Comunismo de guerra

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O Comunismo de Guerra foi uma estratégia adotada pelos bolcheviques russos durante a guerra civil que ocorreu no país, logo após a Revolução Russa, em 1917. O Comunismo de Guerra pautava-se na premissa de que todas as forças produtivas do país deveriam-se orientar no sentido de combater os inimigos do povo, ou seja, os Russos Brancos e tropas de ocupação estrangeiras. As suas medidas político econômicas foram elaboradas por Bukharin e Preobrajenski.


Princípios[editar | editar código-fonte]

O termo comunismo de guerra é de certa forma questionável, visto que não se tratava de um sistema comunista propriamente dito mas sim uma reforma no sistema capitalista a fim de estabilizar o país e solidificar o governo bolchevique. O Comunismo de Guerra pode ser entendido como controle total do Estado Operário sobre a economia nacional para permitir que a República Soviética Russa sobrevivesse ao cerco imperialista, à invasão da potências estrangeiras e à Guerra Civil Russa, até a vitória da revolução na Alemanha e no Ocidente, garantindo a futura construção do Comunismo.

Após a Revolução de Outubro e até o início da Guerra Civil, a gestão da produção era mista entre trabalhadores e os patrões que não emigraram ou exercidas por conselhos operários, em outros casos, a gestão era exercida por funcionários públicos designados pelo Estado, ligados aos órgãos de planejamento. Contudo, os órgãos públicos de planejamento e gestão ainda eram muito rudimentares ou em formação. Os próprios sindicatos tinham um papel importante na organização da produção, interferindo parcial ou totalmente em alguns ramos da economia, através de nomeação de diretores nas empresas estatais e de delegados em conselhos diretores nas empresas de co-gestão. Com o Comunismo de Guerra amplia-se a intervenção direta do planejamento e gestão público na produção.

Portanto, o Comunismo de Guerra pode ser entendido como controle estatal direto da economia, em vista que o mercado pela guerra havia praticamente desaparecido, havia uma severa escassez de mercadorias e de capitais e vários capitalistas haviam fugido. Essa política econômica, deu-se através de medidas como a estatização de fábricas que não haviam sido ainda coletivizadas ou que estavam apenas sob controle operário, a requisição forçadas de víveres agrícolas e matérias primas, o racionamento de alimentos e produtos industrializados, a distribuição de tíquetes e talões de racionamento no lugar de pagamentos em moeda e trocas diretas de produtos.

Medidas Adotadas no Comunismo de Guerra[editar | editar código-fonte]

  • requisição de cereais;
  • censura à imprensa;
  • nacionalização de todos os bancos, fábricas e terras;
  • decreto do trabalho obrigatório;
  • requisição da produção agrícola;
  • comércio por troca direta;
  • direção do país tomada pelo partido comunista;
  • Reforma agrária;
  • Fim da propriedade privada;
  • Retirada da Rússia da Primeira Guerra Mundial;
  • Combate à fome;
  • Congelamento de preços e salários;
  • Centralismo democratico.

Resultados[editar | editar código-fonte]

De certa forma, pode-se dizer que o comunismo de guerra foi um desastre no ponto de vista da organização da produção. Com o confisco dos cereais dos camponeses pelo governo, passou-se a produzir visando apenas a subsistência, o que levou a uma crise no suprimento de grãos sem precedentes. Grandes centros urbanos entraram em crise causando o êxodo urbano e a morte de milhões, configurando-se assim uma das maiores tragédias da Rússia.

Fim do Comunismo de Guerra[editar | editar código-fonte]

Mais tarde, com a vitória do Exército Vermelho sobre o Exército Branco, o comunismo de guerra foi interrompido e deu-se início a um plano para a reconstrução do país e o fim da convulsão social, através da Nova Política Econômica.

A longa guerra, o esvaziamento de mão de obra rural, a carência de insumos e implementos agrícolas e as requisições forçadas levaram a uma profunda crise na produção agropecuária, com uma total descapitalização. Preobrajenski concluira que era preciso re-capitalizar o setor agrário durante atingido pelas 3 Guerras (Guerra Mundial, Invasões da potências imperialistas e a Guerra Civil) e o Comunismo de Guerra, pois este geraria excedentes necessários aos capitais para a industrialização, condição imperiosa à jovem república socialista, à medida que apesar de vencer as invasões das potências imperialistas e a guerra civil, encontrava-se isolada no mercado mundial, sem parceiros comerciais e apoios externos, e com um setor industrial interno atrofiado à necessidade do desenvolvimento socialista.

Em 1921 uma crise econômica grave em decorrência da desestruturação da economia soviética causada pelos anos da Guerra Civil recém encerrada e a grande destruição do parque produtivo após anos de beligerância sucessiva a I Guerra Mundial, a Revolução Russa e a Guerra Civil. Após a onda de protestos que culminou na Revolta de Kronstadt tornou-se claro que o Comunismo de Guerra não tinha mais utilidade a estrutura da produção do sociedade soviética. Os camponeses não aceitavam mais as requisições forçadas e os operários exigiam mais produtos, responsabilizando o governo bolchevique pela carestia e burocratização nas decisões econômicas. Uma grande parcela dos sindicatos haviam participado da Revolta ou organizado greves durante o período, contribuido para um desconfiança do Partido e do governo com eles. Inclusive, uma fração do Partido, muito ligado aos sindicatos havia apoiado as reivindicações da revolta, a chamada Oposição Operária.

O Partido Comunista então, após os graves eventos, considerou a necessidade de reorganizar a produção e as políticas econômicas e reavaliar sua intervenção e a relação do Estado com os sindicatos, contudo havia diferenças quanto ao que fazer. As discussões girava em como reorganizar a produção nacional em substituição ao Comunismo de Guerra, à medida que esse regime econômico gozava de desprestígio junto às massas e um reconhecido fracasso em seus resultados, bem evidenciado em crise econômica, recusa dos camponeses e nas greves. Surge uma dupla polêmica interna ao Partido sobre qual seria a forma de reorganizar a gestão da economia e o papel dos sindicatos e a relação desse com o Estado, conhecido como "polêmica em torno a questão sobre os sindicatos", se os órgãos diretivos da economia deveriam ser repassados à administração pelos sindicatos, e se esses deveriam sofrer uma re-estruturação para funcionar similarmente ao Exército Vermelho, o que ficou conhecido a proposta como "militarização dos sindicatos".

A alternativa aprovada porém foi a proposta de Lênin no X Congresso do Partido (março de 1921) de abandono do Comunismo de Guerra e de constituição de uma Nova Política Econômica pelo Estado Soviético, a chamada NEP, que assegurou a liberalização do mercado aos produtores agrícolas e urbanos e a concessões e autorizações ao grande capital industrial internacional, que permitiria re-capitalizar o setor pequeno-burguês agrícola e artesanal e re-ativar o setor fabril, permitindo uma acumulação de capitais necessárias à industrialização e garantindo o funcionamento da economia soviética apesar do boicote comercial internacional.

Veja também[editar | editar código-fonte]