Günther von Kluge

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Günther von Kluge
Alemanha Nazi
Nascimento 30 de Outubro de 1882
Posen, Alemanha
Morte 19 de agosto de 1944 (61 anos)
Metz
Nacionalidade alemão
Cargo Comandante da 4º Exército

Günther Adolf Ferdinand "Hans" von Kluge (Posen, 30 de Outubro de 1882- Metz, 19 de agosto de 1944) foi um importante líder militar alemão - grande teórico e incentivador da Blitzkrieg.

Nascido em Posen, de uma família de militares prussianos, lutou durante a Primeira Guerra Mundial, como tenente de uma unidade de artilharia, e na Segunda Guerra, como Generalfeldmarschall (marechal de campo) da Wehrmacht. Foi condecorado com a Cruz de Ferro com Folhas de Carvalho e Espadas.

Após uma série de reveses militares ocorridos em 1944 e diante da ameaça de punição por Hitler, Kluge cometeu o suicídio no mesmo ano, nas proximidades de Metz.

Início da carreira[editar | editar código-fonte]

Kluge ingressou no exército alemão na Primeira Guerra Mundial, tendo participado da Batalha de Verdun. No período entre guerras, ascendeu rapidamente na hierarquia militar, alcançando o posto de coronel em 1930, major-general em 1933 e tenente-general no ano seguinte. Em 1936, recebeu o comando de um grupo de exércitos. Seu interesse por guerra móvel logo aproximou-o de Hitler, o que contribuiu mais na sua ascensão militar.

Segunda Guerra[editar | editar código-fonte]

Günther von Kluge (1944).

Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, ele assumiu o 4º Exército na invasão da Polônia. Em 1940, sob o comando desse mesmo exército, tomou parte na invasão da França e Rússia. Na invasão dessa última - já com o posto de marechal-de-campo obtido em junho de 1940 com 12 doze outros generais - von Kluge tornou-se, em 18 de dezembro, comandante do Grupo de Exércitos do Centro, após a destituição de von Bock, em razão da malograda ofensiva contra Moscou.

Após assumir o comando na Rússia, teve com Hitler ásperas discussões a respeito das exigências feitas ao Grupo do Centro e às condições climáticas sob as quais ele estava submetido. Hitler esperava que Kluge fosse capaz de conquistar Moscou com exércitos congelados sem quaisquer condições de se locomover, o que, evidentemente, não ocorreu.

Durante uma visita ao front russo, em 1943, Kluge tomou conhecimento do plano para assassinar Hitler, arquitetado por conspiradores como Beck, Tresckow, Witzleben e Goerdeler. Kluge até a essa época não havia tomado parte em plano algum para tirar Hitler do poder, embora tivesse contato com Tresckow. Em 27 de outubro de 1943, von Kluge sofreu um grave acidente de carro. Seriamente ferido, somente pôde voltar à ativa em julho de 1944. No retorno, assumiu o comando das forças alemãs no oeste, substituindo o marechal de campo Gerd von Rundstedt.

Golpe contra Hitler[editar | editar código-fonte]

Em 20 de julho de 1944 ocorreu um atentado a bomba contra Hitler e uma tentativa de golpe. Embora relutasse em participar, Kluge aliou seu destino aos conspiradores quando recebeu a notícia de que Hitler havia morrido. Horas depois, no entanto, recuou rapidamente quando recebeu a notícia de que Hitler estava vivo. Sua medida seguinte foi sustar as ordens já tomadas pelos generais conspiradores em Paris, como, por exemplo, a prisão de 2000 membros da SS.

A decisão de Kluge foi o principal motivo pelo qual o golpe de 20 de julho não deu certo em Paris. Seu chefe do Estado-Maior, Blumentritt, e tantos outros militares no Ocidente, estavam inclinados a participar, mas precisavam da ordem e da autoridade de Kluge, que, junto com Rommel, poderia influenciar o desenrolar do golpe na França.

Com o fracasso do golpe, von Kluge tornou-se suspeito, e as investigações feitas pela polícia de Himmler inexoravelmente acabaram envolvendo o nome do marechal de campo. A primeira delas veio através do coronel Hofacker, que, submetido a tortura, acabou revelando nomes como o de Kluge, Rommel e Stuelpnagel.

A suspeita sobre o marechal de campo foi encarada por Hitler de forma pessoal. Ao fazer 60 anos, em 1942, Kluge havia recebido do Führer um cheque de 250.000 marcos (100.000 dólares à taxa oficial de câmbio) e uma licença especial para gastar metade desse montante em melhoramentos na sua propriedade particular. O insulto pessoal à honra de um militar não foi problema para Kluge, que aceitou o presente sem maiores constrangimentos.

Comandante no Oeste[editar | editar código-fonte]

A despeito do ressentimento pessoal de Hitler e da desconfiança que sobre ele pairava, Kluge continuou como Comandante-em-Chefe no Oeste. A situação militar da região não era nada agradável. Em 30 de julho, notificou o quartel-general de Hitler: "Toda a frente ocidental foi rompida…O flanco esquerdo desmoronou-se".

Hitler, então, já planejava uma contra-ofensiva no Oeste. Ordenou um ataque às posições aliadas, que ficaria conhecida como a Operação Lüttich. Os resultados dessa operação foram desastrosos e só pioraram suas relações com Hitler. A operação estava fadada ao fracasso devido à insistência em se manterem posições insustentáveis (linha Caen-Avranches), em atacar sem condições favoráveis(Operação Lüttich) e de não recuar (bolsão ao redor de Falaise), e não propriamente da qualidade de comando de von Kluge.

Destituição do comando[editar | editar código-fonte]

Quando ficou evidente que os objetivos da operação não seriam alcançados, Hitler ordenou o recuo das tropas e a destituição de Kluge do seu posto. Com o envio imediato de Walter Model para substituí-lo e a convocação para voltar a Alemanha em 16 de agosto, Kluge pressentiu que seria punido pelo líder nazista. Antes de dar fim à própria vida, redigiu a seguinte carta destinada ao Führer:

"Quando receberdes estas linhas não existirei mais. [...] A vida nada mais significa para mim. [...] Rommel e eu [...] previmos o presente desenrolar dos acontecimentos. Não nos deram ouvidos. Não sei se o marechal de campo Model, que se distinguiu em todas as esferas, dominará a situação. [...] Caso isso não se dê e vossas armas, às quais dispensais tão grande carinho, não forem coroadas de êxito, tomai então, meu Führer, a decisão de por paradeiro a esta guerra. O povo alemão tem suportado tão incomensurável sofrimento, que é tempo de por um ponto final a esse horror. Sempre admirei vossa nobreza… Se o destino é mais forte que vossa vontade e vosso gênio, assim também é a Providência. [...] Mostrai-vos agora, também, bastante magnânimo para terminar uma luta sem esperanças, quando necessário.[1]

Hitler leu a carta em silêncio e - segundo declarou Jodl em Nuremberg - entregou-lhe sem comentários. Dias depois, em uma conferência militar, em 31 de agosto de 1944, Hitler, comentou a respeito de von Kluge: "Eu, pessoalmente, o promovi duas vezes, dei-lhe as mais altas condecorações, uma grande propriedade…e uma grande quantia suplementar ao seu soldo de marechal-de-campo…"

Apesar de toda a colaboração e subserviência, Kluge não foi poupado e acabou se juntando à já grande lista de generais vitimados pelo regime nazista. Cometeu suicídio, perto de Metz, em 19 de agosto, ingerindo cianureto. Terminava de maneira deprimente a carreira de um brilhante marechal de campo.

Cargos[editar | editar código-fonte]

Precedido por
--
Comandante do 4º Exército (Polônia e França)
1º de setembro de 1939 — 19 de dezembro 1941
Sucedido por
General Ludwig Kübler
Precedido por
Generalfeldmarschall Fedor von Bock
Grupo de Exércitos Centro (URSS)
19 de dezembro de 1941 — 28 de outubro de 1943
Sucedido por
Generalfeldmarschall Ernst Busch
Precedido por
Generalfeldmarschall Gerd von Rundstedt
Comandante-em-Chefe no Oeste (França)
2 de julho de 1944 — 16 de agosto de 1944
Sucedido por
Generalfeldmarschall Walter Model
Precedido por
Generalfeldmarschall Erwin Rommel
Grupo de Exércitos B (Oeste)
19 de julho de 1944 — 17 de agosto de 1944
Sucedido por
SS-Oberstgruppenführer Paul Hausser

Referências

  1. Pag.313 - CARREL, Paul. Invasão 44. São Paulo. Editora Flamboyant, 1965

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • THOMPSON, R. W. O Dia "D" Ponta de Lança da Invasão. Rio de Janeiro: Ed. Renes, 1973.
  • SHIRER, Willian l. Ascensão e Queda do Terceiro Reich (4 vols). Editora Civilização Brasileira S.A. Rio de Janeiro, 1964.
  • CARREL, Paul. Invasão 44. São Paulo. Editora Flamboyant, 1965
  • BERBEN, Paul - O Atentado contra Hitler. Coleção Blitzkrieg, Nova Fronteira, 1962

Ver também[editar | editar código-fonte]

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