Escorbuto

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Escorbuto
Classificação e recursos externos
CID-10 E54
CID-9 267
OMIM 240400
DiseasesDB 13930
MedlinePlus 000355
eMedicine med/2086 derm/521 ped/2073 radio/628
Star of life caution.svg Aviso médico

O escorbuto (do latim scorbutus) é uma doença que tem como primeiros sintomas hemorragias nas gengivas, tumefação purulenta das gengivas (inchaço com pus), dores nas articulações, feridas que não cicatrizam, além de desestabilização dos dentes. É provocada pela carência grave de vitamina C na dieta.

Há mais de duzentos anos, já se sabia que alguns alimentos eram necessários para manter-nos saudáveis. Percebeu-se, por exemplo, que os marinheiros que ficavam muito tempo no mar acabavam doentes. Esses homens, que consumiam principalmente bolachas e carne de porco salgada, passavam longos períodos sem ingerir folhas ou frutas frescas. Por esse motivo eram atacados pelo escorbuto.

Por volta de 1800, descobriu-se que esse mal poderia ser evitado se fossem acrescentados a sua dieta suco de limão e repolho azedo. Muito mais tarde, verificou que esses alimentos contêm grande quantidade de vitamina C e que a ingestão diária de pequenas doses dessa vitamina evita o escorbuto.

O escorbuto pode ocasionar ainda inflamações na língua

A vitamina C é importantíssima para o corpo porque ela é um cofator da enzima prolil-hidrolixase, que faz a hidroxilação do aminoácido prolina nas cadeias alfa de colágeno. Essa hidroxilação é tão importante porque aumenta o número de ligações de hidrogênio na molécula e dá maior rigidez ao colágeno, que é a principal proteína estrutural do corpo.

História[editar | editar código-fonte]

Existem registos sobre o escorbuto desde cerca de 1500 a.C, no Antigo Egito; mais tarde, Hipócrates descreveu também a doença. Na Idade Média o escorbuto desempenhou um papel importante em alguns conflitos: o exército de Luís IX de França foi severamente afetado pelo escorbuto nos finais da Sétima Cruzada, evitando a conquista do Egito. Era uma doença conhecida das zonas nórdicas, especialmente durante os Invernos pobres em alimentos frescos.

A doença é melhor descrita, falada, e popularizada nas viagens marítimas do século XVI. Cerca de quatro quintos da tripulação de Fernão de Magalhães foi mortalmente vitimada pelo escorbuto. Vasco da Gama também perdeu grande parte da sua tripulação, cerca de dois terços, na viagem de descoberta da via marítima para a Índia.

O explorador francês Jacques Cartier quase falhou a sua missão de exploração do rio São Lourenço quando a sua comitiva adoeceu, tendo esta sido salva pelos ensinamentos médicos dos povos ameríndios; estes usavam uma infusão de cedro, rica em vitamina C, para curar o escorbuto. Foi estimado que cerca de um milhão de marinheiros sucumbiram ao escorbuto nos séculos XVII e XVIII.

Em 1747, o cirurgião escocês James Lind conduziu uma experiência, considerada como o primeiro ensaio clínico registado na história da Medicina. A bordo do navio HMS Salisbury, Lind dividiu um grupo de doze marinheiros afectados pelo escorbuto em diferentes grupos, que receberam diferentes formas de terapia. O grupo com acesso a laranjas e limões recuperou da doença. Lind publicou os seus resultados em 1753, mas a introdução de sumo de limão ou lima na dieta dos marinheiros britânicos só surgiu cerca de quatro décadas mais tarde, por decisão do almirantado britânico em 1795.

O escorbuto existe ainda na atualidade, não só entre populações sem acesso a uma alimentação equilibrada, mas também nos países desenvolvidos entre a população com baixos níveis de consumo de fruta e legumes frescos.[1] O tratamento baseia-se na ingestão de frutas, legumes e vegetais frescos e administração de vitamina C.

O escorbuto era conhecido na época das navegações portuguesas (séculos XV e XVI) como "mal de Angola" pois era nas proximidades deste país que os sintomas da doença começavam a afetar as tripulações dos navios Lusos que buscavam cruzar o Cabo da Boa Esperança em direção à Índia. Como naquela época não se conhecia por completo a doença, achavam-se que os tripulantes eram infectados no país.

Na idade moderna essa doença era comum entre os marinheiros, pois sua alimentação no mar era pobre em frutas e legumes.

Prevenção[editar | editar código-fonte]

Para se prevenir do escorbuto é recomendável que se mantenha alimentação com frutas cítricas, verduras frescas e cruas ou qualquer outros alimentos ricos em vitamina C.

Referências

  1. David L. Nelson, Michael M. Cox , "Lehninger Principles of Biochemistry", 4ª edição, W. H. Freeman, 2005, ISBN 978-0-7167-4339-2


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principais sintomas sao;hemorragia nas gengivas sem causas aparente ; hemorragiana pele com demora na cicatrizaçao; dentes soltos; dor muscular e nas articulaçoes; cansaço;