Ditadura do proletariado

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A ditadura do proletariado é um conceito marxista polêmico que basicamente trata do período de transição entre a sociedade capitalista e a sociedade comunista. Há pelo menos duas interpretações da expressão: a clássica de Karl Marx e Friedrich Engels e a bolchevista de Lênin.

Índice

[editar] A ditadura do proletariado no marxismo clássico

A ditadura do proletariado para Marx representa uma fase de dominação direta do proletariado sobre a burguesia. Representa a hegemonia do proletariado sobre toda sociedade, ou seja, a direção do proletariado sobre o resto da sociedade para garantir a transição do capitalismo para a primeira fase da sociedade comunista. Como expressa Marx em seu livro Guerra Civil na França o proletariado deve tomar consciência do seu papel de classe e se armar para destruir o Estado burguês e quebrar a consequente resistência da burguesia, e um bom exemplo de ditadura do proletariado é a Comuna de Paris, mas Marx após a experiência da Comuna alerta que não basta apenas tomar o poder da máquina estatal é preciso abolir o estado, levando em conta que o estado existe porque a sociedade está dividida em classes. Apenas nisso consiste a ditadura do proletariado, no ato revolucionário de expropriar os meios de produção e quebrar a consequente resistência burguesa. Mas ao passo que constrói o socialismo a ditadura do proletariado promove a ampliação de democracia que torna-se pela primeira vez a democracia das massas. Mas se amplia a democracia e aboli o Estado, enquanto Estado, porque essa revolução se chama ditadura do proletariado?

Para Marx, o governo, por mais democrático que seja é uma ditadura, pois vive num quadro de um Estado o que garante a dominação da classe dominante e, segundo Engels, o uso da força pelo proletariado para expropriar os meios de produção seria também uma forma passageira de Estado e portanto uma ditadura. Segundo o mesmo Engels, em uma polêmica com os anarquistas, os marxistas seriam também a favor da abolição do Estado junto com a abolição das classes, mas acham necessário para isso o uso das armas o que seria uma forma passageira de Estado, mas Marx esclarece que não se trata aqui de trocar certas instituições por outras. O primeiro e ultimo ato próprio do Estado Operário é a abolição das classes e consequentemente sua própria abolição.

[editar] A apropriação da ditadura do proletariado na versão do bolchevismo

Para o bolchevismo a "ditadura do proletariado é a ditadura do partido comunista" (Lênin). Se diferencia da versão clássica porque a ditadura é necessariamente um Estado. Diferencia também porque enquanto para Marx se trata de uma revolução do proletariado independente (ainda que apoiada por simpatizantes de outras classes), na Rússia se torna um Estado "camponês e operário". Outra diferença marcante é que enquanto para Marx, a emancipação do proletariado é tarefa do proletariado, para Lenin, a emancipação do proletariado é tarefa do partido comunista(visto como Vanguarda Proletária).

Também tem a mesma atribuição de ser uma transição do capitalismo para o comunismo, sendo que para Lênin e Trótski, nessa fase a Rússia tem ainda de passar pelo capitalismo (um capitalismo que seria controlado pelo operário e camponês), criaria as bases objetivas para o socialismo e adentrando neste. Para Stalin, esta "Ditadura do Proletariado" já era o socialismo realizado.

[editar] A crítica marxista da ditadura do proletariado na versão do bolchevismo

A ditadura do proletariado foi um conceito indevidamente apropriado pelo bolchevismo para representar a ditadura burocrática que se instalou após a perda progressiva de poder dos comitês de fábricas como auto-representação do proletariado nos sovietes(o proletariado russo era minoria social) sendo este substituído pela tradicional representação do tipo democrático-formal (o que alguns denominam de democracia burguesa) nos soviestes (conselhos de representantes operários). A tensão entre partido e sovietes, como representação do proletariado na Rússia, sempre foi posto em questão pelos partidos menchevique e bolchevique.

Os mencheviques foram os primeiros a apoiarem os sovietes. Na eminência da revolução, o partido bolchevique apoiou o sovietes na palavra de ordem de Lenin "Todo poder aos sovietes", enquanto os mencheviques se posicionavam contra uma revolução comunista que num país como a Rússia seria utópico, e se posicionavam para que os sovietes permanecesse como uma força social-política, mas não tomassem o poder. A posição bolchevique, reforçada pela guinada repressiva do governo "liberal" e as crises que se avolumaram na época, foi a vitoriosa.

A tensão entre sovietes e o partido bolchevique foi totalmente diluída com o fim dos comitês de fábrica realizado pelo Partido Bolchevique, substituíndo-os pela representação do voto. E futuramente, o soviete perdeu qualquer poder político, sendo o partido(a cúpula do partido, sobretudo), no período stalinista, a única expressão de poder político efetivo. Com isso se generalizou a tese de que tais experiências do dito "socialismo real" representavam, não a ditadura do proletariado, mas a ditadura do partido. O soviete permaneceu como poder meramente simbólico.

A ditadura burocrática que se viu na Rússia tem para muitos marxistas (vide História do Marxismo) um regime nitidamente jacobino ou neojacobino de longa duração. Um regime terrorista, nacionalista, ditatorial e burocrático. Nesse sentido, numa análise marxista, expressa uma fase do desenrolar da Rússia para um capitalismo retardatário, por isso, formando em seu seio diversas ideologias contraditórias, desde o patriotismo stalinista autoritário até o internacionalismo trotskista, e um regime que busca coincidir interesses contraditórios como o "operário e camponês" de Lênin. Num entanto, um regime que herdava de seu passado uma imensa máquina burocrática que só caiu com a crise econômica do "bloco" e o fim do bolchevismo na Rússia.

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