 840 a 925 milhões de habitantes entre 1990 e 2010, mas obteve um declínio relativo de 20% para 17% da população. O problema não é a falta de comida, há comida para 12 bilhões de habitantes, o que falta é uma distribuição mais equilibrada.[3] É mais comum na fase de crescimento, durante a gravidez e lactância quando as necessidades nutricionais são maiores, em idosos e doentes crônicos com falta de apetite e problemas gastro-intestinais.

Fisiopatologia e quadro clínico[editar | editar código-fonte]

Em um indivíduo primeiramente com estado nutricional normal, ao ter sua alimentação altamente limitada, sofre primeiramente com o gasto energético. Gasta-se rapidamente os ATPs produzidos pelas mitocôndrias e em seguida a glicose dos tecidos e do sangue com a liberação de insulina.

Com o esgotamento da glicose, a próxima fonte de energia a ser utilizada é o glicogênio armazenado nos músculos e no fígado. Ele é rapidamente lisado em glicose e fornece um aporte razoável de energia. Sua depleção irá causar apatia, prostração e até síncopes - o cérebro que utiliza apenas a glicose e corpos cetônicos, como fonte de energia sofre muito quando há hipoglicemia.

Em seguida, a gordura (triacilglicerol) é liberada das reservas adiposas, é quebrada em acido-graxo mais glicerol. O glicerol é transportado para o fígado a fim de produzir novas moléculas de glicose. O ácido-graxo por meio de beta-oxidação forma corpos cetônicos que causa aumento da acidez sanguinea (ph sanguineo normal 7,4). O acumulo de corpos cetônicos no sangue pode levar a um quadro de cetomia, sua progressão tende a evoluir com o surgimento de ceto-acidose (ph<7,3) compensado pelo organismo com liberação de bicarbonatos na circulação.

A pele fica mais grossa, sem o tecido adiposo subcutâneo. Nessa etapa, as proteínas dos músculos e do fígado passam a ser quebradas em aminoácidos para que esses por meio da gliconeogênese passem a ser a nova fonte de glicose (energia). Na verdade, o organismo pode usar ainda várias substâncias como fonte de energia além dessas, se for possível. Há grande perda de massa muscular e as feições do indivíduo ficam mais próximas ao esqueleto. A força muscular é mínima e a consequência seguinte é o óbito.

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

  • Coração: o coração perde massa muscular, assim como os outros músculos do corpo. Em estágio mais avançado há insuficiência cardíaca e posteriormente morte.
  • Sistema imune: torna-se ineficiente. O corpo humano não vai ter os nutrientes necessários para produzir as células de defesa. Logo, é comum infecções intestinais subsequentes, respiratórias e outros acontecimentos. A duração das doenças é maior e o prognóstico é sempre pior em comparação a indivíduos normais. A cicatrização é lentificada.
  • Sangue: É possível ocorrer um quadro de anemia ferropriva relacionada à desnutrição.
  • Trato gastro-intestinal: há menor secreção de HCl pelo estômago, tornando esse ambiente mais propício para proliferação bacteriana. O intestino diminui seu ritmo de peristalse e a absorção de nutrientes fica muito reduzida.

Tratamento[editar | editar código-fonte]

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Não se deve alimentar demais uma pessoa severamente desnutrida ou pode-se causar um quadro de desequilíbrio hidroeletrolítico com consequente alterações neurológicas e insuficiência cardíaca, potencialmente fatal. Esse quadro é conhecido na literatura médica como Síndrome de realimentação. A alimentação deve seguir sendo de quatro refeiçoes diárias, sendo mais importante manter uma boa hidratação com quantidades saudáveis de sais minerais como sódio, potássio, cálcio, ferro, fósforo, magnésio e zinco. Assim, antes de alimentar, o ideal é que seja feitos exames clínicos para descobrir quais minerais, como está a pressão arterial e se a pessoa está apropriadamente hidratada e formular a dieta e soros adequados para suprir os nutrientes que faltam.[4]

Referências

  1. Ana Rosa Reis (11 de novembro de 2009). MSF faz apelo por maiores fundos para a desnutrição infantil MSF Notícias. Msf.org.br.
  2. Musaiger, Abdulrahman O.; Hassan, Abdelmonem S., Obeid, Omar (August 2011). "The Paradox of Nutrition-Related Diseases in the Arab Countries: The Need for Action". International Journal of Environmental Research and Public Health 8 (9): 3637–3671. doi:10.3390/ijerph8093637. PMC 3194109. PMID 22016708.
  3. "Global hunger declining, but still unacceptably high International hunger targets difficult to reach". Food and Agriculture Organization of the United Nations. September 2010. Retrieved 1 July 2014.
  4. VIANA, Larissa de Andrade; BURGOS, Maria Goretti Pessoa de Araújo and SILVA, Rafaella de Andrade. Qual é a importância clínica e nutricional da síndrome de realimentação?. ABCD, arq. bras. cir. dig. [online]. 2012, vol.25, n.1 [cited 2014-08-23], pp. 56-59 . Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-67202012000100013&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0102-6720. http://dx.doi.org/10.1590/S0102-67202012000100013

Ver também[editar | editar código-fonte]